Capítulo 1 Enquadramento teórico
1.3 Materiais de aprendizagem autorregulada
1.3.1 Que significa materiais da aprendizagem autorregulada
—Definição e características dos materiais
As ideias radicais dos materiais da aprendizagem autorregulada vêm da psicologia e do behaviorismo de Skinner (1958). O autor criou o ensino programado que divide informações gerais em pequenos passos, adaptados ao ritmo da aprendizagem dos alunos, de forma a ajudar os aprendentes a atingirem o objetivo da aprendizagem mais direta e rapidamente, através desta pedagogia. Nos anos 80 do último século, alguns autores tentaram investigar39 sobre materiais de autoinstrução, a fim de completar a lacuna de conhecimentos adquiridos em sala-de-aula, quer por causa da incapacidade dos professores, quer devido ao insuficiente tempo de aula. No entanto, muitos destes tipos de materiais reduziam a orientação dos professores, mas não incorporavam suficientemente a formação de autonomia de aprendizagem. Além da forma dos materiais, procurou-se constituir materiais adequados, mas nunca se refere em desenhar um material focalizado em autonomia autorregulada. Até ao início deste século, Jiaxing Yang (2000) dedicou-se a investigar o desenho de materiais de auto instrução, ele indicou que a aprendizagem autorregulada ideal é aquela em que os aprendentes podem escolher os conteúdos pedagógicos apropriados para si mesmos ou organizar atividades com objetivos particulares para diversas capacidades e necessidades. (Yang 2000, ap. Luo 2010, p.18). Os materiais deste tipo têm como objetivo efetuar esses efeitos, atingir
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As investigações são principalmente levadas em cabo em CRAPEL em França, refere-se em (Dickinson 1987, pp.68-69)
objetivos de aprendizagem pelo desenho de materiais. Neste âmbito, Weiguo Pang (2003) no seu livro Autonomia de Aprendizagem: Princípios e Estratégias do Ensino e
Aprendizagem, refere diretamente que os materiais da aprendizagem autorregulada se
dedicam a formar a capacidade da autonomia de aprendizagem. —Características e funções
Os materiais da aprendizagem autorregulada, quando comparados com materiais usados em sala-de-aula, ultrapassam a limitação do espaço, permitindo que os alunos possam estudar por si mesmos em qualquer lugar. Além disso, o desenho dos materiais é feito para estimular a motivação dos aprendentes, melhorando a orientação da aprendizagem, com recurso a feedbacks que ajudam aprendentes a descobrirem problemas a tempo e evitando que persistam nos erros até ao período de exames, por exemplo. Os materiais da aprendizagem autorregulada estão a tornar-se cada vez mais populares nas salas-de-aula, como forma de interação entre os professores e os aprendentes. Esses materiais tomam os aprendentes como o núcleo da sala-de-aula e os professores, por sua vez, estão lá para ajudar os alunos de LE a completarem tarefas de aprendizagem, adicionando conhecimentos do ensino e formando a capacidade de autonomia de aprendizagem. Yang (2010) fez uma comparação entre os objetivos e características dos materiais tradicionais e da aprendizagem autorregulada, conforme se pode ver na Tabela 3.
Objetivos dos materiais da aprendizagem autorregulada
Objetivos dos materiais tradicionais
Estimular o interesse da aprendizagem Pressupõe-se que os aprendentes têm interesses na aprendizagem
Estimar os tempos da aprendizagem Não estimar os tempos da aprendizagem Ter aprendentes com objetivo explícito Ter utilizadores numa extensa abrangência Dar objetivos e metas Dar poucas vezes os objetivos e metas
Utilizar diversos caminhos da aprendizagem Utilizar normalmente um modelo simples e único de aprendizagem
Desenhar a estrutura dos materiais de acordo com as demandas dos aprendentes
Desenhar a estrutura dos materiais em contexto académico e de acordo com demandas do programa
Reforçar atividades de autoavaliação Autoavaliação pouco frequente Ter atenção à dificuldade que os aprendentes irão
encontrar
Não ter hábito de dar atenção às dificuldades dos aprendentes
Oferecer um resumo de conteúdos Oferecer poucas vezes resumos de conteúdos Usar uma forma de tratamento pessoal Não usar uma forma de tratamento pessoal Explicar conteúdos em pormenor Explicar o essencial dos conteúdos As páginas têm muitos brancos, a fim do desenho
conter menos informações
As páginas são preenchidas com palavras, a fim do desenho conter mais informações
Procurar feedbacks e apreciações dos aprendentes Raramente se preocupa com as opiniões dos aprendentes Oferece sugestões sobre estratégias da aprendizagem Raramente oferece sugestões sobre estratégias da
aprendizagem
Necessidade dos aprendentes responderem ativamente Aprendentes fazem leituras e agem passivamente Com objetivo de efetuar uma aprendizagem com
eficácia
Com o objetivo de adquirir conhecimentos académicos de cursos
Encorajar os aprendentes a participar juntos Pressupor que os aprendentes são especiais Ter uma estrutura detalhada Ter uma estrutura relativamente geral e simples Com gramática e sintaxe simples Com gramática e sintaxe complexas e académicas Segmentos curriculares com pouca duração Segmentos curriculares com duração mais longa Utiliza bastantes exemplos, esquemas e figuras Não utiliza, em especial, exemplos, esquemas ou figuras Introduz as experiências dos aprendentes Toma a ordem lógica da disciplina como eixo da disciplina Sugere a aplicação dos conhecimentos Não presta atenção à aplicação dos conhecimentos
Tabela 3: Uma comparação entre materiais pedagógicos autorregulados e materiais gerais (Yang 2000, ap. Luo
2010, p.9)
Pela tabela, apresentam-se as vantagens e as características dos materiais da aprendizagem autorregulada e, ao mesmo tempo, revelam-se implicitamente algumas desvantagens e dificuldades desses materiais, quer na estrutura, quer na instalação de curricular; o presente trabalho tenta listá-las na tabela 4.
Tabela 4: Vantagens, desvantagens e dificuldades dos materiais da aprendizagem autorregulada.
A aplicação de materiais da aprendizagem autorregulada é muito importante e útil para o ensino da língua estrangeira, com suas vantagens e características eles são apropriados para a aprendizagem e satisfazem a necessidade da sociedade e da educação, ainda que tenham desvantagens e dificuldades sobretudo no seu desenho e conceção.
Materiais da aprendizagem autorregulada
Vantagem Desvantagem e Dificuldade
Indivíduo intrínseco Adaptado à autorregulação e autoavaliação; estimula a motivação.
Reforça a flexibilidade dos conteúdos e tem um objetivo explícito e orientado.
Professores Os feedbacks
(dificuldades e erros) dos aprendentes podem auxiliar no ensino.
Demanda experiência de orientação e interação dos professores e grau elevado de conhecimento dos materiais para aumentar a atividade dos aprendentes e a sua eficiência na aprendizagem.
Características de materiais
Não há grande distância entre diferentes níveis da dificuldade.
Necessita de sistematização dos materiais, a fim de dispor razoavelmente dificuldades dos conteúdos.
Não se limita a ensinar conhecimentos
tradicionais.
Necessita do pragmatismo de materiais adaptados à maioria dos alunos e aos valores subjacentes à aplicação dos conhecimentos. Não tem estruturas
fixas.
Reforça estruturas macroscópicas e microscópicas, nomeadamente quanto à sua combinação com programas pedagógicos e às exigências dos testes.
—Investigações relevantes
A Universidade de Lisboa tem o Programa de Estudos da Aprendizagem Autorregulada na Faculdade de Psicologia, rumo à Autorregulação da Aprendizagem em Ambientes Apoiados pela Tecnologia que “se centra essencialmente na avaliação dos processos autorregulatórios” (Faculdade de Psicologia Universidade de Lisboa 2016), há outras investigações focalizadas no ensino como “Autorregulação da motivação”, “Autorregulação da aprendizagem na Escrita” e “Autorregulação da Aprendizagem e Desenvolvimento profissional”, ainda que sejam investigações focadas em autonomia/ aprendizagem autorregulada em aspeto de ensino- aprendizagem e avaliação, não há análises concretas em materiais para ensinar LE. Quanto ao ensino de PLE/L2/LNM40, há um projeto com tema de “Estratégias e materiais de ensino-aprendizagem para Português Língua Não Materna (PLNM)”, que dá atenção a “descobrir o centro de recursos: dos materiais impressos aos digitais” (Camacho s.d.), especialmente nas escolas do ensino secundário. O projeto consiste em procurar os percursos de comunicação, a fim de conhecer melhor a cultura portuguesa e construir uma autonomia dos alunos.
Tendo em consideração essas investigações, é necessário trabalhar num material da aprendizagem autorregulada para ensinar PLE na era digital, tão em voga nos dias de hoje.