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PARTE II METODOLOGIA, ANÁLISES E RESULTADOS

3.4 Questionário on-line a visitantes potenciais

Por meio da ferramenta de formulários do Google, elaboramos um questionário para entender melhor a prática de fotografar em museus. O questionário incluía sete perguntas gerais ligadas à motivação dos visitantes em compartilhar as fotos de suas visitas às exposições. A escolha de utilizar o questionário do Google se deu por se tratar de uma ferramenta gratuita que oferece um conjunto de opções alternativas e possibilidades de análise visuais de resultados dentro da aplicação.

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O questionário foi compartilhado em um grupo do Facebook (“VIVIEUVI”), ligado a um canal de arte do YouTube38. Mais de 20 mil membros fazem parte do grupo, em que

são partilhadas informações sobre arte em geral, exposições, notícias, fotos e memes. O enunciado do questionário deixa claro sobre o respeito à privacidade dos respondentes. Apesar do número baixo de respostas (34) em relação ao número de participantes do grupo, decidimos compartilhar essas respostas como uma amostra de conveniência, que não é representativa, mas é útil para abrir um caminho para a análise dos outros dados. Perguntas como “que tipo de foto em museus você mais gosta de compartilhar?” e “em qual rede social você mais posta suas fotos em museus” ajudam a entender hábitos e motivações de visitantes potenciais. As perguntas e respostas completas se encontram no Apêndice B desta dissertação.

3.5 Perguntas aos visitantes que compartilharam fotos no Instagram

Para entender a motivação dos visitantes ao compartilhar suas fotos conversamos diretamente com os utilizadores no Instagram. Esse método oferece a chance de fazer perguntas diretas e ter acesso a pensamentos e experiências pessoais. Segundo Stylianou- Lambert, “processos invisíveis, como atitudes e motivações dos visitantes, podem revelar muito mais sobre por que os visitantes optam por fotografar dentro de museus e como a fotografia pode influenciar suas experiências” (2017, p.117). As fotos, encontradas por meio das hashtags e geotags, eram todas públicas na aplicação, o que facilitou o contato com os utilizadores.

Após a coleta das fotos e análise dos dados, observamos que três obras se destacaram no compartilhamento dos visitantes: Cristo abençoador, Criança morta e

Retirantes. É por esse motivo que, no capítulo a seguir, daremos destaque à análise das

fotos compartilhadas destas obras. Entramos em contato com visitantes que compartilharam fotos destas obras para responder à pergunta “por qual motivo você quis compartilhar a foto da sua visita ao museu? ”. Para os que compartilharam imagens do Cristo abençoador optamos por perguntar a quem publicou fotos em que apareciam pessoas junto ao quadro.

Criança morta e Retirantes são obras de Portinari da mesma época (1944) e com as mesmas

dimensões. Elas ficam lado a lado na exposição e muitas vezes são fotografadas juntas. Para responder à pergunta selecionamos quem fez foto tanto de uma, quanto da outra obra, assim

38 O canal Vivieuvi existe no YouTube desde 2015 e conta com mais de 106 mil inscritos em abril de

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como das duas juntas no mesmo enquadramento. Nesse caso, também avaliamos fotos das obras sem as pessoas, uma vez que esse tipo de imagem é bem comum para esses quadros.

A pergunta foi feita por meio do recurso direct (mensagem privada) do Instagram. Optou-se pelo privado para proteger a identidade dos participantes, de modo que eles pudessem responder sem se preocupar em se expressar publicamente. Desta maneira, eles podiam ser sinceros caso houvesse algum assunto delicado na resposta, como por exemplo as respostas em que foram mencionadas questões religiosas ou políticas.

As perguntas foram feitas a 202 utilizadores no período de 11 de fevereiro até o dia 7 de março de 2019. Houve um cuidado para que não fossem feitas muitas perguntas no mesmo dia, já que há casos em que o Instagram suspendeu a conta de pesquisadores que entravam em contatos com muitos utilizadores, suspeitando da prática de spam (Suess, 2015).

Também nos preocupamos em proteger a identidade dos participantes. Além de me identificar como estudante de mestrado da NOVA, me comprometi a não divulgar o nome dos utilizadores que me responderam por mensagem privada. Nesta pesquisa não coletamos nenhum dado pessoal além do nome do utilizador, que preferimos ocultar nesta parte das respostas para proteger a identidade das pessoas. Assim, as respostas completas no apêndice C são identificadas por números, de acordo com a ordem cronológica em que os utilizadores respondiam. Quando há menções aos utilizadores, essas se referem a legendas ou comentários feitos de forma pública na aplicação.

As perguntas foram feitas utilizando minha conta pessoal no Instagram. Durante todo o período em que fiz as perguntas e coletei as respostas, deixei o meu perfil aberto para que os participantes entendessem se tratar de uma pessoa real, dado que hoje há muitos

bots (robôs) nas redes sociais. A pergunta também foi feita de forma informal para facilitar

a abordagem, uma vez que muitos poderiam se sentir constrangidos ao imaginar que deveriam dar respostas formais, utilizando uma escrita acadêmica. Também optei por deixar a descrição do meu perfil mais profissional, com a autodeclaração: “Pesquisadora em Museus e cultura digital. Mestranda na Universidade NOVA de Lisboa”. Além disso, divulguei aos utilizadores o meu e-mail vinculado à universidade, de modo a ter mais credibilidade no momento da pergunta. A divulgação e explicação de que se tratava de uma pesquisa de mestrado também fazem parte de uma estratégia metodológica. Segundo

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Murchison, “às vezes a divulgação pode ser uma entrada saudável em uma pesquisa sustentada em relacionamento, especialmente se você pode comunicar o seu próprio interesse genuíno e potencial relevante do seu trabalho” (2010, p. 61). Muitos participantes se sentiram confortáveis para responder e se mostraram interessados pelo tema da pesquisa.

As respostas ao questionário, a análise das fotos e legendas e o contacto com os utilizadores que publicaram fotos de suas visitas nos auxiliaram a compreender a relação que os visitantes têm com o MASP, a partir de uma perspectiva da cultura digital. Detalharemos esses dados e faremos reflexões sobre os resultados no capítulo seguinte.

65 4. ANÁLISES E RESULTADOS

Nesta parte da pesquisa iremos passar para a análise e resultados que obtivemos a partir dos métodos previamente discutidos. Primeiramente, serão apresentados os resultados do questionário feito a visitantes potenciais, de modo a entender melhor o comportamento de quem fotografa nos museus e compartilha nas redes sociais. Depois, analisaremos quais foram as legendas utilizadas nas fotos. Será feita uma nuvem de palavras para destacar quais os termos que mais aparecem nas legendas dos utilizadores.

Em seguida, passaremos à análise das fotos, categorizando os temas que percebemos que são comuns no compartilhamento dos visitantes do MASP. Falaremos das fotos do prédio em uma seção separada, já que a categorização das imagens que mais nos interessa é relativa à exposição que apresenta o acervo do museu. Por fim, iremos explorar as fotos das obras mais compartilhadas pelos visitantes: Criança morta e Retirantes, de Portinari, e Cristo abençoador, de Jean-Auguste Dominique Ingres. Na investigação dessas obras, iremos esmiuçar as categorias dessas fotos. Além disso, analisaremos as respostas à pergunta “por qual motivo você quis compartilhar a foto da sua visita ao museu? ”, feita aos visitantes que compartilharam imagens dessas obras no Instagram.

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