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Capítulo V: Apresentação e análise dos resultados

2. Análise e Discussão dos Resultados

2.1. Que competências desenvolvem os alunos quando realizam atividades

Com a atividade investigativa e as tarefas a ela inerentes na intervenção pretendia- se potenciar o desenvolvimento de competências diversas nos alunos a nível concetual, procedimental, atitudinal e de linguagem. Todas estas competências mencionadas no Apêndice 2.1 foram trabalhadas em diversos momentos da intervenção.

O conhecimento substantivo e o seu desenvolvimento, estiveram presentes ao longo de toda a intervenção e todas as atividades e tarefas propostas. A atividade investigativa e a saída de campo implicaram que o aluno interpretasse sequências estratigráficas, distinguisse os diferentes tipos de rocha, reconhecesse a importância dos fósseis e das rochas sedimentares para a reconstituição do passado da Terra. Na preparação da saída de campo da atividade investigativa (AI), os alunos tiveram de colocar hipóteses, formular questões de investigação e, na saída de campo, tiveram de observar e interpretar dados em campo, para, mais tarde, analisar com o apoio de pesquisa – desenvolvendo competências a nível procedimental. Na fase de apresentação dos trabalhos da AI, os alunos tiveram de comunicar, discursar de forma adequada, utilizando linguagem científica correta, e, ainda, utilizar esquemas ou imagens para apoiar a sua apresentação ou discurso. Para dar resposta ao cenário inicial proposto, era esperado que os alunos tomassem uma opinião cientificamente fundamentada, sendo que a conclusão esperada incidia na preservação do património geológico. Ao realizar a AI com base num cenário inicial enquadrado num problema real e do quotidiano, os alunos têm a oportunidade de reconhecer que a investigação científica pode contribuir para a resolução de problemas do quotidiano. Ao longo da AI, os alunos, inevitavelmente, tinham de recorrer a competências próprias do raciocínio geológico de modo a puderem finalizar a atividade e trabalho proposto. Ao

nível das competências atitudinais, a atividade investigativa implicava que os alunos trabalhassem em grupo, de modo a terem a oportunidade de desenvolver competências de cooperação e respeito pelo próximo e pela sua opinião. É, então, possível verificar que as competências a serem desenvolvidas foram trabalhadas ao longo da intervenção e, mais especificamente, ao longo do desenvolvimento da AI.

Ao nível do conhecimento substantivo, observa-se, nos testes de avaliação sumativa, na questão da interpretação da coluna estratigráfica, e nos dados recolhidos em campo que os alunos foram capazes de desenvolver competências relativas a este tópico do conhecimento. Com as apresentações e as conclusões apontadas pelos alunos, é possível notar que reconhecem os fósseis e as rochas como determinantes na reconstituição do passado e da história da Terra. Também é possível verificá-lo, nos questionários relativos ao raciocínio geológico (qr), onde a maior parte dos alunos reconhece que as rochas são testemunhos da atividade da Terra – quando pedido que descrevessem que dados necessitariam para descrever a história geológica de um local, 76% dos alunos apontam a necessidade de recolher dados referentes às rochas e às suas características. Os alunos referem que a AI ajudou, maioritariamente, no desenvolvimento de competências a nível do conhecimento substantivo e processual (80%) - melhor compreensão e consolidação dos conteúdos e conhecimentos adquiridos em aula. Aliás, 97% dos alunos considera que a AI e todo o seu processo alargaram o seu conhecimento em Geologia e 90% admite que esta os ajudou na compreensão dos conteúdos abordados em aula. Apesar disto, obtiveram-se alguns testes de avaliação (14%) de classificação muito fraca nos quais os alunos demonstraram muitas dificuldades ao nível do conhecimento substantivo – podendo dever-se à ineficácia das estratégias aplicadas ao longo da intervenção ou a quaisquer outros fatores inerentes aos alunos e externos à professora.

A nível procedimental, é possível verificar o desenvolvimento de algumas competências ao analisar as vantagens apontadas pelos alunos da AI para as suas aprendizagens – estes dizem que a AI os ajudou a aprender a trabalhar autonomamente. De facto, na preparação da saída de campo, na sua realização e na fase de análise e interpretação de dados, os alunos foram capazes de preparar a atividade com distinção – os guiões de campo encontram-se completos e bem organizados -, foram também capazes de recolher os dados na saída de campo e de interpretá-los com apoio também na pesquisa autónoma. No momento de apresentação dos trabalhos, a maior parte dos alunos (67%) apresentou um discurso com poucas ou nenhumas incorreções científicas

e sem recorrer à leitura de documentos de apoio, o que permite concluir que estes demonstram boas competências de comunicação e discursos corretos do ponto de vista científico. Para além disto, os alunos apresentaram suportes digitais completos e claros que apoiaram e complementaram a sua apresentação.

O conhecimento epistemológico foi maioritariamente desenvolvido na fase da saída de campo e da análise de dados. No entanto, no qr, os alunos demonstram algumas dificuldades na relação dos aspetos do raciocínio geológico com a Geologia geral, cingindo-se muito à sua relação com o seu próprio trabalho investigativo desenvolvido na disciplina. De qualquer modo, nota-se que os alunos reconhecem alguns aspetos do raciocínio geológico – 83% dos alunos reconhece o seu carácter cíclico, a maioria admite a importância da compreensão da parte para a compreensão do todo (no qr grande parte dos alunos concorda que a interpretação de um rocha é importante para a compreensão do local), 93% concordam com a importância que a compreensão dos processos desempenha na compreensão das rochas, admitindo que saber apenas o tipo de rocha existente no local não é suficiente para compreender o local a nível geológico (“O tipo de rocha não é informação suficiente para a contextualização geológica” qr, V) e reconhecendo, assim, a natureza interpretativa da Geologia, sendo ainda possível verificar que todos os alunos aceitam que a Terra está em constantes transformações, reconhecendo, deste modo, a Geologia como uma ciência histórica.

A nível atitudinal, destaca-se a grande quantidade de referências feitas pelos alunos relativas à existência de problemas nos grupos de trabalho – 30% dos alunos não concordam que o grupo de trabalho tenha tido um bom funcionamento (“Houve falta de colaboração de alguns colegas” qp, A), e 20% manifesta não ter gostado de trabalhar em grupo. Porém, 96% dos alunos assume ter respeitado as opiniões e funções dos seus colegas. Ainda referente às atitudes desenvolvidas pelos alunos, destaca-se que todos os grupos de trabalho concluíram, no seu trabalho investigativo, que a preservação do seu local de investigação é importante, demonstrando, assim, atitudes de defesa do património geológico.

A totalidade dos alunos considerou a AI importante para a sua aprendizagem, sendo que 60% dos alunos consideram que as aprendizagens que realizaram são importantes. No entanto, 13% diz que a AI não o ajudou a refletir acerca das suas aprendizagens – o que pode, eventualmente, dever-se ao facto de os alunos trabalharem para o resultado final, seguindo linhas muito metódicas, deixando de parte a reflexão

acerca das aprendizagens realizadas em aula e no modo como estas complementam e integram o trabalho investigativo.

Os alunos consideram, ainda, que as fases da AI que mais contribuíram para as suas aprendizagens foram a saída de campo e as tarefas pós-saída. De facto, estas são as fases mais trabalhosas e que mais trabalho autónomo exigem, e, talvez por isso, tenha sido nestas fases que os alunos mais sentem que aprenderam.

2.2. Como podem as atividades investigativas contribuir para o