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Questões da Modernidade e da Pós-Modernidade

SOCIEDADE EM TEMPOS DE MUDANÇA

3.6.2 Questões da Modernidade e da Pós-Modernidade

possibilidade de sua autonomia. O iluminismo tinha como propósito estabelecer formas de conhecimento científico que permitissem estruturar a emancipação da humanidade. O cientificismo se manifestava como uma forma de ultrapassar e dominar as limitações impostas pela natureza. O projeto iluminista também pre- tendia ir além das explicações religiosas, míticas e supersticiosas, em que a ciência e a razão seriam os princípios norteadores do conhecimento humano. A partir deste princípio é possível entender, as críticas de alguns iluministas contra a religião, pois esta é baseada em tradições e misticismo.

Hoje mesmo que alguns pensadores considerem nosso tempo como pós-mo- derno, é possível encontrarmos muitos elementos, princípios da modernidade. A modernidade se caracterizou pelas meta narrativas. Podemos observá-las na economia, no direito, na burocracia e nas atividades profissionais. Na esfera social a modernidade é representada pela ideia do progresso e da capacidade científica como possibilidade de resolverem todos os problemas da humanidade.

Podemos melhor entender a modernidade como uma expressão de uma época histórica marcada por um discurso que prioriza as formas de conhecimento cien- tífico abrangente, universalizante, e totalizante, que tem como propósito contar a história da humanidade como um todo.

O período contemporâneo ou pós-moderno, tem como característica privilegiar a diversidade, a fragmentação, a indeterminação, e nesse sentido se opõe ao dis-

curso universalizante e totalizante da modernidade. A pós-modernidade procura

dar espaço às diferenças, à subjetividade, propiciando visibilidade a questões como gênero, raça, etnia, questões territoriais entre outras.

No momento em que vivemos, devemos nos questionar se de fato superamos o período da modernidade, podemos afirmar que as indagações da sociedade real- mente são questionamentos pós-modernos? Ou talvez estejamos presenciando uma radicalização da modernidade, e erroneamente estamos definindo como pós-modernidade?

Entre os autores que tem se ocupado com essa temática podemos destacar An- thony Giddens sociólogo, e o geógrafo David Harvey. Giddens defende a ideia de que estamos vivendo um período de radicalização da modernidade, e não uma época pós-moderna. Para Giddens o mundo fora de controle vem da não concretização iluminista de domínio da natureza pela via do conhecimento científico e progresso. De acordo com Giddens a modernidade se afunda em uma duplicidade sombria. Se por um lado cria uma estrutura de possibilidades e de oportunidades, oriundos do desenvolvimento científico, por outro lado também promove consequências degradantes como a exploração do trabalho, o autoritarismo político e as guerras. Com relação à pós-modernidade, Giddens tem como principal questionamento a ausência de certeza no processo de conhecimento devido às ideias, troca de valo-

sAiBA mAis: Pós-modernidade é o estado ou condição de ser pós-moderno – depois ou em reação àquilo que é moderno, como na arte pós-moderna. A modernidade é definida como um período ou condição largamente identificado com a Revolução Industrial, a crença no progresso e nos ideais do Iluminismo.

res, vazios, do niilismo, do imediatismo, da substituição da ética pela estética, do consumo de sensações e o fim do grande discurso.

Para David Harvey o pós-moderno seria uma nova concepção da relação tempo espaço no capitalismo. No entanto, se observando mais de perto Harvey observa uma reprodução das relações sociais fundadoras do capitalismo, não observando mudan- ças estruturais que possibilitem uma percepção pós-capitalista ou pós-industrial.

Segundo Harvey, as teses de que vivemos na pós-modernidade, fundamentado na celebração da fragmentação, do efêmero, da simulação, aceitando as identi- dades dos grupos locais, ocorre devido a uma análise mais ampla e profunda das sociedades em que esses grupos estão inseridos.

Outro ponto levantado pelo autor diz respeito a alteridade e autenticidade. Quando se reconhece a identidade de um grupo local, a alteridade e autenticidade desse grupo permanecem circunscritas apenas a seu espaço social, dessa forma negando, a influência desses grupos em realidades mais amplas.

O discurso pós-moderno tem se caracterizado por um silêncio diante de ques- tões como economia, política e estruturas do poder global. Para Harvey o que está ocorrendo é uma radicalização da modernidade. Essa radicalização pode ser ob- servada na aceleração do processo de produção e reprodução, principalmente se analisarmos o processo de geração de lucro. O lado caótico, efêmero, fragmentário de nossa sociedade é muito derivado de uma consequência do progresso técnico científico, característica de uma crise da modernidade, do que propriamente dita uma constituição pós-moderna.

Pierre Bordieu (1930-2002), antropólogo, filósofo e sociólogo francês, tornou-se um dos principais pensadores da metade do século xx. Sua inquietação instalou-se por desenvolver uma análise das sociedades capitalistas, lançou um olhar sobre as práticas simbólicas e sua importância sobre as práticas sociais.

De acordo com Bourdieu e Marx realizou uma análise econômica sobre a so-

ciedade não contemplando as relações simbólicas, nesse sentido Bourdieu partiu para o entendimento de como a economia de bens simbólicos também influencia e sofre a influência de bens materiais.

Bens simbólicos são entendidos como um conjunto de práticas sociais regidas pelo poder e que são constituintes da dominação social, pelo fato de criarem e legitima- rem hierarquias e divisões sociais. Podemos citar como exemplo a distribuição de títulos escolares. A titulação cria um conjunto de práticas sociais estabelecidas por formas desiguais de poderes.

Para Bourdieu a escola quando reproduz os bens simbólicos, perpetua as desi- gualdades sociais, por transmitir aos estudantes a forma de conhecimento da classe