4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.2.2 Quantidade de matéria seca do campo nativo
Os dados médios da quantidade de matéria seca do campo nativo (Kg de MS/ha) acompanhados das respectivas avaliações visuais identificadas pelas notas de 1 a 5, avaliada pelo método de dupla amostragem, podem ser observados na Tabela 11.
TABELA 11- Quantidade de matéria seca do campo nativo, dada em kg MS/ha, em diferentes períodos.
Períodos KgMS/ha Nota
22/01/2000* 1644 1,5 06/03/2000 1910 2.1 09/04/2000 1975 2,1 30/04/2000 1473 1,9 19/05/2000 1225 2,2 21/06/2000 1163 1,7 18/07/2000 1090 1,6 Média 1472,6 1,94 * Período pré experimental
No levantamento feito em 22/01/2000, foi possível observar a baixa quantidade de matéria seca da área, com valor médio de 1644 kg, o que
motivou o diferimento do potreiro para que o experimento iniciasse em 18/03/2000 com uma mais alta quantidade. No momento da segunda avaliação, realizada em 06/03/2000, foi observado entouceiramento em vários locais do potreiro com um aumento na quantidade de matéria seca em 16%.
Preocupados em trabalhar com metodologia não destrutiva, buscou-se avaliar a disponibilidade através do uso do disco (plate meter) e de um software neo-zelandês, denominado grass master.
Foram realizadas apenas três avaliações com o grass master, correspondentes aos três últimos períodos e seis avaliações com o plate meter, cujos dados encontram-se na Tabela 12. Os valores não foram submetidos a análises estatística. Serviram apenas como dados indicativos da quantidade de matéria seca do campo nativo e foram utilizados para compará-los com os obtidos pela dupla amostragem.
TABELA 12 - Dados médios da quantidade de matéria seca (MS) do campo nativo através de diferentes metodologias.
DUPLA AM. DISCO
METODOLOGIAS
PERÍODOS KgMS/ha Nota KgMS/ha Altura (cm)
GRASS MASTER 22/01/2000* 1644 1,5 1087 2,8 -- 06/03/2000 1910 2,1 2647 4,04 -- 09/04/2000 1975 2,1 1760 3,69 -- 30/04/2000 1473 1,9 2173 4,19 -- 19/05/2000 1225 2,2 3286 4,49 1356 21/06/2000 1163 1,7 3053 4,47 1245 18/07/2000 1090 1,6 3010 4,30 1380 Média 1472,6 1,9 2751,2 4,19 1327 * Período pré experimental.
O valor médio da quantidade de matéria seca do campo nativo obtido pelo método de dupla amostragem no período experimental foi de 1472,6 kg/ha com o valor médio da nota de 1,9. Com o uso do disco, a quantidade média de matéria seca foi de 2751,2 kg/ha e o valor médio da altura foi de 4,19 cm. Observa-se que quando foi utilizado o disco, a quantidade de matéria seca foi superior em 86,82% ao valor obtido com a dupla amostragem, fato atribuído as características do disco e às do campo nativo, pelo fato deste se apresentar entouceirado. Já o valor médio obtido com o uso do grass master foi de 1327 kg, aproximando-se dos valores obtidos pelo disco.
A quantidade de volumoso é um fator determinante do seu consumo. No entanto, ao aumentar a quantidade de pastagem, também é aumentada a altura do resíduo e isto pode causar deterioração da qualidade da pastagem (HOOGENDOORN et al. 1992).
O campo nativo do Rio Grande do Sul, segundo RESTLE et al. (1998), se caracteriza por declínio da qualidade e quantidade de matéria seca, observada a partir do final de verão /início do outono (março) até o final do inverno (agosto), refletindo em perda de peso dos animais que podem representar até 20% do peso vivo destes. Por ser este o período mais limitante, sugere-se que esta seja a época mais indicada para a utilização do suplemento, sendo preciso conferir as exigências nutricionais das diferentes categorias de forma a atendê-las de maneira econômica. VAZ (1998) cita valores de quantidade de matéria seca da ordem de 2600, 2000, 1867, 1952, 1861 e 1620 kg de matéria seca/ha e 7,5; 5,4; 5,7; 5,2; 4,9 e 4,8% de proteína bruta enquanto que ALVES FILHO (1995) encontrou 2098, 1918,
2003, 1849, 2267 e 2044 kg de matéria seca/ha e 4,4; 5,5; 5,4; 4,9; 4,7 e 4,8% de proteína bruta para os meses de março, abril, maio, junho, julho e agosto, respectivamente.
PASCOAL E RESTLE (1997) afirmam que para a suplementação ser viável, nas condições do Rio Grande do Sul, é necessário uma oferta adequada de campo nativo, capaz de proporcionar a seleção de espécies e de partes da planta mais digestíveis e para o preenchimento do rúmen. Esta deve ser de 2000 a 1500 kg de matéria seca/ha para campos nativos grosseiros e finos, respectivamente.
O consumo diário de vacas leiteiras pode ser aumentado de 1 a 2 kg por dia com o aumento de 20 a 30% na disponiblidade da pastagem, refletindo na disponibilidade de pastagem pós-pastejo com aumento de 1 cm na altura, sem afetar a qualidade da pastagem.
Vários estudos têm enfocado que a relações entre a estrutura da pastagem e o consumo por bocado tem uma importância relevante na taxa de consumo da pastagem e admitem que a quantidade de massa foliar verde por hectare é o parâmetro mais preciso para estimar a apreensão da pastagem (PEYRAUD et al. 1996).
PERCHENA (1986) afirma que está na folha verde o maior valor nutritivo da forragem, representado pelo nitrogênio e pelos carboidratos solúveis.
SEIFFERT (1989) avaliando o crescimento médio diário da pastagem nativa na região do litoral e vale do Itajaí, Santa Catarina, submetida a lotações de 2,92 UA/ha mostrou taxas diárias de 63; 37,6; 34,8; 12,26 e 4,30 para os meses de março, abril, maio, junho e julho. Comenta que, em situação de baixa lotação, a produção animal por cabeça é pouco afetada porque ao final da
estação de crescimento é comum haver uma quantidade de forragem de cerca de 2 ou mais toneladas de matéria seca por hectare que poderá suprir as exigências de mantença. Já, com a elevação da lotação, esta forma de reserva não ocorre e a necessidade do fornecimento de suplemento torna-se significativa. Este fato se assemelha ao observado no Rio Grande do Sul, onde, normalmente, os produtores tendem a manter lotações acima da capacidade de suporte das pastagens e, por isso, são dependentes do uso de tecnologias que possam contribuir para amenizar as perdas ou, o que é melhor, proporcionar ganhos de peso para o período compreendido entre outono e inverno.