• Nenhum resultado encontrado

5 Descrição dos resultados

3. Questionar os investimentos na Copa do Mundo

Vemos na presente função a ação de demandar dos governantes o investimento em setores que não sejam apenas relacionados com a Copa do Mundo, setores esses que foram embebidos em investimentos durante os últimos 07 anos de preparação para o megaevento. Em nossos achados, vemos tal função se apresentar como questionamentos ao governo sobre quem se beneficia e quem se prejudica com a vinda do megaevento e os investimentos em setores apenas relacionados ao mundial, além da evidente cobrança de investimentos em outros setores

não relacionados à Copa do Mundo.

Vemos na Figura 117 acima como há o questionamento dos manifestantes quanto a quem se beneficia com a chegada do mundial brasileiro, tido como o mais caro da história dos mundiais. Ao questionar quem se beneficia com a frase ‘Copa para Quem’, vemos como a imagem representa também o lado dos prejudicados ao apresentar a imagem de uma favela e por em questionamento a desigualdade social apresentando a contradição entre um estádio no ‘padrão FIFA’ e uma favela nos moldes brasileiros. Percebemos essa ação no intuído de demandar investimentos que tragam melhorias sociais para a população, e não apenas para a execução de uma boa Copa do Mundo e a seguinte perpetuação do conceito de cidade-negócio onde apenas quem possui capital poderá se beneficia do legado do mundial.

Assim, há o forte questionamento dos manifestantes quanto aos atingidos pela Copa do Mundo, e a demanda de melhorias para a vida desses cidadãos brasileiros que com a passagem do megaevento veem suas situações sofrerem uma deterioração em questão de qualidade de vida e se veem sendo tratados de uma forma injusta e não condizente com o amplo volume de investimentos feitos na execução do mundial, pondo em cheque o porque desses investimentos não serem utilizados para amenizar os danos causados pela vinda do megaevento. Percebemos em nossos achados que há um amplo questionamento quanto à forma que o governo lidou com as desapropriações. Na Figura 118 vemos como os moradores do bairro do Coque questionam a forma como estão sendo tratados e demandam investimentos para não prejudicar ainda mais as suas vidas com a vinda do mundial ao país, algo que muitas vezes não foi levado em conta pelos organizadores para poder cumprir as metas estabelecidas entre governo e FIFA.

Fonte: Portal popular da Copa (2013)

Outra situação em que vimos tal função se manifestar foi encontrada em nossos achados quando houve a cobrança dos manifestantes por uma postura do governo quanto seu papel balizador entre os interesses mercantis enraizados no mundial e a deterioração da situação social nacional. As demandas por investimentos em setores não relacionados ao mundial se mostram de sobremaneira na Figura 119, onde vemos uma matéria do jornal Zero Hora que mostra a renuncia do direito de sediar o mundial pelo então presidente Fiqueiredo alegando que o país teria que priorizar o investimento de seus recursos em outros setores que não fossem a construção de uma infraestrutura para a realização do megaevento da FIFA. Tal matéria percorreu as redes sociais, demonstrando como os cidadãos brasileiros questionam a utilização dessas verbas em setores apenas relacionados ao mundial.

Figura 119: Figueiredo e a Copa do Mundo

Fonte: Facebook (2014)

Há ainda aqueles manifestantes questionam as condições do Brasil atuar como país- sede priorizando investimentos na Copa do Mundo. O país-sede escolhido pela FIFA é repleto de problemas e com a chegada do megaevento da FIFA, a população saiu às ruas para expor suas demandas por melhorias, estando essas relacionadas diretamente à Copa do Mundo ou não. A verdade é que mesmo as demandas que parecem não se ligar de fato ao mundial,

muitas vezes, acabam sendo relacionadas ao mesmo pelo amplo investimento de verbas públicas feito pelos governos brasileiros em todos os ambitos e com o qual a população se mostrou insatisfeita. Vemos na Figura 120 como o jornalista esportivo Juca Kfouri alerta para como os manifestantes se sentem agredidos e questionam a suntuosidade dos estádios do megaevento, expondo essa insatisfação para com a realização do mundial em seus protestos contra a Copa do Mundo, além de deixar claro o sentimento de que se as demandas da população não forem atendidas, essa voltará às ruas durante a execução do mundial para realizar novos protestos, algo que nossos achados confirmam.

Figura 120: Juca Kfouri alerta para novas manifestações em 2014

Fonte: Publica (2013)

com os investimentos realizados na Copa do Mundo, conforme podemos conferir nas Figuras 121 e 122 onde os indignados com o modelo de organização do megaevento expõem sua insatisfação contra os gastos feitos em prol do mundial. Na Figura 121 vemos o twittaço do termo ‘#naovaitercopa’ marcado para o dia 23 de janeiro de 2014 como forma de chamar a atenção para a insatisfação que os gastos exacerbados com a Copa do Mundo no Brasil foi capaz de gerar, muito em detrimento do fato de os manifestantes perceberem que mesmo com tal orçamento houve uma falta de preocupação com os direitos sociais no país que por parte dos organizadores do megaevento.

Figura 121: Twitaço #naovaitercopa

Fonte: Folha Política (2014)

turistas não venham ao mundial e apresentando uma garrafa de Coca-Cola como uma bomba prestes a explodir na Copa do Mundo no país do futebol. Inferimos aqui que por conta do amplo investimento no mundial e a insatisfação que tais investimentos geraram os manifestantes se organizam para realizar protestos e esperam respostas violentas das autoridades brasileiras que não se mostram dispostas a discutir as demandas dos manifestantes por maiores investimentos em questões sociais.

Figura 122: Molotov-coke, not come to Brazil

Fonte: Facebook (2014)