5.1 Detalhamento dos procedimentos de pesquisa 89
5.1.1 Questionário 89
O questionário, segundo Marconi e Lakatos (2003, p. 201), “é um instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador”. É um instrumento impessoal, que permite o recebimento de respostas diretas e garante uma cobertura maior pela facilidade em sua aplicação. No entanto, conforme descrevem os autores, o índice de respostas recebidas pelo pesquisador geralmente gira em torno de 25%.
Gil (2002) define o questionário como um conjunto de questões a serem respondidas pelo entrevistado. É o instrumento mais rápido e barato para obtenção de respostas a questionamentos, constituindo também como vantagens a preservação do anonimato e o fato de não necessitar de treinamento para sua aplicação. Contudo, pode excluir indivíduos que não sabem ler ou escrever e dificultar seu preenchimento por não contar com auxílio pessoal para compreensão das perguntas. Para tentar corrigir essa deficiência o autor orienta que o instrumento deve conter orientações quanto ao seu conteúdo, garantindo a impessoalidade, facilidade de resposta, clareza e objetividade.
Para o desenvolvimento da investigação foi utilizado o questionário com alternativas definidas (disponível no Apêndice A). Com relação aos respondentes, a realização da pesquisa em bibliotecas públicas de todo o território brasileiro seria inviável pelo tempo e recursos disponíveis à pesquisadora. Foi, então, selecionada uma região considerada pelo critério de acessibilidade, pois a pesquisadora e a instituição onde se desenvolve a pesquisa estão instaladas na mesma região, e também por sua representatividade no cenário nacional. A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) possui um extenso território e conta com um conjunto heterogêneo de municípios em relação à sua densidade populacional e às condições econômicas e sociais.
Segundo dados da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, autarquia territorial e especial de caráter técnico e executivo instituída pela Lei Complementar nº 107, de 2009, “para fins de planejamento, assessoramento e regulação urbana, viabilização de instrumentos de desenvolvimento integrado da Região Metropolitana de Belo Horizonte – RMBH – e apoio à execução de funções públicas de interesse comum” (MINAS GERAIS, 2009) a RMBH é composta por 34 municípios, ocupa 9.460 km² de extensão territorial, compreende apenas 1,6% do território estadual, mas alcança 26% da população do estado, composta por cinco milhões de habitantes. Seu Produto Interno Bruto é estimado em R$ 56,8 milhões, o que corresponde a 40% do PIB do Estado. É a terceira maior região metropolitana do Brasil e a sétima maior região metropolitana da América Latina (MINAS GERAIS, c2016).
Com relação aos indicadores de desenvolvimento humano da região, foi analisado o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) para traçar um perfil da região pesquisada. Conforme a Fundação João Pinheiro (2008), o IDH mede o bem-estar de uma população, sendo “uma medida comparativa de riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade e outros fatores para os diversos países do mundo”. Nesse sentido, pode-se ressaltar o contraste existente entre alguns componentes da RMBH, utilizando-se dados do Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil (ATLAS..., [2013]), baseado no último censo demográfico do ano de 2010. Integram a região municípios que possuem os maiores índices de Minas Gerais, como Nova Lima (1º) e Belo Horizonte (2º), e outros que estão em posições bem menos destacadas, como Taquaraçu de Minas (536º) e Rio Manso (556º), de um total de 853 municípios mineiros.
No entanto, mesmo no interior de municípios que se sobressaem pelo IDHM elevado, são identificadas grandes desigualdades sociais, como Belo Horizonte, que conta com unidades de desenvolvimento humano com os mais baixos IDH do Brasil, como a Vila Serra Pelada/Rua Líbano: Vila BaronesaI; Vila das Antenas: Conjunto Palmital/Av. João Batista Lima/Av. Inácio de Loiola Oliveira; Vila Nova Esperança: Caldeirão/Nova Conquista; Vila Baronesa/Av. Oceania: Vila das Acácias; Vila Ferraz: Vila dos Dragões; Vila Morro Alto: São Cosme; Vila Bom Destino: Loteamento Bom Destino, ranqueadas na posição 10888º de um total de 11.122 unidades, registrando IDH de 0,597, considerado baixo (ATLAS..., [2013]).
Assim, os municípios que compõem o universo pesquisado são, de acordo com a Agência RMBH (MINAS GERAIS, c2016): a) Baldim; b) Belo Horizonte; c) Betim; d) Brumadinho; e) Caeté; f) Capim Branco; g) Confins; h) Contagem; i) Esmeraldas; j) Florestal; k) Ibirité; l) Igarapé; m) Itaguara; n) Itatiaiuçu; o) Jaboticatubas; p) Juatuba; q) Lagoa Santa; r) Mário Campos; s) Mateus Leme; t) Matozinhos; u) Nova Lima; v) Nova União; w) Pedro Leopoldo; x) Raposos;
y) Ribeirão das Neves; z) Rio Acima;
aa) Rio Manso; bb) Sabará; cc) Santa Luzia;
dd) São Joaquim de Bicas; ee) São José da Lapa; ff) Sarzedo;
gg) Taquaraçu de Minas; hh) Vespasiano.
Figura 3 – Mapa da Região Metropolitana de Belo Horizonte
Fonte: BELO HORIZONTE, c2017.
Pretendeu-se, com o questionário, identificar no universo composto pelas bibliotecas públicas municipais da Região Metropolitana de Belo Horizonte aquelas que oferecem aos usuários o acesso gratuito à internet. Por isso, a aplicação do questionário antecedeu as demais etapas da pesquisa, pois foi o instrumento utilizado para a definição da amostra da entrevista semiestruturada, terceiro método de coleta de dados utilizado na pesquisa.
Além de ser subsídio para a definição dos participantes da entrevista, o questionário forneceu à pesquisa uma visão geral do serviço oferecido nas instituições, contribuindo para que a pesquisadora possuísse prévio conhecimento dos serviços no momento da entrevista, o que facilitou o entendimento do contexto e o desdobramento das questões elaboradas.
Depois da elaboração do questionário (disponível no Apêndice A), foi realizado o pré-teste com quatro bibliotecários não participantes da pesquisa, que atuam em instituições públicas de ensino médio e superior, tendo em vista verificar possíveis falhas que poderiam dificultar a compreensão das questões, além de inconsistências, ambiguidades, perguntas supérfluas, embaraçosas ou complexas, conforme Marconi e Lakatos (2003). As autoras explicam que o pré-teste é necessário para a verificação de três elementos que devem ser representados nos questionários:
a) Fidedignidade. Qualquer pessoa que o aplique obterá sempre os mesmos resultados.
b) Validade. Os dados recolhidos são necessários à pesquisa.
c) Operatividade. Vocabulário acessível e significado claro (MARCONI; LAKATOS, 2003, p. 203, grifos originais).
O pré-teste realizado não apontou inconsistências nas questões apresentadas para a composição do questionário, todas as perguntas foram plenamente compreendidas pelos quatro bibliotecários.
Para a aplicação do questionário foram identificados os contatos das 34 bibliotecas públicas dos municípios na página do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, instituição coordenada pela Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais, por meio da Superintendência de Bibliotecas Públicas e Suplemento Literário. O Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas possui, entre suas competências, a de “VI – manter atualizado o cadastro das bibliotecas públicas municipais, visando produzir, periodicamente, análises para subsidiar o planejamento das ações da Superintendência de Bibliotecas Públicas” (MINAS GERAIS, [2016]).
A maioria das cidades que compõem o universo escolhido possui apenas uma biblioteca pública municipal. Nas cidades que contam com mais bibliotecas, foi adotado o critério de aplicação do instrumento para aquelas que estão na região central do município, pois, possivelmente, atendem a um quantitativo maior de pessoas pela sua localização. O critério também foi aplicado à cidade de Belo Horizonte, que conta com 20 bibliotecas públicas mantidas pelo município (MINAS GERAIS, 2015). Foi selecionada a Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, pois está localizada no hipercentro da cidade, possui um acervo variado, atendendo a públicos diversos, já que a outra instituição do sistema municipal localizada na área central, a Biblioteca do Centro de Referência da Moda, é direcionada a um público mais especializado.
O questionário foi encaminhado às bibliotecas por e-mail no dia 16 de janeiro de 2017. O segundo contato com as instituições que não responderam ao questionário foi realizado por telefone entre os dias 2 e 8 de março de 2017.
O resultado do questionário, disponível no item 6 da presente pesquisa, foi utilizado para a definição da amostra utilizada na entrevista semiestruturada. Foram recebidas 29 respostas dos 34 questionários encaminhados, totalizando 85% de retorno. 11 bibliotecas declararam no questionário que possuem computador para acesso à internet. São elas:
a) Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, Belo Horizonte; b) Biblioteca Pública Municipal Anita Cabral de Barros, Ibirité;
c) Biblioteca Pública Municipal Dr. Edson Diniz, Contagem; d) Biblioteca Pública Municipal Guimarães Rosa, Itaguara; e) Biblioteca Pública Municipal Herbert Fernandes, Vespasiano;
f) Biblioteca Pública Municipal Ilka Maria Munhoz Gurgel, Ribeirão das Neves; g) Biblioteca Pública Municipal Neuza Henriques da Silva Diniz, Igarapé; h) Biblioteca Pública Municipal Osvaldo de Melo, Raposos;
i) Biblioteca Pública Municipal Pedro Pedralho de Souza Maia, Jaboticatubas;
j) Biblioteca Pública Municipal Professor Francisco Tibúrcio de Oliveira, Santa Luzia; k) Biblioteca Pública Municipal Professor Joaquim Sepúlveda, Sabará.
A partir das 11 instituições listadas foi necessário definir a amostra que compôs a entrevista semiestruturada exigida, primeiramente, pelos diversos deslocamentos e distâncias, em relação à disponibilidade de tempo da entrevistadora. Vale lembrar, também, conforme afirmam Bauer e Gaskell (2008, p. 71), que um grande quantitativo de entrevistas nem sempre aumenta a qualidade da pesquisa ou permite maior compreensão dos dados. Isso porque, segundo os autores, o número de versões da realidade é limitado. “Embora as experiências possam parecer únicas ao indivíduo, as representações de tais experiências não surgem das mentes individuais; em alguma medida, elas são o resultado de processos sociais”. Assim, conclui-se que as observações sobre eventos são, de maneira geral, opiniões compartilhadas, logo, em uma experiência de pesquisa as primeiras entrevistas trazem novidades, mas à medida que vão sendo realizadas as demais, as informações e impressões sobre o fenômeno começam a se repetir, ocorrendo uma “saturação do sentido”.
Dessa forma, foi utilizado para a composição da amostra o critério não probabilístico de proximidade. Foram selecionadas as bibliotecas públicas de sete municípios que fazem limite com a cidade de Belo Horizonte (Figura 4) e que dispõem de computadores para acesso à internet. Nessas instituições foram verificados o acesso oferecido e as iniciativas de inclusão digital e social, bem como o conhecimento e a aplicação das diretrizes exteriores ou locais de inclusão digital.
Figura 4 – Municípios limítrofes ao município de Belo Horizonte
Fonte: BELO HORIZONTE, c2017, adaptado pela autora.
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Foram entrevistadas as seguintes instituições:
a) Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, Belo Horizonte; b) Biblioteca Pública Municipal Anita Cabral de Barros, Ibirité;
c) Biblioteca Pública Municipal Dr. Edson Diniz, Contagem; d) Biblioteca Pública Municipal Herbert Fernandes, Vespasiano;
e) Biblioteca Pública Municipal Ilka Maria Munhoz Gurgel, Ribeirão das Neves; f) Biblioteca Pública Municipal Professor Francisco Tibúrcio de Oliveira, Santa Luzia; g) Biblioteca Pública Municipal Professor Joaquim Sepúlveda, Sabará.