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Quantificação de ácido fumarprotocetrárico de C verticillaris percolados ao solo

4. Avaliação das propriedades do solo no cultivo do morangueiro com uso de liquens e

4.4. Quantificação de ácido fumarprotocetrárico de C verticillaris percolados ao solo

O tratamento solo com C. verticillaris apresentou média de 714 µg de fumarprotocetrárico, número bastante semelhante foi encontrado apenas utilizando o solo sem o líquen (Tabela 14). É possível que os fenóis possam ter reagido na solução do solo, principalmente, devido o solo ter sido irrigado diariamente. Estudos realizados com substâncias isoladas de liquens, ou estes em sua forma natural, demonstraram sua eficiência na degradação química do substrato rochoso e interação com o solo, principalmente com o N, referem a ação do ácido fumarprotocetrárico sobre esse material (SILVA et al., 2012). Trabalhos indicam sua influência no ciclo de nutrientes, já que se nutrem higroscopicamente, absorvendo íons dissolvidos na umidade atmosférica (SEAWARD, 1977). Em experimento realizado por Vasconcelos (2013), em solo arenoso, 89,25% da quantidade de ácido fumarprotocetrárico adicionado possivelmente ficou retido no solo, ou foi transformado a partir de reações na solução do solo. Observou-se que apenas 10,75% do ácido fumarprotocetrárico adicionado ao solo hidratado foi recuperado nas frações iniciais, não aparecendo em nenhuma outra. A quantidade de fenóis encontrada neste experimento (714

µg) foi bastante superior a encontrada por Vasconcelos (2013) (30 µg), fato esse, deve-se ao tipo de solo utilizado.

Em experimento com solo seco, o ácido fumarprotocetrárico não foi detectado em nenhuma das frações, indicando que ele pode ter ficado retido no solo, participado da formação de ácido protocetrárico ou reagido com nutrientes do solo (SILVA et al., 2012; VASCONCELOS, 2013).

A avaliação qualitativa da composição química dos talos de Cladonia verticillaris e do solo submetido a este líquen e do grupo controle, revelou por meio de cromatografia em camada delgada (CCD)a não produção de seu composto majoritário, o ácido fumarprotocetrárico (FUM) em todas as amostras (Figura 22).

Tabela 14- Concentração de ácido fumarprotocetrárico nos tratamentos C. verticillaris, solo com C. verticillaris e solo controle aos 45 dias no cultivo do morangueiro.

Tratamento em 45 dias de cultivo do morangueiro Concentração de fumarprotocetrárico (µg)

C. verticillaris 562,8 b

Solo com C. verticillaris 714 a

Solo controle 707,4 a

*CV (%) 20,14

Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. *Coeficiente de variância

Figura 22 – Cromatografia em camada delgada dos extratos orgânicos das amostras do solo controle (SC), de C. verticillaris (V) e Solo com C. verticillaris (SV) no cultivo do morangueiro. FUM – ácido fumarprotocetrárico; SC1, SC2, SC3 e SC4 – Solo controle; V1, V2, V3, V4 e V5 – Cladonia verticillaris; SV1, SV2, SV3, SV4 e SV5 – Solo com o uso de Cladonia

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No ensaio de cultivares, a variedade Festival demonstrou maior adaptação aos parâmetros físicos e biológicos dos experimentos em climas quentes e úmidos. A produtividade potencial para todos os tratamentos estive abaixo da média nacional para o cultivo do morangueiro em virtude do plantio ter sido em época quente e sem uso de fertilizantes químicos.

No experimento com C. verticillaris e C. salzmannii, a primeira espécie favoreceu a produtividade potencial, demonstrando maior adaptação dessa variedade às substâncias lançadas ao solo por esse líquen.

Os resultados mostraram que os tratamentos com liquens influenciaram positivamente as características físicoquímicas do morangueiro, principalmente no teor de ácido ascórbico com o cultivo do morangueiro utilizando C. verticillaris e o teor de sólidos solúveis utilizando

C. salzmannii.

As propriedades químicas do solo foram influenciadas pelo uso dos liquens. Os tratamentos foram importantes para diminuição, mesmo que pequena, dos valores de pH e teores de cálcio e cálcio+magnésio, além do aumento do potássio no solo. Os liquens favoreceram o solo quanto à fertilidade, aumentando a quantidade de potássio e fósforo desses solos.

O uso do líquen C. salzmannii favoreceu a diminuição dos valores de temperatura foliar e transpiração, este último em menor quantidade e aumento na taxa fotossintética; C.

verticillaris influenciou no aumento na transpiração e temperatura foliar comparado ao

tratamento com C. salzmannii e ao controle. Também favoreceu o aumento da taxa fotossintética comparado ao controle, mas não comparado ao C. salzmannii.

C. verticillaris e C. salzmannii favoreceram o aumento da biomassa fresca e seca,

características importantes para o desenvolvimento vegetativo da planta, e consequentemente, reprodutivo.

O uso dos liquens no cultivo influenciou na microbiologia do solo diminuindo a quantidade de fungos e bactérias, esta em menor quantidade, podendo ser uma alternativa importante para redução de agrotóxicos.

Para cultivo tradicional, sem o uso dos liquens, os municípios pernambucanos abaixo de 600 m são pouco aptos ao cultivo do morangueiro devido às temperaturas altas. Poção demonstrou ser uma excelente alternativa para o cultivo do morangueiro entre os meses de junho a outubro. Caetés, Garanhuns, Jucati, Paranatama, Saloá, Taquaritinga do Norte e

Triunfo apresentaram-se como municípios de médio potencial para o cultivo podendo ser cultivado de julho a agosto para todos eles, exceto Triunfo que se estende até setembro.

A cultivar Festival tem perspectiva para uso em clima quente e úmido com fotoperíodo neutro, desde que, adicionados liquens e/ou suas substâncias.

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