4. RESULTADOS
4.4. Questões Abertas através das quais os entrevistados foram convidados a
Já, dos 17 consultores que responderam aos questionários, 8 disseram que os empreendimentos que eles representam foram fiscalizados, sendo que 6 afirmaram que, pelo menos, uma vez durante a vigência da licença e 2 informaram que houve fiscalização, mas em função de uma denúncia.
Em contrapartida, outros 6 consultores disseram que nenhuma vistoria foi realizada após a emissão da licença ambiental. Ademais, 3 respondentes se utilizaram da opção “Outro” para informar que apenas em alguns casos houve fiscalização, sendo que em determinados momentos o empreendedor é muito fiscalizado e em outros nem tanto, não havendo um padrão.
Conforme apresentado no item 4.1 subitem “f”, o Critério Fiscalização foi considerado, por gestores e Técnicos, como sendo um dos mais importante para garantir a eficiência do licenciamento e cujo desempenho foi classificado, por estes dois grupos, como sendo majoritariamente eficiente.
De outro lado, Empreendedores e Consultores o classificaram em quarto lugar de importância. Já sobre o seu desempenho, este grupo dividiu opiniões entre Eficiente, Pouco Eficiente e Nada Eficiente, sendo que a maioria das opiniões convergem para uma percepção negativa de seu desempenho.
Portanto, mesmo que Gestores e Técnicos considerem o desempenho dos órgãos ambientais, para este critério, como eficiente, as demais respostas demonstram que há a necessidade de aperfeiçoamento das ações de fiscalização.
A discussão realizada no item 4.2 subitem “i” sobre a avaliação de desempenho do licenciamento, trouxe a possibilidade de a Fiscalização ser considerada como uma forma de avaliar os procedimentos administrativos na prática, dada a importância que tal ação representa em todo o sistema ambiental. No entanto, para ser efetiva, deve ser baseada em um planejamento estratégico, caso contrário, apenas os empreendimentos que já estão ligados ao licenciamento são fiscalizados, deixando os que operam na ilegalidade livres para seguirem infringindo as normativas legais que garantem a proteção ambiental.
4.4. Questões Abertas através das quais os entrevistados foram convidados a
a) Sugestões sobre melhorias a serem implementadas nos procedimentos administrativos:
Todos os grupos foram questionados sobre qual a principal mudança que deveria ser implementada nos procedimentos administrativos adotados pelos órgãos ambientais com vistas a aperfeiçoar o licenciamento.
A maioria dos comentários registrados trazem assuntos que permeiam pelos resultados obtidos com os questionários, demonstrando que os respondentes mantiveram uma coerência de pensamento durante as suas respostas.
Com já discutido em vários momentos anteriores, a transparência de informações é fator decisivo para o sucesso dos procedimentos impostos pelo licenciamento. A existência de uma plataforma digital que permita a virtualização dos processos pode, além de auxiliar na formatação e divulgação de dados, ainda agilizar a análise técnica, pois mais de um técnico pode estudar o processo ao mesmo tempo, enquanto o físico deve circular um por vez.
Também se falou sobre a estruturação e padronização dos procedimentos que devem se basear, de forma preponderante, no conhecimento técnico. Para tanto, a capacitação da equipe multidisciplinar é fator indispensável, devendo prover uma visão sistêmica sobre o licenciamento que contemple, além do conhecimento técnico, as atividades licenciadas e, inclusive, a matéria jurídica.
Foi considerado importante que o órgão ambiental promova capacitações para as empresas de consultoria, de forma a garantir uma melhor qualidade dos estudos entregues, além de um trabalho mais atuante de educação ambiental junto a população
Além disso, fazer com que os dados gerados através dos processos de licenciamento sejam utilizados para compor um plano de gestão ambiental. Desta forma, além de cumprir com as condicionantes que lhe são demandadas, os empreendedores se veem parte de algo mais amplo com resultados práticos para a sociedade.
Sobre a fiscalização, concluiu-se que é a parte prática do licenciamento, imprescindível para o seu sucesso. No entanto, é justamente o ponto que recebeu mais críticas quanto à sua eficiência.
Foi sugerida a implementação de alguma forma de incentivo para aqueles que apresentam uma conduta ambientalmente adequada e de punição para aqueles descomprometidos que tentam burlar a norma. Desta forma, o processo de
regularização ambiental se tornaria mais justo, haja vista o grande investimento que o licenciamento representa na receita das empresas.
Em síntese, todas as sugestões de mudança que, na opinião dos entrevistados, deveriam ser implementadas nos procedimentos administrativos adotados pelos órgãos ambientais visando aperfeiçoar o licenciamento, são pertinentes e devem receber atenção especial dos gestores públicos para garantir o aperfeiçoamento da gestão ambiental.
b) Comentários pertinentes à pesquisa sobre licenciamento ambiental:
Como última questão dos questionários, foi proposto um espaço para que os entrevistados se sentissem livres para explicar alguma resposta cujas alternativas não tenham expressado integralmente seus pensamentos ou para contribuir com comentários pertinentes à pesquisa que possa ajudar a aprimorar, cada vez mais, o licenciamento ambiental.
De certa forma, a maioria dos comentários registrados serviram para reafirmar posições já mencionadas durante os questionários, como a importância de avaliar o desempenho dos órgãos ambientais, a relevância do controle de condicionantes e da fiscalização como parte prática do licenciamento, bem como a necessidade de capacitação contínua dos técnicos.
No entanto, um respondente chama a atenção para o desequilíbrio funcional dentro das equipes responsáveis pelo licenciamento, em que uns são altamente qualificados e outros apresentam significativas deficiências técnicas. Na percepção do interlocutor, essa situação acaba prejudicando a avaliação dos processos e apenas terá solução a partir de uma avaliação gerencial, haja vista que “poucos técnicos se insurgem contra colegas improdutivos, em razão do corporativismo vigente”. Portanto, deve partir dos gestores a implementação de modelos capazes de avaliar essas desigualdades com o intuito de investir em capacitações específicas, de forma a equilibrar a capacidade técnica da equipe.