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horas, quando a depoente foi embora, ali a depoente o deixou; que a depoente ainda se recorda de que CLEBER,

No documento CLEBER LUIZ DE OLIVEIRA, RG n (páginas 57-65)

na parte final da tarde, saiu de casa para ir a um shopping trocar a roupa que comprara para a sobrinha, mas de lá retornou por volta das 18:00 horas, e permaneceu em casa até quando a depoente foi embora.

..que a mãe de CLEBER se encontrava em casa; que além da mãe dele, ali s e encontravam duas irmãs dele e algumas vizinhas que estavam ajudando nos preparativos da festa”.

A indispensável premissa que deve ser desde logo fixada em relação aos depoimentos acima transcritos é no sentido de que NÃO FORAM CONTESTADOS OU CONTRADITADOS pelo Ministério Público. Significa dizer que as 03 TESTEMUNHAS FALARAM A VERDADE acerca daquilo que sabiam e presenciaram, tanto que não houve qualquer manifestação do Ministério Público ou do Juízo quanto à apuração de crime de falso testemunho.

Verídicos os conteúdos dos referidos depoimentos porque incontestados, tem-se, conforme relataram as 03 testemunhas, os seguintes pontos inafastáveis:

- no dia do crime o ora Requerente dedicou-se a participar dos preparativos da festa de sua sobrinha;

- no dia e horário do crime o ora Requerente estava em sua residência;

- no dia do crime o ora Requerente foi visto em sua residência no horário compreendido entre 18 e 21 horas;

- no dia seguinte ao crime ocorreria a festa de aniversário da sobrinha do ora Requerente.

A corroborar e confirmar os depoimentos das 03 testemunhas, o ora Requerente trás ao conhecimento dos Julgadores documentos novos: CERTIDÃO DE NASCIMENTO DE THAYNÁ DE OLIVEIRA SARGES (doc.51) e FOTOGRAFIAS DA FESTA DE ANIVERSÁRIO (doc.52).

A certidão de nascimento de THAYNÁ demonstra que seus avós maternos são CLAUDINO LUIZ DE OLIVEIRA e MARIA MARTA ALVES DE OLIVEIRA, os quais são os GENITORES DO Requerente. Indubitável, portanto, o vínculo de parentesco entre THAYNÁ e Requerente, sendo aquela sobrinha deste.

A data de nascimento de THAYNÁ é 07.07.95.

Assim, em 07.07.02 efetivamente era o dia de seu 7º ano de vida, razão pela qual preparou-se uma festa de comemoração. Os arranjos para o festejo deram-se no dia anterior, isto é, 06.07.02, justamente a data do crime de homicídio.

Vê-se que as declarações fornecidas pelas testemunhas sobre a festa de aniversário e seus preparativos, bem como sobre a presença do ora Requerente em sua residência no dia 06.07.02 entre 18 e 21 horas, são absolutamente verdadeiras.

Prosseguindo, o outro documento novo são as FOTOGRAFIAS DA FESTA DE ANIVERSÁRIO, sendo que em 01 delas o ora Requerente aparece em companhia de sua sobrinha THAYNÁ.

Os documentos novos reforçam e comprovam a prova de defesa produzida na instrução criminal originária. Cumpre lembrar, por oportuno, que as testemunhas de defesa não foram objeto de desconfiança pelo Ministério Público ou pelo Juízo.

Resta comprovado, então, que o ora Requerente, no dia 06.07.02, entre 18 e 21 horas, encontrava-se em sua residência, localizada na Rua Frei Bento 216/Cordovil, e não na Rua Japobim 113/Cordovil, local do crime de homicídio.

A prova de defesa desmonta por completo a farsa policial arquitetada pela Polícia Judiciária para incriminar o ora Requerente e harmoniza-se com os destinos dos CO-RÉUS ERCULANO e WILLIAN, aquele absolvido pelo Tribunal Popular a pedido do Ministério Público, e este impronunciado pelo MM.Juízo a quo.

Nenhum dos 03 acusados inicialmente pela prática do crime de homicídio estava na cena delitiva. O CO-RÉU WILLIAN, conforme já demonstrado alhures, estava preso numa carceragem da Polícia Civil; o CO-RÉU ERCULANO foi absolvido pelo Conselho de Sentença com a anuência do Parquet, que se convenceu de sua absoluta inocência; e o ora Requerente estava em sua residência no dia e horário em que os verdadeiros homicidas executavam a vítima.

A análise detida e imparcial do processo não conduz a outra conclusão que não esta.

Com isso, o reconhecimento feito por carta precatória mediante a exibição de uma fotografia em preto e branco à testemunha KARLA perde definitivamente qualquer valor ou credibilidade. Se o ora Requerente estava em sua residência no dia e horário do crime, como indubitavelmente comprovado, obviamente que não poderia estar ao mesmo tempo em outro lugar, a não ser que fosse dotado do dom metafísico da ubiqüidade.

IX) CONCLUSÃO

O exame cuidadoso de todos os fatos narrados ao longo da exposição leva a uma única conclusão: o ora Requerente foi vítima de uma trama armada com o objetivo de responsabilizar criminalmente outras pessoas que não os verdadeiros autores do crime que ceifou a vítima de Luiz Leite de Aguiar, então Vereador do Rio de Janeiro.

Desde seu início, a investigação policial já estava fadada a chegar a um resultado predeterminado. Todos os meios seriam utilizados para desviar à autoria do crime de homicídio dos reais criminosos.

De fato, a primeira providência foi “convencer” à filha da vítima, KARLA CRISTINA, de que o Requerente era de fato um dos homicidas de seu pai. Para tanto, disseram-lhe na Delegacia de Polícia que os suspeitos- dentre os quais o Requerente- já haviam “confessado” a prática do delito de morte.

Por isso foi preciso que KARLA CRISTINA comparecesse uma segunda vez à Delegacia de Polícia para positivar um reconhecimento que, no dia anterior, tinha resultado negativo.

Tranqüilizada pela “confissão” dos suspeitos que lhe fora comunicada pelos policiais, KARLA CRISTINA fez o reconhecimento.

No entanto, todos os atos de reconhecimento (fotográfico, de um homem só e mediante carta precatória com exibição de fotografia em preto e branco anteriormente mostrada) não obedeceram minimamente às prescrições legais. Assim, de acordo com a jurisprudência firmada pacificamente pelo Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, não se prestam a servir legitimamente como fundamente à condenação criminal.

Tendo em vista que este foi o único elemento de prova que conduziu à condenação do ora Requerente- como aliás foi expressamente reconhecido pela Segunda Câmara Criminal ao julgar recurso de apelação- tem-se que a decisão condenatória, à falta de qualquer outro material probatório, mostra evidentemente dissociada da evidência dos autos.

Em conseqüência, a prova de defesa produzida pelo ora Requerente afigura-se como a única versão verdadeira contida no processo originário. Os depoimentos das testemunhas defensivas- nenhum deles taxado de falso pelo Ministério Público ou pelo Magistrado- são no sentido de que o ora Requerente, no dia e horário do fato-crime, encontrava-se em sua residência ajudando no preparo da festa de aniversário de sua sobrinha que ocorreria no dia seguinte (07.07).

A nova prova documental trazida confirma os depoimentos das testemunhas de defesa: THAYNÁ, sobrinha do ora Requerente, nasceu em 07.07.95 e efetivamente foi realizada uma festa comemorativa no domingo dia 07.07.02.

Por outro lado, está documentalmente comprovado que houve uma farsa montada para incriminar o ora Requerente e demais co-réus. Registros de ocorrências policiais foram falsificados com o intuito de justificar a presença, no local do crime, de um veículo de propriedade da esposa de um Policial Civil. Alteraram-se fatos, locais e horários para livrar de qualquer suspeita o envolvimento de outras pessoas que não os iniciais “suspeitos”. O depoimento do Delegado de Polícia presidente do inquérito policial igualmente não se coaduna com a verdade fática no que toca ao referido veículo, que, estranhamente, não foi objeto de apreensão, apesar de ter sido utilizado e manejado pelos autores do crime de homicídio. Todos os meios foram usados para apagar, da cena delitiva, o CORSA PLACA LCZ 7434.

O novo depoimento de SANDRA, esposa do Policial Civil LUIZ CARLOS e proprietária do CORSA, apenas corrobora a versão mentirosa montada no inquérito policial. Referida testemunha insiste que o seu veículo foi objeto de crime de roubo no dia 06.07.02 quando o mesmo estava, consoante exaustivamente demonstrado, sendo utilizado na prática do crime de homicídio.

Finalmente, a absolvição do CO-RÉU ERCULANO torna ilegítima e injusta a manutenção da condenação do ora Requerente.

O Ministério Público e a Segunda Câmara Criminal firmaram a umbilical e íntima ligação entre ambos na empreitada criminosa, afirmando que a culpabilidade de um implicava necessária e obrigatoriamente na culpabilidade do outro. Foi consignado, inclusive, que era o CO-RÉU ERCULANO o maior interessado na morte da vítima, e não o ora Requerente. Ora, sendo assim, a absolvição de CO-RÉU ERCULANO, para manter a lógica, deve acarretar na absolvição do ora Requerente.

As acusações postas contra os co-réus ERCULANO e WILLIAN foram aos poucos sendo desmontadas: este estava preso no dia do crime; aquele, apesar de ser apontado como o principal interessado na morte da vítima, foi absolvido pelo Conselho de Sentença a pedido do Ministério Público.

Apenas a acusação em face do ora Requerente foi procedente. Mas ninguém se anima, diante do quadro apresentado, a querer mantê-lo no cárcere por um crime que evidentemente não teve nenhum envolvimento seu e dos co-réus.

Antes de tudo, a absolvição do ora Requerente é questão de justiça. A farsa e a mentira não podem jamais prevalecer no processo criminal de índolo restritiva de liberadade. Há duas alternativas: absolvição, com restauração da justiça e verdade dos fatos;

ou a manutenção da condenação do ora Requerente, apesar de sua comprovada inocência, com o que se estará chancelando toda a sorte de falsidade e mentiras que recheiam este processo criminal.

X) PEDIDO

Ante o Exposto, requer a Vossas Excelências:

- o deferimento da gratuidade de justiça, com a isenção do pagamento da taxa judiciária;

- a requisição dos autos originais dos Processos n° 2002.001.081810-0 e 2002.001.081810-0/1 ao MM.Juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca da Capital do Rio de Janeiro (II Tribunal do Júri) para instrução do feito;

- o acolhimento da pretensão revisional para o efeito de julgar

PROCEDENTE O PEDIDO

, com a

ABSOLVIÇÃO

do Requerente da imputação em virtude da plena demonstração de sua inocência, com fulcro no art.386, inciso IV do Código de Processo Penal, e, conseqüentemente, a expedição de

ALVARÁ DE SOLTURA

em seu favor, a ser cumprido na Penitenciária Milton Dias Moreira.

Caso acolhido o pedido, requer seja expedido ofício ao MM.Juízo da VEP/RJ (Processo n° 2005/04293-2) comunicando o teor da decisão para que seja cancelado o respectivo processo de execução penal, bem como aos órgãos de cadastro de informações criminais de praxe (Instituto Felix Pacheco e cartórios distribuidores).

Rio de Janeiro, 11 de agosto de 2006.

MARCELO MACHADO FONSECA -Defensor Público-

mat.

LEONARDO ROSA MELO DA CUNHA -Defensor Público-

mat.852706-1

No documento CLEBER LUIZ DE OLIVEIRA, RG n (páginas 57-65)