• Nenhum resultado encontrado

5. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

5.8 QUALIDADE PERCEBIDA

Costa (2005), em seu trabalho, buscou avaliar o revestimento de fachada de argamassa concluído, realizando-se um levantamento através de observação e registro de manifestações patológicas. A autora buscou quantificar nas paredes das fachadas a intensidade das manifestações, registrando o tipo e a provável causa das mesmas.

No estudo de Costa (2005), as manifestações foram verificadas sem auxílio de qualquer equipamento ou técnica que facilitasse a visualização, com distâncias aproximadas das paredes de 2,00 m. Como critério de sistematização das observações e registro das manifestações patológicas nas paredes da edificação, utilizou-se a seguinte classificação:

a) Classificação I: Não são percebidas fissuras visualmente nem outros tipos de manifestações patológicas;

b) Classificação II: Até 40% das paredes com fissuras percebidas visualmente; c) Classificação III: Mais de 40% das paredes com fissuras percebidas

visualmente;

d) Classificação IV: Outras manifestações patológicas (umidade, bolor, fantasmas).

Pavarisi (2008) também dotou do monitoramento de falhas no produto final como modo de avaliação do processo de produção do sistema. Nesse estudo foi considerada falha as manifestações patológicas encontradas no revestimento pronto. O levantamento dessas falhas foi realizado pela pesquisadora através da inspeção visual do revestimento e do registro das mesmas em planilha e na representação gráfica das fachadas. Foi registrado o tipo de falha e a quantidade encontrada em cada pano. No caso da presença de fissuras, foi registrado o número de fissuras.

O levantamento de dados foi realizado em dois momentos distintos, mas dentro das possibilidades de acesso à fachada. O primeiro logo após a produção do revestimento, entre 24 e 48h. O segundo em 28 dias. Com isso pretendeu-se registrar tanto as falhas que apareceram durante a cura do revestimento, período de retração inicial, quanto aquelas visíveis após um período maior de interação do revestimento com o ambiente (PAVARISI, 2008).

Segundo Pavarisi (2008), esse levantamento é importante porque a presença de manifestações patológicas pode indicar problemas no projeto, na matéria-prima ou no

produto final, oportunizando o aperfeiçoamento da tecnologia e do processo de produção através da geração de informações relevantes.

Para complementar as anotações de campo, foi criada uma planilha de acompanhamento das condições climáticas diárias. Nessa planilha são anotadas temperatura, umidade e insolação durante a produção das etapas de chapisco e massa única ou emboço/reboco e sua cura. Esse procedimento pode auxiliar em investigações sobre as causas das falhas encontradas no revestimento externo pronto, já que as condições climáticas têm influência direta sobre os resultados de qualidade do produto (PAVARISI, 2008).

No trabalho realizado por Segat (2006), utiliza de dois métodos para fazer o levantamento de manifestações patológicas observadas em revestimentos de argamassa:

No primeiro método, chamado por Magalhães (2004) de Método de Incidência, cada tipo de manifestação com a mesma causa é contabilizado apenas uma vez, independentemente do número de vezes e lugares diferentes em que se manifesta na edificação. Resulta no registro dos tipos de manifestações encontradas e do percentual das edificações atingidas (ANDRADE; DAL MOLIN, 1997 apud SEGAT, 2006).

No segundo método, chamado por Magalhães (2004) de Método de Intensidade, é considerado a quantidade de danos que aparecem em cada obra individualmente, contabilizando-se cada uma das manifestações observadas em cada peça da estrutura como uma ocorrência. Resulta no registro da intensidade do dano, podendo apontar o grau de comprometimento da estrutura em relação a cada uma das manifestações patológicas (ANDRADE; DAL MOLIN, 1997 apud SEGAT, 2006). Esse segundo critério de quantificação foi empregado em trabalho realizado por Aranha (1994), o qual estudou as manifestações patológicas em estruturas de concreto armado na região amazônica, aplicando esse método tanto para a quantificação das manifestações como dos sistemas de recuperação das estruturas (SEGAT, 2006).

O estudo de Andrade e Dal Molin (1997) refere-se a levantamentos de manifestações patológicas e formas de recuperação em estruturas de concreto armado. Compara os resultados obtidos com o emprego dos dois métodos relacionados, concluindo que ambos são complementares, sendo de extrema importância se saber tanto em que áreas uma determinada manifestação patológica se mostra mais evidente, quanto o nível de degradação de um conjunto de obras em função de uma manifestação patológica ou da interação existente entre duas ou mais manifestações (SEGAT, 2006).

Magalhães (2004), em seu trabalho que estudou a ocorrência de fissuras em alvenarias no estado do Rio Grande do Sul, empregou os dois métodos para analisar os dados coletados, de Incidência e de Intensidade, identificando que as fissuras causadas por variações de temperatura são predominantes quando considerada a distribuição por incidência, contrapondo-se ao predomínio das fissuras causadas por recalques de fundação quando considerada a distribuição por intensidade. Concluiu também que os dois métodos são complementares no levantamento de incidências de fissuras em alvenarias, mostrando-se o Método de Incidência recomendado para remontar panoramas de freqüência e identificar as manifestações, enquanto o Método de Intensidade é recomendado para determinar as quantidades de ocorrências. (SEGAT, 2006).

Assim, diante dos métodos vislumbrados, Segat (2006) entende que os métodos de Incidência e de Intensidade, conforme pormenorizados em Andrade e Dal Molin (1997), podem ser aplicados em levantamentos de manifestações patológicas em revestimentos externos.

O quadro 8 apresenta as principais manifestações patológicas de desempenho inadequado de revestimento de argamassa, podendo-se identificar as fases do processo em que se concentram as suas causas determinantes. Não foram consideradas as fissuras causadas pela ação de outros componentes do edifício sobre o revestimento (CINCOTTO, SILVA e CARASEK, 1995 apud FERREIRA, 2010).

Quadro 6: Manifestações patológicas dos revestimentos de argamassa

Documentos relacionados