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3.2 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS

3.2.1 Questionários

Para esta pesquisa foram elaborados dois questionários que serão descritos nesta seção. Os questionários foram elaborados em português para que os participantes se sentissem mais à vontade e para não se sentirem testados quanto ao seu conhecimento na língua inglesa. Para acessar as informações pessoais e de tempo de experiência profissional da Coordenadora do Curso de Letras e dos professores que dão aula no curso, elaboramos um questionário (apêndice 1). As informações obtidas através deste questionário, foram utilizadas para descrever o perfil da coordenadora e dos professores nas seções 3.6 e 3.7 respectivamente.

Quando se iniciou o processo de elaboração do questionário para os alunos participantes desta pesquisa (Apêndice 3), priorizamos primeiramente, o pensar deste participante aluno em dois momentos distintos. Primeiro, na situação de aluno dentro da universidade onde cursa Letras. Além dessa questão da experiência de aluno na universidade, procuramos saber mais a respeito das motivações para a escolha do curso de Letras, verificando se esse teve contato com a língua estrangeira em momentos anteriores a sua entrada no ensino superior. Presumimos que se houve uma prévia convivência com a língua inglesa, tal fator pode ter incentivado esse aprendiz a iniciar o curso de Letras.

A segunda situação investigada foi deste mesmo aluno enquanto profissional em serviço, inserido numa instituição escolar, na qual leciona a

língua estrangeira. Para isso, foram desenvolvidas perguntas direcionadas a questões de sua profissão, incluindo situações de sala de aula, escolhas feitas por esse profissional nas diferentes habilidades da língua inglesa, priorizando situações específicas da utilização da oralidade.

Inicialmente, pensamos em dividir esses dois momentos, pois acreditávamos que havia peculiaridades acerca das duas situações, e o que pode ser aplicado em uma das duas situações, pode não ser a mesma estratégia utilizada na outra. Após o desenvolvimento desses dois tópicos, percebemos que, apenas instigar essas duas situações (o aluno-professor na situação de aluno e também como professor num dado contexto) poderia não explicar, em sua totalidade, os fatores relacionados à importância da oralidade em língua inglesa. Ponderamos, a partir disso, que perguntas evidenciando esse profissional em outras situações seriam importantes, já que o contato com a língua inglesa tende a ir além de apenas essas duas situações. Nesse sentido, estruturou-se novamente o questionário com 31 questões, dividindo o mesmo em cinco partes: (a) formação do aluno (6 perguntas); (b) sua situação de aluno (8 perguntas); (c) sua situação de professor (11 perguntas); (d) como falante de língua inglesa (3 perguntas); e (e) questões reflexivas do processo de ensino-aprendizagem da língua inglesa (3 perguntas).

Inicialmente, elaboramos questões visando conhecer melhor a formação do aluno-professor (perguntas 1 à 6). Nessas questões procuramos descobrir se esse aluno-professor já teve a oportunidade de estudar a língua inglesa fora do contexto universitário ou se o fazia naquele momento.

Na segunda parte (questões de 7 à 14), as perguntas buscaram respostas do aluno-professor como sendo um aprendiz da língua inglesa. Essa situação de aprendiz investigada no questionário poderia ocorrer em diferentes contextos: como aprendiz enquanto estudava ou estuda em um curso livre de inglês; enquanto frequentou uma escola de ensino regular; bem como na situação de acadêmico de um curso de Letras, referenciando a disciplina de inglês. Nesse item, tentamos compreender as dificuldades que o aprendiz possui na língua inglesa, as oportunidades de uso da mesma e as sugestões que ele daria para a instituição que estuda com o objetivo de obter uma melhor performance no uso do idioma. Além dessas questões, o aluno-professor teve que escolher as fontes que utiliza para aprender inglês e julgar e ordenar as habilidades que privilegia

na situação de aluno, através de uma escala entre habilidades mais importantes e menos importantes.

Na terceira parte de perguntas (15 à 25), a situação investigada foi a do aluno-professor (que até então chamamos frequentemente de aprendiz de uma língua estrangeira), na situação de profissional da área de Letras, sendo professor de uma instituição escolar, exercendo suas atividades docentes no ensino de língua inglesa. Nesse segmento, apresentamos ao aluno-professor o maior número de perguntas, comparado com as outras partes do questionário, pois acreditamos que nesse item teríamos um grande número de respostas que pudessem contribuir diretamente com os objetivos e as perguntas norteadoras desta pesquisa. Uma das questões propostas que merece destaque é aquela em que se indaga qual foi o motivo que direcionou a escolha desse aluno-professor por lecionar a língua inglesa. Acreditamos que aqui obtivemos respostas importantes para serem confrontadas com as perguntas norteadoras levantadas e que nos ajudariam a compreender melhor os fatores presentes na tarefa de exercer a profissão na visão desse aluno-professor. É nessa questão também que se vislumbra um melhor entendimento no que tange a interação entre professor, idioma estrangeiro e alunos. Verificamos também, através do questionário, a importância dada a oralidade frente a outros aspectos da língua inglesa (gramática, leitura e interpretação textual, escrita, compreensão oral-listening e pronúncia). Para isso, os participantes deveriam ordenar em uma escala de 1 a 6 (onde 6 deveria ser enumerada como a mais importante, até chegar ao número 1, considerado o menos importante) esses seis aspectos, para que pudéssemos identificar, principalmente, o grau de importância que esse profissional concede a habilidade da oralidade em língua estrangeira.

Também foi importante, na terceira parte do questionário, compreender as atitudes provenientes dos alunos desse aluno-professor, verificando como reagem frente às escolhas adotadas pelo aluno-professor. A intenção foi identificar melhor os momentos em que a utilização da oralidade em língua inglesa é feita e como são as reações tanto dos alunos quanto desse aluno- professor, uma vez que acredita-se que a reação dos alunos acabe influenciando na ação do professor, em algum aspecto, quanto a utilização da oralidade em sala de aula. Outra questão relevante nas perguntas direcionadas aos alunos-professores na situação de professor em uma escola de ensino regular, foi

relacionada ao sentimento desses frente a aqueles alunos que já possuem algum conhecimento em língua inglesa. Para isso, perguntamos se este aluno-professor se sente intimidado com a situação de ter alunos que, eventualmente, fazem algum curso livre de língua inglesa ou que, de certa maneira, já conhecem o idioma previamente.

Na quarta parte do questionário (26 à 28), as perguntas investigaram o aluno-professor na condição de falante da língua inglesa. Agora, não apenas em sala de aula como aluno e/ou como professor, procuramos entender situações de interação onde a utilização da língua estrangeira faz-se/fazia-se necessária, independentemente do contexto utilizado. Além de pensar em situações diferenciadas de uso, abordamos circunstâncias que pudessem demonstrar mais detalhadamente os sentimentos que o uso da língua inglesa despertava nesse aluno-professor, para assim chegar à conclusão se a utilização do idioma, de forma oral, mostra-se como algo positivo para ele. Pensamos também que algumas ocorrências específicas podem determinar graus de ansiedade maior para esse aluno-professor, fazendo com que o uso do idioma se torne algo que o coloque em situação de desconforto.

Inicialmente, quando a ideia da pesquisa se encontrava na situação de pré-projeto, pensamos em investigar apenas os alunos-professores que trabalhavam em escolas de ensino regular da rede pública, porém, com receio de não se conseguir obter um número considerável de informantes para a pesquisa, optamos por estender a mesma para professores da rede particular e também para aqueles que atuam como docente em escolas livres de inglês. Acreditamos que essas três realidades podem trazer diferentes resultados, e esses aspectos poderiam ser confrontados ao se avaliar o modo como ocorrem tais distinções nesses contextos. No entanto, mesmo considerando essas três diferentes realidades de trabalho docente, não conseguimos obter um grande número de informantes que serão apresentados na seção 3.5.

Na quinta parte do questionário, elaborou-se três perguntas (29 à 31) de cunho reflexivo, onde o aluno-professor precisou analisar, de forma geral, suas experiências acerca do ensino-aprendizagem da língua inglesa, sua visão de alguns aspectos referentes à sua profissão e seus anseios em todo esse processo.

Acreditamos também que, com o referencial teórico sobre os estudos de formação de professores num caráter reflexivo, podemos buscar respostas para muitos dos questionamentos do aluno-professor sobre as diferentes situações por ele vividas em relação à oralidade em língua inglesa. Além das práticas contempladas por ele, através do questionário, nessa habilidade linguística, pudemos também averiguar os seus anseios e suas expectativas como aprendiz, como falante e como professor de língua inglesa.