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QUE PODEM SER CANALIZADAS NO PROCESSO DE ENSINO DESTA DISCIPLINA

e IV Semana de Estatística SEMATES 2014 ISBN 978-85-7764-034-8 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE AS MATEMÁTICAS INFORMAIS

QUE PODEM SER CANALIZADAS NO PROCESSO DE ENSINO DESTA DISCIPLINA

TEODORO, Adelci Alves9

[email protected] Resumo: O presente trabalho tem por objetivo enaltecer a matemática que é utilizada de maneira informal no exercício de algumas atividades e profissões, e que muitas das vezes não é levada em consideração no processo de ensino-aprendizagem da matemática formal. Estudiosos como D´Ambrósio(2011) e Carraher, Carraher eSchliemann (2006) defendem a necessidade de criar mecanismos que possibilitem a transposição do conhecimento matemático do prático para o teórico e do teórico para o prático, criando assim uma interação maior de modo a tornar essas duas matemáticas distintas o mais próximo possível. A pesquisa realizada é bibliográfica de natureza qualitativa. Evidenciou-se com o esse estudo que a matemática está presente em praticamente todas as profissões das mais simples as mais complexas, porém selecionamos cinco atividades/profissões as quais acreditamos estar entre as mais antigas e, portanto de grande importância para a humanidade, procurou-se elucidar em cada caso específico como a matemática está presente. As profissões/atividades escolhidas foram: agricultura, feira livre, construção civil, comércio e empregado doméstico.

Palavras-chave: Matemática informal; Ensino; Ensino-aprendizagem. INTRODUÇÃO

A matemática tem sua origem vinculada ao contexto informal, ou seja, foi sendo descoberta/construída pelas pessoas para atender suas necessidades particulares ou sociais, só a cerca de 2.300 anos atrás a mesma tornou-se conhecimento sistematizado e comprovado ganhado status de ciência na Grécia antiga. Devida a sua importância na vida em sociedade a Matemática passou a ser ensinada de forma sistematizada para as pessoas.

Dessa maneiramuitos dos conteúdos matemáticos perderam sua aplicabilidade prática, e passou a ser ensinada por intermédio de algoritmos, orquestrada em fórmulas, teoremas e axiomas. Este distanciamento entre a matemática utilizada no convívio social e a ensinada em instituições especializadas, as escolas, tem provocado dificuldade de aprendizagem. Por mais que os alunos utilizem a matemática no seu cotidiano, muitos não conseguem entender a ensinada em sala de aula.

9 Acadêmico do Curso de Licenciatura em Matemática da Universidade Federal de Rondônia – Campus

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Desta maneira esses conhecimentos informais dos quais os alunos têm domínio

lhes servirão de base para aprender os conhecimentos formais que eles desconhecem. Seguindo essa linha de raciocínio sobre o fator motivacional, os alunos se sentiriam

muito mais a vontade e conseguiriam maiores resultados ao verem uma ligação entre a matemática vista na escola e a utilizada no seu cotidiano, o que segundo Carraher, CarrahereSchliemann (2006), no livro “Na Vida Dez e na Escola Zero” a escola muitas vezes não utiliza esse conhecimento e porque não estender esse conceito para a própria universidade. Os autores fazem algumas perguntas tais como: a quem interessa essa rejeição? Ao aluno? Ao professor? À sociedade?

De acordo com Boyer (2003) a matemática informal sempre teve um papel fundamental no cotidiano das pessoas, e sua utilização pode ser percebida desde a pré- história em atividades tais como distâncias a serem percorridas, distribuição de alimentos, caça, pesca e um sistema rudimentar de contagem. Com a revolução agrícola ela passou a ter uma importância ainda maior, devido à necessidade de construir celeiros para armazenar o que sobrava das colheitas ou irrigação e construção de moradias às margens de rios como Eufrates, Tigre e Nilo. Nesse período nações como o Egito, e a Mesopotâmia desenvolveram uma matemática voltada para questões práticas ou relacionada com questões do dia-a-dia sem um sistema de formalização em coisas tais como: medições de terras, construções, irrigação, navegação e astronomia.

O que segundo D`Ambrosio (2011) no livro “História concisa da matemática no Brasil” quando na introdução aborda sobre a importância de contextualizar como apresenta o texto:

Há uma insistência para que a Matemática e as Ciências sejam consideradas universais, mas a História da Matemática e das Ciências não pode se afastar dos contextos sociais, políticos, econômicos e culturais, particularmente religiosos. A incontestável universalidade da matemática acadêmica torna necessária a atenção para uma matemática contextualizada (AMBROSIO, 2011, p.2)

O professor precisa trabalhar com metodologias que possam aproximar o máximo possível o conteúdo ministrado com a realidade de vida de seus alunos, o que muda de um lugar para o outro, requerendode sua parte uma dedicação e comprometimento maior.

Em relação ao fator currículo e metodologias, não é algo que dependa só do professor, pois envolve uma estrutura maior a qual precisará dar suporte para que os

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mesmos se tornem realidade. Essa engrenagem funcionando corretamente ajudará em muito a maximizar o tempo em sala de aula para que o aluno consiga aprender o máximo dos conteúdos apresentados, sendo possível uma ligação e aplicação mais real do que se vê em sala de aula em detrimento ao que ele vive no seu dia-a-dia.

Conforme defende D´Ambrosio (2001) a escola não pode ser a única responsável pela Educação Básica, visto que o seu conteúdo na maioria das vezes não trabalha questões da vida prática, situações particulares e sim regras gerais.

Ainda, por que essa diferença entre a matemática como habilidade de sobrevivência e a matemática da escola? As motivações são diferentes Carraher, Carraher e Schliemann (2006), os mesmos autores explicam que comparado como exemplo um vendedor ao vender seu produto tem uma preocupação maior do que um aluno em sala de aula, pois o mesmo sabe que um erro a favor do cliente é prejuízo para si, e um erro a seu favor poderá representar a perda de um cliente, já o aluno muitas vezes não encara a sala de aula com a mesma seriedade.

A matemática é habilidade necessária à sobrevivência em uma sociedade complexa e industrializada Carraher, Carraher e Schliemann (2006). Para estes autores o setor informal é responsável por movimentar atividades tais como: vender doces, pirulitos, picolés ou na pior das hipóteses pedindo esmolas.

Já para Adler (1970) “o divórcio entre o pensamento e a experiência direta priva o primeiro de qualquer conteúdo real e transforma-o numa concha vazia de símbolos sem significados”(Apud BIEMBENGUT, 2000, p.10).

Com isso esperamos contribuir para uma reflexão sobre os conhecimentos matemáticos de algumas profissões que podem ser canalizados no processo de matemática sistematizada dos currículos da Educação Básica.

METODOLOGIA

Tendo em vista o objetivo do estudo, foi realizada pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa. Conforme elucida Gil (2008, p.50) a pesquisa bibliográfica “é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos” (GIL, 2008, p. 50). Pautamo-nos principalmente nos escritos de pesquisadores que defendem aproveitar os conhecimentos matemáticos informais no processo de ensino e aprendizagem da matemática. Pois “para se realizar uma pesquisa

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é preciso promover o confronto entre os dados, as evidências, as informações coletadas sobre determinado assunto e o conhecimento teórico acumulado a respeito dele” (LÜDKE; ADRÉ, 1986, p.01).

Tendo isso em vista, investigamos atividades profissionais relacionadas com: agricultura, feira livre, comércio, construção civil e empregado doméstico tendo como objetivo analisar as matemáticas informais nessas profissões.

RESULTADOS E ANÁLISE DOS DADOS

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