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2.3 Procedimentos e instrumentos de pesquisa

2.3.2 Questionários

Os questionários foram aplicados aos alunos de forma on-line. Para isso, foi

realizado um levantamento dos participantes do grupo, para conhecer os que haviam sido certificados e para a obtenção de seus respectivos endereços de e-mail.

O convite para participação na pesquisa foi enviado para os endereços de e-mail

com um link que levava ao questionário on-line.

As perguntas foram organizadas de modo fechado e aberto. As respostas foram analisadas para possibilitar a criação de categorias, chaves de interpretação.

As perguntas desse questionário, conforme o roteiro do Anexo 2, estão divididas em dois blocos:

• O bloco I é formado por seis questões e trata de investigar o perfil dos cursistas, buscando identificar sua faixa etária, seu grau de escolaridade, o tempo em que atua no serviço público e a frequência de sua atuação no atendimento ao público, além do significado de ser avaliado em um processo educativo para cada um deles. Esta última pergunta do bloco almeja ajudar na compreensão do que acreditam ser a avaliação em um processo educativo com a intenção de compreender o restante das respostas do bloco II, que estão diretamente relacionadas às práticas avaliativas do curso, já que cada indivíduo tem uma experiência com avaliação e atribui um sentido próprio a ela.

• O bloco II trata de questões diretamente relativas às práticas avaliativas do curso. Optou-se por usar o termo vivências educativas para se referir a essas práticas após análise dos termos utilizados durante o curso no ambiente virtual e após testes realizados com o questionário. A tentativa é de evitar dúvidas a respeito de a quais práticas relacionadas ao curso o questionário estava referindo-se.

No ambiente há uma separação entre as práticas que deveriam ser realizadas pelos alunos para que obtivessem os certificados de conclusão de curso, denominadas atividades obrigatórias, e as práticas que não estavam vinculadas à certificação, denominadas atividades não obrigatórias.

Por isso, nos questionários se evitou o uso dos termos “avaliação” ou “prática avaliativa”, como se tem usado ao longo desta dissertação, pois esses termos poderiam ser associados à ideia tradicional de avaliação, à ideia de uma prática que se presta apenas ao controle, com o objetivo de atribuir uma nota para seleção/certificação. Dessa forma, poderiam causar confusão aos respondentes, que poderiam pensar que haveria uma referência somente às chamadas “atividades obrigatórias” vinculadas à certificação.

Ainda com o intuito de garantir que os respondentes soubessem a quais vivências o questionário se referia e conhecer as práticas que os haviam participado

e, portanto, quais práticas estavam analisando, a primeira pergunta do bloco II, sétima do questionário, indaga a frequência com que haviam participado de cada uma delas com as respectivas descrições. Essas descrições são breves e mencionam os tipos de: ação que a prática solicitou durante o curso (estudo, análise, reflexão e bate-papo/conversa); recurso utilizado que se assemelha ao nome da atividade utilizada pelo curso (Questionário, Situação-problema, Fórum,

Chat); e interação (individual e em grupo).

A questão seguinte, a oitava, pede uma classificação dessas quatro “vivências educativas” de acordo com a importância que dão a cada uma delas para a formação durante o curso, considerando a preparação para o cotidiano do trabalho e a reflexão sobre os temas abordados. As escalas variam entre as gradações “Muito importante”; “Importante”; “Média importância”; “Pouco importante”.

É solicitado que não se repitam as classificações dadas em mais de uma “vivência”, uma vez que a intenção é realizar uma escala hierárquica de importância atribuída e, ainda, solicita-se que justifiquem as respostas dadas.

A questão 9 pede que escolham uma ou duas opções que mais se aproximem da experiência que tiveram nas vivências educativas do curso. Cada uma das alternativas se referia às características que podem ser atribuídas à concepção educacional escolhida, conforme as relações a seguir:

1. Segundo a avaliação educacional como controle, tem-se três alternativas: 1.1. Alternativa a) Apreendi o que me foi passado a respeito de cada uma

das temáticas, memorizei o conteúdo estudado e pude medir o que foi apreendido por mim.

A alternativa a) está relacionada à concepção objetivista que valoriza a transmissão e memorização de conteúdo, à medição do apreendido. 1.2. Alternativa b) Refleti sobre minha trajetória de aprendizagem ao longo

do curso, percebi meus avanços teóricos e práticos em relação às temáticas abordadas e pude ter uma maior clareza de como aprendo. A alternativa b) está relacionada à concepção subjetivista que valoriza o

desenvolvimento pessoal do aluno e a autonomia relativa, com espaço para o aluno pensar seu processo de aprendizagem e/ou cognitivo.

1.3. Alternativa c) Acredito que os gestores do curso obtiveram indicadores para tomada de decisão sobre possíveis adequações que poderiam ser feitas para melhorar o curso.

A alternativa c) está relacionada à concepção gerencial que valoriza a verificação do alcance dos objetivos de ensino para a sua correção durante o processo educacional.

2. Na avaliação educacional como emancipação, tem-se duas alternativas: 2.1. Alternativa d) Obtive conhecimentos, refleti sobre eles e, dessa forma,

consegui atuar no meu trabalho de modo a aplicá-los em minha realidade do trabalho.

A alternativa d) está relacionada à concepção crítica sob o aspecto que valoriza a reflexão sobre o contexto social, político, cultural em que está envolvido o sujeito, a reflexão que possibilita que ele se aproprie da sua realidade e que nela atue consciente e intencionalmente:

2.2. Alternativa e) Participei de um espaço de troca de informações e de aprendizagem com os participantes enxergando as diversas questões que se apresentavam por outros pontos de vista e sentindo-me acolhido pelo grupo.

A alternativa e) está relacionada à concepção crítica sob o aspecto que valoriza o diálogo, o aluno como participante ativo e coparticipante do processo de aprendizagem, saindo da condição de objeto ou passividade para uma condição de sujeito, e valoriza a afetividade na relação entre os participantes.

A última alternativa da questão 9 é um campo aberto no qual o respondente, caso nenhuma das alternativas anteriores contemple a experiência que teve, pode descrever a experiência que considere mais adequada.

A questão 10, a última do questionário, procura compreender com que frequência vivenciaram no processo avaliativo com uso das TDIC alguns dos aspectos tidos como relevantes, especificamente em relação ao uso de um ambiente virtual de aprendizagem.

Esses aspectos estão relacionados às possibilidades de: construir coletivamente o conhecimento, possibilitando escutar e ser escutado pelos pares; ter um tipo de relacionamento com os mediadores e o resultado disso; relação com o tempo para a construção de conhecimento e a participação; relação espaço- temporal com o estudo; registro e, assim, de resgate do processo educacional; ter um conteúdo complementar; ter um espaço para colocar os problemas do cotidiano e ter o apoio dos demais na busca de soluções; conhecer e apropriar-se de novas formas de estudar. Por último, é disponibilizado um espaço em aberto no caso de desejarem registrar algum outro aspecto não mencionado.