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Quest˜ oes importantes e quest˜ oes n˜ ao-importantes

Grande parte das quest˜oes levantadas contra a proposta de Behe s˜ao irrelevantes e in- felizmente ocupam a aten¸c˜ao da maioria dos envolvidos no debate sobre o Design (ou Projeto) Inteligente.

S˜ao irrelevantes quest˜oes como: ser ou n˜ao criacionismo e ser ou n˜ao Ciˆencia8.

Palavras como “dangerous” (perigoso) s˜ao frequentemente usadas contra o ID, o que ´e irˆonico dado que palavras semelhantes eram igualmente usadas contra a evolu¸c˜ao darwiniana. Cri- acionistas levantam o incontest´avel ponto de que a lei darwiniana de “sobrevivˆencia do mais forte” fora usada pelos nazistas para justificar o holocausto e sua expans˜ao militar.

Kenneth Miller diz que Behe levanta um “argument from designer” (argumento do Pro- jetista) que consiste numa tentativa pseudo-cient´ıfica (ou melhor, pseudo-cartesiana) para provar a existˆencia de Deus devido `a complexidade do mundo natural. De fato, o Design Inteligente n˜ao se imp˜oe como uma prova e como tal j´a fora refutado pois, embora extremamente improv´avel9, ´e

8 O que, para tratar, seria necess´ario mais que um pequeno Apˆendice. E maiores interessados poder˜ao aprender

mais em (NOUGU ´E,2018)

D.3. Quest˜oes importantes e quest˜oes n˜ao-importantes 133

poss´ıvel que tais estruturas tenham se organizado desta forma ao longo dos s´eculos e, por perma- necer no mecanicismo, o Intelligent Design conseguiu apenas o status de veross´ımil, uma vez que a realidade vai al´em das fronteiras do mecanicismo10. Todavia, tal condena¸ao n˜ao se aplica `as teses de Behe dado que ele assume n˜ao que as complexidades de uma forma geral necessitem da a¸c˜ao de um “Designer” (sobre o qual ele n˜ao faz nenhuma inferˆencia, reconhecendo honestamente que ´e dever de outras ciˆencias11 como a Filosofia e a Teologia).

E sobre a evidˆencia de tal Design concordam inclusive alguns dos mais famosos nomes do evolucionismo:

Biologia ´e o estudo das coisas complexas que tˆem a aparˆencia de ter um design intencional. (DAWKINS, 1986)

Podemos dizer que um corpo ou ´org˜ao vivo tem um bom design quando possui atributos que um engenheiro inteligente e capaz teria inserido nele a fim que cumprisse algum prop´osito significativo, como voar, nadar, ver... [Mas] qualquer engenheiro ´e ca- paz de reconhecer um objeto que tenha sido estruturado (mesmo se mal estruturado) para um prop´osito determinado e at´e deduzir a natureza desse prop´osito a partir da organiza¸c˜ao do objeto. (DAWKINS,1986)

A sele¸c˜ao natural ´e o relojoeiro cego, cego porque n˜ao prevˆe, n˜ao planeja consequˆen- cias, n˜ao tem prop´osito nem vista. Mas os resultados vivos da sele¸c˜ao natural nos deixam pasmos porque parecem ter sido estruturados por um relojoeiro magistral, dando a ilus˜ao de um des´ıgnio e planejamento. (DAWKINS,1986)

At´e mesmo um darwinista t˜ao famoso quanto Richard Dawkins (provavelmente o quarto nome na ´area), acredita que exista uma aparˆencia de design , mas n˜ao crˆeem que essa aparˆencia ´e real. Mas ser´a esta uma cren¸ca baseada t˜ao somente em fatos observados, ou uma cren¸ca que rompe a fronteira da F´ısica e invade `as Ciˆencias do ´Agere e, qui¸c´a as mais superiores? Ou seria apenas uma supersti¸c˜ao, uma cren¸ca cega e irracional que d´a a determinado ente potˆencias e caracter´ısticas que n˜ao lhe pertencem? Seriam o darwinismo e o cartesianismo apenas supersti¸c˜oes elevadas ao status de Ciˆencia?

Em seu livro, Darwin’s Black Box (BEHE, 2006), Behe demonstra a existˆencia do que chamou complexidade irredut´ıvel, que, em poucas palavras trata-se de um sistema complexo

10 Por esse motivo, n˜ao ´e resposta cabal. Esta, somente a Teologia poder´a dar.

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AP ˆENDICE D. Discuss˜ao filos´ofica a respeito da fundamenta¸c˜ao dos Algoritmos Gen´eticos e a Origem das Esp´ecies que n˜ao pode ser reduzido a sistemas mais simples formados atrav´es de muta¸c˜ao sem perder suas funcionalidades12, o que representa uma grande dor de cabe¸ca para o darwinismo:

Se fosse poss´ıvel demonstrar a existˆencia de algum ´org˜ao complexo que n˜ao pudesse, de maneira alguma, ser formado atrav´es de modifica¸c˜oes ligeiras, sucessivas e numerosas, minha teoria ruiria inteiramente por terra. S´o que jamais consegui encontrar esse ´org˜ao. (DARWIN,1995)

Ao se falar em quest˜oes importantes, sem d´uvida alguma, a mais importante delas ´e a Metaf´ısica. O que da Origem das Esp´ecies deve-se propriamente a Charles Darwin s˜ao duas coisas: a primeira, uma conclus˜ao obvia pela Gen´etica de que os seres se modificam ao longo do tempo, o que a Ciˆencia Moderna chama de “microevolu¸c˜ao”13; em segundo, a pressuposi¸ao naturalista de que as esp´ecies evoluem, ou seja a pressuposi¸c˜ao da especializa¸c˜ao.

Contra a primeira seria absurdo negar, por´em se Darwin teve nela algum m´erito este, sem d´uvida foi o de ter estudado um pouco da Gen´etica de Mendel. J´a a segunda, ´e a que este trabalho vem firmar-se contr´ario levantando evidˆencias e justificativas.

Para demonstrar efetivamente que a especializa¸c˜ao ´e poss´ıvel, seria antes necess´ario com- provar que os entes podem operar para al´em das potˆencias radicadas em suas formas, de forma que, com isso fosse igualmente alterado o que, na ordem do ser os distingue como circunscritos numa esp´ecie. Sem isso a Teoria da Evolu¸c˜ao se posiciona tal qual quimera (SILVEIRA,2012).

E ´e justamente este o ponto de condena¸c˜ao cabal do darwinismo.