O termo qualidade, referente a produtos e serviços, pode ser entendido como um conjunto de características de engenharia, produção e manutenção por meio dos quais o produto final acabado ou serviço atende às exigências e expectativas do cliente, termos como confiabilidade, acessibilidade e manutenabilidade são utilizados como definições de qualidade no produto, porém, representam um conjunto de características individuais e distintas do produto (FEIGENBAUM, 1994a).
É esperado que um produto desempenhe repetidamente a função para a qual foi concebido de acordo com as solicitações durante o ciclo de vida estipulado atendendo condições ambientais de trabalho, a chamada confiabilidade satisfatória, ou seja, os níveis de assistência e manutenabilidade devem estar adequados e compatíveis com período do ciclo de vida do produto, sendo primordial o produto ser seguro (FEIGENBAUM, 1994a).
Feigenbaum (1994a) descreve duas condições essenciais do cliente para um produto, o objetivo de utilização e o custo, sendo que esta duas exigências refletem no produto ou serviço outras dez condições, conforme segue enumerado abaixo:
1. Dimensionamento e condições operacionais; 2. Confiabilidade e objetivo de uso;
3. Exigências de segurança;
4. Custos de engenharia, qualidade e produção; 5. Normas relacionadas;
6. Condições de produtivas;
7. Instalação em campo e objetivos de manutenção e assistência; 8. Gasto energético e durabilidade dos materiais utilizados;
9. Condições ambientais e efeitos secundários e
10. Custos de utilização e assistência técnica para o cliente.
No contexto da engenharia e gerenciamento de sistemas, o objetivo final para alcançar a qualidade total exige formas eficazes de integração entre um número expressivo de pessoas, quantidade significativa de máquinas e equipamentos e grande volume de informações, com isso, surgem questões de grande proporção relacionadas aos sistemas e o conceito de sistema fica atrelado ao controle de qualidade total.
Relacionado ao controle de qualidade, historicamente, a definição de sistema passou de extremos como quantidade de papéis para utilização de
software, porém, estes conceitos mostram-se excessivamente limitados, pois
afinal o controle de qualidade necessita coordenação do total de atividades importantes e exige coordenação dos elementos relacionados com a qualidade (pessoas, máquinas, informações, entre outros) de forma robusta e ainda segundo Feigenbaum (1994a) sistema de qualidade possui a seguinte definição:
[...] combinação estruturada operacional ampla empresarial documentada segundo procedimentos técnicos e gerenciais integrados e efetivos, com propósito de guiar ações coordenadas de pessoas, máquinas e dados da empresa e de planta através dos meios práticos e adequado a fim de assegurar ao cliente satisfação quanto à qualidade e seus custos (Feigenbaum, 1994a, p. 19).
Conforme Nasa (2008), tendo origens nos programas de controle de qualidade do final da década de 70 e sendo o resultado direto dos programas de qualidade total da década de 80, o comissionamento historicamente estava associado com sistemas individuais e estáticos, porém, a moderna concepção de para esta atividade é um processo sistemático, documentado e colaborativo para garantir que um sistema e todos os componentes integrantes dele tenham as seguintes características:
Atender princípios de eficiência energética;
Plena funcionalidade e operação de acordo com as especificações do cliente e
Atender a expectativa de custos e qualidade do cliente.
O comissionamento é uma pratica de gerenciamento de projeto e execução técnica que adotado por empresas publicas e privadas devido aos benefícios em incrementar os resultados da entrega e finalização do projeto, além disso, o comissionamento é um esforço multidisciplinar e colaborativo que envolve o cliente, projetistas, construtores e agentes de comissionamento que buscam alcançar os melhores resultados do processo de comissionamento
(Veterans Affairs, 2013).
As atividades de comissionamento estão normalmente associadas com as disciplinas de mecânica, elétrica, segurança, segurança pessoal, transporte e movimentação e outros sistemas com os respectivos controles, além disso, existe convergência das atividades de comissionamento em direção à sistemática de manutenção e operação dos sistemas. Relativo à manutenção, a sistemática desenvolvida busca aumentar a probabilidade da máquina ou componente permanecer funcionando do modo desejado em tempo superior ao ciclo de vida para o qual foi projetado e com a menor quantidade de tempo de manutenção e parada, sendo esta sistemática chamada de manutenção com foco na confiabilidade, ou do inglês reliability-centered maintenance (RCM), que é composta pela manutenção preventiva, preditiva, corretiva e proativa e o conjunto inspeção e testes (NASA, 2008).
O direcionamento das atividades da equipe de comissionamento possui abrangência muito maior que o momento seguinte à finalização da etapa de construção e montagem de um sistema e está muito além do momento que antecede o início de funcionamento apertando um grande botão verde de „ligar‟ (KILLCROSS, 2012).
As atividades de comissionamento constituem um processo estruturado que é realizado concomitantemente com as fases de pré-projeto, projeto, construção, montagem, start-up, pré-operação, operação, aceitação e treinamento e fase de serviço de garantia (NIBS Guideline 3, 2012).
Os objetivos do processo de comissionamento são definidos em
Definir, documentar e manter um estado claro e mensurável o sistema integrado de desempenho ao longo de todas as fases;
Verificar e documentar de maneira fidedigna e precisa as exigências do desenvolvimento até a finalização de cada etapa, fase e evento;
Estabelecer claramente tarefas, entregas e programações para cada integrante da equipe de comissionamento, de modo a conduzir a realização das atividades para uma conclusão satisfatória;
Demonstrar e documentar efetivamente o desempenho da integração dos sistemas construídos por meio da realização de rigorosos procedimentos de testes;
Verificar o adequado treinamento dos operadores e das pessoas de manutenção e
Providenciar documentação, ferramentas de treinamento e indicadores de desempenho que possibilitem auditorias externas e internas avaliar o desempenho global do sistema.
No contexto da confiabilidade de produtos, Feigenbaum (1994b) apresenta quatro etapas básicas na evolução da confiabilidade, das quais é importante destacar o aperfeiçoamento da qualidade, na qual produtos com projeto, fabricação e utilização complexa ou que possuem necessidade e exigência de longos períodos de funcionamento confiável e isentos de problemas necessitaram do desenvolvimento de técnicas específicas voltadas para o projeto, fabricação, serviço e manutenção do produto.
Ainda em Feigenbaum (1994b), é mencionado como técnica para o caso anterior a folga de projeto, capacidade nominal reduzida, redundância, controle do efeito ambiental, análise efeito de modo de falha e criticidade, ou do inglês failure mode, effects and critically analysis (FMECA).
Em relação ao termo confiabilidade do produto, Feigenbaum (1994b) define de maneira análoga à Feigenbaum (1994a), como sendo a capacidade do item desempenhar a função dele demanda por determinado período de tempo determinado; de modo complementar, é definido pelo mesmo autor a confiabilidade quantitativa o produto que é a probabilidade do item desempenhar a função dele exigida durante certo espaço de tempo.
A análise da confiabilidade de um produto está baseada em estudos estatísticos para identificar padrões de falha em função do tempo durante o ciclo de vida dos produtos (FEIGENBAUM, 1994b e NÓBREGA, 2011). Muitos produtos e equipamentos apresentam ciclo de vida muito similar ao da curva do GRÁFICO 1 com três divisões distintas que segundo Feigenbaum (1994b) são definidas como sendo:
Primeiro período (“mortalidade”) – causado por falha prematura cujas causas são atribuíveis e não-aleatórias;
Segundo período (normal) – taxa de falha relativamente constante, de maneira aleatória e com causas constantes e
Terceiro período (desgaste) – também chamado de desgaste, no qual a taxa de falhas inicia um rápido crescimento.
GRÁFICO 1 – Curva típica para característica de vida de um produto.
FONTE: adaptado de FEIGENBAUM, 1994b.
Quando o produto final é destinado a indústrias que processam, manuseiam, armazenam produtos inflamáveis ou locais com a possibilidade de formação e presença de atmosfera explosiva, é necessário que técnicas de proteção apropriadas do modo de fabricação dos equipamentos eletro-eletrônicos, o respectivo processo de montagem e a manutenção necessitam seguir critérios definidos e normatizados para garantir o nível correto e aceitável de segurança nas instalações para as pessoas, os próprios equipamentos e o processo produtivo em si – segurança é a palavra fundamental para este tipo de atividade produtiva (JORDÃO, 2002).
Os equipamentos e demais produtos destinados às áreas classificadas não podem se tornar ao longo da vida útil, sob quaisquer condições de trabalho, uma fonte de ignição da atmosfera circundante, além desta condição, a operação segura e eficiente da planta produtiva está diretamente ligada com a correta especificação dos equipamentos a serem utilizados e da rígida e normatizada forma produtiva destes equipamentos e dispositivos, ou seja, equipamentos e o ambiente onde estão instalados e estarão operando devem ser compatíveis tecnicamente (BORGES, 1997).
3 CASO DE ESTUDO
O caso abordado nesta monografia, em especial apresentado neste capítulo, compreende um novo empreendimento de engenharia para expansão da planta industrial de refino de derivados de petróleo que está localizada na região metropolitana da cidade de Curitiba.
Devido ao porte, complexidade, volume físico, custo e necessidade de recursos específicos para cada tipo de processo produtivo, o empreendimento foi dividido em diversas partes que serão executadas por diferentes empresas ou consórcios de empresas, mas que ao término deverão compreender unidades de processo que operam em conjunto – cascata ou sequência.
Dois fatores relativos ao empreendimento merecem desataque, o primeiro consiste no fato que o novo empreendimento de expansão será realizado dentro dos limites já existentes, o que implica em atividades de construção concomitantemente com as atividades do processo produtivo de combustíveis e derivados, fato que tem grandes implicações relativas à segurança nacional, pois o governo brasileiro considera a atividade global do refino como sendo estratégica e de relevante importância para o Estado, por isso, a logística de acesso de trabalhadores, equipamentos, máquinas insumos, dentre outros terá atenção especial.
O segundo fator está relacionado com a produção contínua que atende mercados consumidores em três diferentes regiões do Brasil (sul, parte do sudeste e centro-oeste) e não pode ser interrompida ou parada devido à falhas ou problemas relacionados com o desenvolvimento das novas plantas. Neste contexto, durante a fase de comissionamento e todas as fases seguintes será exigido muita habilidade técnica, coordenação das atividades e informações e integração das pessoas e equipes envolvidas para evitar que falhas ou problemas impliquem na parada produtiva, pois o objetivo final é a operação integrada dos já existentes e dos novos sistemas de controle e de processo.
Em relação às informações e dados que serão apresentados, é importante destacar que não são sigilosos e não representam qualquer tipo de segredo industrial, pois todos os conteúdos de dados e informações aqui apresentados são de domínio público e estão disponíveis para livre acesso e consulta nos mais diversos meios de pesquisa, busca, comunicação e
armazenamento (base de dados) e também são compartilhados no ambiente acadêmico, científico e empresarial.
3.1 CONTEXTO DE SUPRIMENTOS, MACROECONOMIA E PRODUÇÃO