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Questionário de capacidades e dificuldades (SDQ)

LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS

5. Revisão da literatura

6.4. Instrumentos para coleta de dados

6.4.3. Questionário de capacidades e dificuldades (SDQ)

O SDQ é um dos instrumentos utilizados no Brasil para a avaliação da saúde mental. Construído em 1997 por Goodman foi validado no Brasil em 2000 por Fleitlich, Cortázar e Goodman. Sua função é rastrear problemas de saúde mental em cinco áreas: comportamento pró-social; hiperatividade; problemas emocionais; de conduta e de relacionamento (FLEITLICH; CORTÁZAR; GOODMAN, 2000). Investigação realizada com adolescentes da comunidade e outro grupo com alterações psiquiátricas, o SDQ conseguiu discriminar essa diferença. Os adolescentes com alterações psiquiátricas foram seis vezes mais propensos de serem categorizados como anormais do que o grupo da comunidade (GOODMAN; MELTZER; BAILEY, 1998).

O SDQ é um instrumento curto, disponível em vários idiomas, de uso gratuito, e que apresenta evidências de sua capacidade de triagem; e configura-se como uma alternativa para a avaliação de indicadores de saúde mental infanto-juvenil no Brasil, uma vez que os instrumentos com esse objetivo ainda são escassos (MURIS, MEESTERS, BERG, 2003; STONE et al., 2010; SAUR; LOUREIRO, 2012).

Possui características vantajosas: fácil aplicação, visa a avaliar as capacidades e não apenas as dificuldades do adolescente (FLEITLICH; CORTÁZAR; GOODMAN, 2000).

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Estudos referem que o SDQ autorrelato para adolescentes é uma ferramenta poderosa e confiável para o processo de avaliação clínica e de pesquisa (BECKER et al., 2004).

O SDQ pode ser respondido pelos pais, pelos professores e pelas crianças. Há versões específicas para os pais e professores perguntando sobre crianças de quatro a 16 anos, e uma versão de autorrelato para adolescentes acima de 11 anos (GOODMAN, 1997). Atualmente, existe uma versão para autorrelato de pais e professores para crianças de 3 a 4 anos (www.sdqinfo.com). No presente estudo, foi utilizada a versão autorrelato para adolescentes disponível no (ANEXO D).

De acordo com Fleitlich; Cortázar; Goodman (2000), o instrumento é composto por 25 questões divididas em cinco subescalas com cinco perguntas cada, gerando escores como:

Problemas emocionais - Os itens que compõem essa subescala são:

“Muitas vezes queixo-me de dor de cabeça, de dor de barriga, ou enjoo”; “Tenho muitas preocupações, muitas vezes pareço preocupado com tudo”;

“Frequentemente estou chateado, desanimado ou choroso”;

“Fico nervoso quando tenho que fazer alguma coisa diferente, facilmente perco a confiança em mim mesmo”;

“Eu sinto muito medo, eu me assusto facilmente”.

Problemas de conduta - As questões referentes a esse domínio são: “Eu fico muito bravo e geralmente perco a paciência”;

“Eu geralmente sou obediente e normalmente faço o que os adultos me pedem”;

“Eu brigo muito. Eu consigo fazer com que as pessoas façam o que eu quero”;

“Geralmente sou acusado (a) de mentir ou trapacear”;

“Eu pego coisas que não são minhas, de casa, da escola ou de outros lugares”.

 Falta de atenção/hiperatividade - Apresenta os seguintes questionamentos:  “Não consigo parar sentado quando tenho que fazer a lição ou comer”; “Me mexo muito, esbarrando em coisas, derrubando coisas”;

“Estou sempre agitado, balançando as pernas ou mexendo as mãos”;

“Facilmente perco a concentração”;

“Eu penso antes de fazer as coisas; Eu consigo terminar as atividades que começo. Eu consigo prestar atenção”.

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Problemas de relacionamento com os colegas - Com as seguintes questões:

“Eu estou quase sempre sozinho. Eu geralmente jogo sozinho ou fico na minha”; “Eu tenho pelo menos um bom amigo ou amiga”;

“Os outros jovens me perturbam, 'pegam no pé'”;

“Eu me dou melhor com os adultos do que com pessoas da minha idade”;

“Em geral, sou querido por outros jovens”.

 Comportamento pró-social - Avalia o comportamento positivo do adolescente com as seguintes perguntas:

“Eu tento ser legal com as outras pessoas. Eu me preocupo com os sentimentos dos outros”;

“Tenho boa vontade para dividir, emprestar minhas coisas (comida, jogos, canetas)”;

“Tento ajudar se alguém parece magoado, aflito ou sentindo-se mal”;

“Sou legal com crianças mais novas”;

“Frequentemente me ofereço para ajudar outras pessoas (pais, professores, crianças)”.

Para a avaliação e interpretação do instrumento, utilizam-se as instruções localizadas na página do Web do SDQ. As opções de respostas dos questionamentos são: falso, mais ou menos verdadeiro ou verdadeiro e cada item recebe uma pontuação específica, que varia de 0 a 2. A resposta falso tem o valor de 0, mais ou menos verdadeiro é igual a 1 e o verdadeiro equivale a 2 (GOODMAN, 1997; SDQ).

Na escala, existem cinco questões como: “Eu geralmente sou obediente e normalmente

faço o que os adultos me pedem”; “Eu tenho pelo menos um bom amigo ou amiga”; “Eu penso antes de fazer as coisas”; “Eu consigo terminar as atividades que começo. Eu consigo prestar atenção”; “Em geral, os outros jovens gostam de mim”, cuja pontuação deverá ser inversa.

Neste caso, a resposta falso tem o valor de 2, mais ou menos verdadeiro é igual a 1 e o verdadeiro equivale a 0 (GOODMAN, 1997; SDQ). ). A soma de cada subescala e o total possibilitam a classificação do indivíduo em três categorias conforme descrito no quadro 3.

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Quadro 3 – A pontuação das subescalas e a escala do SDQ e a classificação do indivíduo.

Normal Limítrofe Desviante

Pontuação total de dificuldades 0-15 16-19 20-40

Pontuação de sintomas emocionais 0-5 6 7-10

Pontuação de problemas de conduta 0-3 4 5-10

Pontuação de hiperatividade 0-5 6 7-10

Pontuação para problemas com colegas 0-3 4-5 6-10 Pontuação para o comportamento pró-social 6-10 5 0-4 Fonte: (GOODMAN, 1997; SDQ).

Para construir o escore total do SDQ, são somadas quatro subescalas: falta de atenção/hiperatividade; problemas emocionais; de conduta e de relacionamento. Dessa forma, para cada uma das escalas, a pontuação pode variar de 0 a 10 se todos os itens foram completados, e o escore total pode variar de 0 a 40. Em quase todas as subescalas (exceto comportamento pró-social), quanto maior a pontuação, maior é o número de sintomas (GOODMAN, 1997). O resultado total será considerado se ao menos 12 dos 20 itens relevantes foram completados.

Além dessa escala, o SDQ possui uma seção definida como “Suplemento de Impacto” (ANEXO E) (GOODMAN, 1999), a qual investiga se o adolescente possui alguma dificuldade emocional ou de comportamento por meio do seguinte questionamento: “Pensando no que acabou de responder, você acha que tem alguma dificuldade? Pode ser uma dificuldade emocional, de comportamento, pouca concentração ou para se dar bem com outras pessoas.”

Na presença de uma resposta negativa nessa questão, os sujeitos não terão que responder as próximas questões. Nesse caso, a pontuação do suplemento de impacto será zero. Caso a resposta seja positiva, pergunta-se sobre a cronicidade (Por quanto tempo estas dificuldades

existem?), a aflição geral (Estas dificuldades incomodam ou aborrecem você?); o prejuízo

social (Estas dificuldades atrapalham o seu dia a dia em alguma das situações: dia-dia em

casa, amizades, situação de aprendizagem e atividades de lazer); e, por último, se avalia o peso

dessas alterações para os outros (Estas dificuldades tornam as coisas mais difíceis para as

pessoas que convivem com você (família, amigos, professores, etc.)?.

As respostas às questões de cronicidade e peso para os outros não estão incluídas na avaliação do Suplemento de Impacto. Portanto, apenas as questões aflição geral e prejuízo social serão avaliadas. A respostas desse impacto variam em quatro categorias (nada; um

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pouco; muito; mais que muito), que correspondem a 0-0-1-2 ). A presença de pontuações maior ou igual a 2 é considerada anormal, 1 é limítrofe e zero é normal (GOODMAN, 1999; SDQ).