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CAPÍTULO 1 TENDÊNCIAS CURRICULARES E SUAS EPISTEMOLOGIAS

1.1 Abordagens curriculares tradicionais e suas epistemologias

1.1.4 Ralph W Tyler e sua proposta conciliadora

Continuando, vale destacar Ralph W. Tyler, cuja importância começa com a publicação, em 1949, de sua principal obra, Basic principles of curriculum and instruction: onde está exposto o singelo objetivo de Tyler, que foi criar uma abor- dagem que pudesse unir as ideias de Bobbitt e de Dewey, conforme opina Silva, T. (2010, p. 25):

Com o livro de Tyler, os estudos sobre o currículo se tornam decidida- mente estabelecidos em torno da ideia de organização e desenvolvi- mento. Apesar de admitir a filosofia e a sociedade como possíveis fon- tes de objetivos para o currículo, o paradigma formulado por Tyler cen- tra-se em questões de organização e desenvolvimento. Tal como no modelo de Bobbitt, o currículo é, aqui, essencialmente uma questão técnica.

Mas, em Tyler, a capacidade de reproduzir tal “técnica” torna-se mais fácil, graças à inteligibilidade de suas propostas. De certa forma, Tyler (1977) produziu uma obra que auxilia na elaboração de currículos tradicionais, indicando uma sequên- cia clara e objetiva de etapas que devem ser concluídas.

Há, em sua obra, quatro etapas melhor delineadas, que guiariam os in- teressados em reproduzir sua tendência, como afirma Kliebard (2011, p. 24):

Os princípios de Tyler giram em torno de quatro perguntas centrais que Tyler considera devam ser respondidas, para que o processo de elaboração do currículo se desenvolva:

1. Que objetivos educacionais deve a escola procurar atingir? 2. Que experiências educacionais podem ser oferecidas, que possibi- litem a consecução destes objetivos?

3. Como podem estas experiências educacionais ser organizadas de modo eficiente?

4. Como podemos determinar se estes objetivos estão sendo alcança- dos?

Sobre o tema, Silva, T. (2010, p. 25) opina que tais perguntas estão re- lacionadas à “divisão tradicional da atividade educativa”, pois a fase 1 seria relacio- nada ao “currículo”, as fases 2 e 3 ao “ensino e instrução”, e a fase 4 à “avaliação”, ressaltando que, com efeito e em termos restritos, apenas a primeira pergunta diz respeito ao “currículo”, de modo que é, precisamente sobre esta questão que Tyler (1977) dedica a maior parte de seu livro.

Sendo a primeira a única questão dedicada ao currículo, Tyler dedica um capítulo de sua obra para descrever três possíveis “fontes” de onde provieram tais objetivos: são elas, segundo Kliebard (2011, p. 25):

[...] estudos sobre o aluno, estudos sobre a vida contemporânea e sugestões oferecidas pelos especialistas no conteúdo, bem como um relato de como os dados provenientes dessas três fontes

devem ser depurados através dos crivos filosófico e psicológico. (gri- fos meus)

É ainda Silva, T. (2010) quem opina que, ao incluir como fonte o próprio aluno, Tyler (1977) avança em relação a Bobbitt; porém, esta abordagem ainda pode se mostrar muito retrógada, porque é provável que o que for captado do aluno, estaria sujeito ao que os criadores do pertinente documento entenderiam por demandas “re- ais” sobre a vida contemporânea; isto, ainda sem mencionar as supostas prescrições neutras e alienadas dos chamados especialistas.

Silva, T. (2010) opina que, quanto a isto e para Tyler, a maneira de evitar as contradições entre as fontes, seria alinhar todo o material captado e submetê-lo a dois crivos: a filosofia social e educacional, e a psicologia da aprendizagem.

No que se pode afirmar sobre o que viria ser a “filosofia social e educa- cional” indicada por Tyler, Kliebard (2011, p.29-30) assim afirma, criticando:

Tyler está cônscio das limitações da fonte, mas presume que as mes- mas possam ser superadas, primeiro, pelo fato de não nos basearmos exclusivamente em apenas uma delas em certo sentido contando com seu ecletismo para revidar a crítica. Em segundo lugar (e provavel- mente o que é mais importante), ele apela para a filosofia como o meio de compensar quaisquer deficiências. Isso indica ser a filosofia, em última instância, a fonte dos objetivos para Tyler, e que as três fontes mencionadas – “para inglês ver”. [...] mesmo aceitando a ideia de que as pessoas passam pela vida com uma espécie de hierarquia primitiva inconsciente de valores, dizer que os objetivos educacionais, de certa forma, fluem dessa hierarquia de valores equivale, praticamente, a nada dizer. A proposta de Tyler de que os objetivos educacionais se- jam depurados através de um crivo filosófico não é apenas demons- tradamente falsa, mas banal, quase oca. Simplesmente nada traz de significativo ao problema da seleção dos objetivos os que mantemos e os que eliminamos a partir do momento em que nos comprometemos a enunciá-los. Depurar os objetivos educacionais através de um crivo filosófico é simplesmente outra maneira de dizer que somos obrigados a fazer opções entre os milhares ou talvez milhões de objetivos que podem ser derivados das fontes mencionadas por Tyler.

Apesar dos problemas e espaços vazios que a abordagem de Tyler (1977) traz, sua razão oferece não apenas respostas para questões centrais do currí- culo, mas tem a capacidade de fornecer uma ligação mais clara entre currículo e ava- liação, pela qual tornou-se possível adicionar a eficiência na implementação de uma abordagem, através da avaliação do aproveitamento dos alunos.

pensamento comportamental, Tyler traz “nova agenda para a teoria curricular”, funda- mentando-a na “formulação de objetivos” (LOPES; MACEDO, 2011, p.25).

Pode- se ver, novamente aqui, que, por mais que esta tendência tenha atingido seu apogeu nas décadas de 1950 e 1960, estas propostas ainda persistem e resistem a ataques de outras tendências mais atuais, porque ainda preponderam nas construções curriculares, em pleno século XXI.