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O “Projeto de Gestão dos Recursos Ambientais do Baixo Sul” teve seu início no ano de 2000, na vila de Garapuá, quando era intitulado "Projeto de Gestão dos Recursos Ambientais do município de Cairu - Projeto Piloto na vila de Garapuá".

Seus objetivos maiores foram estudar os organismos de maior apelo comercial visando determinar a capacidade de suporte dos ecossistemas explorados, para a s s i m t r a n s f e r i r a s i n f o r m a ç õ e s p a r a a s c o m u n i d a d e s , c o m v i s t a s a o desenvolvimento da gestão ambiental, além de oferecer alternativas de subsistência via projetos de maricultura. Os resultados do projeto piloto em Garapuá incitou a sua expansão pelo Baixo Sul, se estendendo, nesta segunda etapa, à vila do Galeão.

A vila do Galeão está situada na contra-costa da Ilha de Tinharé, fazendo parte do município insular de Cairu, localizado na região do Baixo Sul do estado da Bahia, também chamada de Costa do Dendê. É caracterizada morfologicamente pelo contato do rio com o mar, que dá origem à planície flúvio -marinha abrigando ecossistemas de manguezais, restinga e mata atlântica.

Figura 1 – Mapa (via satélite) de Localização da área do projeto (Fonte: www.google.com/maps)

Tanto Galeão quanto Garapua apresentam condições sociais bastante semelhantes, são sociedades basicamente extrativistas que encontram na natureza o sustento das suas famílias. A população do Galeão está em torno de 1.000 habitantes, e a principal atividade do vilarejo está ligada à pesca e a mariscagem, havendo também uma parcela da economia local dependente do extrativismo da piaçava.

Apesar do vilarejo do Galeão não estar inserido nas principais rotas turísticas do Baixo Sul, foi envolvido indiretamente com o fornecimento de mariscos para os pólos turísticos vizinhos, como Gamboa e Morro de Sã o Paulo, além de estabelecer um comércio com atravessadores de Valença. Hoje, esse comércio com os lugarejos e Valença se encontra bastante diminuído, sobretudo devido ao arrefecimento da pesca local.

A busca das percepções sobre o meio ambiente também foi trabalhada com alguns grupos de crianças e educadores por meio de atividades em educação e interpretação ambiental. Estas atividades trouxeram, além da informação, o

envolvimento e a sensibilização sobre a importância dos recursos ambientais e a gestão deles, enfatizando os objetivos do projeto. É preciso entender o olhar e as relações da população com o meio para assim construir um diálogo em torno da importância da gestão dos recursos ambientais locais.

Da mesma forma, estimular a percepção de certas problemáticas ambientais pela sociedade é um passo para o entendimento dos processos ecológicos e para a sensibilização sobre a necessidade da conservação e gestão dos recursos tão essenciais para sua sobrevivência.

O respaldo teórico deste trabalho está baseado na lógica da vertente sócio- ambiental da Educação Ambiental, na prática educativa dialógica e construtivista e na utilização de metodologias da pesquisa qualitativa em educação, da interpretação ambiental e na criação de outros métodos em educação ambiental, afinados à realidade local.

Amparado pelos preceitos da etnoecologia, os saberes locais foram bastante valorizados e complementaram os saberes adquiridos nas pesquisas do projeto, configurando-se como um processo dialógico de construção do conhecimento. Reigota (2001) coloca que a educação ambiental tem sido realizada a partir da concepção que se tem de meio ambiente, e que pelo caráter difuso e variado sobre as noções de meio ambiente, considera-o como representação social.

Entendemos que o fortalecimento da sociedade virá através da preservação dos patrimônios culturais e dos seus valores morais, passando pela mobilização da sociedade na defesa dos ecossistemas, da qualidade de vida e do uso sustentável dos recursos de que eles dependem e dependerão no futuro (DIEGUES, 2001).

O projeto formou parcerias com duas associações do vilarejo, o Instituto Galeão e a Irmandade São Francisco Xavier. Através da análise das representações sociais e do envolvimento das associações com o projeto, busca-se o estabelecimento de responsabilidade mútua em relação à gestão dos recursos ambientais no vilarejo do Galeão.

A Educação Ambiental vem trazer a aproximação do projeto com a sociedade, buscando a sensibilização e participação dos diversos atores sociais nas discussões sobre as questões ambientais da sua região e o envolvimento na maricultura como alternativa de manejo dos ecossistemas da região. A Educação Ambiental pode ser vista como o elo entre a sociedade e a academia, devendo, constantemente, estabelecer uma relação de troca de conhecimentos. Desta forma, o objetivo principal deste trabalho, consistiu no desenvolvimento de atividades em Educação Ambiental junto à sociedade do Galeão com vistas a consolidar o diálogo entre a mesma e a equipe do projeto, e propiciar o seu envolvimento no processo de planejamento da gestão dos recursos ambientais locais.

Os Métodos

Saber chegar. Esse foi o desafio inicial para a realização de Educação Ambiental em Galeão. A identificação e a construção de vínculos com as pessoas, capazes de mediar encontros, primeiramente através das representações e organizações sociais, acabou por viabilizar o acesso às informações sobre a sociedade. O contato com educadores das Escolas do Galeão e do PETI (Programa de Erradic ação do Trabalho Infantil) foi um dos pontos de partida para a formação de parcerias. Honestidade, compromisso ético e despojamento de vaidades acadêmicas, assim como respeito e valorização do conhecimento e cultura locais foram a contrapartida para alcançar esse acesso às pessoas.

Tomando como princípio os métodos etnológicos, buscamos através da vivência de quase dois anos de trabalho, conhecer e re-conhecer a sociedade, seus valores, traços culturais, sua estrutura e organização, seus problemas e suas necessidades. A partir desta aproximação gradual, obtivemos subsídios para o desenvolvimento do trabalho em EA.

O respaldo prático-teórico deste trabalho está baseado na utilização da metodologia da pesquisa qualitativa em educação, com o registro e anál ise dos relatos e das percepções sobre o meio ambiente por parte de entrevistados e grupos trabalhados. A análise dos relatos e do observado nas vivências do trabalho contém elementos subjetivos, da interpretação dos entrevistados e da auto-interpretação, por

serem expressões que compõem a visão de mundo, ou a própria consciência social - ambiental.

Entender inicialmente a linguagem e observar/identificar os hábitos e as relações Int erpes s oai s e dos i ndiví duos com o mei o t roux e el ucidações s obre as quest õ es investigadas. O conhecimento tradicional sobre a pesca artesanal e o uso dos recursos ambientais para tal prática, assim como as expectativas deles sobre a implantação do projeto (enfocando a maricultura como alternativa) no vilarejo foi investigado através da elaboração de um registro videoetnográfico As

Artes de Pesca do Galeão. Estes saberes locais foram muito valorizados e

complementaram os saberes adquiridos nas pesquisas do projeto.

Através de entrevistas semi-estruturadas, informais, registramos no vídeo um pouco da arte do pescar, do viver, do ver seu ambiente e sua realidade. Saímos com os pescadores para pescar, vivenciamos um pouco do que fazem todos os dias, registramos suas ansiedades em relação às dificuldades do viver, da pescaria, da degradação do ambiente. Foram entrevistados diversos pescadores, marisqueiras, catadoras (mulheres que processam os mariscos pescados), camboeiros (pescadores que utilizam armadilhas chamadas camboas para encurralar e aprisionar o peixe), tiradores de caranguejo, defumadores de camarão e atravessadores.

Durante todo o processo inicial, buscamos deixar sempre claro que a comunidade devia ser co-autora da gestão, fomentando a participação nas discussões e decisões. Desta forma, a elaboração e produção de eventos, dentre outras atividades, que discutiam o projeto e que geraram uma integração e troca de informações entre a sociedade do Galeão e a de Garapuá tornou-se imprescindível para uma positiva implantação e desenvolvimento do trabalho.

Três eventos foram realizados: A Gincana Conhecendo o Galeão - a inserção do projeto na comunidade; Buscando Alternativas: a Maricultura em Discussão - realizado ainda na fase inicial do trabalho; Olimpíada Ecológica Garapuá-Galeão na qual apresentamos os resultados parciais do projeto.

comunidade, participaram cerca de 130 jovens, na faixa etária de 9 a 16 anos, com a idéia central de envolvê-las bem como a toda a comunidade no sentido de valorizar o conhecimento local, suas estórias, lendas, seus locais prediletos, enfim, suas visões sobre o lugar em que vivem. Isso aconteceu através de tarefas da gincana, onde a ludicidade das atividades estimulava a busca pela informação com parentes, vizinhos e amigos.

Com a ajuda das diretoras das escolas de Galeão, foram formadas as equipes, cujos nomes eram nomes das ruas de Galeão. Foi disponibilizado o Colégio Municipal Edvaldo Boa Ventura como quartel general da gincana. Uma professora ajudou na organização dos lanches oferecidos às crianças após a gincana, assim como nas inscrições dos participantes.

O evento Buscando Alternativas: a Maricultura em contemplou a discussão sobre a implantação do projeto no vilarejo e foi produzido em parceria com disciplina Atividades Curriculares em Comunidades -ACC da Universidade Federal da Bahia, quando as seguijnt6es atividades foram realizadas :

-Apresentação de peça de teatro por um grupo de adolescentes do vilarejo, na qual abordou-se a questão da maricultura;

-Oficina "Vivências Integradas com o Meio ambiente" realizada com crianças com idade a partir de 5 anos, onde foi destacada a importância dos recursos naturais para a vida dos seres vivos. Esta oficina ocorreu em duas etapas: na primeira, pela manhã, foi realizado um passeio pelo vilarejo até o seu ponto mais alto (Igreja S. Francisco Xavier) e as crianças foram identificando os recursos naturais que o homem e os outros animais utilizam; na segunda etapa, à tarde, em sala de aula, foram registrados através de desenhos tudo que havia sido vivenciado e discutido durante a manhã;

-Oficina Construindo o Conceito de Meio Ambiente em Sala de Aula, com os educadores locais, onde se trabalhou a concepção de meio ambiente para ser abordada no quotidiano das aulas;

-Exposição de fotografias do Galeão;

-Exposição de modelo de viveiros de cultivo de camarão;

-Visita dos pescadores do Galeão ao cultivo de camarões de Garapua.

-Apresentação e discussão sobre a implantação do Projeto de Gestão dos Recursos Ambientais do Baixo Sul com a sociedade;

-Apresentações culturais locais: grupo folclórico Zabiapunga e baile noturno finalizando o evento.

A necessidade de identificar a concepção de meio ambiente da comunidade e as formas de manejo dos recursos, por elas utilizadas, se tornou imprescindível, tanto para estabelecermos um diálogo horizontal, quanto para que pudessemos propor, de maneira participativa, alternativas de atividades econômicas e/ou manejos adequados à realidade local.

Dando continuidade às oficinas iniciadas no evento "Buscando Alternativas: a maricultura em discussão", as percepções sobre o meio ambiente também foram trabalhadas com alguns grupos de crianças e educadores através de atividades em Educação e Interpretação Ambiental. Entendendo que a escola é a grande enzima da sociedade, geradora de indivíduos eticamente compromissados com sua realidade, e formadora de conhecimento, viemos trabalhando na escola com alunos objetivando investigar a concepção de meio ambiente dos alunos, estimulando suas percepções na busca da construção dos fundamentos da sustentabilidade.

Estas atividades propiciaram, além da informação, o envolvimento e a sensibilização sobre a importância dos recursos ambientais e da gestão destes, enfatizando os objetivos do projeto.

Falar as palavras "recursos ambientais" pela primeira vez com eles foi um tanto interrogativo. Do conceito eles tinham o conhecimento, mas numa linguagem própria. Desta forma, trabalhamos em oficinas iniciais com o objetivo de tratar "o que

são recursos ambientais e qual a importância deles para minha vida?". Tínhamos que tratar destas palavras, pois elas fazem parte do projeto, do nome do projeto. E para compreenderem o projeto, seus objetivos, precisavam entender o nome também. Precisávamos encontrar e estabelecer uma linguagem comum, que nos permitisse 'construir o diálogo'.

Alguns outros conceitos tinham também de ser trabalhados nestes momentos como a necessidade e importância dos recursos ambientais para o homem, a inter- relação dos elementos naturais, a conservação dos recursos naturais, as principais ameaças à preservação, e o conceito de meio ambiente (a partir das percepções deles). Neste ponto cabe uma colocação importante que diz respeito à busca pela desconstrução do 'pré-conceito' de homem X natureza, trabalhado gradualmente durante todo o período do projeto.

A Interpretação Ambiental está baseada na maneira de perceber o mundo e no uso dos sentidos, na motivação para a observação do espaço, no qual o homem está inserido e no enriquecimento das vivências pessoais, através do contato com as paisagens naturais e construídas (DOCES MATAS, 2002). Um aspecto que deve ser ressaltado nesta definição é a importância do contato direto com o recurso que se está interpretando. É através desse contato, que nascem novas experiências, que possibilitarão a (re)significação do ambiente à nossa volta.

Foram realizadas oficinas com crianças, que buscaram através da integração com o meio, a identificação de suas percepções (Figura 1). Similares à oficina re alizada no evento "Buscando Alternativas: a Maricultura em Discussão", outras foram realizadas com grupos escolares, um do PETI e um da Escola Municipal Cairu -Galeão.

Figura 1 - Primeira etapa da oficina com crianças durante o Evento "Buscando Alternativas: A maricultura em discussão". Da esquerda para direita, saída para trilha, parada na praça para conversa e, abaixo, caminho da Igreja São Francisco Xavier.

Basicamente, as oficinas eram divididas em 2 etapas: uma realizada no 'campo', onde saímos da escola passeando pelas ruas da vila, pelo mangue - observando, sentindo (estímulo ao uso de todos os sentidos), e discutindo ao longo do percurso questões sobre recursos ambientais (o que eram para eles, quais recursos naturais eles viam na vila, quais recursos as pessoas da vila utilizavam, etc; estimulando ao máximo que eles contassem histórias do local, relacionados ao tema trabalhado); a outra etapa, final, foi realizada na volta à escola, onde houve a sistematização do que foi colocado durante o passeio, finalizando a discussão. Em muitas oficinas, os participantes registravam o observado, sentido e discutido através de desenhos.

Outra atividade realizada, trabalhando com Educação e Interpretação Ambiental, foi inspirada no livro "Brincando e Aprendendo com a mata - manual de excursões guiadas", adaptadas à realidade sócio-ambiental do local, contando com a participação de estudantes do PETI e da Escola Municipal Cairu-Galeão (7ª e 8ª séries) e de educadores locais,. Para caracterizar a atividade, podemos subdividi-la em 4 etapas: a

2:30h.

Na preparação da atividade, conversamos com os professores separadamente s o b r e o p a p e l d a E d u c a ç ã o A m b i e n t a l n o p r o j e t o e a i m p o r t â n c i a d o desenvolvimento de atividades extracurriculares como esta, se configurando como um acréscimo na formação educacional dos alunos. Elucidamos algumas questões sobre a metodologia proposta pelo livro e sobre as atividades que escolhemos. Houve ainda uma preparação com os alunos, onde tratamos sobre algumas questões relacionadas ao meio ambiente, buscando também colocações iniciais deles para que sentíssemos a linguagem comumente utilizada e o grau de entendimento sobre questões que acabaríamos abordando durante a atividade. A preparação, tanto com professores quanto com alunos, ocorreu no Centro Comunitário do Galeão.

O trajeto do Centro Comunitário até o local previamente escolhido para o desenvolvimento da dinâmica (ruas do Galeão, passando pela Igreja São Francisco Xavier em direção à Pedra do Santo - atravessando a vila, a mata e o mangue), era fundamental para o desenvolvimento da próxima etapa. Pedimos que caminhassem em silêncio, aguçando suas percepções visuais, olfativas e auditivas, bu scando atenção ao meio que os cercava (natural e construído). Fizemos algumas paradas para realizar colocações pertinentes ao que estava sendo visto, ao que era encontrado (efeito-surpresa) e que tinha relação com os temas centrais da atividade (Figura 2).

Figura 2 – Efeito-surpresa durante o trajeto: vida no tronco do dendezeiro

Ao chegarmos a uma bela sombra no meio do caminho (mata de restinga), cada participante recebeu um papel e um hidrocor, no qual, isoladamente, tinham que

descrever ou ilustrar tudo o que percebia à sua volta, e o que tinha percebido durante o trajeto. Animais, plantas, ruídos, texturas, tudo devia ser colocado no mapa de percepções. Após 10min, cada um falou sobre as suas percepções. Discutimos também o que teria ali e que eles não conseguiram visualizar.

Figura 3 – Elaboração e discussão do mapa da percepção.

Continuamos o trajeto até a Pedra do Santo, 'prainha' rodeada de mangue e mata que muitas crianças costumam banhar-se. Fizemos uma pausa para o lanche e para o banho. Enquanto brincavam, com a ajuda dos educadores participantes, escrevemos em 'placas' de cartolina alguns elementos que eles tinham identificado no mapa de

percepções para utilizar na próxima atividade, a teia. Através destas placas com

nomes de alguns animais (inclusive o homem) e plantas locais, e elementos físicos (solo, água, sol), brincamos de teia ecológica.

Cada um escolheu e representou um destes elementos (descrevendo-o) e por meio de um barbante, relacionávamos os elementos uns aos outros até se completar a teia. O último elemento ligado (um de nós) representou sua 'morte', e caindo, todos que seguravam uma ponta do barbante 'sentiu' o desequilíbrio. Denotamos assim a inter- relação entre todos os elementos.

Estes trabalhos de sensibilização e percepção ambiental forneceram subsídios para que pudéssemos tocar em questões mais profundas com alguns grupos de alunos do Galeão, ao menos com os jovens de faixa etária mais avançada. Queríamos estimulá-los a pensar, sobre os possíveis problemas do Galeão, tanto ambientais quanto sociais. Começamos a conversar em sala de aula sobre ecologia, ecossistema e meio ambiente (vale ressaltar que as cadeiras estiveram dispostas em círculo, para que todos pudessem se ver). E tratando de meio ambiente, buscamos estimulá-los a olhar mais profundamente o seu meio.

Começamos a "olhar à nossa volta", olhar a sala de aula, olhar a professora, olhar os colegas. Sair da sala e olhar a escola, olhar a vila, as pessoas por qual passamos, olhar o canal de Taperoá, os pescadores, o mangue, a mata. "Qual a importância disso tudo na minha vida?". Neste passeio, enquanto eles observavam e sentiam o 'espaço', foram relembrados e relacionados os conceitos concebidos em sala de aula.

De volta à escola, o desfecho do encontro, eles colocaram suas impressões sobre o seu meio em papel metro, coletivamente, sob forma de escrita. O que viam de bom e de ruim, tanto no ambiente quanto na sociedade em que vivem. No que consideraram bom, eles deveriam descrever como preservar para que aquilo ficasse ainda melhor; no que identificaram como pontos negativos, apontaram alguma solução para a problemática indicada. Foi lembrado que, em toda indicação, tanto da "preservação do bom" ou "solução para o problema", eles deviam se colocar como agentes do processo. O produto final deste encontro, o painel, ficou exposto no espaço da escola. Esta atividade foi desenvolvida com alunos da 7ª e 8ª série do ensino fundamental.

Ao completar um ano do projeto nas vilas de Galeão e Garapuá, foi realizada a “I Olimpíada Ecológica Garapuá-Galeão”, no dia 07 de fevereiro de 2004. A Olimpíada ocorreu nas vilas de Galeão, Garapuá e Batateira, ambas situadas na Ilha de Tinharé - Município de Cairu/BA. Através deste evento, visamos integrar as sociedades envolvidas com o projeto através do esporte, forte expressão cultural da região, e apresentar os resultados parciais às sociedades nesta segunda etapa do projeto.

A concepção inicial da Olimpíada foi elaborada pela estagiária em EA de Garapuá, em parceria com alguns membros da comunidade de Garapuá. A partir daí, entramos em parceria para finalizar a preparação das atividades da Olimpíada, trazendo para o Galeão a discussão em relação à decisão das provas, e elaborando meios de comunicação para o projeto apresentar os resultados parciais.

A programação da Olimpíada contemplou provas esportivas de diversas modalidades, com a participação de homens e mulheres; exposição dos produtos da Escola de Artesanato de Garapuá; exposição das fotografias da 1ª etapa (Projeto de Gestão dos Recursos Ambientais do Município de Cairu: Projeto Piloto na vila de Garapuá) e da etapa atual (Garapuá e Galeão); avaliação

processual do projeto; almoço de confraternização; e a indispensável Seresta. Estas atividades buscaram o envolvimento efetivo das sociedades no desenvolvimento do projeto, se configurando também como um exercício de fortalecimento do empoderamento local.

Foram no total cerca de 150 participantes, das vilas de Garapuá, Galeão e Batateira. Todos os participantes receberam camisetas que os identificava nas provas. A primeira prova, a maratona - canoagem Galeão-Batateira e corrida Batateira-Garapuá, teve início no Galeão às 5:00h da manhã (devido à maré). A torcida do Galeão foi num barco, acompanhando a equipe de competição até Garapuá. Após a maratona, todo o resto do evento ocorreu na vila de Garapuá. Corrida de 5km, corrida de 100m, futebol e regata, foram as outras provas.