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METODOLOGIA E PROCESSO

3.2 Questionário direcionado

Foi aplicado um questionário direcionado àqueles que consomem artigos de segunda mão e moram na Grande Natal com o objetivo de desco- brir qual o perfil socioeconômico de quem procura esse tipo de comércio, o que essas pessoas consomem, quais motivos as fazem consumir nessas lojas, como procuram, por quais meios compram, a frequência de consumo e se consideram fácil achar lojas de objetos usados na cidade.

Apesar deste trabalho ter foco na vestimenta, a pesquisa foi voltada para todos aqueles que consomem outros objetos, como livros e móveis, com o propósito de entender se existem as mesmas dificuldades que as levantadas no setor de roupas, levando a uma melhor compreensão do assunto. O ques- tionário foi criado a partir do Google Docs, ferramenta do Google que permite criar formulários online e organiza as respostas obtidas em gráficos. O link foi divulgado a partir de redes sociais como Instagram e Twitter, além de grupos do Whatsapp, para chegar a diferentes grupos que se interessam pelo tema.

É importante traçar o perfil do consumidor, então a primeira seção do questionário continha perguntas em relação à faixa etária, bairro/região em que moram, renda mensal, nível de escolaridade e gênero. Foram entrevis- tadas 86 pessoas, o que representa 0,22% de alunos matriculados e corpo docente da UFRN, segundo pesquisa de 2017. Todas as respostas foram de forma anônima.

Gráfico 3 - Gráfico circular referente à faixa etária.

Gráfico 4 - Números correspondentes ao gênero dos entrevistados.

56 pessoas se identificam com o gênero feminino, 25 pessoas com o gênero masculino e 5 pessoas com nenhum dos dois gêneros (Gráfico 4). A maioria dos entrevistados cursa ou cursou o ensino superior (Gráfico 5), possuem renda de até 3 salários mínimos (Gráfico 6) e muitos moram na Zona Sul da cidade (Figura 3).

Gráfico 5 - Imagem correspondente à escolaridade dos entrevistados.

Figura 3 - Respostas em relação ao bairro/região em que os entrevistados moram.

Na segunda seção, intitulada “Hábitos de consumo”, foram feitas 7 perguntas específicas para entender a relação do consumidor com o mercado de objetos usados. Os artigos mais consumidos pelos entrevistados são roupas e acessórios, com 74 de 86 respostas, como mostra o Gráfico 7, confirmando que existe uma grande procura por esse setor.

Como artefatos usados costumam ser mais baratos do que os encon- trados em lojas tradicionais, 88,4% dos entrevistados afirmaram que a economia é um dos motivos que os fazem procurar essas lojas. Outro fator que atrai os compradores é a questão da sustentabilidade, assinalado por 59 pessoas (Gráfico 8), questão discutida também na caixa de comentários, onde muitos julgaram o tema ser de grande importância devido a poluição causada pela indústria da moda.

Para encontrar essas lojas, os entrevistados contam com a indicação de amigos e conhecidos (75,6%) e por redes sociais (69,8%), mas 44,2% afirmam conhecer estabelecimentos por acaso caminhando na rua, como mostrado no Gráfico 9.

Gráfico 9 - Números referentes aos meios que as pessoas encontram lojas de objetos usados.

Gráfico 10 - Formas que os entrevistados costumam fazer compras.

A maioria dos entrevistados prefere fazer compras em lojas físicas (66,3%) e em feiras e eventos sazonais (62,8%). Ainda assim, as compras via redes sociais, como Instagram e grupos do Facebook atraem 46,5% das pessoas que responderam o questionário (Gráfico 10).

Gráfico 11 - Gráfico circular sobre a frequência com que as pessoas procuram objetos usados.

A frequência com que as pessoas recorrem a essas lojas (Gráfico 11) ficou dividida entre aqueles que as procuram apenas quando precisam de algo (47,7% dos entrevistados) e aqueles que fazem por diversão, seja quando sentem vontade de garimpar e encontram algo que gostam, quando se deparam com uma loja ou quando acontece algum evento do gênero (52,3% dos entre- vistados).

Na penúltima pergunta, foi questionado se consideram fácil achar esse tipo de comércio na Grande Natal, concedendo um espaço para comentários e sugestões sobre o assunto. A maioria das pessoas respondeu apenas com um “Não”, que os locais são “escondidos” e não são encontrados pelas redes sociais, enquanto outras escreveram que já foi mais difícil.

Para finalizar, os entrevistados escreveram sobre o que eles acham da temática abordada na pesquisa, onde foram deixados comentários como esse três a seguir:

“Além de estimular pequenos comerciantes oferece coisas que normal- mente não encontramos por aí e ainda contribui na questão sustentável com a redução (mesmo que ainda seja mínima) da produção em larga escala que tem como consequência trabalho escravo, em más condi- ções e produzem mais lixo direta (processos de produção) e indireta- mente (quando optamos em comprar algo novo ao invés de recorrer aos bazares/brechós).”

“Acho incrível! A precisa deixar de lado o estigma que roupa usada é ruim. Reaproveitar, vender e trocar são atitudes muito simples e boas. Protegemos o meio ambiente e ainda economizamos.”

“Acho genial, acabamos consumindo peças bem legais por um preço barato e ainda ajudamos o meio ambiente. O consumo sustentável hoje acaba sendo algo caríssimo, ele tem um foco na classe média alta, por mais que pessoas com renda inferior queiram ter um consumo mais consciente, isso acaba sendo algo que não condiz com a renda desse grupo. Acredito que os bazares sejam uma forma de permitir que mais pessoas pratiquem o consumo sustentável.”

Analisando as respostas recebidas, pode-se constatar que o público-alvo do projeto possui acesso à informação e têm consciência ecológica, apresenta bastante interesse em consumir artigos usados, porém sem muita informação de onde encontrar esses produtos.

Foi considerado, na conclusão da primeira parte do Trabalho de Conclusão, fazer um manifesto para redes sociais incentivando as pessoas a consumirem roupas de segunda mão, entretanto, após o questionário direcionado, ficou

evidente que o desejo de consumir e a consciência ecológica já existem, o que falta, em especial na cidade, são mais informações sobre a localização destas lojas, visto que a maioria é pequena e localizada em ruas pouco movimentadas.

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