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3.3 Registro das Observações e Análise

3.3.2 Questionário de perguntas Fechadas e Abertas

O questionário contou com a participação de 14 dos 26 profissionais de jornalismo pesquisados dentro da amostra definida na pesquisa. As perguntas seguem a seguinte ordem: qual a sua função na TV Câmara? (resposta fechada, podendo escolher mais de uma opção); como você se informa sobre o que acontece na Câmara dos Deputados? (resposta fechada, podendo escolher mais de uma opção); você participa de reunião de pauta? (pergunta aberta); caso a resposta seja positiva, quantas vezes por semana você participa de reuniões de pauta? (pergunta aberta); você costuma sugerir pautas para cobertura da TV Câmara? (pergunta aberta); Caso faça sugestões de pauta, quais as fontes de informação pesquisadas que subsidiam as suas propostas?

(pergunta aberta); você utiliza banco de dados ou banco de fontes? Quais? (pergunta aberta).

Sobre o comportamento informacional, o levantamento revelou que a grande maioria (85,7%) se informa tanto pela agenda da Câmara, quanto por mídias privadas (jornais, revistas, TVs comerciais, rádios comerciais, agências de notícias, internet, mídias sociais). As propostas legislativas (projetos de lei, PECs, decretos) aparecem em segundo lugar na pesquisa (64,3%).

Em seguida estão os deputados com algum cargo na estrutura da Câmara (50%). Os deputados sem cargo na estrutura da casa legislativa aparecem como quarta opção de fonte de informação na preferência dos profissionais de jornalismo (35,7%), seguidos de outras fontes de informação que, pelos dados informados por todos que marcaram essa opção, são portal da Câmara, agência Câmara, TV Câmara e rádio Câmara (28,6%). Por fim estão os anais, bibliotecas, base de dados, centros e serviços de documentação, sistemas de informação e diário oficial (21,4%).

Tabela 1 – Percentual de fontes de informação dos jornalistas da Câmara.

Fonte: Elaboração Própria

No questionário, apenas dois profissionais disseram que participam de reunião de pauta, o que se justifica pelo cargo ocupado por eles, chefe de reportagem e servidor do serviço de pauta.

Mesmo não participando de reunião de pauta, a maioria (9) dos respondentes disse que sugere pautas. As fontes das sugestões são deputados, debates na Câmara, projetos de lei e mídias privadas. Tais sugestões estão têm foco no processo legislativo e no critério institucional.

A maioria não utiliza banco de fontes. Três disseram que utilizam o banco de fontes da produção do serviço de pauta, uma espécie de agenda com número de telefone de deputados e especialistas. O banco de fontes da produção não é formal, nem tem metodologia estabelecida.

Um respondeu que utiliza banco de fontes do IPEA, DataSus e IBGE.

De acordo com o questionário aplicado aos profissionais de jornalismo da TV Câmara, a escolha das fontes de informação está amarrada a fontes institucionais, como a agenda da Câmara. As mídias privadas, mesmo tendo o mesmo peso no comportamento informacional desses profissionais não têm o mesmo uso como já abordado anteriormente. O que sai na mídia privada só se tornará notícia na TV Câmara se houver como oficializar a informação ou institucionalizá-la.

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Fontes de informação dos profissionais de jornalismo da TV Câmara

Fontes de informação dos profissionais de jornalismo da TV Câmara

Ainda analisando o questionário, é possível perceber a preferência, como fonte de informação, por deputados com cargos dentro da hierarquia da Câmara ou que tenham influência no processo legislativo. Outro fato que contribui com o caráter oficial das fontes dos profissionais de jornalismo da TV Câmara é a opção outras fontes de informação. Todos que marcaram essa opção deixaram claro que outras fontes pesquisadas se referem ao Portal da Câmara e as mídias legislativas.

3.3.3 Análise de conteúdo do tipo de deputados

A análise de conteúdo do tipo de deputado que é fonte de informação das reportagens veiculadas em três produtos jornalístico da TV Câmara revelou que, durante o período de março a maio de 2016, foram exibidas 396 reportagens, com o volume de 791 entrevistas com deputados federais. Das entrevistas levantadas, 77,8% foram dadas por deputados que ocupavam algum cargo na estrutura da Câmara no momento em que foram entrevistados para reportagem. E 22,3%

das entrevistas foram com deputados sem cargos.

Tabela 2 – Percentual dos tipos de deputados fontes de informação.

Fonte: Elaboração Própria.

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Deputados com cargos Deputados sem cargos

Frequência de tipos de deputados como fonte de informação na reportagens da TV

Câmara

Frequência de tipos de deputados como fonte de informação na reportagens da TV Câmara

Importante registrar que a maioria dos deputados com cargos aparece diversas vezes nos jornais. E os deputados sem cargo eram deputados com cargo em um passado recente. Mesmo esses deputados foram entrevistados por mais de uma vez nos jornais pesquisados.

Outro dado que a análise de conteúdo das reportagens da TV Câmara revela é as matérias sobre audiências públicas e as que retratam projetos analisados em comissões raramente trazem o contraditório na entrevista de um parlamentar.

Neste caso, a maioria ouvida é relator, autor das propostas e presidentes de comissões.

Quando há o contraponto, em muitos casos, o ponto de vista divergente está centrado na fala de um não-parlamentar. Geralmente são especialistas, representante de associação, federação, conselho, movimento social ou ministro de estado.

No caso da cobertura de propostas analisadas pelo plenário o contraponto na fala de um deputado é frequente, mesmo assim, a maioria ouvida são líderes ou vice-líderes. Nas reuniões de CPIs e do Conselho de Ética o jornalismo da TV Câmara também busca o ponto de vista divergente. Neste caso, observa-se com menor frequência o discurso contraditório na fala do parlamentar. O contraponto aparece com mais frequência na fala de especialistas ou depoentes.

3.3.4 Documentação da TV Câmara e da Secom

3.3.4.1 Manual de Redação da Secom

Segundo o Manual de Redação da Secretaria de Comunicação da Câmara (MALAVAZI, 2004), o trabalho dá Secom está centrado na atividade legislativa, “compete à Secom contribuir para dar transparência ao trabalho legislativo da Câmara dos Deputados, informando à população sobre o que se passa na Casa.”

O manual (MALAVAZI, 2004) destaca o caráter público das mídias legislativas. Entre os argumentos apresentados, Malavazi (2004) afirma que as mídias pertencem à categoria de comunicação pública por “subordinarem seu trabalho ao conceito de público: pertencente, destinado ou relativo ao povo, à coletividade; aquilo que é do uso de todos, de uso comum; aberto a quaisquer pessoas, conhecido de todos, manifesto, notório”.

A comunicação da Secom, em sintonia com a transparência e o caráter democrático da instituição Câmara dos Deputados, é pública porque assume a responsabilidade de emitir, transmitir e receber mensagens da sociedade brasileira, sempre com o sentido de responsabilidade social. (MALAVAZI, 2004)

Com relação à TV Câmara, o manual (MALAVAZI, 2004) recomenda não só a cobertura do processo legislativo, mas também da atividade parlamentar. “O desafio da TV é produzir e difundir informação com equilíbrio, qualidade e precisão a respeito de todo o espectro que forma o processo legislativo e a atividade parlamentar.”

O manual (MALAVZI, 2004) ainda recomenda que a cobertura da TV deve abranger os assuntos abordados pela grande imprensa e aqueles que não são assuntos de pauta desse segmento e que seus programas não devem refletir assuntos político-partidários para preservar a imparcialidade. Mas destaca que os partidos políticos recebem cobertura segundo critérios jornalísticos, “com acompanhamento das negociações, decisões e acordos firmados que terão reflexo sobre o dia-a-dia do parlamento.”

O manual (MALAVZI, 2004) deixa claro que a agenda da Câmara dos Deputados é quem pauta o jornalismo da TV Câmara. Por outro lado, também está explícito “que deve ser premissa do jornalismo da emissora explicar os fatos e como eles se processam no mundo legislativo/político”.

3.3.4.2 Resolução 21/97

Ao analisar o projeto de resolução 158/1997 (CÂMARA DOS DEPUTADOS, 1997) que deu origem a resolução 21/97 (BRASIL, 1997) que cria a TV Câmara, o corpo da lei não trata de suas atribuições, mas na justificativa do projeto fica clara qual foi a intenção do legislador ao criar a emissora.

(...) informar a sociedade, com transmissões ao vivo, debates e entrevistas, sobre os assuntos de interesse público e coletivo em discussão e em votação nas comissões e plenário. (...)Além de prestar relevante serviço público de informação e divulgação das atividades da Casa, dando transparência à ação parlamentar, a TV Câmara dos Deputados poderá firmar convênios e acordos operacionais com órgãos públicos, entidades de finalidade educativa, cultural e que visem à promoção social e econômica dos cidadãos, contribuindo para ampla difusão de programação com finalidade educativa e de utilidade pública, de promoção dos valores e símbolos da nacionalidade, do regime e da cidadania.

(CÂMARA DOS DEPUTADOS, 1997)

Ao justificar a existência da TV Câmara, o legislador deixa expresso que um dos objetivos tem estreita relação com a função legiferente. Outro objetivo da emissora é dar

“transparência à ação parlamentar”.

3.3.4.3 Regimento Interno da Câmara dos Deputados

Além da resolução que cria a TV Câmara, o regimento interno da Câmara dos Deputados oferece elementos sobre o foco da cobertura das mídias legislativas. O artigo 21-J do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (BRASIL, 2015) deixa clara algumas atribuições da Secretaria de Comunicação Social. O que chama atenção para este trabalho é o inciso I que diz que é competência da Secretaria de Comunicação Social “zelar pela divulgação dos trabalhos parlamentares”.

Outro ponto importante no Regimento é o artigo 21-K (BRASIL, 2015) introduzido pela resolução 4/2015 (BRASIL, 2015) que retira o posto de Secretário de Comunicação Social da parte administrativa/jornalística da Câmara e a transfere para o campo político na figura de um deputado federal.

O Secretário de Comunicação Social será escolhido pelo Presidente da Câmara dos Deputados entre os deputados no exercício do mandato, podendo ser substituído a qualquer tempo, e terá como atribuição a supervisão dos veículos de comunicação social da Câmara dos Deputados. (BRASIL, 2015)

Ao recomendar a cobertura da atividade parlamentar, o Manual de Redação da Secom diz que essa atividade deve ter relação com o processo legislativo. Que, mesmo na cobertura direcionada aos partidos políticos, a atividade das legendas deve ter um fim nas negociações da pauta legislativa.

O texto que justifica a criação da TV Câmara (CAMARA DOS DEPUTADOS, 1997) apesar de expressar que um dos objetivos da emissora é dar transparência a ação parlamentar, a publicidade se verifica quando a ação se traduz na função legislativa. Outras funções exercidas pelo parlamentar não são objeto de cobertura jornalística.

Mesmo o regimento interno da Câmara, que estabeleceu no comando da Secretaria de Comunicação Social um deputado federal e afirmou que é competência da Secom zelar pela divulgação dos trabalhos parlamentares, não foi suficiente para mudar o comportamento informacional dos profissionais de jornalismo da TV Câmara nem o foco no processo legislativo.

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