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2. DE ONDE PARTIMOS

2.2. O QUE AS PRODUÇÕES ACADÊMICAS APONTAM?

Visando a simplificação dos apontamentos, optamos por recorte organizando-o no Quadro 1. Nele descrevemos na primeira coluna o local onde foi publicado e qual a vertente de produção acadêmica se trata, na segunda coluna o título, na terceira os autores e na quarta coluna um breve resumo, partindo de meu entendimento da leitura do trabalho como um todo, e as considerações quanto aos apontamentos realizados na primeira parte deste capítulo. Tais considerações encontram-se em itálico na mesma coluna separando-as assim do resumo por uma linha tracejada.

Os trabalhos escolhidos para tal quadro foram aqueles que dentre os encontrados, que como citados na introdução foi uma vasta busca, apresentavam questões referentes ao tema desta pesquisa, não focados em analisar situações pontuais de um município ou estado, assim como não focados em um determinado tipo de deficiência, mas sim do contexto federal e que tratava de políticas públicas e a inclusão, ou seja, focamos neste quadro apenas nos artigos que poderiam contribuir para a escrita e análise dos dados que seriam obtidos e discutidos nos próximos capítulos.

O principal foco na análise desta seleção é o quão próximo do discurso hegemônico estes trabalhos estão e o quanto eles se distanciam para de fato oferecer a crítica ao sistema e a proposição de sua superação, chegando assim mais próximo de uma sociedade inclusiva.

Quadro 1: O que as pesquisas apontam de 1990 a 2020?

Tipo de Trabalho

Título Autores Resumo e considerações

Artigo da revista Educar em Revista, Curitiba. n.15, 1999.

A crise da educação especial: uma reflexão política e

antropológica

Paulo Ricardo Ross

Análise do processo social que se dá a exclusão das pessoas com deficiência.

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Pensando no contexto de lutas e construção democrática, tal debate é reflexo do processo social pelo qual o país passava. Trata das pessoas com deficiência e a necessidade da educação fora dos critérios médico pedagógicos

Trabalho, 27ª Reunião Anual da Anped, 2004.

Vicissitudes da educação inclusiva

Lindomar Wessler Boneti

Objetivo é analisar o caráter e os fundamentos da chamada educação inclusiva, especialmente no que diz respeito ao acesso ao ensino superior na perspectiva de contribuir com a discussão do programa das cotas nas universidades brasileiras.

Traz uma discussão sobre o que é pobreza e quais são os critérios utilizados para se declarar alguém como pobre, igualdade/desigualdade.

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Discussões voltadas para a necessidade da Lei de cotas, contemplando a primeira política produzida, considerando as diferenças sociais como parte da inclusão.

Pôster, 27ª Reunião Anual da Anped, 2004.

A educação especial no Brasil dos anos 1990: um esboço de política pública no contexto da reforma do estado

Nesdete Mesquita Corrêa

Foco de análise nos vínculos entre Educação, Estado e Sociedade da década de 90.

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Traz uma breve discussão do cenário político e econômico para o

desenvolvimento das políticas fazendo crítica à hegemonia presente no sistema e sua repercussão na exclusão social, ou marginalização dos sujeitos

Relatório, 27ª Reunião Anual da Anped, 2004.

Discursos políticos sobre inclusão:

Questões para as políticas públicas de educação especial no Brasil

Rosalba Maria Cardoso Garcia

Discussão das políticas de “inclusão”

no Brasil, mais especificamente aquelas relacionadas à educação especial, fazendo paralelo aos

discursos políticos internacionais para compreender as filiações teóricas.

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Aponta os discursos conservadores que expressam as documentações principalmente das diretrizes

nacionais para educação especial na educação básica de 2001 na era FHC. Crítica a proposição de inclusão que possuía o mesmo discurso da educação como um todo, através da via prestação de serviços do terceiro setor.

Artigo da Revista Brasileira de Educação Especial, Marília. v.14, n.03, 2008.

O discurso da legislação sobre o sujeito deficiente

Reinoldo Marquezan

Terminologias utilizadas nas constituições federais (1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967, 1969 e 1988) e nas leis de diretrizes e bases da educação (Leis 4.024/61, 5.692/71 e 9.394/96) para pessoas com

deficiência. O discurso por trás da utilização das palavras.

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Pensando que a principal política de Educação Inclusiva é publicada em 2008 é importante o caminho trilhado pelo autor ao analisar o que foi realizado até agora para chegarmos em tal documento.

Pôster, 31ª Reunião Anual da Anped, 2008.

A dialogicidade contextualizada: A inclusão como processo

Bárbara Martins de Lima Delpretto

Tentativa de explicação da formação da inclusão social através do

desenvolvimento Histórico

(desenvolvimento do capitalismo e movimentos históricos sociais) não voltados à história da educação especial.

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Concebe alguns pilares básicos para a garantia de um sistema que

favoreça a inclusão, mas parte de uma visão simplista do sistema capitalista como aquele que quer a inclusão de fato do sujeito,

oferecendo condições ideais para ele ser parte desta sociedade.

Artigo da revista Educação &

Sociedade, Campinas, v.34, n.125, 2013.

Cooperação e colaboração federativas na

educação profissional e tecnológica

Lucilia Regina de Souza Machado Maria Janete

Pesquisa bibliográfica e documental sobre meios do governo federal promover de forma colaborativa a educação profissional e tecnológica.

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Pensamento hegemônico difundido na

Velten pesquisa. Aponta para as parcerias público-privadas criticadas como meios de intervenção empresarial no Estado

Trabalho, 36ª Reunião Anual da Anped, 2013.

Indicadores do programa de

implantação de salas de recursos

multifuncionais no Brasil no âmbito do plano de

desenvolvimento da educação (PDE)

Nesdete Mesquita Corrêa

Apresentação de indicadores do programa de implementação do PDE de 2007 a 2010 de cinco regiões brasileiras, através de dados estatísticos divulgados pelo Inep/MEC (Censo Escolar), pelo IBGE (Censo Demográfico),

documentos nacionais da educação e da educação especial; levantamento de dados do MEC sobre a

implantação de Salas de Recursos Multifuncionais.

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Não compreende a importância do PDE para o governo de tal forma que está acima do PNE nos governos do PT, considerando-os como

complementares. Separou-se apenas os dados referentes à educação especial e ao número de matrículas e salas de recursos existentes, não extrai o que verdadeiramente estes números apontam nem o porquê pode estar havendo divergência dos dados oficiais com os do levantamento do autor e o que isso pode acarretar como política pública.

Artigo da revista Política

& Sociedade, Florianópolis – SC, v.12, n.23, 2013.

Três parcerias do ministério público com ONGs: novos diálogos entre estado e

sociedade

Mário Luis Grangeia

Investigação das parcerias entre ministério público e ONG’s para efetivar os direitos no país, sendo uma delas o Instituto Brasileiro dos

Direitos da Pessoa com Deficiência para garantir a educação desses sujeitos no ensino regular.

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Visão apresentada vai a favor das ações governamentais pela qual fortalece o discurso da não

capacidade de provisão do Estado se sozinho necessitando do setor

privado.

Revista opinião pública,

Campinas, v.21,

A nata e as cotas raciais: Genealogia de um argumento público

João Feres Júnior Verônica

Políticas de cotas através de ações afirmativas para negros num

panorama para além do Brasil e sua

n.2, 2015. Toste Daflon

luta com a nata social para manter tais direitos.

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Apresenta o poder que a mídia de massa possui perante a aceitação dessas políticas, poder este que foi utilizado por FHC para aceitação de suas propostas, o que espelha em muito a não aceitação da primeira política de cotas. Segundo os autores a segunda, que foi proposta no governo Dilma, que já consistia em um período mais social, foi melhor aceita e sofreu menos ataques midiáticos, porém, mesmo assim, sofreu embates com a burguesia. Tal pesquisa reflete totalmente o cenário político presente naqueles períodos históricos.

Trabalho, 37ª Reunião Anual da Anped, 2015.

Educação especial e o plano nacional de educação: Algumas contribuições

Sirleine Brandão de Souza

Paralelo entre PNE 2001-2011 e 2014-2024, que por si só não modifica as bases que sustentam a educação especial, na medida em que se mudam termos que fazem parte deste campo mas que essas alterações não significam mudanças na

concepção de sujeito alvo da educação especial, pois estas se caracterizam por embates ideológicos que constituem a sociedade.

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O foco nas alterações de termos perpassa as outras políticas que são de importância e mudaram a

concepção de inclusão neste tempo em que houve a publicação de uma PNE para outra. Traz a discussão do pensamento hegemônico como grande barreira da inclusão social.

Artigo da revista HOLOS, ano 32, v.2, 2016.

A deficiência em foco nos currículos de graduação da UFRN:

Uma abordagem histórica (1960-2015)

Érico Gurgel Amorim Olivia Morais de Medeiros Neta Jacileide Guimarães

Análise documental com objetivo de mapear a evolução dos currículos da graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e como é tratado a deficiência neste contexto.

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O ensino superior passa por expansão e é acessível à classe trabalhadora, surgindo assim a discussão da educação para todos

como direito humano alcançar a modalidade da educação especial.

Artigo da revista HOLOS, ano 32, v.6, 2016.

A educação da classe trabalhadora e o PNE (2014-2024)

Marise Nogueira Ramos

Análise da PNE e seus avanços e retrocessos para a classe trabalhadora, utilizando o MHD. Cita o público-alvo da NEE.

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Considera as lutas de classes e as forças de poder que estão presentes nas políticas educacionais e perpassa as metas da PNE, discutindo o que pode ser considerado como avanço e ganho na sociedade e o que perdemos com relação à educação para a classe trabalhadora e sua inclusão social.

Artigo para revista Reflexão

& Ação, Santa Cruz do Sul.

v.26, n.02, 2018.

Educação inclusiva, legislação e

implementação

Gabriela Alves de Arruda Dennys Dikson

Análise discursivo-qualitativa da evolução das políticas de educação inclusiva com enfoque nas

deficiências: Declaração de

Salamanca, o Decreto nº 7.611/2011, a Resolução CNE/CEB nº 4/2009 e a Lei nº 13.146/2015.

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Compreendem os dispositivos legais e seu distanciamento com a prática e efetivação, mas não é perceptível pelos autores o movimento das lutas de classes envolvidos no processo de exclusão ou de inclusão marginal.

Livro publicado pela editora EDUERJ, 2018.

Reflexões e práticas na formação de

educadores

Cesar de David Janete Webler Cancelier

Focado em analisar a formação de professores do campo, formação continuada e formação inicial. Trata um pouco sobre a formação de professores para quilombolas e formação de professores indígenas.

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Expande a visão de inclusão para a já trabalhada na Declaração de

Salamanca e proporciona visão contra-hegemônica perante os discursos e ações que estavam sendo promovidas dentro do país no período de sua publicação.

Fonte: Levantamento bibliográfico na plataforma levantamento ANPEd, CAPES, repositório de teses e dissertações da UFSCar e SciELO. Elaborado pela autora.

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