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Com a ruptura do vínculo conjugal, uma nova situação fática se impõe. Dessa forma, necessário atentar para os aspectos psíquicos envolvidos num processo de tamanha repercussão para tantos destinos. Os aspectos referentes ao bem estar do menor devem ser valorizados, para que a definição da guarda não seja um processo traumático para os envolvidos.

Conforme Marcial Barreto Casabona (2006, p. 221), “uma das conseqüências da dissolução da sociedade conjugal é o afastamento emocional entre filhos e o genitor não guardião”, gerando assim, a quebra dos vínculos de intimidade entre os mesmos. Dessa forma, a criança deixa de morar na mesma casa que o pai/mãe, deixa de vê-lo todos os dias e os contatos são reduzidos aos fins de semana.

Conseqüentemente, o genitor não guardião torna-se uma visita e mero provedor de pensão alimentícia.

O mesmo autor alega ainda que os efeitos são devastadores: “surgem sentimentos de perda, de abandono que abalam a psique da criança e do adolescente que, ao lado do progressivo afrouxamento dos lações que unem o filho ao genitor não guardião, acabam por comprometer seu desenvolvimento”

(CASABONA, 2006, p. 222).

Marcial Barreto Casabona, cita ainda os estudos publicados pela APASE (Associação de Pais e Mães Separados), nos quais:

Psicólogos chegaram à conclusão de que as crianças de pais e mães separados que ficam afastadas deles ou de qualquer deles por muito tempo, perdem muito da relação familiar, sofrendo angústia, conflitos de lealdade, timidez e agressividade. Os traumas decorrentes do abandono podem levar a criança a ter dificuldades de relacionamento por toda a vida com todos ao seu redor, sendo acometidas de problemas psicológicos diversos, onde vemos tais reflexos somatizados, de uma culpa que elas não têm, ora em forma mais grave, com desvio de comportamento, e outra copiando o modelo paterno ou materno de forma inadequada, quando não vítimas da síndrome de alienação parental (CASABONA, 2006, P. 232).

Dessa forma, o exercício compartilhado da guarda surge para amenizar as perdas, que porventura ocorram, beneficiando a criança na medida em que os pais estão envolvidos em sua criação e educação.

José Sebastião de Oliveira analisa a questão da afetividade como fator preponderante para a decisão da guarda:

A família que tem fim com a separação judicial ou com o divórcio pode ter sido extinta quanto ao relacionamento entre os cônjuges. Porém, os laços afetivos que ligam os separados ou divorciados a seus filhos mantêm-se íntegros e muito consistentes. A afetividade que tem fim com o fracasso do relacionamento, não pode ser esquecida quanto aos filhos (OLIVEIRA, 2002, p. 303).

A criança não pode simplesmente ser privada da presença de um dos pais, pelo fato deste não estar mais unido conjugalmente com o outro genitor. Não se pode deixar de analisar a relação de afeto entre os genitores e os filhos, pois a afetividade é elemento essencial e marcante da união familiar.

A partir da ruptura conjugal os filhos passam a um plano secundário, servindo de objeto de disputa entre os ex-cônjuges. O fundamento psicológico da guarda compartilhada parte da convicção de que a separação e o divórcio acarretam uma série de perdas para a criança.

Assim, a guarda conjunta visa amenizar este sentimento, bem como possibilitar maior intercâmbio nos papéis de pai e mãe, aumentando disponibilidade para os filhos, melhorando a comunicação e a confiança entre os pais separados na educação dos filhos.

Quando os pais cooperam entre si e não expõem os filhos em seus conflitos, minimizam os desajustes e a probabilidade de desenvolverem problemas emocionais, escolares e sociais.

Outro ponto importante que se percebe na vida dos filhos é a diminuição da angústia produzida pelo sentimento de perda do genitor que não detém a guarda tal como ocorre com freqüência na guarda única. Assim, diminuem-se os sentimentos de rejeição e proporciona melhor convivência com os pais, num ambiente livre de conflitos.

Importante salientar, conforme os ensinamentos de Denise Maria Perissini da Silva (2009, p. 4), que “quando há desentendimento entre os pais, nenhum sistema de guarda funciona bem”. Dessa forma, assegura ainda que, “mesmo sob a guarda única da mãe, a criança continuará a ter pai e a ser cuidada por ele eventualmente nos dias e horários de visitas”.

Assim, a criança perceberá um desequilíbrio e injustiça na relação entre os pais, causando o distanciamento de um deles, com sofrimento para a criança e para o genitor a quem é imposto a redução do convívio com os filhos.

Segundo a mesma autora, nesses casos:

O guardião e sua prole se desvinculam afetivamente, ante o distanciamento imposto e a artificialidade da relação, com graves prejuízos para a formação da personalidade da criança. Até mesmo porque o desequilíbrio do poder estabelecido pela guarda única permite ao guardião desvalorizar o outro genitor, em muitos casos impingindo a alienação parental aos filhos, ensinando-os que o não guardião é menos importante ou não os ama. Essa é uma conduta que supostamente visa proteger total ou artificialmente a criança do conflito entre seus pais, somente a afastando totalmente do não guardião, como se ele tivesse morrido.

É muito melhor para a criança conviver com o conflito durante algum tempo do que perder a presença amorosa de um pai ou de uma mãe. O enfraquecimento do laço afetivo entre pais e filhos causa graves traumas às criança; esse laço dificilmente se refaz mais tarde. Ademais algum nível de conflito é natural nas relações humanas e acontece diante dos filhos mesmo entre os casais não separados. (SILVA, 2009, p. 4)

O ponto crucial da estabilidade emocional das crianças está no nível de entendimento de seus pais, estejam eles separados ou não. Dessa forma, mesmo quando os pais vivem juntos, mas em constante conflito estão fazendo mal à saúde psicológica de seus filhos.

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