CAPÍTULO 2: ANÁLISE DA ESTRUTURA E COBERTURA DA VEGETAÇÃO
1. INTRODUÇÃO
3.3. Queda Foliar (abertura do dossel) e atividade cambial
Segundo Ribeiro (1998) as matas ciliares ocupam áreas restritas ao longo de cursos d´água de médio e grande porte e ocorrem em todos os domínios fitogeográficos e morfoclimáticos do Brasil. Para Bertani (2001) esse tipo de formação vegetacional é caracterizado pela grande heterogeneidade ambiental, gerada por fatores bióticos e abióticos, sendo que os principais fatores abióticos são a quantidade de luz e a qualidade da luz. A abertura e reconstrução do dossel fornecem uma dinâmica espacial dentro da floresta com alterações na quantidade de luz e suas variáveis associadas o que tem como
Além disso, a estrutura do dossel pode variar bastante, tanto espacialmente quanto temporalmente (WIRTH, 2001), contribuindo para a heterogeneidade de radiação no sub- bosque e no solo das matas.
Toneli (2009) cita Daudet (1993) onde este considera que a fotossíntese no dossel como um passo determinante no processo da formação da copa, controlado pela planta e fatores ambientais, representando uma variável dendrométricas de grande importância. Para Sanches et al. (2008) o índice de área foliar (IAF) é uma importante variável biofísica da vegetação usada em vários modelos de produção primária de escalas e modelos globais de clima, hidrologia, biogeoquímica e ecologia.
Para Roig (2000) devemos explorar as relações entre o processo de queda foliar, atividade cambial e fatores climáticos, a fim de compreender melhor o comportamento do crescimento de cada espécie arbórea tropical, incluindo o ritmo da atividade cambial e a formação dos anéis de crescimento anuais.
Em estudo dendrocronológico realizado em árvores no Estado de São Paulo Lise et al., (2008) constatou que considerando a análise dos dados fenológicos, geralmente podemos concluir que, para as espécies estudas, perdem suas folhas na estação seca. Para Roig (2000) estes resultados indicam que o estresse provocado por períodos de seca severa foi o fator-chave para iniciar a queda das folhas das espécies das florestas semidecíduas do Brasil. Esta fase fenológica ocorre quando o câmbio vascular é menos ativo. Esse comportamento é considerado típico para a época em função das condições climáticas das florestas semi-decíduas (LISE et al., 2008). Embora a seca pareça ser o principal fator que influencia a fenologia foliar, outros fatores como a duração do dia, a temperatura ou mesmo variações genéticas também podem estar envolvidos (MORELLATO et al.,1989). Muitos autores afirmam que menor precipitação durante o inverno, reduz fortemente a taxa de crescimento radial em muitas espécies de árvores na região neotropical (PRÉVOST & PUIG, 1981; DÉTIENNE, 1989). Os resultados da taxa reduzida de incremento para o crescimento durante novembro a fevereiro (estação seca) e uma taxa mais rápida durante março a junho (começo da estação chuvosa), confirmam estes resultados, para a Pseudobombax marginatum presente no “Canyon” da Toca da Onça na Serra dos Macacos em Tobias Barreto-SE.
Considerando dados Fitossociológicos, a densidade, freqüência e dominância das espécies são determinadas pelas variações topográficas, tipo de solo e pluviosidade. Temos como uma das mais importantes características observadas em árvores da Caatinga, o fato
de que suas folhas e flores são produzidas em um curto período de chuvas enquanto o ecossistema permanece relativamente dormente durante a maior parte do ano. A vegetação herbácea também cresce somente durante as chuvas curtas e esparsas (RIZZINI et al., 1988).
Figura 3.3.1. Foto hemisférica + “Threshold” GLA, para análise da cobertura do dossel em fevereiro de 2010 no “Canyon” da Toca da Onça em Tobias Barreto-SE.
Figura 3.3.2. Foto hemisférica + “Threshold” GLA, para análise da cobertura do dossel em Setembro de 2010 no “Canyon” da Toca da Onça em Tobias Barreto-SE.
No “Canyon” da Toca da Onça na Serra dos Macacos em Tobias Barreto-SE para fevereiro (verão) e setembro (inverno) de 2010 a vegetação arbórea-arbustiva demonstrou significativamente comportamento fenológico de queda das folhas. Em fevereiro (final do período seco) observamos grande queda foliar (Figura 3.3.1), uma resposta fisiológica ao aumento de temperatura e redução do volume hídrico nesse período do ano (outubro- março). Em setembro (final do período chuvoso), ou seja, após os meses de maior regime hídrico e menores temperaturas (abril-setembro), há um incremento foliar bastante significativo na vegetação (Figura 3.3.2). Esse registro reforça que há na Caatinga o que Rizzini (1988) havia descrito que as plantas crescem em determinado período do ano e permanecem dormentes no restante. Secas sazonais severas controlam a periodicidade de crescimento endógena de árvores tropicais pelo aumento da abscisão das folhas ou causando ecodormência (URQUIZA, 2008).
A b e rt u ra d o D o s s e l ( % ) Median 25%-75% Min-Max Abertura do Dossel (%) (Set)
Abertura do Dossel (%) (Fev) 10 20 30 40 50 60 70 80 90
Figura 3.3.3. Abertura do Dossel entre os períodos de setembro e fevereiro de 2010 no “Canyon” da Toca da Onça. Serra dos Macacos em Tobias Barreto – SE.
Para a frequência de abertura no dossel entre os meses de fevereiro e setembro de 2010, no “Canyon” da Toca da Onça, verificou-se significativa diferença entre os períodos (Figuras 3.3.3 e 3.3.4). Isso demonstrou que há variação na cobertura do Dossel entre o período seco (fevereiro) e chuvoso (setembro) e que existe diferença entre a intensidade
luminosa e a insolação diária que a comunidade vegetal presente no “Canyon” da Toca da Onça recebe entre esses períodos (fevereiro e setembro). Deste modo, a luz incidente apresenta maior quantidade de radiação fotossinteticamente ativa, que é favorável ao desenvolvimento das plantas (LIMA, 2005), no período seco e menor no período chuvoso. Isso demonstra que as plantas respondem de modo diferente quanto à disponibilidade de luz e água. Durante o período de maior intensidade luminosa há grande contribuição para o maior recrutamento de plântulas e formação dos anéis de crescimento. Observou-se que a maior cobertura foliar em setembro (em função do menor espalhamento da abertura da copa), representa a resposta fisiológica dada pelas plantas em função do período de chuva que se inicia em março e segue até agosto na Serra dos Macacos (Tobias Barreto-SE) (Figura 3.3.4). Setembro Fevereiro 12,7400 20,2425 27,7450 35,2475 42,7500 50,2525 57,7550 65,2575 72,7600 80,2625 Abertura da Copa (%) 0 2 4 6 8 10 12 14 F re q u e n c ia O b s e rv a d a
Figura 3.3.4. Frequência de abertura do dossel (n = 24 pontos de amostragem) nos meses de fevereiro e setembro de 2010 no “Canyon” da Toca da Onça na Serra dos Macacos em Tobias Barreto – SE.
No mês de setembro a copa foliar apresenta-se bastante fechada e está com 23% a 28% de sua abertura foliar percentual, respectivamente para o lado direito e esquerdo do “Canyon” da Toca da Onça. Essa característica demonstra a semidecidualidade da vegetal presente na “Canyon”. Para fevereiro verificamos uma abertura foliar percentual 61% e 60%, para o lado direito e lado esquerdo, respectivamente. Para o centro das parcelas
observamos que há uma relativa manutenção da cobertura foliar percentual, apresentando 35,5% de abertura para fevereiro. No mês de setembro a abertura foliar manteve-se em torno de 19%. A análise da variância demonstrou que o canal central ou ripário tem efeito significativo na cobertura foliar do dossel. No entanto, ao contrario do que se previa há uma abertura menor no dossel no mês de fevereiro, demonstrando que as pequenas lagoas que se formam ao longo do riacho Macacos, mesmo com pouca água (água bastante salina no período seco) influenciam na cobertura do dossel.
No sub-bosque e no dossel tanto do lado direito quanto do lado esquerdo há incremento foliar no bosque quando comparado com o do sub-bosque. Observamos um aumento de 3 a 5 vezes maior em sua área foliar, quando comparado os períodos seco (fevereiro) ao pós-chuvoso (setembro). Já no centro (CE), onde há o canal do Riacho Macacos, há uma manutenção da cobertura da copa numa razão entre 1.7 a 2.2 (para o sub- bosque e bosque), aproximadamente duas vezes menor do que quando comparado aos lados direito e esquerdo (VER CAPÍTULO 2).