Quanto ao WHOQOL-OLD e suas dimensões, foram encontradas diferenças
significativas na comparação das seguintes dimensões: Autonomia, Atividades e
Participação; além do Escore Total da escala. Nas análises, constatou-se que os idosos do
GC pontuaram mais alto que os idosos do GN nessas dimensões. Observa-se que não
houve diferença significativa entre os grupos nas seguintes facetas: Funcionamento
Sensório, Morte e Morrer, além da Intimidade.
O domínio Autonomia discorre sobre a liberdade para tomar suas próprias decisões
e em relação às pessoas ao seu redor respeitarem sua liberdade (Fleck, Chahamovich e
Trentini, 2006). A qualidade de vida dos idosos muitas vezes se encontra associada à
questão de dependência e autonomia em meio às mudanças sociais e alterações
biopsicossociais (Sousa, Galante, & Figueiredo, 2003).
Sobre a dimensão Autonomia, Teixeira (2013) ao estudar idosos de grupos de
convivência na cidade de Juiz de Fora/MG, encontrou média de 16,5 pontos na faceta
autonomia. Outro estudo desenvolvido por Serbim e Figueiredo (2011) mensurou a
qualidade no grupo de convivência de idosos no Centro de Extensão Universitária Vila
Fátima (RS) e a média da autonomia foi 13,5 pontos. Os estudos de Dias e Tavares (2010)
o grupo de terceira idade na zona urbana do município de Uberaba (MG) e grupos de
idosos institucionalizados em Natal (RN), obtiveram média de ambos os grupos em 10,5
pontos.
Na presente pesquisa, a média ficou acima dos últimos trabalhos citados (a média
desses estudos com grupos de convivência obteve 13,0 pontos), o que demonstra que a
faceta da Autonomia se revelou alta em idosos do GC em Aracaju. Sobre isso, sabe-se que
idosos dotados de maior autonomia possuem mais sentimentos de controle sobre sua vida,
planejam projetos futuros e tem maior expectativa de longevidade, melhorando sua
qualidade de vida (Agich, 2008). Sendo assim, os idosos que participam dos grupos têm a
sua Autonomia incentivada, pois frequentar as reuniões exige uma estimulação à
independência na velhice através das atividades e o contato com outros usuários do
serviço, que tendem a ser ativos e saudáveis. Por outro lado, os que têm menor autonomia
por motivos de adoecimento, por exemplo, podem ter mais dificuldade de participarem de
GC, ficando mais tempo em casa (Miranda & Banhato, 2008). Portanto, percebeu-se no
presente estudo, que a Autonomia se mostra como uma faceta da qualidade de vida
possivelmente impactada pela participação nos grupos de convivência.
No que tange às Atividades do Presente, Passado e Futuro, as expectativas
evidenciadas referem-se, principalmente, às seguintes atribuições: o que o idoso pode
esperar do presente para o futuro, a satisfação com aquilo que alcançou e suas
oportunidades para continuar com as realizações, e se recebeu o reconhecimento que
mereceu na trajetória de vida (Fleck, Chahamovich, & Trentini, 2006).
Na amostra estudada, a faceta Atividades apresentou a média de 15,1 pontos no GC
o que significa afirmar que os idosos frequentadores desses grupos são mais satisfeitos que
os do GN com o nível das atividades desempenhadas cotidianamente, no passado e nas
Miranda e Banhato (2008), que estudou um grupo de convivência na cidade de
Carneirinho-MG. Na ocasião, a média entre o grupo de convivência foi 15,4 pontos.
Nogueira et al (2015) pesquisaram grupos de convivência de idosos que frequentam UBS
no interior paraibano onde o melhor desempenho foi a faceta de atividades com a média de
14,5 pontos.
Com o exposto, constata-se que neste estudo a média de 15,1 foi superior aos
demais estudos e não apenas mais alta que a média do GN. Entende-se que a participação
dos idosos no GC é compreendida como um elemento propiciador da elaboração de planos
para o futuro, a exemplo das viagens e eventos programados e incentivados no GC; por
exemplo, turismo da Terceira Idade e atividades ocupacionais de artesanato e geração de
renda, como também, para o dia-a-dia, pois eles programam sua rotina de acordo com as
atividades que estão envolvidos em suas reuniões.
Outro domínio que houve significância estatística foi à Participação Social, que
explica a satisfação com a maneira como idosos investem seu tempo e o seu nível de
atividade (Fleck, Chahamovich, & Trentini, 2006). No estudo comparativo de Lima e
Bittar (2012) com idosos integrantes e não integrantes de grupos em Carneirinho/MG,
notou-se que os maiores escores da WHOQOL-OLD pertencia ao grupo participante de
atividades de promoção à saúde com diferenças significativas entre dois grupos, dentre os
domínios encontravam-se autonomia, atividades passadas, presentes e futuras, participação
social e escore total.
Os grupos de convivência são instrumentos referenciais nas políticas públicas, na
construção coletiva do protagonismo social, no acesso aos direitos sócio-assistenciais, nas
estratégias de enfrentamento às doenças crônicas e na luta pela cidadania e pertencimento
A temática dos grupos de convivência também é debatida na área de assistência
social nos municípios brasileiros, instituídos como prioridade na proteção social básica da
comunidade, são conhecidos como Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos
para Pessoas Idosas (Brasil, 2009). Para Coutinho (2005), Rizzolli e Surdi (2010) e Py
(2006), a participação de idosos em grupos contribuiu com mudanças favoráveis em
diversos âmbitos na vida deles, tais como: na convivência com pessoas da mesma geração,
oportunidades de debates sobre perdas e ganhos, ampliação de amizades intergeracionais e
o sentimento de pertencimento e valorização, melhorando assim sua saúde.
Nota-se que a participação social seria importante para os idosos não participantes
dos grupos, pois seus pares que participam dos grupos têm maior acesso a experiências de
lazer, programas de saúde e inclusão social, e isso poderia ser propiciado a eles também,
caso houvesse mais incentivo ou políticas de promoção à participação nos GC.
A dimensão Funcionamento Sensório analisa o funcionamento sensorial e o
impacto da perda dessas habilidades na qualidade de vida (Fleck, Chahamovich, &
Trentini, 2006). As médias entre os grupos GC e GN apresentaram-se praticamente iguais
(12,0 pontos) e, possivelmente, isso se deve ao fato de que são idosos jovens em ambos os
grupos, o que foi reiterado pela ausência de diferença estatisticamente significativa no que
se refere à idade entre os grupos. Esses resultados são equivalentes com os de outros
estudos com idosos como, por exemplo, Nicolazi et al. (2009), no qual o relato de seus
entrevistados aponta que as perdas sensoriais não afetam a vida diária e a interação com as
pessoas, especialmente na primeira fase da terceira idade, e isso independe de participar ou
não de grupos de convivência, uma vez que está intimamente ligada ao processo de
envelhecimento fisiológico.
Ao se deparar com o domínio Morte e Morrer, nesta pesquisa muitos idosos
Contudo, encontram-se temerosos no que refere ao sofrimento antes de morrer, o que foi
corroborado nos estudos de Fleck, Chahamovich e Trentini (2006), Figueira et al. (2009),
Lubirni (2001) e Nicolazi et al. (2009). Ou seja, a participação nos GC não pareceu
influenciar a percepção de morte, daí a similaridade com o GN.
Na dimensão Intimidade, foi averiguada a capacidade dos idosos de terem
relacionamentos pessoais e íntimos. Os resultados demonstraram equivalência entre os
grupos na referida dimensão. Podemos atribuir essa equivalência em virtude do viés
amostral, visto que os idosos do GC pode estabelecer mais relações íntimas em seu grupo,
por serem na maioria não casados. No GN as relações parecem ser estabelecidas seja pelo
cônjuge ou pelo suporte familiar. Os idosos do GC parecem encontrar suporte entre seus
pares no grupo social, uma vez que em sua maioria são viúvos. Isso pode ter influenciado o
dado na direção da ausência de significância estatística, já que, embora no GN tenham
mais casados, ainda assim não tiveram escore superior aos do GC (e vice-versa). Logo,
percebe-se o importante papel dos GC na vida dos idosos e, por conseguinte, na qualidade
de vida, pois o estabelecimento de relações íntimas é importante para socialização,
reintegração social e melhoria da saúde do idoso.
Na avaliação ou escore total da WHOQOL-OLD, os idosos do GC possuem maior
qualidade de vida em relação ao GN, corroborando, assim, os estudos de Lloblet, Ávila,
Farrás e Canu (2011) e Pereira, Ivarez e Traebert (2011). Nesse sentido, no estudo de
Ermel (2012) constatou-se a avaliação da qualidade de vida entre idosos brasileiros no
município de Marília/ SP e dos idosos portugueses no município de Porto (Portugal)
usuários da atenção básica de saúde. Essa pesquisa comparou as variáveis com maior
pontuação entre idosos brasileiros e portugueses, nota-se que todos os domínios e facetas
foram avaliados positivamente, já os idosos brasileiros apresentaram melhor desempenho
acesso aos serviços de saúde, atividades, relação social e relações com a família, bem
como os achados do presente estudo.
Com base nos resultados encontrados, é possível entender que a participação do GC
amplia a qualidade de vida em dimensões importantes da vida dos idosos. Viu-se que esse
resultado não se encontra em todas as dimensões, mas nota-se que em questões essenciais
o grupo de convivência parece fornecer uma notável contribuição na vida dos idosos.
Em relação à escala SSQ-6, o estudo detectou que não houve diferenças estatísticas
significativas entre os grupos e nem em relação aos índices ligados à qualidade de vida.
Vale ressaltar que o suporte social se refere a funções desempenhadas por grupo ou
pessoas significativas em determinadas funções da vida no intuito de satisfazer suas
necessidades (Martins, 2005). No estudo de Areosa et al. (2012) com os grupos de
convivência de idosos entre Brasil e Espanha, objetivou-se conhecer a percepção dos
idosos sobre seus relacionamentos sociais, familiares e com os grupos de convivência. Os
resultados demonstraram 97% de satisfação dos idosos com as relações estabelecidas nos
grupos de amigos, formados a partir de grupos de convivência para a terceira idade, e
apontam os idosos como mais autônomos, independentes e satisfeitos com suas relações
familiares e amizades. Nesse contexto, Areosa e Ohlweiler (2000) disseram que a inserção
nos grupos de apoio para idosos causa satisfação pessoal, aumento de relacionamentos e o
reconhecimento do outro diante do grupo.
No presente estudo, no caso do GC, possivelmente a interação grupal, a
participação de atividades lúdicas comunitárias ou experiências de lazer proporcionam
mais vínculos sociais e oferecem mais suporte. Com isso, possivelmente a participação nos
GC tenha suprido, em certa medida, o suporte social que idosos do GN possuem em
demais relações interpessoais. Isso se acredita que também tenha ocorrido no que tange à
famílias e casados, o que, geralmente, sustenta importantes fontes de suporte social e
provimento de qualidade de vida na terceira idade. A exemplo disso, Leite et al. (2008)
realizaram estudo com 338 idosos, 87% desses identificaram uma interação social positiva
na rede familiar e social que lhes atribuem suporte emocional, material, afetiva e
informativa. Nas pesquisas de Thompson e Heller (1990), Mccamish-Svensson (1999), a
satisfação da vida e o apoio social dos idosos referem-se à dinâmica de contatos regulares
com seus parentes, amigos e familiares mesmo que reduzidos a esse suporte social.
Enfim, a ideia de que os idosos que frequentam GC possuem maiores índices de
qualidade de vida em relação aos idosos do GN foi reforçada. Todavia, a noção de que o
suporte social é maior nos grupos de convivência e que ele estaria associado à qualidade de
vida não foi confirmada, possivelmente em virtude do viés amostral, que teve mais casados
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A proposta do trabalho consistiu em analisar as relações entre Qualidade de Vida e
Suporte Social em idosos que fazem parte e os que não participam de Grupos de
Convivência da Terceira Idade. Dado o exposto, a pesquisa revelou que os idosos que
pertencem ao grupo de convivência possuem maior nível de qualidade de vida nas facetas
Atividades, Participação e Autonomia e no escore total, e o suporte social não diferiu na
análise entre os grupos e nem se relacionou significativamente à qualidade de vida.
Partindo do pressuposto que a pesquisa foi realizada em um ambiente institucional
dos grupos de convivência, espaço rico sobre um novo envelhecer com qualidade de vida,
alguns aspectos como condições de convivência, saúde e vida foram desvendados a quem
nele circula. Espera-se que esta pesquisa possa contribuir para a realização de futuros
estudos sobre qualidade e suporte social em idosos.
Com efeito, o estudo sobre a qualidade de vida e suporte social em idosos motiva
novas perspectivas para a psicologia social aplicada à saúde, mantendo uma visão
ampliada no estudo de variáveis positivas do envelhecimento, expandindo a preocupação
social na atribuição de novos compromissos e incentivos voltados para as políticas
públicas, serviço de convivência e fortalecimento de vínculos sociais como os grupos de
apoio.
Nesse ínterim, almeja-se que através do presente estudo haja o incentivo aos
profissionais nas suas posturas práticas cotidianas, e que desenvolvam suporte técnico de
referência na comunidade onde se encontra inserido, e que por intermédio de estratégias e
intervenções psicossociais busquem a escuta ativa das demandas emocionais e sociais.
diálogos com as redes de assistência à saúde do idoso, a fim de que possam contribuir para
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