Sabemos que toda mulher quer ser magra. Nossas imagens de feminilidade são quase sinônimo de magreza. Se formos magras seremos mais saudáveis, mais leves e menos limita- das. Nossa vida sexual será mais tranqüila e satisfatória. Teremos mais energia e vigor. Poderemos comprar belas roupas e enfeitar nossos corpos, ganhando a aprovação do namorado, da família e dos amigos. Seremos aquela mu- lher do anúncio que leva uma vida boa; poderemos proje- tar uma série de imagens — atléticas, sensuais ou elegantes. Seremos um bom exemplo para nossos filhos. Nenhum mé- dico jamais brigará conosco novamente para perdermos o peso excedente. Seremos admiradas. Seremos belas. Jamais sentiremos vergonha de nossos corpos, seja na praia, nu- ma loja, ao comprarmos alguma roupa, ou em um carro lotado. Seremos magras o suficiente para poder sentar nos joelhos de alguém e graciosas o bastante para dançar. Se nos destacarmos na multidão isso acontecerá porque somos encantadoras e não "repulsivas". Poderemos nos sentar con- fortavelmente em qualquer posição, sem nos preocupar em esconder a flacidez. Suaremos menos e teremos um cheiro gostoso. Nos sentiremos muito bem quando formos a fes- tas. Poderemos comer em público sem nos preocupar com a desaprovação dos outros. Não precisaremos arranjar des- culpas por gostar de comida.
Tais imagens e desejos bombardeiam diariamente nossa consciência. Todas nós, ao nos vermos magras, podemos achar algo de positivo com o qual nos identificar. Quando estamos gordas ansiamos pela magreza, assim como ansia- mos pela comida procurando nela a solução de nossos inú- meros problemas.
Mas a verdade é que, embora muitas de nós desejem ser magras, milhares de mulheres continuam a ter excesso de peso, ou a ficar preocupadas com a forma física. Uma das teses que este livro defende não é uma coisa evidente. As mulheres têm medo de ser magras; a gordura tem suas finalidades e vantagens. Nossa experiência mostra que mui- tas mulheres têm um verdadeiro medo de ser magras. Cons- cientemente a mulher quer ser magra, mas sua forma física não corresponde a esta intenção e mostra que, se por um lado a gordura desempenha um papel ativo em nossas vi- das, a magreza se encontra na outra face da moeda. A gor- dura desempenha uma função protetora para a comedora compulsiva; ser magra é uma condição temível — a mulher fica exposta àquelas mesmas coisas das quais tentou esca- par, inicialmente, quando engordou.
Para assimilar essa idéia, proponho que você feche os olhos por dois minutos e pense numa situação social em que se encontrou hoje. Qualquer acontecimento no trabalho, nas compras ou em casa.
Pense agora, com cuidado, no que aconteceu nessa situa- ção específica... Repare no que você estava vestindo... se estava de pé ou sentada, e como estava se relacionando com as pessoas... Estava participando ativamente ou sentia-se excluída?... Perceba o máximo de detalhes possíveis...
Imagine-se agora magra, exatamente na mesma situa- ção... Repare especialmente naquilo que você está vestin- do e como se sente com seu corpo. Está sentada ou de pé?... Como está se relacionando com as pessoas?... Repare em especial se existe alguma diferença no modo como você se relaciona com os outros agora... Sente-se mais ou menos incluída?... Está sendo muito solicitada?...
Quando estiver familiarizada com os detalhes da situa- ção, veja se você consegue perceber qualquer tipo de senti- mento negativo que o fato de ser magra possa provocar em você. Há alguma coisa de temível com relação a ser magra nesse lugar?
Quando as mulheres dos grupos com os quais trabalho fa- zem esse exercício de imaginação ficam, em geral, muito surpresas com o tipo de coisas que descobrem a respeito de si mesmas. Após um alegre sentimento inicial por se verem magras, entram em contato com sentimentos e idéias asso- ciados à magreza, tais como:
1 — Sentem-se frias e incapazes de dar de si.
2 — Sentem-se ossudas, com as formas, definidas demais e voltadas para dentro.
3 — Sentem-se admiradas a ponto de provocar expectati- vas nos outros. Sentem que não conseguirão manter as pes- soas afastadas — especialmente aquelas que despertam interesse sexual.
4 — Não sabem lidar com seus próprios desejos sexuais; sentem-se livres para ter uma sexualidade, mas inseguras com relação ao que isso possa implicar.
5 — Sentem que detêm muito poder.
6 — Não sabem estabelecer limites à sua volta e sentem-se invadidas pela atenção dos outros, porque não saberão dar um fim a ela. Preocupam-se com o lugar que ocupam nes- sa nova admiração.
7 — Não se sentem bem entre outras mulheres que lhes lan- çam olhares competitivos.
8 — Preocupam-se com a necessidade de ter tudo resolvi- do — de ter suas vidas arranjadas. Sentem que não existem mais desculpas para as dificuldades que têm de enfrentar em suas vidas. Sentem que terão de abandonar todo o so- frimento que a gordura representava. Ficam especialmente apreensivas em pensar que quando forem magras não ha- verá espaço para a tristeza e ninguém notará sua carência. É muito importante compreender que a preocupação com a forma física do modo como se expressa nesses itens é uma idéia fixa para as mulheres, porque essas imagens são os únicos modelos de comportamento feminino aceitos social- mente.
Gostaria de examinar esses itens, um a um, e explicar por que tais medos são tão comuns quando as mulheres fa- zem esse exercício de imaginação.
1 — É muito comum o medo de que a magreza correspon- da à frieza emocional. Sabemos que nossas identidades são profundamente formadas em torno do modelo da mulher que dá de si e que cuida dos outros. O sentimento de frieza e de não poder dar de si entra em conflito direto com essa noção fundamental que aprendemos quando meninas. Quan- tas de nós podem tranqüilamente aceitar que existem lados nossos que rejeitam essa mulher que dá de si e que nutre os outros? O medo de ser fria é muito grande porque rara- mente nos permitimos mostrar esse lado de nossas perso- nalidades.
Annie, uma professora e futura avó, de 58 anos, dis- se: "Toda minha vida empenhei-me para criar ao meu re- dor um ambiente acolhedor e afetuoso. Se me imagino magra agora, sinto-me fria e gelada, como uma versão de- finhada de mim mesma. Sinto que não me ajustaria à mi- nha vida. Seria como parar de ser cheia de vida, acolhedora e generosa, que é como me vejo agora." Do mesmo modo como pensamos que se comermos uma bala acabaremos co- mendo o pacote inteiro, achamos que se demonstrarmos um pouco de frieza seremos pessoas frias. Cuidar dos outros e dar de si são coisas que se esperam de nós, e, além do mais, coisas que esperamos de nós mesmas. Muitas de nossas re- lações cotidianas giram em torno de nossa aptidão em nu- trir os outros. Ser fria, mesmo que temporariamente, é praticamente negar nossa identidade sexual.
2 — Ser ossuda e ter formas muito definidas causa pro- blemas porque estamos por demais acostumadas a ter nos- sas personalidades definidas por nós. Quero dizer com isso que ajustamos nossas antenas às expectativas que os outros fazem de nós, porque nossa posição social nos desestimu- lou a que formássemos nossas próprias identidades.
Somos definidas para nos ajustar aos estereótipos fe- 73
mininos tradicionais. Quando lutamos por uma autodefi- nição, deparamo-nos com curiosidade, falta de apoio e até hostilidade. Diane, uma psiquiatra canadense que estava fa- zendo terapia porque comia por compulsão, expressou um medo comum. Temia que se fosse magra as pessoas pode- riam pensar que ela realmente só estava interessada em si mesma e em mais ninguém. Ficar magra e bonita (em sua mente as duas coisas vinham juntas) significava ser fútil e voltada para si mesma, já que a magreza era algo que dava muito trabalho de se conseguir. Diane sentia que a gordura encobria sua vaidade; se fosse magra isso ficaria à mostra. Já que o trabalho de Diane era ajudar os outros, a idéia de que pudesse ficar muito voltada para si mesma a apavora- va. Seu mal-estar era de um tipo muito conhecido para mui- tas mulheres. Crescemos para nos preocupar com os outros e, em geral, sentimo-nos culpadas quando reparamos que temos nossas próprias necessidades, desejos e interesses que realmente vêm em primeiro lugar. Para Diane, o dilema era bastante grave e ela reparou que logo antes das sessões com seus pacientes entupia-se de biscoitos. Com este ato sentia estar realizando duas coisas: a certeza de que continuaria a ser gorda — o que para ela significava ser estável e ser uma pessoa confiável — e estaria evitando demonstrar es- tar voltada para si mesma quando estivesse com um paciente. Ao se entupir de biscoitos, abafava seus sentimentos. 3 — Ser admirada também não deixa de ter suas dificul- dades. Se somos admiradas quando estamos magras, em ge- ral sentimos que nossos corpos é que estão sendo apreciados. O corpo da mulher é sua principal qualidade; a compara- ção de seu corpo com os corpos das outras mulheres é um fator muito importante para a determinação de seus senti- mentos. Sua aparência determinará, em parte, a escolha de namorados e de um marido. É importante que cause boa impressão com sua aparência numa medida bem maior do que sua cara-metade masculina. Isso, é claro, é uma postu- ra ridícula — ser valorizada tendo como base a última mo- da em atração sexual. E o que dizer sobre nossa parte ativa 74
e pensante? Assim, ser magra traz consigo apreensões a res- peito de se saber se seremos vistas como pessoas inteiras ou simplesmente por nossas características sexuais.
4 — O desejo de ser uma pessoa que tem sexualidade é uma faca de dois gumes. Por um lado, muitas mulheres asso- ciam a magreza ao fato de serem desejadas sexualmente, e sentem ter mais domínio na escolha dos parceiros. Sendo magras acham legítimo selecionar as pessoas que lhes inte- ressam; sendo gordas, acham que têm de esperar pelo ho- mem ou mulher que se esforçará para atravessar as camadas de gordura e encontrar a pessoa que está atrás delas. Por outro lado, muitas mulheres temem a sexualidade recém- descoberta que a magreza promete. Muitas acham que te- rão atitudes diferentes das que têm normalmente em seu comportamento sexual. Uma das preocupações que volta e meia aparece nos grupos é a seguinte: "Se ficar magra e muito atraente talvez sinta atração por outros homens além de meu marido e não quero pôr nossa relação em risco." Temos tão pouco poder de decisão com relação à definição de nossa sexualidade que, conseqüentemente, fica muito di- fícil sentir, e mais ainda agir, sobre aquilo que queremos sexualmente.
Uma mulher com a qual trabalhei explicou detalhada- mente: "Se ficar menos volumosa, as pessoas me verão mais, ficarei exposta. O que ficará exposto será a minha sexuali- dade. A gordura, eu escondo por trás da alegria e finjo que não tenho sexualidade. Magra, revelo uma sexualidade amorfa e meio solta, porque fico magra tão raramente que não consigo me acostumar a me sentir bem com minha pró- pria sexualidade."
Imagens de sexualidade feminina são difundidas em car- tazes, na televisão e no cinema. Anúncios de carros e trato- res mostram mulheres expostas sobre as mercadorias. A sexualidade feminina transforma-se num produto aos olhos, tanto dos homens quanto das mulheres.
O significado desta última questão traz mais uma difi- culdade. Os objetos sexuais dos homens são as mulheres.
Entretanto, os objetos sexuais das mulheres são também as mulheres, pois a sexualidade é normalmente apresentada através de imagens femininas. Portanto, as mulheres ficam confusas se não se encaixarem na imagem que foi estabele- cida para elas. Se uma mulher não se parece com aquela outra cheia de vitalidade sexual que está no anúncio, ou na página de moda, como pode ousar ter uma sexualidade?
Mas por que a magreza se revela como um problema de sexualidade? Para muitas, a resposta se encontra no fa- to de que o peso tem sido vivenciado como um modo de se evitar a sexualidade. Embora o ato de evitar a sexualida- de seja uma solução muito dolorosa, pode, no entanto, ser uma opção mais segura para as mulheres que temem que se forem magras serão desejáveis sexualmente. Como faze- mos com todas as fantasias ligadas à magreza, trabalhamos, nos grupos, novas maneiras de dizer "não" e "sim" à se- xualidade, para que possamos ter qualquer peso e, ao mes- mo tempo, continuar a lutar para definir nossas necessidades sexuais. Desse modo, se a gordura tem sido uma maneira de dizer "não" ao sexo, devemos aprender a usar nossas bocas para falar e afirmar esse "não", em vez de esperar que o mundo magicamente entenda que a comida que aca- bamos de colocar em nossas bocas é uma tentativa de dizer "não". A boca tem duas funções importantes — permite- nos falar e comer. Por vezes, os comedores compulsivos afli- gem-se porque não a sabem usar com a primeira destas fi- nalidades.
5 — Há também níveis mais profundos de resistência pa- ra se ser magra. Um dos medos que muitas mulheres des- cobrem associar à magreza é o de sentir-se com muito poder. Em nossa cultura, desde muito cedo ensina-se às meninas que seu papel na vida é o de ser a companheira e auxiliar de um homem poderoso. Seu próprio senso de identidade desenvolver-se-á a partir da situação do marido; será a es- posa e mãe carinhosa, e o poder por trás do homem. As meninas são persistentemente desencorajadas a ter um po- der próprio, fora do papel materno. Ser magra, para mui- 76
tas mulheres, significa sair-se bem demais e ultrapassar sua posição social.
O poder apresenta à mulher três problemas inter-rela- cionados: o primeiro tem origem em imagens culturais de mulheres poderosas; o segundo, no modo como as meni- nas são criadas; e, o terceiro, nas conseqüências reais ou imaginárias de se ter poder. Os poucos exemplos conheci- dos que temos de mulheres poderosas têm sido ou equipa- rados à destruição, como é o caso de Helena de Tróia e Cleópatra, ou têm estado ligados a imagens de homens cas- trados, como Maggie, de Maggie and Jiggs.*
A mãe toda-poderosa só detém poder enquanto mãe. No momento em que o pai volta para casa, reapropria-se da autoridade de sua esposa. Assim, uma menina aprende sobre o poder de um modo confuso; o poder de sua mãe, o poder feminino, é negado pelo do pai, mas o poder do pai, o poder masculino, em geral é equiparado à desuma- nidade e à competição.
Ao crescer, a menina aprende a se conformar com uma cidadania de segunda classe. Sua mãe lhe ensina a ceder aos outros (como ela própria faz com seu marido), e a esperar que eles definam a forma de seu mundo. Os conceitos de fe- minilidade impedem que se pense em si mesma como pode- rosa e eficiente porque, para uma mulher, "poderosa" significa "egoísta" — agir para si mesma significa tirar dos outros.
As mulheres correm o risco de ficar socialmente isola- das caso se tornem muito poderosas. Se uma mulher é po- derosa e pode cuidar de si mesma é provável que se aflija, achando que não precisará de mais ninguém, e que se tor- nará muito auto-suficiente e só. Este medo é fomentado pe- las reações dos outros. Os homens geralmente reagem contra o esforço que uma mulher faz para ter seu próprio poder — "O que ela precisa é de um homem."
Freqüentemente as próprias mulheres são menos en-
* Personagem dominadora que aparece em uma história em quadrinhos de jor- nais americanos. (N. do T.j
corajadoras ainda para aquelas que tentam agir em benefí- cio próprio. Podem sentir-se ameaçadas, invejosas ou traí- das. Deste modo, se ultrapassarmos nossa posição social, concebendo-nos, a princípio, como poderosas e, em segui- da, agindo como tais, podemos nos sentir ameaçadas.
Trabalhar esse problema faz parte integrante dos gru- pos. Investigamos a razão pela qual as mulheres foram en- sinadas a aceitar esse papel secundário e examinamos a estrutura de poder de cada família individualmente, ou das redes de ensino.
6 — Um medo muito complexo que as mulheres invaria- velmente sentem está centrado na questão dos limites femi- ninos. A literatura psicanalítica está repleta de referências ao problema das mulheres com a demarcação de limites. O que se quer dizer com limites é a quantidade de espaço que se ocupa no mundo — onde se começa e onde se termi- na. A razão pela qual as questões relacionadas aos limites são tão difíceis para as mulheres tem suas raízes sociais no desenvolvimento de uma psicologia feminina. Sabemos que o papel feminino exige que a mulher seja aquela que nutre, que cuida dos outros e que dá apoio afetivo aos que lhe são próximos. Deve fundir seus interesses com os interesses dos outros e procurar sua realização adaptando suas necessida- des e desejos aos outros — em especial aos namorados e às crianças com quem têm uma relação mais íntima. É en- faticamente dissuadida a desenvolver sua autonomia eco- nômica e emocional. Ser gorda representa tanto o esforço de fundir-se com os outros, como, paradoxalmente, de for- mar uma parede impenetrável em torno de si mesma. De modo análogo, muitas mulheres associam a magreza a ques- tões de limite. Se a gordura tem sido um modo de repre- sentar sua condição de separada e seu espaço, sem ela a mulher sentir-se-á muito vulnerável e sem defesas. Maggie, uma balconista de 38 anos, relatou o seguinte: "Se não ti- ver todo esse peso sobre mim as pessoas chegarão perto de- mais e não terei nenhum controle ou proteção." Os desenhos abaixo talvez ilustrem como essas questões são vivenciadas. 78
Na figura A, a mulher é gorda e sente que seu eu ver- dadeiro existe em algum lugar por baixo da gordura. A gor- dura fornece uma proteção física contra a vulnerabilidade que ela pensa ter. Ela imagina que se perder peso estará per- dendo uma camada de proteção contra o mundo.
A perda dos limites fixos do eu produz mais um dos estados aterradores que as mulheres têm associado à perda de peso. Esse pavor que uma mulher pode sentir é o medo de ser invadida pelos outros. É provável que a gordura lhe tenha permitido manter uma certa distância das pessoas. Imagina que tudo isso está relacionado à gordura, que são as próprias pessoas que não se aproximam dela, e que ela não tem quase nenhum direito de se aproximar das pessoas. Assim, uma mulher se atormentará ao pensar que quando for magra as pessoas vão invadir os limites de seu espaço e penetrarão nela. Mais uma vez vemos que a condição fí- sica da gordura ou da magreza tem sido o modo através do qual as comedoras compulsivas lidam com as dificuldades em suas relações sociais.
7 — Uma questão extremamente difícil para a mulher é a da competição. Elas têm sido forçadas a competir entre si para poder conseguir o homem que, presume-se, cuidará delas e, principalmente, legitimará sua sexualidade. Esta 79
competição entre as mulheres é extremamente feroz e pe- nosa, mesmo que só tenha uma atuação em nivel incons- ciente. Faz com que nos avaliemos umas às outras a fim de que nos possamos sentir mais ou menos tranqüilas quan- do formos nos relacionar com os outros. Ao chegarmos a uma festa, começamos inadvertidamente a nos classificar por nossa atratividade em relação às outras mulheres. Isso é parte tão integrante de nossa cultura que está até mesmo institucionalizado. Talvez a forma mais degenerada que is- so assuma seja o Concurso de Miss Universo, no qual as mulheres competem baseadas em sua beleza e personalida- de. Muitas mulheres engordam como tentativa de evitar esses penosos sentimentos competitivos. O vislumbre de uma volta à magreza desmascara os impulsos competitivos. Muitas não estão seguras de como lidarão, seja com seus próprios de- sejos competitivos, seja com a animosidade que imaginam irão despertar nas outras mulheres.
8 — Finalmente, mais um dos medos expressados com fre-