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que mudam de setor para setor ou entre países ”

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Reputação corporativa e desempenho: uma análise nas maiores companhias abertas do Brasil

RBC n.º 215. Ano XLIV. Setembro/Outubro de 2015

afetam diretamente a performance financeira, mas afetam o estoque de capital reputacional e, consequente- mente, o valor financeiro dos ativos intangíveis da organização.

Chauvin e Hirschey (1994) afir- mam que os investidores são mais propensos a confiar seus recur- sos a empresas que desfrutam de uma reputação superior, em fun- ção dos menores riscos percebidos e das oportunidades potenciais de

marketing criadas.

Bebbington, Larrinaga e Mone- va (2008) apresentam o desempe- nho financeiro como um dos ele- mentos da reputação corporativa, além da qualidade da gestão, da adoção de práticas de respon- sabilidade social e ambiental, da qualidade dos produtos e serviços prestados e do bem-estar dos funcionários.

Brown e Perry (1994) desenvolveram um trabalho no qual removeram a influ- ência do desempenho finan- ceiro das empresas presentes na lista da revista Fortune, de forma a mensurar a reputação sem esses indicadores e cons- tataram, após essa remoção, alta correlação remanescente entre o desempenho financeiro e a reputação.

Dunbar e Schwalbach (2000) indicaram a existên-

cia de uma relação positiva entre a re- putação e o de- sempenho financei- ro para as grandes indústrias alemãs. Constataram que a reputação não é dominada por atri- butos financeiros e que o tamanho da empresa, alia- do à correta estru- tura de seu capital, tende a aumentar a sua reputação.

Miles e Covin (2000) aborda- ram a reputação e sua relação com a performance financeira e ambien- tal das empresas, identificando evi- dências de uma correlação positiva entre as referidas variáveis.

Roberts e Dowling (2002) estu- daram, empiricamente, o impacto da reputação corporativa sobre o desempenho financeiro da empre- sa, verificando que empresas com relativamente boa reputação são mais hábeis para sustentar lucrati- vidade superior ao longo do tempo.

Brito (2005) avaliou a re- lação entre a reputação cor- porativa e seus componen- tes, entre eles, a percepção

da imagem da instituição e o desempenho econô-

mico de agências de um dos maiores ban-

cos de varejo priva- do nacional. Os re- sultados mostram a baixa correlação entre a percepção da imagem e da reputação das agências pelos clientes e o desempenho econô- mico dessas.

Arantes (2006) bus- cou apresentar dados que permitissem a refle- xão sobre a relação entre o investimento em respon-

sabilidade social e o de- sempenho econômico

das empresas. Con- cluiu que empresas que demonstram desenvolver ações socialmente res- ponsáveis apresen- tam uma valoriza- ção de suas ações acima daquelas que não adotam tais práticas.

Inglis, Morley e Sammut (2006) buscaram testar a relação entre re-

putação corporativa e desempenho financeiro em empresas australianas e não encontraram relação causal en- tre as variáveis analisadas.

Bruni, Cavalcanti e Costa (2007) analisaram as ações das empresas que compõem o ISE em um total de 40 pregões, simetricamente distri- buídos em torno da data do evento de lançamento oficial do ISE, utili- zando o ISE como proxy de repu- tação corporativa. Seus resultados não evidenciaram tendência de cria- ção ou destruição de valor em tor- no da inclusão da empresa no ISE.

Farias (2008), ao investigar a re- lação entre desempenho ambiental medido pelas ações de responsabi- lidade social e desempenho econô- mico em 87 empresas com ações listadas na BM&FBOVESPA, não en- controu evidências da associação en- tre as duas variáveis.

Tupy (2008) buscou comparar o desempenho econômico-financeiro de empresas cujas ações compõem diferentes índices da bolsa de valo- res, um deles, composto por ações de empresas com práticas sociais e de preservação ambiental (ISE); o outro, por empresas que não se enquadram nos critérios de seleção sobre práticas sociais e ambientais, e não encontrou relações estatisti- camente significantes.

Thomaz e Brito (2010) estuda- ram a relação entre reputação, de- sempenho organizacional, identifi- cação e comunicação na avaliação de clientes e funcionários em 57 or- ganizações e encontraram relações positivas e estatisticamente signifi- cantes entre reputação e desempe- nho operacional.

Belloque, Romaro e Belloque (2010) analisaram o desempenho das empresas classificadas como sustentáveis nos mercados financei- ros do Brasil e dos Estados Unidos. Os resultados mostraram que não existe correlação entre a sustentabi- lidade de uma empresa e o retorno obtido por ela em bolsa de valores,

responsabilidade social, entre ou- tros. Já a imagem é composta pelas diferentes visões dos stakeholders para com a entidade, formadas de acordo com suas experiências indi- viduais ou coletivas.

Com relação à mensuração da reputação corporativa, há na litera- tura diferentes metodologias e es- calas. Fombrun (2007) examinou

rankings de 38 países e, após excluir

os que mencionavam apenas indi- cadores financeiros e os que pouco contribuíram para a avaliação da re- putação corporativa, produziu uma lista de 183 rankings, publicamen- te disponíveis, destacando que, ape- sar de os rankings possuírem imper- feições, eles são um bom indicador, sugerindo que se prefira utilizar os

rankings com maior divulgação.

Roberts e Dowling (2002) me- diram a reputação corporativa uti- lizando a pontuação do ranking publicado pela revista Fortune “As Empresas Mais Admiradas da Amé- rica”. O ranking “As Empresas Mais Admiradas do Brasil”, divulgado pela revista Carta Capital, tem sido bastante adotado neste contex- to (CRUZ; LIMA, 2010; HORIUCHI, 2010; CAIXETA et al., 2011). Coe- lho e Prado (2009) e Belloque, Ro- maro e Belloque (2010) utilizaram a pontuação do ranking “As Em- presas Mais Sustentáveis Segundo

a Mídia”, publicado pelo Portal Im- prensa, para entender os aspectos motivadores que influenciam as or- ganizações a in vestirem em ações responsáveis e analisar o desem- penho das empresas classificadas como “sustentáveis” nos mercados financeiros do Brasil e dos Estados Unidos, respectivamente.

A partir dos resultados dos estu- dos de Bromley (2002), Toms (2002), Oliveira, Daher e Oliveira (2006), Idowu e Papasolomou (2007), Mi- chelon (2007), Gonçalves Filho et al. (2009), Cruz e Lima (2010) e Cardo- so, Gallon e De Luca (2012), obser- va-se a existência de relação entre a reputação corporativa e a sustenta- bilidade. Belloque, Romaro e Bello- que (2010) apontam que investir em sustentabilidade tende a oferecer re- sultados positivos para as empresas, advindos da exposição de tal fato na mídia. Seguindo as recomendações da literatura, adota-se o ranking “As Empresas Mais Sustentáveis Segun- do a Mídia” para analisar a reputa- ção, assim como em Coelho e Prado (2009) e Belloque, Romaro e Bello- que (2010).

Há vários trabalhos que inves- tigaram o relacionamento entre responsabilidade social e a reputa- ção, entre os quais os de Bromley (2002); Oliveira, Daher e Olivei- ra (2006); Idowu, Papasolomou

(2007). Conforme Oliveira, Daher e Oliveira (2006); Gonçalves Filho et al. (2009), as empresas buscam seguir práticas de responsabilidade social corporativa refletindo no seu valor reputacional.

2.2 Estudos Anteriores

A reputação corporativa é impor- tante para a continuidade e o desen- volvimento das organizações, e as práticas de sua preservação devem estar representadas nas estratégias empresariais. Afinal, a reputação reflete diretamente no desempe- nho das organizações (CARDOSO; GALLON; DE LUCA, 2012).

No entanto, McGuire, Schne- eweis e Branch (1990) afirmam que o desempenho da empresa afeta sua reputação, e a reputação afe- ta seu desempenho. Barron e Rol- fe (2011) destacam que para adqui- rir reputação e mantê-la como um ativo, as empresas precisam de de- sempenho constante e consistente por anos, estabelecendo que o de- sempenho é um dos meios para se obter reputação.

Já Fombrun (1996) salienta que não se pode estabelecer uma cor- relação direta entre o desempenho social corporativo e o desempenho financeiro corporativo, argumentan- do que as atividades que geram o desempenho social corporativo não

“Apesar de não terem sido encontrados estudos

que utilizassem a margem líquida como indicador de

desempenho para investigar a relação com reputação

corporativa, considerou-se essa variável para a análise

devido à característica de comparar diversos tipos de

empresas, uma vez que não leva em seu cálculo impostos

que mudam de setor para setor ou entre países.”

afetam diretamente a performance financeira, mas afetam o estoque de capital reputacional e, consequente- mente, o valor financeiro dos ativos intangíveis da organização.

Chauvin e Hirschey (1994) afir- mam que os investidores são mais propensos a confiar seus recur- sos a empresas que desfrutam de uma reputação superior, em fun- ção dos menores riscos percebidos e das oportunidades potenciais de

marketing criadas.

Bebbington, Larrinaga e Mone- va (2008) apresentam o desempe- nho financeiro como um dos ele- mentos da reputação corporativa, além da qualidade da gestão, da adoção de práticas de respon- sabilidade social e ambiental, da qualidade dos produtos e serviços prestados e do bem-estar dos funcionários.

Brown e Perry (1994) desenvolveram um trabalho no qual removeram a influ- ência do desempenho finan- ceiro das empresas presentes na lista da revista Fortune, de forma a mensurar a reputação sem esses indicadores e cons- tataram, após essa remoção, alta correlação remanescente entre o desempenho financeiro e a reputação.

Dunbar e Schwalbach (2000) indicaram a existên-

cia de uma relação positiva entre a re- putação e o de- sempenho financei- ro para as grandes indústrias alemãs. Constataram que a reputação não é dominada por atri- butos financeiros e que o tamanho da empresa, alia- do à correta estru- tura de seu capital, tende a aumentar a sua reputação.

Miles e Covin (2000) aborda- ram a reputação e sua relação com a performance financeira e ambien- tal das empresas, identificando evi- dências de uma correlação positiva entre as referidas variáveis.

Roberts e Dowling (2002) estu- daram, empiricamente, o impacto da reputação corporativa sobre o desempenho financeiro da empre- sa, verificando que empresas com relativamente boa reputação são mais hábeis para sustentar lucrati- vidade superior ao longo do tempo.

Brito (2005) avaliou a re- lação entre a reputação cor- porativa e seus componen- tes, entre eles, a percepção

da imagem da instituição e o desempenho econô-

mico de agências de um dos maiores ban-

cos de varejo priva- do nacional. Os re- sultados mostram a baixa correlação entre a percepção da imagem e da reputação das agências pelos clientes e o desempenho econô- mico dessas.

Arantes (2006) bus- cou apresentar dados que permitissem a refle- xão sobre a relação entre o investimento em respon-

sabilidade social e o de- sempenho econômico

das empresas. Con- cluiu que empresas que demonstram desenvolver ações socialmente res- ponsáveis apresen- tam uma valoriza- ção de suas ações acima daquelas que não adotam tais práticas.

Inglis, Morley e Sammut (2006) buscaram testar a relação entre re-

putação corporativa e desempenho financeiro em empresas australianas e não encontraram relação causal en- tre as variáveis analisadas.

Bruni, Cavalcanti e Costa (2007) analisaram as ações das empresas que compõem o ISE em um total de 40 pregões, simetricamente distri- buídos em torno da data do evento de lançamento oficial do ISE, utili- zando o ISE como proxy de repu- tação corporativa. Seus resultados não evidenciaram tendência de cria- ção ou destruição de valor em tor- no da inclusão da empresa no ISE.

Farias (2008), ao investigar a re- lação entre desempenho ambiental medido pelas ações de responsabi- lidade social e desempenho econô- mico em 87 empresas com ações listadas na BM&FBOVESPA, não en- controu evidências da associação en- tre as duas variáveis.

Tupy (2008) buscou comparar o desempenho econômico-financeiro de empresas cujas ações compõem diferentes índices da bolsa de valo- res, um deles, composto por ações de empresas com práticas sociais e de preservação ambiental (ISE); o outro, por empresas que não se enquadram nos critérios de seleção sobre práticas sociais e ambientais, e não encontrou relações estatisti- camente significantes.

Thomaz e Brito (2010) estuda- ram a relação entre reputação, de- sempenho organizacional, identifi- cação e comunicação na avaliação de clientes e funcionários em 57 or- ganizações e encontraram relações positivas e estatisticamente signifi- cantes entre reputação e desempe- nho operacional.

Belloque, Romaro e Belloque (2010) analisaram o desempenho das empresas classificadas como sustentáveis nos mercados financei- ros do Brasil e dos Estados Unidos. Os resultados mostraram que não existe correlação entre a sustentabi- lidade de uma empresa e o retorno obtido por ela em bolsa de valores, RBC n.º 215. Ano XLIV. Setembro/Outubro de 2015

nem no Brasil e nem nos Estados Unidos, constatando que as em- presas não perdem valor, no curto prazo, por realizarem investimentos em sustentabilidade.

Rossoni e Guarido Filho (2011) analisaram como o status, o con- selho de administração e as carac- terísticas organizacionais condicio- nam a reputação das empresas de capital aberto brasileiras e consta- taram, acerca das características organizacionais, que a rentabilida- de e o tamanho da empresa estão positivamente associados com a re- putação e, ainda, que a alavanca- gem tem um efeito paradoxal: para aquelas empresas em busca de re- putação, maior endividamento im- plica menos chances de ter reputa- ção; já entre aquelas que as detêm, maior alavancagem está relaciona- da à maior reputação.

Caixeta et al. (2011), ao estuda- rem as possíveis relações entre re- putação organizacional e desempe- nho econômico-financeiro, em cinco grandes grupos empresariais brasi- leiros, detectaram que, na maioria dos casos, a filiação a um grupo de alta reputação não coincidia com o grupo de melhor desempenho eco- nômico-financeiro em curto prazo.

Lee e Roh (2012), ao investiga- rem a associação entre reputação e características específicas de empre- sas de baixa e alta tecnologia, utiliza-

ram o Ranking das “Empresas mais Admiradas da América de 2008” para operacionalizar a variável “repu- tação corporativa”. A principal con- clusão desse estudo é que a variável “reputação corporativa” é significati- va e positivamente relacionada com a maioria dos índices de desempe- nho das empresas analisadas.

A partir dos estudos apresenta- dos, observa-se que não há um con- senso acerca da relação entre repu- tação corporativa e desempenho organizacional. Portanto, esta pes- quisa busca contribuir com os acha- dos por outras pesquisas.

3. Metodologia

De acordo com Richardson (1999), metodologias são procedi- mentos utilizados no método científi- co, o qual, por sua vez, pode ser defi- nido como o caminho para se chegar a determinado fim ou objetivo.

Os procedimentos utilizados nesta pesquisa são classificados na tipologia empírico-analítica que, segundo Martins (1994, p. 26), compreende:

[...] técnicas de coleta, tratamento e análise de dados marcadamente quantitativos. Privilegiam estudos práticos. Suas propostas têm caráter técnico, restaurador e incrementalis-

ta. Têm forte preocupação com a re- lação causal entre variáveis. A vali- dação da prova científica é buscada através de testes dos instrumentos, graus de significância e sistematiza- ção das definições operacionais.

Com a finalidade de se atin- gir o objetivo principal deste tra- balho, primeiramente, efetuou-se uma pesquisa descritiva que, con- forme Collis e Hussey (2005), abran- ge a apreciação e explanação das características de um assunto ou questão. Empregaram-se dados se- cundários, os quais foram coleta- dos por meio de uma análise do- cumental que, segundo Martins e Theóphilo (2007), se fundamenta na investigação de informações ad- vindas de materiais não editados, como relatórios, cartas e propostas.

A análise documental compre- ende os seguintes relatórios de ano base 2011: Formulários de Referên- cia, consultados no portal eletrôni- co da Comissão de Valores Mobi- liários (CVM) e Relatórios Anuais, coletados nos websites das empre- sas. As informações complementa- res foram extraídas do website das empresas constituintes da amos- tra. A coleta dos dados se deu em janeiro de 2013.

A população é composta pe- las 100 maiores companhias aber- tas listadas no ranking da edição

A partir do teste não paramétrico Mann-Whitney,

percebe-se que não há diferença significativa entre

os grupos. Isso evidencia que não existe diferença

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