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Mapa 06 Mapa de perigo de alagamentos do MDT de Porto Alegre (RS)

4.1 UNIDADE DE APRENDIZAGEM

4.1.3 Quarto e quinto encontros

Tendo concluída a etapa planejada para se investigar os meios de representar a produção de risco de alagamentos, era chegada a hora de se investigar meios de representar formas de redução de risco. Nessa etapa da pesquisa, o objetivo foi investigar práticas para se problematizar redução de risco de alagamentos, utilizando-se conceitos e técnicas relacionadas à atividade do geógrafo, que podem ser desenvolvidas na disciplina de Sistemas de Informações Geográficas.

Portanto, os participantes foram solicitados a refletir sobre como poderiam reduzir os danos identificados nas simulações realizadas no modelo físico. Logo, o desafio se resumia a encontrar maneiras de se reduzir o risco de alagamentos da urbanização do modelo físico.

Visando enfrentar esse desafio, durante o quarto encontro, foram provocadas discussões sobre os efeitos da falta de planejamentos territoriais junto à dinâmica de urbanização nas cidades, sobretudo, no contexto brasileiro. Para alimentar as discussões, se utilizou o documentário “Entre Rios”. Desenvolvido em 2009 por Caio Silva Ferraz, esse documentário contextualiza o processo de urbanização das áreas de várzea dos rios na cidade de São Paulo, processo este seguido pela grande parte das demais cidades brasileiras. O documentário está disponível gratuitamente e em alta qualidade de vídeo na rede mundial de computadores.

A utilização do documentário “Entre Rios” possibilitou uma análise crítica sobre como a sociedade têm produzido riscos de alagamentos por meio da ocupação de leitos e várzeas de inundação de rios. O documentário também abriu

espaço para se discutir a quais visões de mundo estão frequentemente associados a este tipo de produção de risco social. É possível, por exemplo, citar a visão de mundo que tem apoiado o “rodoviarismo” como solução para a mobilidade brasileira. Visão esta que domina os setores políticos e econômicos responsáveis pelo planejamento territorial brasileiro e que resulta, frequentemente, na produção de risco de alagamentos, entre outros.

Tendo como referência essas discussões críticas acerca dos processos de produção de risco de alagamentos nas cidades brasileiras, foi proposto que os participantes realizassem um mapa de perigo de alagamentos para o modelo físico dado. Para isso, os participantes dividiram-se em duplas. Cada dupla recebeu o Modelo Digital do Terreno (MDT) utilizado para criar o modelo físico. O MDT é um arquivo em formato de imagem. Arquivos do tipo MDT contém as cotas altimétricas relativas às altitudes e às depressões do relevo. A partir das cotas altimétricas do terreno é que se pode realizar análises e representações em 2D e 3D das cidades.

A atividade de análise do Modelo Digital do Terreno (MDT) iniciou no quarto encontro, entretanto, havia muito que se dialogar e problematizar, então essa atividade teve continuidade durante o quinto encontro. Na análise do Modelo Digital do Terreno, foram problematizadas sua limitação e sua validação em relação ao mundo real. As limitações dos modelos, basicamente, se relacionam com dois aspectos, sendo o primeiro a impossibilidade de se dispor de todas as variáveis para representação de um fenômeno qualquer e o segundo a escala que está diretamente relacionada aos dados disponíveis.

As validações de modelos são feitas por meio da interpretação de fatores que permitam conferir o quanto o modelo se aproxima ou se afasta do mundo real. Nesse caso, em se tratando de um modelo de terreno, se utilizou a análise de fluxos hidrológicos7 para validar o modelo, uma vez que o fenômeno alagamento tem

relação direta com fluxo de escoamento superficial da água.

O quinto encontro teve duplo objetivo, primeiro de dar continuidade à análise do relevo do modelo físico, por meio do MDT. Nesse momento, os participantes puderam desenvolver habilidades de inteligência geoespacial, apreendendo a aplicar técnicas como sensoriamento remoto e geoprocessamento com o objetivo de mapear zonas de perigo a alagamento do modelo físico. O segundo objetivo foi o de

7 Entende-se por análise de fluxo hidrológico a direção do fluxo de escoamento hídrico em uma

(re)fazer a simulação de urbanização, precipitação e alagamento, tendo, contudo, como subsídio o mapa de perigo de alagamento do modelo físico, conforme criado pelos próprios participantes.

A proposta pedagógica visava unir conceitos e técnicas de Geografia, Inteligência Geoespacial e Redução do Risco de Desastres. De um lado, houve a necessidade de se navegar pelo estudo de conceitos inerentes à disciplina de Sistemas de Informações Geográficas, juntamente com o tema Redução do Risco de Desastres. De outro lado, também, foi necessário investigar técnicas (sensoriamento remoto e geoprocessamento) que os geógrafos utilizam no seu dia a dia para colocar em prática os conceitos da Geografia (espaço, lugar, escala, etc), visando à redução de risco de alagamentos.

Em virtude de tais desmembramentos, o cerne desta proposta pedagógica proporcionou facilitar o estudo teórico e prático de alguns processos de redução de risco de alagamentos, tendo como base princípios de planejamento territorial alicerçados por atividades relacionadas ao ciclo de gerenciamento de risco de desastres, conforme a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (Lei 12.608/2012).

Para zonear o perigo de alagamentos do modelo físico, os participantes utilizaram técnicas presentes no dia a dia de profissionais que trabalham no diagnóstico de áreas de risco de desastres. Logo, além de aprender sobre conceitos, os participantes tiveram a oportunidade de estudar sobre técnicas de sensoriamento remoto e geoprocessamento que podem ser utilizadas por eles, enquanto profissionais geógrafos, na análise geoespacial de gestão de risco de desastres.

As técnicas utilizadas durante essa atividade foram: modelagem hidrológica, classificação de imagens e edição de mapas de perigo de alagamentos. Durante todo o processamento de dados para o zoneamento de perigo de alagamentos do modelo físico, os participantes utilizaram softwares livres, sendo estes: Terra View e plugin TerraHidro, ambos desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o QGIS, software de geoprocessamento desktop. Por conseguinte, os participantes podem (re)utilizar as técnicas aprendidas em suas casas ou empresas em que trabalham.