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CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO TEÓRICO

QUESTIONÁRIO DE ESTADO DE SAÚDE (SF-36V2)

O Short Form - 36 Health Survey Questionnaire (SF-36), foi desenvolvido pela Rand

Corporation, nos Estados Unidos, por Ware e Sherbourne (1992) tendo sido utilizado no Health Insurance Study Experiment/Medical Outcomes Study (HIS/MOS) tem sido

amplamente utilizado como instrumento de avaliação da qualidade de vida, não incidindo especificamente sobre um grupo etário, doença ou tratamento. Foi construído com base na definição de saúde proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS), enquanto “estado de bem-estar físico, mental e social, total, e não apenas a ausência de doença ou de incapacidade”. O desenvolvimento deste instrumento integrou-se no projecto International

Quality of Life Assessment (IQOLA), que visou a adaptação internacional do questionário

original (MOS). O SF 36 tem sido traduzido e adaptado para as várias línguas, em mais de 45 países, sendo uma das medidas genéricas do estado de saúde mais utilizada mundialmente. Este instrumento foi desenvolvido a partir de uma bateria de questionários que consideravam 48 conceitos de saúde, tendo como objectivo a criação de uma medida genérica do estado de saúde, que pudesse ser aplicada a uma variedade e gravidade de condições e que permitisse a comparação destas, com a população em geral.(83,84)

Os autores pretenderam desenvolver um instrumento de avaliação da saúde de reduzidas dimensões, que possibilitasse uma colheita e interpretação rápida e simples de dados, mas que simultaneamente reforçasse as qualidades psicométricas de escalas abreviadas de saúde. O SF-36 foi concebido para ser utilizado em diferentes contextos (prática clínica, investigação, estudos da população em geral e avaliações de políticas de saúde). O questionário é constituído por 36 itens agrupados em oito subescalas, que avaliam a qualidade de vida nas seguintes dimensões de saúde: 1) funcionamento físico; 2) limitações de papéis decorrentes de problemas físicos; 3) funcionamento social; 4) dor corporal; 5) saúde mental; 6) limitações de papéis por problemas emocionais; 7) vitalidade; e 8) percepção geral de saúde. O perfil fornecido por esta medida permite uma avaliação

multidimensional dos efeitos da saúde/doença no funcionamento quotidiano do indivíduo e seu bem-estar.

As oito escalas são compostas por vários itens (2 a 10) e são pontuadas através de uma escala de tipo Likert. A escala correspondente à função física pretende medir desde a limitação para executar actividades físicas menores (tomar banho, vestir); até às actividades mais extenuantes, passando por actividades moderadas como levantar ou carregar compras de mercearia, subir lanços de escadas, inclinar-se, ajoelhar-se, baixar-se ou mesmo andar uma determinada distância. As escalas de desempenho físico e emocional medem a limitação em saúde em termos do tipo e quantidade de trabalho executado. Incluem a limitação no tipo usual de tarefas executadas, a necessidade de redução da quantidade de trabalho e a dificuldade de realizar tarefas. A escala de dor física, representa a intensidade e desconforto causados pela dor e de que forma esta interfere nas actividades normais do indivíduo. A escala de saúde em geral pretende medir o conceito de percepção holística de saúde, incluindo não só a saúde actual mas também a resistência à doença e a aparência saudável. A escala de vitalidade refere-se aos níveis de energia e de fadiga, permitindo captar melhor as diferenças de bem-estar. A escala de função social pretende captar a quantidade e qualidade das actividades sociais, assim como o impacto dos problemas físicos e emocionais nas actividades sociais dos respondentes. A escala de saúde mental inclui questões referentes a dimensões importantes da saúde mental: a ansiedade, a depressão, a perda de controlo em termos comportamentais ou emocionais e o bem-estar psicológico.

O SF-36 pode ser administrado a qualquer indivíduo com 14 ou mais anos de idade, desde que possua capacidade para ler o questionário. Pode ser auto-administrado, administrado através de entrevista, pelo correio ou por telefone. O tempo de administração está calculado em cerca de 10 minutos. Quando da sua aplicação, este deve ser preenchido antes de o sujeito responder a quaisquer outras questões relacionadas com a sua saúde, de forma a evitar enviesamentos causados pela interacção do doente com o prestador de cuidados. Não estão descritos problemas de aceitabilidade.(83.84) Os resultados do SF-36 distribuem-se por uma escala de zero a cem, tendo os critérios de

cotação dos itens e escalas sido definidos para que um resultado elevado indica um estado de saúde melhor (e vice-versa), exceptuando nos itens 1, 6, 7, 8, 9a, 9d, 9e, 9h, 11b e 11d, que necessitam ser invertidos. Quanto às propriedades psicométricas autores como Ware e colaboradores (1993) e McDowell e Newell (1996), evidenciam a elevada fiabilidade, validade e poder de resposta deste instrumento de medição e respectivas escalas. Numerosos estudos confirmam elevados valores quer para a fiabilidade teste-reteste, inter- observador e coerência interna, assim como para a validade de critério, de constructo e poder de resposta.

Nesta investigação foi utilizada a versão SF-36v2. Trata-se de um dos instrumentos mais amplamente estudados e utilizados na avaliação da QV em populações clínicas e não clínicas. Optámos por utilizar esta medida genérica da QV, e não uma medida específica, dado que nos permite comparar os resultados com o grupo não clínico. O processo de adaptação cultural e linguística deste instrumento para a população portuguesa foi da responsabilidade de Ferreira em 1994, tendo sido aplicado a uma amostra de 930 mulheres grávidas. Foram efectuados testes de validação e de fiabilidade. Para a coerência interna foram encontrados valores de alfa de Cronbach entre 0,60 (função social); 0,87 (função fisica e saúde geral); valores do r de 0,45 (dor física) a 0,79 (desempenho físico) para a fiabilidade teste-reteste, e valores do coeficiente alfa entre 0,45 (saúde mental e saúde geral) e 0,77 (vitalidade). Foram igualmente analisadas as validades de conteúdo, de construção e de critério da versão portuguesa que permitiram concluir tratar-se de um instrumento válido e fiável. (Anexo 8)