4 METODOLOGIA
4.6 INSTRUMENTOS E COLETA DE DADOS
4.6.2 Questionários
Na fase inicial da pesquisa, fizemos uso de um questionário com perguntas abertas, fechadas e mistas. O questionário serviu “como uma fonte complementar de informações” (FIORENTINI; LORENZATO, 2006, p. 116), sobretudo nessa fase exploratória da pesquisa, em que buscávamos caracterizar e descrever nossos sujeitos de estudo (FIORENTINI; LORENZATO, 2006). Contudo, esse questionário não chegou a ser elaborado por nós. Ainda nas primeiras semanas de aulas com as turmas envolvidas nessa pesquisa, uma companheira de pesquisa do GEPEM-ES solicitou-me contribuir com sua pesquisa de Doutorado. Inicialmente, pediu-me que contribuísse com a validação de um questionário de pesquisa que ela formulara e que, após validado, seria aplicado junto às turmas do Proeja – Ifes, Campus Vitória. Ao responder o questionário de validação, percebi estar inserido nele perguntas que nos ajudariam a caracterizar e a descrever os sujeitos de nosso estudo, destacando algumas variáveis como idade, sexo, estado civil, nível de escolaridade e certas preferências (FIORENTINI; LORENZATO, 2006). Assim, acordamos com a referida professora uma colaboração mútua e nos foi cedido acesso aos questionários respondidos pelos educandos de minhas turmas de pesquisa5. Fora os questionamentos objetivos, de caráter geral, responsáveis pela caracterização e descrição dos sujeitos de pesquisa, percebemos outros questionamentos discursivos constantes no questionário da professora que seriam relevantes para nós: alguns por estarem atrelados ao material didático de matemática objeto desta pesquisa e outros porque prevíamos que poderiam nos oferecer algum suporte ao longo de nossa pesquisa, embora não soubéssemos precisar que tipo de suporte seria esse. Convidei o professor que estava atuando em sala de aula comigo (ver seção anterior) para ajudar-me na análise das informações discursivas do questionário aplicado e a construir uma síntese com informações relevantes. Durante o processo de nossa análise percebemos, por exemplo, que uma quatidade significativa das questões discursivas, e/ou mistas, não foram respondidas e inferimos que o excesso delas, presentes nesse questionário, parece ter provocado um certo desgaste nos educandos, atrelado ao fato de que também havia considerável quantidade de questões objetivas no instrumento de pesquisa da professora. Além disso,
percebemos nos registros dos educandos muitos erros gramaticais básicos de ortografia e pontuação que se somavam a uma escrita sem coerência e coesão. Em muitas respostas tivemos que fazer „deduções‟ do que o educando quis dizer. Assim, inferimos que essas limitações gramaticais poderiam, também, ser fator de inibição ao educando em realizar registros de questionamentos discursivos, podendo ter relação com o elevado número de quetões discursivas não respondidas que presenciamos no questionário analisado. Em virtude de fatos como esses, decidimos pela construção de um questionário próprio para nossa pesquisa (ver Apêndice A). Procuramos, então, sistematizar um questionáiro mais breve, mas que, contudo, contemplasse questionamentos de nosso interesse. O estruturamos para ter um caráter puramente objetivo e, nesse ponto, muito nos ajudou o questionáiro aplicado pela professora, porque ele nos serviu como um “questionário piloto” para a elaboração do nosso próprio instrumento. Fizemos uso dos registros que encontramos nas questões discursivas desse “questionário piloto” para construir categorizações de alternativas e, assim, transformamos perguntas discursivas desse “questionário piloto” em perguntas objetivas, adequando os enunciados a esta nova proposta. Procuramos elaborar as questões fazendo uso de termos mais simples de serem compreendidos, porque nos lembramos das muitas solicitações de ajuda que tivemos para prestar esclarecimentos interpretativos de enunciados de questões, já que participamos da aplicação desse “questionário piloto” da referido professora, em nossas turmas de pesquisa. Nossas modificações tentaram, dentro do possível, abreviar a demanda de tempo de resposta de nosso questionário tentando, com isso, minimizar fatores como: pressa para entregar; impaciência com perguntas aparentimente repetitivas; impaciência em produzir respostas com detalhamento de informação, etc., que observamos ocorrer durante a aplicação do questionário da professora. Também entendemos ser relevante mencionar que as respostas dos informantes, nos questionamentos discursivos da professora, nos motivaram a elaborar novos questionamentos, não constantes no questionário da professora, abrindo possibilidades para a aquisição de informações complementares de nosso interesse.
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A professora nos autorizou acesso aos dados do questionário que foi aplicado em nossa turma, permitindo-nos utilizar seus resultados. Contudo, não tivemos autorização para publicar seu questionário no apêndice dessa pesquisa.
Além deste questionário preliminar, buscando caracterizar nossos sujeitos de pesquisa, construímos, também, outros com intuito de avaliar os blocos reelaborados com a participação dos educandos que integraram a pesquisa. Esses questionários estão inseridos no Apêndice B desta dissertação e foram aplicados ao final da pesquisa, após os blocos reelaborados já estarem prontos. Na seção 4.7 (adiante) fornecemos maiores detalhes sobre a dinâmica que empregamos nesse processo de avaliação.
Em síntese, o uso do questionário, em nossa pesquisa, serviu para:
Obter informações para traçar o perfil dos educandos sujeitos de pesquisa;
Obter informações sobre o conhecimento matemático desses educandos ingressantes;
Coletar a opinião dos educandos em relação ao material didático de matemática que utilizamos no Proeja/Ifes, Campus Vitória, procurando receber deles informações sobre os conteúdos matemáticos abordados, relevância desses conteúdos para o curso (formação técnica, formação para a vida), opinião sobre a metodologia de resolução de problemas que norteia as atividades de matemática presentes no material, bem como sua organização estrutural, e outras características mais;
Coletar a opinião dos educandos em relação aos blocos reelaborados;