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O ESTUDO EMPÍRICO

1. METODOLOGIA DO ESTUDO

2.4. Que competências?

A implementação de um sistema de informação constitui um processo de aprendizagem, que implica o desenvolvimento de novas competências e baseia-se na partilha de informações e experiências entre profissionais responsáveis pela concepção e gestão do sistema de informação, utilizadores do sistema e gestores.

Segundo Ruas (2001), o termo competência diz respeito ao conjunto das atitudes (saber ser/agir), conhecimentos (saber) e aptidões (saber fazer), necessários ao desempenho efectivo no processo de implementação de sistemas de informação.

Para McClelland (1973, cit. por Cidral, 2003), uma competência é uma característica que pode ser observada comportamentalmente, o que permite a sua descrição, análise, avaliação e desenvolvimento. Malglaive (1995) invoca o termo competência, para descrever um processo multidimensional, tanto individual como colectivo, subordinado a um determinado contexto e projecção da acção.

Sendo a enfermagem revestida de conhecimento prático, “uma profissão em que a própria prática conduz necessariamente à criação de um conhecimento específico e ligado à acção, que só pode ser adquirido através do contacto com a prática, pois trata-se de um conhecimento tácito, pessoal e não sistemático” (Clandinin, 1986: 20), as competências só podem ser verificáveis e concretizadas no contexto da acção clínica, que dá corpo à prática profissional e ao saber agir. O saber agir não consiste apenas em saber travar um incidente, mas também em saber antecipá-lo. Saber agir é saber interpretar, é saber o que fazer, é saber julgar, é saber reagir (Le Boterf, 1997).

Da análise das respostas obtidas durante as entrevistas, verifica-se que três competências são unanimemente apontes como fundamentais para o sucesso na utilização dos SIE:

Técnicas

Do estudo de Teixeira (2006), pode verificar-se que o contacto prévio com a TIC facilita a interacção com o SI, pois esse implicou o desenvolvimento das competências técnicas ao nível da sua utilização.

Numa era em que o uso das TIC se estendeu em larga escala a vários domínios, uma grande parte dos entrevistados, mais especificamente 75%, refere utilizar frequentemente o computador fora do contexto hospitalar, facto que apontam como importante em relação a uma melhor adaptação e aceitação do SAPE. De salientar, “primeiro, têm que ter conhecimentos de informática. Muitas pessoas não tinham sequer experiência de trabalhar com computadores, quanto mais com um programa tão específico” (E19).

Os restantes entrevistados, que “na altura, não funcionava[m] muito com o computador” (J15) ou “nunca tinha[m] visto um computador à frente”(D8), consideram que a reduzida experiência ao nível da utilização do computador constituiu um obstáculo ao sucesso na implementação e utilização do SAPE.

Saber cuidar

Diariamente, os enfermeiros são confrontados com desafios inesperados: mudanças súbitas no estado de saúde de um doente, prioridades que entram em conflito, eventos adversos. De que modo estes profissionais respondem a estes desafios?

Actualmente, os enfermeiros têm procurado reflectir sobre a sua prática clínica e incorporar os resultados da investigação em enfermagem, em detrimento de uma atitude meramente tecnicista, que evidencia a necessidade de cuidados interdependentes, centrados essencialmente na doença.

O exercício profissional dos enfermeiros centra-se na promoção da saúde, prevenção da doença e promoção dos processos de readaptação, através da satisfação de necessidades humanas fundamentais e estímulo da máxima independência na realização das actividades de vida. Os cuidados de enfermagem centram-se na relação interpessoal entre um enfermeiro e uma pessoa ou entre um enfermeiro e um grupo de pessoas e desenvolvem-se ao longo de todo o ciclo vital destes.

No âmbito do seu exercício profissional, os enfermeiros inserem-se num contexto de actuação multiprofissional. Por isso, as acções de enfermagem interdependentes, as quais decorrem da tomada de decisão de outro técnico da equipa e na qual o enfermeiro

assume a responsabilidade da sua implementação, não podem ser menosprezadas, mas o seu exercício autónomo tem vindo a ser valorizado.

A tomada de decisão do enfermeiro implica uma abordagem sistémica e sistemática. Passa pela identificação das necessidades e/ ou problemas relevantes para a sua pratica, ao que se segue o planeamento das intervenções de enfermagem susceptíveis de produzir ganhos em saúde.

A implementação de um SIE veio agilizar o processo da tomada de decisão em enfermagem. A organização e acessibilidade dos dados conferida pelo SIE em suporte electrónico permitem uma análise dos dados, em tempo real, subsidiando oportunamente o planeamento e intervenção em saúde.

Contudo, o SIE constitui apenas um instrumento de trabalho, na medida em o enfermeiro apenas mobiliza para a aplicação informática o seu processo de pensamento, desde a identificação dos diagnósticos de enfermagem, planeamento das intervenções de enfermagem até aos resultados sensíveis aos cuidados prestados, conferindo-lhe organização.

É preciso maturidade profissional (J14), de modo evitar a perpetuação de rotinas, protocolos e automatização do processo de registo, muitas vezes desajustados ao contexto local. Bons cuidados significam coisas diferentes para diferentes pessoas e, assim, o exercício profissional dos enfermeiros requer sensibilidade para lidar com essas diferenças, procurando-se os mais elevados níveis de qualidade do exercício e da satisfação dos clientes (OE, 2003: 7).

Relativas à atitude

Na conjuntura actual de mudanças induzidas pela implementação de um SIE em suporte electrónico, os enfermeiros percebem a necessidade de desenvolver um conjunto de competências, tendo sempre em vista a excelência do exercício. “Manter-se actualizado” (H24) é, pois, condição sine qua non para um bom desempenho, qualquer que seja o SIE seleccionado (Alínea c), artigo 88.º do Código Deontológico do Enfermeiro).

De acordo com as opiniões dos entrevistados, os momentos de formação definidos e proporcionados pela instituição nem sempre tiveram em consideração os diferentes ritmos de aprendizagem, pelo que, para além dessa formação, permaneceram algumas dificuldades ou surgiram outras pontualmente. Impossibilitados de garantirem a

disponibilidade do formador 24h/dia, foram os colegas melhor informados e mais habilitados, que proporcionaram a orientação necessária.

Neste sentido, a abertura e a disponibilidade para o trabalho em equipa contribuíram grandemente para o sucesso da implementação do SIE.