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QUANDO O CONHECER SE TORNA O PROCESSO DE VIVER

2 COMO RESTABELECER NO CONTEXTO ESCOLAR O RESPEITO, A SOLIDARIEDADE

2.4 QUANDO O CONHECER SE TORNA O PROCESSO DE VIVER

Depois que os anseios dos professores foram explicitados, a questão que se colocou foi: “Saber o que queremos é um ponto de partida, mas não basta saber, é preciso querer”, como muito bem enfatizaram alguns professores, e mais, é preciso aprender a transformar o saber em agir. É preciso CRIAR o que queremos.” A teoria quântica fornece uma nova opção, ao sugerir que a criação é um resultado do enfoque e não da força.

A tensão e o esforço são concepções mecanicistas; a partir de uma perspectiva quântica, a vida simplesmente se apresenta de maneira diferente, quando mudamos nosso enfoque.10

10 O famoso físico inglês David Bohm referiu-se à criação da matéria como a dança cósmica. Depois de

anos de pesquisa, ele concluiu que a percepção humana coreografa a dança cósmica. Isso implica que aquelas coisas externas que nós , de maneira tão vivida, vemos, tocamos, ouvimos, degustamos, são de alguma maneira, evocadas por nós, os observadores. O físico Fred Alan Wolf concorda: “A maneira como a matéria aparece depende de escolhas feitas pela nossa mente; a realidade é uma questão de escolha.”(1989, p.129). Com isso eles não querem dizer que nós os observadores do mundo físico criamos a realidade a partir de um vazio; mas sim que evocamos a realidade a partir de um campo de energia invisível, um menu de potenciais energéticos.

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Concordamos com SHELTON (1999, p.117), em sua idéia de que o verdadeiro aprendizado não se refere à aquisição de dados, mas à expansão da capacidade de

saber e, depois, de agir.

Os professores elaboraram em conjunto um Termo de Compromisso sobre as

relações pedagógicas e administrativas para o ano em curso. Os itens tratados referiram-se a questões práticas do cotidiano, que contribuiriam para restabelecer a ordem na organização escolar: cumprimento do horário de entrada e saída das aulas; organização prévia do material didático a ser utilizado nas aulas, para evitar saídas das salas (giz, livro de chamada, recursos audiovisuais); sistema de avaliação; critérios para permitir a saída de aluno da sala; normas para entrega dos trabalhos escolares; uso do guarda-pó; permanência na escola do registro de classe; horário de fechamento da sala dos professores; uso do laboratório; aviso com antecedência e justificativa no caso de falta às aulas; sistema de reposição das aulas; uso de TV e vídeo; interdependência do trabalho docente com a secretaria da escola; escolha de Professor Ouvidor em cada turno, para receber e levar as reclamações e reivindicações para serem discutidas em assembléia; melhoria do repasse de informações de interesse dos professores, critérios para a participação do aluno em atividades de manutenção da escola e esportivas; planejamento cooperativo e antecipado das atividades festivas, culturais e feira de ciências; normas para distribuição das aulas entre os professores; proposta de eleição de representante masculino e feminino em cada turma de alunos; definição de um professor conselheiro por turma.

Foi interessante observar que a elaboração do Termo de Compromisso acabou se convertendo numa agenda de reivindicações julgadas necessárias para imprimir uma nova organização pedagógica e administrativa no Colégio.

FIGURA 4 – O TERMO DE COMPROMISSO ELABORADO FIGURA 3 – DINÂMICA DE GRUPO

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2.4.1 Compartilhando a Nova Proposta com os Alunos

Durante os dois primeiros dias de aula do ano letivo, pela primeira vez na história da escola, os professores construíram com os alunos de todas as turmas de 5a

a 8a séries do ensino fundamental e de 1a e 3a série do ensino médio, dos turnos diurno e noturno, a “Árvore de Sonhos e Esperanças”. Também elaboraram o Termo de Compromisso em cada turma, onde foram discutidas as seguintes questões com os alunos: horário de inicio e término das aulas, critérios para saída da sala durante as aulas, critérios para elaboração e prazos para entrega dos trabalhos escolares, organização e manutenção da limpeza da sala, justificação das faltas, uso de livros didáticos, escolha do representante de turma, atitudes durante as aulas, relações interpessoais professor - aluno, aluno - aluno. Foi uma ação de caráter dialógico e de engajamento que possibilitou aos alunos e professores perceberem que são influenciados não apenas pelas suas intenções pessoais, porém também pelas dos colegas. Cada um não só é capaz de criar, mas também de criar conjuntamente. Juntos, alunos e professores puderam projetar uma realidade de sala de aula, consensual, coletiva.

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Foram realizadas também dinâmicas de autoconhecimento e sensibilização em todas as turmas, com o objetivo de:

- recepcionar os alunos de uma forma mais humanística ;

- assumir na sala de aula uma atitude pedagógica condizente com a concepção do aluno como Ser Integral;

- incentivar o “espírito de unidade e cooperação” entre os alunos.

Após a realização dessas dinâmicas (vide metodologia), os professores reuniram-se para avaliar a nova experiência. Os pontos comuns então relatados foram: (RO e RE)11

- Houve, em geral, atitude de surpresa dos alunos, porque esperavam que os professores iniciassem as aulas de forma tradicional, abordando os conteúdos e o sistema de avaliação. Também mostraram-se surpresos pelo fato de todos os professores terem preparado e desenvolvido com eles um trabalho que foi além do enfoque cognitivo, avançando na perspectiva do ser integral.

- Constataram que nas turmas havia divisão entre os alunos e observaram comportamento de rejeição entre eles, a não aceitação de determinados colegas de turma, a formação de “panelinhas”. Em todas as séries houve uma certa resistência de alguns alunos em se exporem no grupo, observando-se atitudes de vergonha e timidez. Na opinião dos professores, “os alunos precisavam ser muito estimulados a participar.

Não queriam se mexer”.

11RO RE: relato oral e relato escrito dos professores.

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Segundo a fala de um dos professores, durante o recreio os alunos comentaram sobre as dinâmicas realizadas em sala e a ênfase dada pelos professores às atitudes de respeito e solidariedade. Assim esse professor expressou-se: “Os alunos

vão cobrar “unidade” entre nós professores”. Com isso, ele estava querendo alertar

seus colegas de que os alunos iriam observar se os professores seriam capazes de “viver o discurso”. Sob o nosso ponto de vista, a questão da “holopráxis”12 é um dos grandes desafios do processo evolutivo transpessoal.

Dentre as observações dos professores, o fato de os alunos necessitarem ser “muito estimulados” a participar nas dinâmicas lúdicas, sugere que esse tipo de proposição era atípico no ambiente escolar. Os alunos pareciam condicionados a uma atitude docente que sempre deu ênfase aos aspectos cognitivos e aos conteúdo do ensino.

Por outro lado, podemos encontrar explicação para a resistência e timidez quanto à participação dos alunos, na falta de um clima de confiança e harmonia entre os integrantes da turma e na existência de subgrupos que competiam entre si de forma negativa, desprestigiando - se uns aos outros.

A análise conjuntural do colégio revelou que, na raiz da desunião, característica comum em todos os segmentos - alunos, professores e pessoal técnico administrativo do colégio - existia desconfiança e medo. Um padrão cristalizado de crenças negativas, como uma nuvem escura, pairava na atmosfera escolar.