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PARTE II – PROJETOS DESENVOLVIDOS

2. Radiação solar: efeitos benéficos e prejudiciais

A radiação UV, situada entre os 100 e 400 nm do espetro eletromagnético, é responsável pelo desenvolvimento de inúmeros efeitos biológicos na pele e está subdividida em UVA, UVB e UVC95.

superfície da terra é variável. Deste modo, a intensidade da radiação UV é superior a maiores altitudes e quando existem menos nuvens, assim como em zonas onde a luz solar incide mais diretamente, como acontece a latitudes menores95. É também dependente da estação do ano e da hora do dia96. A radiação UVC é completamente absorvida na camada de ozono, razão pela qual a radiação solar que atinge a superfície da terra, na gama do UV, é predominantemente constituída por UVA (90-95%) e UVB (5-10%)95. As radiações

UVA penetram profundamente na derme onde originam espécies reativas de oxigénio, enquanto que as radiações UVB são praticamente absorvidas na totalidade ao nível da epiderme onde interagem diretamente com o DNA (Anexo 26)95. Deste modo, tanto as radiações UVA como UVB levam ao dano de fibras de colagénio, destruição de vitamina A na pele, aceleração do envelhecimento cutâneo (EC) e aumento do risco de CC, mas as radiações UVA associam-se preferencialmente com envelhecimento e enrugamento cutâneo, enquanto que as radiações UVB estão mais associadas a queimaduras e CC97,98.

Contudo, a exposição à radiação UV através da luz solar não apresenta apenas efeitos prejudiciais. Na verdade, são diversos os seus efeitos benéficos na saúde humana95. De entre todos os benefícios, o mais

conhecido é a síntese de vitamina D desencadeada pela exposição à radiação UVB (Anexo 27)95. O precursor

da vitamina D (7-dihidrocolesterol) existente em vários tipos de células da pele é, pela radiação UVB, convertido em pré vitamina D3, que por sua vez é maioritariamente no fígado convertido a 25-

hidroxivitamina D99. Posteriormente este composto é convertido a calcitriol (1,25-dihidroxivitamina D) no rim, tendo esta hormona um importante efeito na absorção de cálcio e fósforo, e sendo deste modo fundamental para a maioria das funções metabólicas, transmissão neuromuscular e mineralização óssea97,99. Adicionalmente, a exposição solar tem influências positivas no humor e em algumas doenças da pele, nomeadamente psoríase, dermatite atópica e vitiligo98.

2.1 Sinais de risco

As consequências das radiações UV na fisiologia da pele podem ocorrer de forma aguda ou retardada95. Face à exposição solar é desencadeada uma resposta fisiológica na pele que consiste no aumento da espessura da epiderme e na produção de melanina pelos melanócitos97. Esta resposta tem como objetivo

proteger a pele de danos subsequentes98. O principal efeito agudo da radiação UV, além do bronzeamento,

são as queimaduras solares, que resultam de inflamação e por vezes da ativação de vias de apoptose das células da pele e se manifestam por eritema95,98. Estas alterações são temporárias, pois as células da pele

apresentam capacidade de reparação, e na ausência de nova exposição a radiação UV as células voltam ao normal entre 1 a 2 semanas, sendo este processo mais demorado em indivíduos de pele clara e idosos96,98. Por sua vez, os efeitos retardados resultam de uma deterioração gradual da estrutura da pele e ocorrem como resultado de danos cumulativos no DNA originados por exposições recorrentes à radiação UV98. O

fotoenvelhecimento da pele, imunossupressão e lesões melanocíticas e não melanocíticas são exemplos destes efeitos. O fotoenvelhecimento é originado principalmente por radiação UVA, ao contrário das queimaduras solares e do CC, e caracteriza-se por secura da pele, pigmentação irregular, como manchas ou sardas, enrugamento e telangiectasia98. Os CC não melanocíticos têm uma prevalência bastante superior aos

melanocíticos, são, genericamente, de tratamento mais fácil e o seu prognóstico é mais favorável a longo prazo95. O carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular, que ocorrem em queratinócitos na epiderme, são os principais CC não melanocíticos95. Os CC melanocíticos, ou melanoma maligno, ocorrem nos melanócitos da epiderme, são muitas vezes refratários ao tratamento e estão muitas vezes associados a

metastização95. O desenvolvimento de CC é altamente influenciado não apenas pela exposição à radiação UV, mas também pela pigmentação da pele e capacidade de bronzeamento95. A classificação da pigmentação da pele é feita em 6 fototipos, de acordo com características individuais, sendo que quanto maior é o número do fototipo, menor é o risco de desenvolvimento de lesões cutâneas (Anexo 28)95,98. As queimaduras solares

estão associadas a todos os tipos de CC, contudo a exposição crónica ao sol associa-se preferencialmente com lesões não melanocíticas, enquanto que o melanoma maligno está mais associado com exposição intensa a radiação UV durante períodos intermitentes, principalmente na infância100. O farmacêutico assume aqui um

papel fundamental, na medida em que pode explicar os riscos da exposição solar não segura, assim como as atitudes preventivas que devem ser tomadas. O melanoma, assim como as restantes lesões, podem estar presentes em qualquer local da pele e, por isso, deve ser efetuada regularmente uma análise visual, de modo a detetar possíveis sinais de risco. Idealmente o exame deve ser realizado em locais com boa luz e com ampliação para que sejam visualizadas as zonas mais difíceis101. A regra ABCDE é utilizada para distinção

de lesões na pele benignas e malignas, pois as malignas têm uma maior probabilidade de serem Assimétricas, terem Bordos irregulares e pouco definidos, Cor heterogénea, Diâmetro superior a 6mm e Evolução/modificação do tamanho, forma ou cor (Anexo 29)101. Além disso, devem ser também tidos em

consideração sinais de irritação, vermelhidão, sangramento ou dor nas lesões suspeitas101. Todos as lesões suspeitas de malignidade devem ser encaminhadas para o dermatologista, de modo a serem corretamente avaliadas.

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