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3. Enquadramento teórico

3.3 Quantidade de meio de contraste ideal para obter um bom realce

hepático, a veia porta e o pâncreas. No fim do estudo concluiu-se que se obtinham melhores resultados (∆HU≈50) quando o cálculo de volume de meio de contraste era feito a 2 ou 2,5mL/Kg e que a dose fixa produzia por vezes realce inadequado. Já em 1998 Kim e colaboradores testaram diferentes taxas de injeção (2, 3, 4, e 5mL/s) e concluíram que as taxas mais elevadas teriam melhores resultados na deteção de tumores hipervasculares, contudo o seu estudo tinha muitas condicionantes (T. Kim, Murakami, & S. Takahashi, 1998;

Yamashita et al., 2000). Em 2001 surge um estudo de Megibow e colaboradores que considera a quantidade de 1,5 mL/kg a melhor forma de calcular o volume de meio de contraste de baixa osmolaridade a administrar num paciente. Neste estudo utilizaram um meio de contraste de 300mg/mL de concentração e testaram o cálculo de volume de contraste em 4 grupos diferentes segundo a razão de 1,25mL/Kg, 1,5mL/Kg, 2mL/Kg e 2,5mL/Kg (Megibow et al., 2001).

A concentração do meio de contraste utilizado pode também influenciar o realce. Em 2002, surge um novo estudo que compara dois meios de contraste com diferentes concentrações, no caso 300mg/mL e 370mg/mL. Num grupo de pacientes foi administrado o primeiro meio de contraste e no outro administrado o segundo, mas o volume foi calculado de forma a manter a quantidade de iodo na razão de 518mg/kg de peso. Concluíram que com o aumento da concentração de iodo aumentava o realce hepático, no caso particular do estudo do carcinoma hepatocelular hipervascular. Em todo o caso, não deve ser esquecido que o aumento da concentração de iodo aumenta a osmolaridade do MC, tornando-o hiperosmolar relativamente ao plasma sanguíneo (Awai, Takada, Onishi, & Hori, 2002).

Em 2003, Bonmati e colaboradores testaram diferentes tipos de injeção no sentido de verificar qual a mais produtiva no estudo hepático. Administraram uma quantidade fixa de MC de 123mL em três grupos de pacientes, independentemente do peso. No primeiro grupo usaram injeção monofásica a 2,5mL/s, no segundo utilizaram injeção bifásica em que os primeiros 60mL foram injetados a 1,5mL/s e os restantes 63 a 2,5mL/s e no terceiro grupo uma injeção multifásica de taxa crescente de 0,6 a 2,5mL/s. Concluíram que na generalidade a injeção monofásica apresenta melhores resultados, que caso haja interesse numa fase arterial a injeção bifásica pode ser mais conclusiva e que a última apresenta um realce inferior no estudo de parênquima e vasos (Martí-Bonmatí et al., 2003).

Awai e colaboradores testaram, em 2003, a teoria do tempo de injeção fixo ao invés da taxa fixa de injeção. Assim sendo para um grupo de pacientes

peso total (apresentada por Bae et al e Kim et al em 1998), com uma duração de injeção fixa em 25s.Com este estudo, concluíram que se obtém melhor realce quando se mantém o tempo de duração da injeção fixo e não a taxa de injeção fixa (Awai & Hori, 2003). Mais tarde em 2004 compararam concentrações de MC diferentes para um cálculo através do peso total (512 mg de iodo por kg de peso total) e uma duração de injeção de 25s e concluíram que mantidas estas condições se tornava mais vantajoso a utilização de MC com menor concentração, 300mg/ml ao invés de 350mg/mL (Awai et al., 2004).

Esta teoria foi de certa forma contrariada num estudo realizado por Suzuki et al também em 2004, que constituiu na comparação de dois meios de contraste com concentrações diferentes (300 mg/mL e 370 mg/mL), mantendo a dose de iodo por kg de peso total e com uma duração de injeção de 30s, não tendo constatado grandes diferenças no realce desde que fosse mantida a mesma quantidade de iodo por kg de peso e a mesma duração de injeção (K. Bae, 2005;

Suzuki et al., 2004).

Com o aparecimento dos MDCT, novos paradigmas se tornaram possíveis, nomeadamente a rapidez de aquisição, inferior a 15 s. Tendo isso em conta e considerando que se mantêm os tempos fisiológicos de fase arterial, portal e venosa, as principais alterações vão prender-se com a taxa de administração.

Desta forma, quando num TC de detetor único se utiliza uma taxa de administração de 2mL/s, num multidetetor deve usar 3 mL/s (Saini, 2004).

Em 2007, Ho e colaboradores realizaram um dos primeiros estudos cujo cálculo de volume de meio de contraste é efetuado com base no peso de massa magra dos pacientes. Concluíram que existia uma diminuição na variabilidade de realce hepático de paciente para paciente, quando a base de cálculo se concentrava no peso de massa magra comparativamente com o peso total ou com administração de dose fixa (no caso 125 mL) (Ho et al., 2007).

Um estudo semelhante foi realizado em 2008 por Kondo e colaboradores, que compararam o cálculo de volume de meio de contraste com base no peso total, no índice de massa corporal e na percentagem de massa gorda, sendo este último o que produzia menor variabilidade no realce hepático de paciente para paciente (Kondo et al., 2008). Em 2010, Kondo e colaboradores, retomaram o estudo, comparando agora realce aórtico e hepático, quando o volume de contraste era calculado com base no peso total, no peso de massa magra ou no volume sanguíneo estimado. Concluíram que existia menor variabilidade de

paciente para paciente quando o cálculo se realizava com base no peso de massa magra. Este estudo vem suportar o anterior (Kondo et al 2008), dado que o peso de massa magra foi calculado tendo por base a percentagem de massa gorda, segundo a seguinte fórmula: Peso de Massa Magra = (Peso Total

* [1 - {Percentagem Massa Gorda/100}]) (Kondo et al., 2010). Estes dados também suportam a conclusão do estudo de Yamaga e colaboradores, que, comparando o pico de realce aórtico quando o cálculo da dose de iodo era feito através do peso total ou do peso de massa magra, e mantendo o mesmo tempo de duração de injeção, concluíram que o cálculo através do peso de massa magra diminui a variabilidade de realce aórtico, mantendo níveis adequados de realce. Salienta-se ainda que, no caso de pacientes obesos esta melhoria é muito mais significativa (Yanaga et al., 2009).

Recentemente surgiu um estudo que abordou o novo método para cálculo de volume de meio contraste, que se baseia num indicador de atenuação do paciente (Patient Atenuation Indicator – PAI). O PAI é uma técnica inovadora para caracterizar o tamanho de cada paciente baseado na atenuação de radiação-X da área correspondente ao volume do exame, servindo como um indicador geral da atenuação total de pacientes e da composição de extensão do seu corpo. Em comparação com o cálculo através do peso total ou através do índice de massa corporal, este novo método revelou muito bons resultados. O cálculo do PAI realiza-se através de software do equipamento de TC de uma forma semelhante ao cálculo automático de valores de exposição (Li et al., 2010).

Denota-se, portanto, que o primeiro passo de otimização de protocolos de injeção adaptados ao indivíduo começou pelo cálculo da quantidade de meio de contraste através do peso total do indivíduo, sendo esta compreendida entre 1,5 e 2 mL por kg de peso (Megibow et al., 2001). Tendo em conta as diferentes concentrações dos meios de contraste surge o cálculo a partir de quantidade de iodo por kg de peso, variando este valor entre as 360 e as 700 mg I/kg (Awai &

Hori, 2003; Awai et al., 2002; Suzuki et al., 2004). Mais recentemente, começou a comparar-se o cálculo com base no peso total com o cálculo com base no índice de massa corporal, peso de massa magra, percentagem de massa gorda e indicador de atenuação do paciente, concluindo-se que o cálculo através do peso de massa magra, diretamente relacionado com o cálculo através da percentagem de massa gorda, conduz a um realce hepático adequado e sem perdas de uniformidade de paciente para pacientes (Kondo et al., 2010, 2008; Li et al., 2010; Yanaga et al., 2009).

magros(K. Bae, 2010; 2008).

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