No fim de cada sessão na ASASM, foram elaborados questionários orais aos participantes, sobre as atividades que se realizaram ao longo daquela sessão, para conseguir perceber os pontos positivos e negativos. Assim sendo, foi possível ir fazendo correções no protótipo, para que se este se pudesse tornar mais funcional e adaptado aos seus utilizadores. Estes momentos eram feitos na parte final da sessão, sempre acompanhados pela intérprete de língua gestual e eram momentos sempre registados em vídeo. Optou-se por elaborar os questionários de forma oral, pois muitos dos participantes têm algumas dificuldades na expressão escrita e era-lhes mais fácil responder através da língua gestual.
Em suma, este projeto começou pela procura e análise de casos de estudo relativos ao tema. Desta forma, conseguimos perceber o que já tinha sido feito, em que pontos essas investigações incidiram e que conclusões foram tiradas dessas mesmas investigações para que pudessem ser aplicadas na nossa. Apesar do tema ser algo ainda muito pouco explorado no campo da investigação, conseguimos reunir alguns casos interessantes que instigaram a nossa própria investigação.
Com estas análises foi possível identificar pessoas que poderiam ser relevantes e que fossem úteis à realização de uma entrevista. Iniciámos então o processo de angariação de contactos para preparar as entrevistas. Dessas mesmas entrevistas conseguimos reunir informação que foi bastante útil na etapa seguinte, que foi a investigação-ação participativa. Aqui trabalhamos com um grupo de deficientes auditivos fixo conseguida através da ASASM, o que permitiu, avançar com a investigação.
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4 Relatório das Sessões na ASASM
Esta fase do projeto teve início com a escolha do grupo de trabalho. Para isso foram feitas dez entrevistas a pessoas da área da música, que já tinham trabalhado com esta comunidade, e que nos puderam fornecer informações importantes. Nestes dez entrevistados estavam incluídos músicos surdos, professores de música com experiência com alunos surdos, entidades responsáveis por projetos musicais com pessoas surdas e pessoas surdas com gosto pela música. Todos os entrevistados foram contactados, numa fase inicial, via email. Posteriormente foram analisados caso a caso, para perceber a possibilidade de realizar a entrevista pessoalmente. Infelizmente, não conseguimos entrevistar pessoalmente alguns dos visados, pois viviam fora do país, tendo optado por uma entrevista via email. Ainda assim, todos se demonstraram interessados no projeto e dispostos a ajudar no que pudessem. Após as entrevistas realizadas achamos que a ASASM era o grupo indicado para servir de grupo-alvo no projeto. Chegamos até eles com a indicação do responsável pelo serviço educativo da Casa da Música com quem já tinham trabalhado juntos, após o contacto da própria Associação com a Casa da Música. Interessava que o grupo fosse interessado e regular na participação, mas que tivesse, preferencialmente, algum interesse pelo tema.
4.1 1ª Sessão - 25 de novembro 2016 - 18h00 – 2h duração
A primeira sessão realizada na ASASM teve como principal objetivo conhecer o grupo de participantes e dar-lhes a conhecer o projeto. Nesta primeira abordagem tentamos perceber, através de uma conversa informal entre todos os participantes, os níveis de surdez de cada um e se tinham algum implante ou aparelho auditivo. Abordamos ainda o tema da música e questionamos os participantes sobre as suas experiências musicais, ou seja, se tinham o hábito de escutar música, ou se já alguma vez tinham experimentado tocar algum instrumento. Destas abordagens, percebemos que tínhamos uma amostra diversa de casos que apresentamos na tabela seguinte:
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Tabela 1. Resultados da Sessão 1
GRAU DE SURDEZ IMPLANTADO S/ APARELHO HÁBITO DE OUVIR MÚSICA INSTRUMENT OS QUE TOCOU Participante 1 Profunda Implantado Sim Nenhum
Participante 2 Severa Aparelho Sim Viola/harmónica
Participante 3 Severa Não Sim Guitarra
Participante 4 Profunda Não Não Flauta/Piano
Participante 5 Profunda Não Não Nenhum
Participante 6 Profunda Implantado Sim Bateria
Participante 7 Severa Não Sim Melódica
Participante 8 Profunda Não Sim Nenhum
Participante 9 Profunda Aparelho Sim Nenhum
Participante 10 Moderadamente
Severa
Aparelho Sim Folclore
(percussão)
A partir dos resultados apresentados, podemos perceber que praticamente todos os participantes já tinham tido algum tipo de contacto com música e que o faziam regularmente. Na sua maioria, o contacto tinha sido a nível escolar, no entanto havia alguns participantes que demonstravam interesse em experimentar outro tipo de instrumentos musicais, mesmo aqueles que nunca tinham tocado nenhum.
Posto isto, fizemos um pequeno exercício para tentar perceber até que ponto conseguiriam identificar o ritmo em diversos estilos musicais. Foi então ligado um leitor de MP3 às colunas da sala e foi reproduzida uma série de cinco músicas, para que identificassem e marcassem o ritmo. Estas cinco músicas variavam no estilo e na dinâmica para que pudéssemos perceber se havia alguma diferença na facilidade de perceção por parte do grupo. Os estilos escolhidos foram rock, metal, jazz, pop e eletrónica. Percebemos que os participantes, que não possuíam qualquer aparelho ou implante auditivo coclear, identificavam o ritmo mais facilmente e assertivamente do que os que tinham auxiliares auditivos. Tanto os aparelhos auditivos como os implantes cocleares são ampliadores de sinal sonoro e foram otimizados para a comunicação verbal. Disto resulta uma distorção da música, fazendo com que haja uma maior quantidade de ruído no sinal, que torna todo
40 o som mais confuso. Isto era percecionado pelos participantes com aparelho auditivo e implante coclear, na medida em que descreviam o som como ruidoso, confuso e impercetível.
4.2 2ª Sessão - 20 de janeiro 2017 – 18h00 – 2 horas duração
Na segunda sessão, tínhamos como objetivo perceber se os participantes eram capazes de entender o ritmo e se conseguiam reproduzir padrões rítmicos com e sem ajuda. Para esta atividade dispusemos os participantes em semicírculo e entregamos a cada um deles um instrumento musical. Individualmente, foi-lhes demonstrado um padrão rítmico, marcado com as mãos nas suas costas e foi-lhes pedido para o reproduzir no instrumento fornecido, que podia ser as claves, os shakers, a pandeireta, ou até mesmo o xilofone, mantendo-o até ao fim do exercício. De uma forma geral, os participantes cumpriram os objetivos do exercício, mantendo o ritmo pedido, muito embora alguns tivessem alguma dificuldade em manter o tempo inicialmente marcado. Como não recorremos ao metrónomo este aspeto não era grave, ficando cada participante responsável pela gestão desse mesmo tempo dos padrões rítmicos. Conseguimos assim promover a interação musical entre os participantes, pois tinham de estar atentos não só aos seus padrões, mas também aos dos outros para não interromperem a reprodução desses mesmos ritmos.
De seguida, foi feito outro exercício para tentar perceber se a utilização de superfícies de contacto ajudava na perceção do ritmo dos participantes que utilizavam aparelho auditivo ou implante. Aqui foram colocados novamente três excertos de músicas num leitor de MP3, ligado às colunas da sala de trabalho. e foi pedido a cada um dos participantes para tentar percecionar o ritmo, colocando as mãos em superfícies como por exemplo no chão de madeira, numa palete e numa caixa oca de madeira. Os excertos apresentados eram de uma música pop, outra de rock e uma de drum & bass. Concluímos que recorrendo ao tato, os participantes com aparelhos auditivos e cóclea conseguiam percecionar melhor os ritmos das músicas, não ficando tão confusos. Concluímos ainda que as superfícies de madeira ocas eram as que melhor transmitiam as vibrações produzidas pelas músicas.
41 4.3 3ª Sessão - 01 de abril 2017 – 18h00 – de 2 horas duração
Com o avançar das sessões os objetivos foram ficando mais concretos, por isso, nesta terceira sessão, pretendíamos transmitir uma noção de conceitos básicos de teoria musical. Apesar de na sua maioria os participantes já terem antes experienciado música, muito poucos estavam familiarizados com aspetos teóricos da música, tais como figuras rítmicas (semibreve, mínima, semínima, colcheia, semicolcheia, etc.), dinâmicas (pianíssimo, piano, médio piano, médio forte, forte e fortíssimo) e pulsação. Para isso, foram apresentados os conceitos devidamente explicados e, como forma de validação de conhecimento, foram feitos alguns exercícios rítmicos, utilizando a notação musical demonstrada anteriormente.
Apesar de a princípio ninguém demonstrar grandes dúvidas nos conceitos apresentados, na parte prática denotou-se que havia algumas lacunas. Foi então que percebemos que havia uma falha de entendimento nas diferenças entre ritmo e pulsação. Para que isto se tornasse mais claro para todos, os participantes foram utilizando exemplos do quotidiano, sendo modelo disso o batimento cardíaco. Pedimos a cada um dos participantes que fizesse uma demonstração de ritmo e de pulsação para validar o conhecimento e assim perceber que todos tinham entendido os seus significados.
Apesar de ter sido uma sessão com pouca afluência, apenas seis participantes, os presentes demonstraram bastante interesse nas atividades realizadas, sendo notória a satisfação relativamente ao facto de estarem a aprender conceitos novos, que nunca antes ninguém lhes havia explicado. Percebemos então que alguns conceitos podiam ser demasiado abstratos para quem tem deficiência auditiva, pois não há qualquer exemplo de referência que possamos usar, como fazemos com alguém que ouve. Isto torna o processo de ensino e aprendizagem muito mais desafiante para ambas as partes. Todos os participantes conseguiram entender, com sucesso, os conceitos de ritmos e pulsação, assim como as suas diferenças, o que permite avançar na investigação, pois desta forma estamos a conseguir fazer novas experiências com o grupo no campo rítmico.
42 4.4 4ª Sessão - 22 de abril 2017 – 18h00 – 2 horas duração
Construiu-se um primeiro protótipo do sistema audiovisual de composição. Como a música é um tema muito vasto, decidimo-nos focar na questão rítmica. Elaborou-se um quadro em formato físico (papel A3) para proceder às primeiras experimentações com o grupo. Começamos por fazer uma breve apresentação do sistema, explicando a sua funcionalidade e o que era pretendido. O sistema apresentado na secção era constituído por uma folha A3, que se encontrava dividida em dezasseis colunas e cinco linhas. As colunas funcionavam como uma linha temporal de dezasseis tempos em que um dos participantes, utilizando o dedo indicador, é que marcava a passagem desses tempos. Estas colunas estavam coloridas de maneira a ser mais fácil a visualização e distinção. As colunas horizontais representavam a composição que cada participante teria de interpretar. Utilizamos também post-its com três cores diferentes para marcar as dinâmicas pretendidas. Posto isto, definimos que verde correspondia a piano, amarelo a médio e o laranja a forte. Os participantes puderam manipular o protótipo à vontade antes de iniciar o primeiro exercício, para que se pudessem familiarizar com ele.
Com o intuito de tornar o exercício mais simples, não recorremos à utilização de figuras rítmicas. Deste modo, os participantes conseguiam estar unicamente focados na criação de padrões rítmicos ao invés da identificação de figuras para poderem criar esses mesmos padrões.
43 Primeiramente apresentamos padrões rítmicos já definidos, para que os participantes compreendessem a dinâmica da atividade. Foram distribuídos instrumentos pelos participantes, como pandeiretas, claves, shakers e xilofones, para que estes reproduzissem o ritmo presente no protótipo. Foram escolhidos estes instrumentos, pois eram de fácil utilização para os participantes e eram instrumentos de percussão, o que permitia que o trabalho rítmico fosse mais percetível. O tempo era marcado numa fase inicial por nós, com o recurso ao dedo indicador ao longo da tabela, que ia percorrendo os dezasseis tempos de forma sequencial. Seguidamente deixamos que os participantes fizessem o exercício quatro vezes, sem a nossa ajuda.
Fig. 11 Exercício realizado com marcação de tempo feita pela investigadora
Nomearam então um líder de grupo, que tinha a função de escrever a composição, que pretendia que os restantes participantes tocassem, sendo também o responsável por indicar o tempo no protótipo. Numa fase inicial, pedimos que fizessem composições simples, para que todos os participantes entendessem o sistema e o conseguissem executar, até porque havia várias dinâmicas: piano, médio e forte, o que poderia gerar alguma confusão, desnecessária numa fase inicial. A notação das dinâmicas era feita com recurso a post-its coloridos, sendo o verde correspondente ao piano, o amarelo ao médio e o laranja ao forte. Nas primeiras tentativas foi usada apenas um tipo de dinâmica, mas depois, ao longo da atividade, iam-se acrescentando dinâmicas e tornando o exercício mais complexo.
44 Fig. 12 Exercício feito com marcação de tempo por um dos elementos do grupo.
Nesta sessão foram cumpridos os objetivos a que nos tínhamos proposto, na medida em que apresentámos e explicámos o protótipo aos participantes, conseguindo desta forma que os intervenientes fizessem alguns exercícios. Relativamente ao exercício em si, todos conseguiram manipular o protótipo com facilidade, porém concluíram que havia alguma dificuldade na perceção da marcação do tempo. Como este era marcado com o dedo indicador do líder, a atenção dos executantes tinha que se dividir entre a partitura e o tempo, o que dificultava a tarefa. O facto de o protótipo ser em papel, e haver vários post-
it de várias cores, tornou-se um pouco confuso para os participantes, pois baralhavam a
linha que tinham de seguir o ritmo e não prestavam atenção às dinâmicas de cada tempo marcado. No que diz respeito ao papel de cada participante, havia alguns que demonstravam mais à vontade no papel de líder do que executantes. Posto isto, foram analisados estes resultados no sentido de melhorar o protótipo para a sessão seguinte.
4.5 5ª Sessão - 25 de março 2017 – 18h00 – 2 horas duração
Na sessão 5 apresentamos uma versão revista do protótipo. Este passou a ser digital para facilitar a sua utilização. Apresentamos o protótipo aos participantes, mostrando todas as alterações feitas no sistema. Deixamos que eles colocassem questões e que manipulassem um pouco o sistema para perceberem bem as alterações realizadas. Nestas alterações estava incluída a marcação de pulsação da música que, ao contrário de ser feita com o dedo indicador do líder, era feita através de uma barra branca que percorria os tempos, um a um, diretamente na partitura. Estas alterações permitiam, assim, que os
45 participantes não tivessem de olhar para dois sítios distintos, enquanto executavam os ritmos.
Fig. 13 Protótipo Digital com barra de marcação de tempo
Apesar disto, continuamos a recorrer aos post-it que eram colados no ecrã. Desta vez, utilizamos apenas a cor verde, dispensando, assim, as restantes amarela e laranja, que correspondiam às dinâmicas médio e forte, para que os participantes se focassem somente no ritmo, sem se preocupar com mais nenhum elemento.
Começamos por realizar exercícios rítmicos simples, com instrumentos musicais, que foram fornecidos aos participantes.
Tabela 2. Padrão Rítmico 1
Batidas/Instrumento 1 2 3 4 5 6 7 8
Instrumento 1 Instrumento 2 Instrumento 3 Instrumento 4
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Tabela 3. Padrão Rítmico 2
Estes primeiros exercícios correspondiam a padrões rítmicos de bateria. Nas tabelas acima podemos ver dois exemplos de exercícios de ritmo feitos na sessão. As colunas com os números representavam a pulsação, enquanto que as linhas descrevem quais os instrumentos que iriam ser tocados e em que pulsação, ou seja, cada círculo representa uma batida de um determinado instrumentos num tempo da música. A ideia neste exercício era que cada participante assumisse o papel de um elemento distinto da bateria, por exemplo, timbalão, bombo, prato de choque, etc., e executasse o ritmo escrito. Os participantes mostraram-se bastante entusiasmados ao realizar esta atividade, na medida em que os ritmos já não eram tão aleatórios e já formavam padrões mais consistentes. Relativamente ao protótipo, já mostraram mais facilidade na leitura dos padrões rítmicos a executar, para além de todos concordarem que a marcação de tempo era para eles bastante mais fácil de entender, pois para além de não desviarem a atenção, também conseguiam ser mais assertivos na batida. Curiosamente, os participantes que demonstravam mais dificuldade em acertar no tempo, faziam-no sempre por defeito e não por excesso, isto é, enquanto no protótipo anterior havia a tendência desses mesmos participantes se atrasarem na batida que estava a ser marcada com o indicador, no protótipo digital havia uma antecipação da batida.
Batidas/Instrumento 1 2 3 4 5 6 7 8
Instrumento 1 Instrumento 2 Instrumento 3 Instrumento 4
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4.6 Considerações finais
Para que as pessoas surdas experienciem a música, a prototipagem deste mecanismo leva também a um melhoramento dessa mesma experiência, no sentido em que foca características musicais que podiam antes estar nubladas pelo ruído, ou pela falta de conhecimento, como era o caso da pulsação. Assim, os participantes poderão começar por descodificar alguns dos elementos sonoros que vão sentindo, principalmente nas questões rítmicas em que nos focamos durante esta investigação. Seria interessante pensar num mecanismo com mais algumas funcionalidades e características, pensadas para esse mesmo melhoramento de experiência. A colocação de um interface poderia ser uma boa opção, na medida em que poderia permitir ao utilizador gravar, ouvir novamente a gravação e salvar posteriormente para o computador. Também seria interessante que o software desse a opção de compor por faixas. Assim, com o recurso a uma listagem de instrumentos de percussão, o utilizador podia escolher qual o instrumento a gravar em várias faixas, que poderiam posteriormente tocar em simultâneo. A colocação de cores em cada uma das faixas seria uma situação a ser estudada, pois não é certo que não se tornaria algo confuso, aquando da performance. No entanto, seria uma boa opção para distinguir, mais facilmente, os vários tipos de instrumentos presentes da composição.
A este software seria interessante anexar um Trigger Pad41 onde os utilizadores pudessem
fazer os seus próprios ritmos usando as mãos, ou mesmo baquetas, conforme a preferência de cada um. Esse mesmo Pad podia ter uma área central de maiores dimensões e outras pequenas para permitir que vários sons estejam disponíveis ao mesmo tempo, ou seja, se o utilizador pretender obter o som da bateria pode distribuir pelo PAD os sons dos diferentes segmentos da mesma. Desta forma, o utilizador teria mais variedade de instrumentos, sem necessitar de estar a trocar no painel sempre que necessário.
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Trigger Pad - um sensor eletrónico que produz um som atribuído a partir de um módulo de som quando o sensor é pressionado. Este dispositivo permite que os bateristas toquem numa dinâmica constante, independentemente da força física utilizada.
48 Fig.14 Diagrama de melhoramento do protótipo
Falando num campo mais abrangente, isto é, que não se limite apenas ao campo rítmico musical, também seria interessante adaptar um dispositivo que pudesse entrar em contacto com a superfície corporal do indivíduo, conseguindo assim precisar a sua afinação. Deste modo, seria possível um surdo estudar canto mais produtivamente, pois teria um feedback da afinação necessária para música.
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5 Conclusões
Este projeto de investigação teve início na ambição de poder contribuir para que a comunidade surda pudesse, de alguma forma, melhorar a sua experiência cultural, nomeadamente, o contacto com o meio musical. A questão da investigação a que nos propusemos responder consistiu em perceber de que forma um sistema digital poderia ajudar a comunidade surda, sem formação musical, a compor música rítmica. Para isto traçámos três objetivos para nos guiar no processo de investigação. Objetivos estes que são o desenvolvimento de competências e confiança dos participantes na composição musical utilizando tecnologia digital; o desenvolvimento de competências de performance e proporcionar experiência a músicos profissionais e treinados no contacto com indivíduos surdos.
Para atingir estes objetivos foi necessário clarificar de que forma as pessoas surdas experienciam a música. Com este intuito, trabalhamos junto desse grupo da Associação do Surdo de Apoio ao Surdo de Matosinhos, conseguimos explorar esta questão e percebemos que há vários parâmetros que fazem variar a experiência dos surdos com a música. Um dos parâmetros é o grau de surdez que cada um possui. Os surdos profundos têm uma experiência baseada no tato e no auxílio das vibrações produzidas pelos sons. Neste caso, a superfície na qual eles colocam a mão ou os pés é importante. Chegamos à conclusão, através da experimentação, que superfícies de madeira oca conduzem melhor o som para estes indivíduos. No entanto, indivíduos que ainda possuem audição residual têm outro tipo de experiência quando expostos à música. Primeiro, é importante perceber