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3 Modelos de Solvência na União Europeia

3.4 Estudos de Impacto Quantitativo

3.4.3 Quantitative Impact Study 3

O terceiro estudo, o QIS3, realizado entre os meses de Abril e Junho de 2007, teve como principais objectivos a recolha de informação qualitativa sobre a execução e adequação das metodologias de cálculo utilizadas, em particular, verificar o impacto da introdução deste novo regime de solvência, a respectiva calibragem dos parâmetros do MCR e do SCR ao nível do desenho dos respectivos módulos e testar

novas metodologias aplicadas a grupos de seguros67.

A Figura 3.6 representa os módulos de risco utilizados no QIS3.

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Figura 3.6 QIS 3 – Módulos de risco do SCR

Em comparação com o QIS2, a maioria das considerações mantiveram-se neste exercício sendo de salientar que as principais alterações foram:

• Foi introduzido o conceito de SCR Básico (BSCR), correspondendo a todos os módulos de riscos afectos ao SCR excepto o risco Operacional;

• O módulo do risco Operacional (SCRop) foi transferido para um nível superior

levando assim a que este módulo não esteja correlacionado com os restantes

65 Margem de risco corresponde à diferença entre o valor do Percentil 75 da distribuição estatística para o valor da responsabilidade

e o valor da Best Estimate para essa mesma responsabilidade.

66 Metodologia utilizada no Swiss Solvency Test e definida pela CEA.

riscos. Foi introduzido um limite máximo global de 30% do BSCR e reduziu-se o nível dos factores;

• No risco de Subscrição Não Vida (SCRnl), o risco de Prémios e Reservas foi

considerado em conjunto (NLpr), foram removidos os “Size Factors” que eram

considerados muito penalizadores na calibração deste risco e em geral, houve uma redução das cargas de capital, principalmente para carteiras de menor dimensão;

• No risco de Mercado (SCRmkt) foram incluídos os sub-riscos de spread (Mktsp) e de

concentração (Mktct). Foi reduzido o “choque” implícito nos cenários accionista e

cambial e existiu uma redução ao nível das correlações entre os riscos deste módulo;

• Risco de Default da Contraparte (SCRdef): ao nível do desenho e estrutura sofreu

reformulações;

• Risco de Subscrição Vida (SCRLife): deixou de se considerar o risco de morbilidade

e incluiu-se o risco de revisão (Liferev) e o risco eventos catastróficos (Lifecat).

Houve uma redução do “choque” de mortalidade e um aumento dos “choques” de longevidade e invalidez/morbidez.

Tendo em conta o conjunto de módulos de risco, o requisito de capital foi determinado pela soma entre o SCR Básico e o SCR Operacional. O SCR Básico foi calculado consoante a correlação entre os riscos considerados excluindo risco operacional. O SCR Operacional, apesar de terem existido modificações ao nível da fórmula, foi determinado neste exercício, à semelhança do QIS2, através de uma percentagem

aplicada às Provisões Técnicas e dos Prémios Adquiridos68.

Ao nível das alterações que mais influenciam os ramos Não Vida é ainda de salientar: • Provisões Técnicas calculadas sem a aplicação de factores de prudência e com

imputação de descontos de cashflows à taxa de juro sem risco;

• Imputação de custos administrativos futuros (sendo considerada a inflação prevista para o mesmos) e de despesas associadas aos prémios futuros no cálculo da Melhor Estimativa;

• Cálculo da Melhor Estimativa líquida e ilíquida de resseguro (assumindo que o ressegurador não corre risco de default);

• Adoptou-se a metodologia do CoC com um factor de 6% para o cálculo da Market

Value Margin em detrimento da abordagem por percentis;

68 Consultar: Committee of European Insurance and Occupational Pensions Supervisors (2007a) e Committee of European Insurance

• Foi aceite o VaR (Value-at-Risk) como medida de risco a considerar na fórmula standard, com um grau de confiança de 99,5%, em detrimento da medida TVaR (Tail Value-at-Risk), com um nível de confiança de 99%.

É nota de referência a segmentação das linhas de negócio69 utilizada no risco de

Subscrição Não Vida, com o objectivo de avaliar os passivos das seguradoras. A divisão utilizada no QIS3 foi a seguinte:

• Acidentes e Doença – Acidentes de Trabalho; • Acidentes e Doença – Doença;

• Acidentes e Doença – Outros; • Automóvel – Responsabilidade Civil; • Automóvel – Outras Classes;

• Marítimo, Aéreo e Transportes; • Incêndio e Outros Danos; • Responsabilidade Civil Geral; • Crédito e Caução;

• Despesas Legais; • Assistência;

• Outros Seguros Não Vida.

Foram emitidas duas notas técnicas, a primeira referente à segmentação dos ramos de Acidentes de Trabalho e a segunda referente ao tratamento do risco catastrófico que se enquadra no risco de Subscrição Não Vida.

Quanto à primeira, o ISP conseguiu que o produto Acidentes de Trabalho fosse tratado de forma independente, visto ser uma particularidade de alguns países, nos quais Portugal se insere. Assim, no que diz respeito ao risco de reservas (relativo a pensões, assistência vitalícia, capitais de remição e restantes prestações), a solução encontrada no momento, foi tratar este produto como um segmento do ramo vida.

Quanto à segunda, foram propostos para modelação deste risco, três cenários diferentes: um cenário regional a propor pela entidade de supervisão de cada país (para Portugal foi considerado a ocorrência de um sismo que accionaria os seguros dos ramos Incêndio e Outros Danos), um cenário proposto pelo CEIOPS e cenários “Man-Made”, para os quais o CEIOPS apresentou alguns exemplos.

O QIS3 foi um exercício que ocorreu numa fase crucial do projecto Solvência II, onde foi apresentada a Proposta de Nível I em Julho de 200770 em plena presidência

Portuguesa da EU, sendo de salientar:

• A participação de Portugal neste exercício manteve-se elevada, tendo aumentado o número de companhias participantes e quota de mercado;

• Os resultados apontam para uma redução das provisões, em termos médios, e a maior volatilidade das Provisões Técnicas ocorre nas seguradoras dos ramos Não Vida;

• Ao nível do SCR e MCR, nas empresas Vida são dominados pelo risco de Mercado e nas Não Vida são dominados pelo risco de Subscrição Não Vida;

• Os requisitos de capital são superiores, em média, aos actuais, em todos os casos (ramo Vida, Não Vida ou Mistas);

• Nos requisitos de capital existe grande disparidade de valores, bem como elevados níveis de volatilidade;

• O nível médio de solvência melhora no caso das empresas de Vida e piora nas restantes, sendo que o SCR apresenta o nível mais elevado, face às provisões para as empresas dos ramos Não Vida;

• No risco de Subscrição Não Vida, o risco de Prémio e Reserva concentra a quase totalidade de capital;