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5 REPARTIÇÕES DAS RECEITAS EM OPERAÇÕES

5.5 Perturbações no Modelo ICMS CF/1988 Quando o Adquirente no Estado

5.6.1 A Guerra Fiscal no Setor Automotivo

5.6.1.2 Quebra da Regra Constitucional do Modelo de Tributação ICMS

Neste cenário explicitado que primeiramente iniciou-se pela grande pressão do setor automobilístico para que houvesse a redução da carga tributária final do ICMS, em 1992.

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Em seguida, a concessão anárquica de diversas modalidades de incentivos, e na ausência de coordenação do governo federal, os Estados mais poderosos da nação, localizados na região Centro-Sul conseguiram atrair para seus territórios as principais montadoras.

Esse processo foi intensificado por conta das manifestações das próprias empresas no sentido de instalarem-se no país diante da consolidação do Mercosul. Mas não se deve esquecer a presença de variáveis como a locacional que interferiram nesse processo, já que como constatado em Lages (2003), em outro segmento, a generalização de benefícios fiscais atuavam como uma espécie de regra básica, seguida por todas as unidades da federação. Por ser o ICMS, o principal imposto estadual, óbvio que essa manipulação, gerava ao final das contas queda de arrecadação fiscal para todos.

E nesse quadro, fator de significativa pertinência ao estudo é referente também à quebra da regra constitucional do modelo tributário ICMS CF/1988 quando no Estado destino, o comprador não é contribuinte do imposto.

Isso se deveu ao fato que as montadoras começaram a realizar venda direta para consumidores finais em operações interestaduais, principalmente após o advento das vendas on-line, tendo como intermediário as diversas concessionárias espalhadas nos Estados.

Com o crescimento deste tipo de venda, dado ao alto valor agregado do preço dos veículos, os Estados importadores começaram reivindicar parte da receita gerada neste tipo de operação, ainda que isto ferisse os preceitos constitucionais do modelo.

Conforme o exposto nesse trabalho, no modelo constitucional do ICMS – em que o comprador situado no Estado destinatário não é contribuinte do imposto, todo ICMS gerado é recolhido integralmente para o Estado origem.

O disposto no Convênio se aplica nas condições em que a entrega do veículo ao consumidor final seja feita pela concessionária envolvida na operação, e estará sujeita ao regime da substituição tributária progressiva, em relação a veículos novos.

A regra constitucional foi desrespeitada de forma explicita, pois Convênio dispõe que parte da parcela do imposto relativa a operação estando sujeita ao regime de substituição tributária é devida à unidade federada de localização da concessionária que fará a entrega do veículo ao consumidor

Para que haja entendimento, toma-se como exemplo uma montadora localizada no Estado de Minas Gerais – contribuinte substituto, que fará retenção do ICMS devido ao Estado de Alagoas, e no prazo previsto, deverá recolher o montante do ICMS/ST aos cofres públicos deste Estado, separadamente do imposto devido pelas própria operação, ICMS normal, do Estado de Minas Gerais.

Primeiro, demonstrar-se-á esta operação, sem números, apenas apresentando o fluxograma do Convênio, para logo em seguida, realizar simulações através de exemplos numéricos, em acordo com convênio 51/2000.

Figura 1 – Mecanismo De Repartição Do Icms Na Venda Direta De Veículos – Operação Interestadual

Fonte: Autor, 2012. BRASIL. Baseado no Convênio CONFAZ 51/2000

Observe que o fluxograma representado pela figura 1 demonstra que apesar da operação interestadual ser de faturamento direto para consumidor final, não contribuinte do ICMS, o convênio introduziu no modelo, apesar do caráter inconstitucional, o sistema hibrido de repartição de receitas entre o Estado de origem e destino.

.A montadora ou a importadora retém o ICMS pelo instituto da substituição tributária progressiva, e repassa na data acertada o montante gerado, para Estado destino.

A fim de esclarecer o procedimento adotado pelo convênio, vamos exemplificar uma operação de venda de veículos de uma montadora de Minas Gerais para um consumidor final em Alagoas, cujo preço do automóvel para o consumidor final é de 10.000 unidades monetárias, em diferentes alíquotas de IPI escolhidas de forma aleatória no convênio supracitado. Pressupostos: Origem (MG) Montadora - (remetente) Venda Direta

> ICMS para Origem (operação normal) > ICMS para Destino (operação ST- progessiva) Destino (AL) Montadora Entrega Veículo Não Contribuinte do ICMS (destinatário)

alíquotas tributárias do IPI, formas escolhidas de forma aleatória no convênio; redução de base de cálculo está em acordo como a alíquota IPI, e seus valores foram retirados do Convênio, emprego da equação 2.2

alíquota tributária 12%, conforme convênio 51/2000.

Quadro 18 – Venda de Veículo Automotor – Faturamento Direto Remetente: Montadora em MG – Destinatário: não Contribuinte de ICMS em AL

Alíquota IPI % (Percentual) de Redução da Base de Calculo Preço Automóvel Base de Cálculo ICMS Carga Tributária ICMS Alíquota ICMS Partilhado para Estado de Alagoas (% Redução) (P) (B) (t) (TY) 0% 54,92% 10.000 5.492,00 12% 659,04 5% 57,25% 5.725,00 687,00 7% 57,22% 5.722,00 686.64 9% 58,06% 5.806,00 696,72 11% 59,76% 5.976,00 717,12 15% 62,14% 6.214,00 745,68 16% 61,60% 6.160,00 739,00 20% 63,17% 6.317,00 758,04 25% 64,53% 6.453,00 774,36 35% 67,75% 6.775,00 813,00

Fonte: Autor, 2012. BRASIL. Baseado no Convênio CONFAZ 51/2000

Observa-se que parte do ICMS gerado nesta compra destina-se ao Estado destino, fato que não ocorria antes da entrada em vigor do convênio. Esta modificação no modus operantis do modelo IVA-origem, para IVA-origem restrita com instituto da substituição tributária progressiva, para compras de automóveis diretamente da montadora pelo contribuinte final, foi a primeira modificação na guerra fiscal a infringir diretamente a regra constitucional, através do CONFAZ, no qual o adquirente da mercadoria no Estado destino não é contribuinte de ICMS.

Em continuidade com o avanço do comércio eletrônico, trouxe outras mudanças no cenário da guerra fiscal, uma vez que os Estados importadores começaram a reivindicar parte da receita gerada no e-commerce. Isto será exposto a seguir, com ênfase no Protocolo 21/2011.