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Que entendemos por responsabilidade social

No documento Revista Estudos nº 36 | ABMES (páginas 63-65)

CATALINA DELPIANO TRONCOSO

3. Que entendemos por responsabilidade social

UMA EXPERIÊNCIA INOVADORA NA AMÉRICA LATINA

MÓNICA JIMÉNEZ DE LA JARA JOSÉ MANUEL DE F. FONTECILLA CATALINA DELPIANO TRONCOSO

de colaborar para o desenvolvimento susten- tável e melhoria do conjunto da sociedade.

• Constitui-se verdadeira comunidade de aprendizagem e de geração de conheci- mentos, criando vínculos entre docentes, alunos e funcionários. Isto, com base em vigorosa política de aperfeiçoamento do pessoal e de estímulo à renovação curricular e à metodologia de ensino-aprendizagem.

• Forma mulheres e homens, altamente qualificados, íntegros e totalmente compro- metidos com os valores que ativamente defendem e difundem; que vêem sua profissão como uma possibilidade de servir aos demais, sendo capazes de, na qualidade de cidadãos, contribuir para a construção da sociedade e responder, de forma criativa, aos desafios de um projeto para o país.

• Inclui um currículo transversal, tendente a enfocar, com visão universal, a realidade do país, em toda a sua amplitude, e dando às equipes de docentes e alunos a oportunidade de prestar serviços a pessoas e grupos sem condições de acesso aos benefícios do desenvolvimento.

• Oferece formação permanente, facilitando o reingresso de graduados ao ensino superior, para atualização e complementação de sua formação, a fim de que possam educar para o exercício da cidadania e participação ativa na sociedade, levando em conta as tendências

no mercado de trabalho e nos setores científicos e tecnológicos.

• Abre-se às mudanças, valorizando e incorporando o conhecimento e a experiência do entorno, criando e mantendo espaços de debate no seio da instituição, buscando, expressando-se e atuando com a verdade.

3. Que entendemos por

responsabilidade social

Ao iniciar o trabalho, o grupo de docentes considerou indispensável definir mais precisamente o que se entende por responsabilidade social, concordando em trabalhar com um conceito que não pretende seja definitivo, mas que propicie as necessárias linhas de ação para refletir e atuar com base em uma orientação comum.

Entendemos por responsabilidade social universitária a capacidade que tem a universidade de difundir e colocar em prática um conjunto de princípios e valores gerais e específicos, por meio de quatro processos considerados essenciais, quais sejam, gestão, docência, pesquisa e extensão universitária. Compro- metendo-nos, assim, do ponto de vista social, com a própria comunidade universitária e com o país em que se insere.

Trata-se, agora, de definir “por quê” somos responsáveis, “perante quem” somos responsáveis e “de que modo” somos responsáveis.

“Por quê” somos responsáveis? As univer- sidades socialmente responsáveis colocam em prática os princípios gerais da vida universitária, que derivam da qualidade do entorno em que elas se desenvolvem, e os valores específicos que deveriam orientá-la. Todos deveriam estar implícitos na gestão e nas funções tradicionais da docência, da pesquisa e da extensão.

“Perante quem” somos responsáveis? Em primeiro lugar, perante a própria comunidade universitária, com os docentes, funcionários e alunos, perante cada um em particular e perante todos em termos de comunidade. Logo, se se compromete com o país, com o Chile de hoje e do futuro, a universidade precisa visualizar o futuro e antecipar-se à demanda por novos serviços que lhe será feita pelo país. Além do mais, em uma sociedade globalizada, a universidade tem que responder às reivindicações da América Latina e do mundo.

“De que modo” somos responsáveis? Por meio do desenvolvimento dos processos essenciais de gestão, docência, pesquisa e extensão universitária, interpostos por instâncias de reflexão que lhes garantam a profundidade e a circunstância social exigidas pela atuação universitária.

O contexto em que vivem as universidades, e, ao mesmo tempo, a capacidade que têm de abranger o conceito de responsabilidade social em toda a sua amplitude, fez com que algumas o restrinjam a alguns

aspectos. É o que reflete a pesquisa realizada, na qual projetos semelhantes que foram encontrados podem ser classificados segundo o tipo de sociedade em que se inserem: projetos relativos ao mundo desenvolvido (Europa e Estados Unidos) e projetos de países em vias de desenvolvimento (principalmente América Latina)7. Tais avaliações deixam claro as preocu-

pações ou os problemas que aparecem como relevantes em cada uma destas regiões, observando-se grandes diferenças em termos dos objetivos finais que pretendem alcançar.

Os projetos próprios de países desenvolvidos relacionam-se, principalmente, com o compromisso da universidade com a comunidade em termos cívicos (Salzburg Seminar, Campus Compact e National Association of State Universities and Land-Grant Colleges). Em contrapartida, no que diz respeito aos projetos existentes na América Latina, todos se referem à questão das desigualdades sociais que caracterizam a realidade da região (Associação de Universidades Confiadas a la Compañia de Jesús en América Latina, Consórcio Perú e PerúPromesa). Neste sentido, as diferenças são substanciais, referindo-se a concepções de sociedade e problemas sociais radicalmente distintos, estabelecendo diferenças no modo como se deve desenvolver a responsabilidade social que compete às universidades. A relevância do exame de outras iniciativas que se refiram à responsabilidade social nas universidades diz respeito às distintas formas assumidas pelo conceito,

7 Informação obtida e analisada por Magdalena Opazo e Cláudia Giacoman, em sua pesquisa Responsabilidad social y sistema universitário chileno: visión y

65 RESPONSABILIDADE SOCIAL UNIVERSITÁRIA:

UMA EXPERIÊNCIA INOVADORA NA AMÉRICA LATINA

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conforme a realidade ou o contexto que a envolve, permitindo uma aproximação mais profunda do con- ceito subjacente a estas interpretações particulares.

4. Princípios e valores da

No documento Revista Estudos nº 36 | ABMES (páginas 63-65)