4.3. O IDE Chinês ao Brasil
4.3.2. Rastreamento do IDE chinês: dados extraoficiais
Se dados oficiais acerca de IDE apresentam relevantes limitações para se compreender o movimento de capitais da China ao Brasil, vários autores e instituições atuam no sentido de rastrear os dados atinentes ao tema por meio de monitoramento de imprensa especializada, consulta a órgãos governamentais e pesquisas junto a empresas partícipes deste movimento. Kupfer & Freitas (2018) fazem parte desta gama de atores interessados em compreender o fenômeno e conduzem um amplo e sólido estudo para, a partir de quatro outras bases de dados consolidadas, construir uma relação própria de operações de IDE que supere os problemas apresentados na seção anterior.
Os esforços do estudo de Kupfer & Freitas (2018) atuaram no sentido de incorporar os trabalhos já realizado pela Red ALC, pelo Conselho Empresarial Brasil- China (CEBC), pela fDi Markets e pela China Global Investment Tracker (CGIT) – instituições que praticam permanentemente o monitoramento do IDE chinês em fontes extraoficiais -, resultando na composição do que eles chamaram de Base GIC, que contempla fluxos de IDE identificados a partir do critério de país controlador final da empresa inversora, abrangendo operações greenfield e Fusões e Aquisições que deem ao comprador poder de voto significativo, correspondente a 10% ou mais do capital social da empresa vendedora. Os autores mencionados também se preocuparam em eliminar as duplicidades encontradas entre as fontes utilizadas e
corrigir eventuais imprecisões, seja em relação à classificação indevida de transações como Investimento Direto Estrangeiro, seja com referência à alocação equivocada de inversões em determinados setores produtivos.
As próximas seções apresentarão o estudo de Kupfer & Freitas (2018) e oferecerão, adicionalmente, a descrição das principais operações identificadas, as quais não foram integralmente publicadas no artigo original dos autores. Posteriormente, intenciona-se incrementar os esforços por eles empreendidos a partir da: 1) incorporação, para o próprio período tratado pela base GIC (de 2010 – 2016), de informações derivadas de uma nova fonte de dados; 2) atualização dos status de operações que, até a data de elaboração do artigo, não haviam sido consideradas como realizadas e que, sob consulta de matérias divulgadas pela imprensa, foram atestadas como efetivamente confirmadas; 3) inclusão, baseada nas quatro bases de dados originalmente utilizadas e naquela incorporada por esta dissertação, de transações de IDE chinês ao Brasil para os anos de 2017 e 2018; e 4) apresentação de um recorte analítico novo, correspondente à distribuição geográfica das inversões.
4.3.2.1. Base GIC
As principais conclusões alcançadas pela Base GIC consistem na avaliação de que o IDE chinês ao Brasil, do ano de 2010 a 2016, direciona-se prioritariamente ao setor industrial, concentra grande parte de seu valor em poucas operações, apresenta-se predominantemente sob a forma de Fusões e Aquisições e tem um perfil horizontal, isto é, de destino a setores em que as empresas chinesas inversoras já atuam (KUPFER & FREITAS, 2018). Segundo os autores, as inversões não geram tantos empregos como se imaginava, o que se dá em função do baixo valor acumulado em operações greenfield. Apesar disso, o valor anual tem se tornado gradativamente mais relevante. Há, no entanto, uma série de detalhamentos que podem ser feitos a partir do estudo.
Do ponto de vista da distribuição setorial, mostra-se que a predominância do IDE à indústria – setor que absorve 94% do valor registrado (Figura 28), equivalente a US$ 41,1 bilhões, e 64% da quantidade de operações, equivalente a 47 transações
– se divide em três principais subsetores: Indústria Extrativa, Indústria de Eletricidade e Gás e Indústria de Transformação.
Fonte: Kupfer & Freitas (2018). Elaboração própria.
A primeira delas sustenta a liderança da recepção de inversões chinesas no início do período estudado, somando, ao longo dos seis anos, 48% do valor total investido (US$ 20,9 bilhões), o qual se apresenta, majoritariamente, sob a forma de grandes operações de Fusão e Aquisição (9 transações, no total) nas atividades de Extração de Petróleo e Gás Natural (37,6% do valor total de IDE chinês ao Brasil no período – ou US$ 16,5 bilhões) e Extração de Minerais Metálicos (10,1% do valor total – ou US$ 4,4 bilhões), especialmente não-ferrosos. Destacam-se, dentre as empresas inversoras, as petrolíferas chinesas – CNPC128, CNOOC129, Sinopec e Sinochem, que
investiram, respectivamente, US$ 1 bilhão, US$ 750 milhões, US$ 11,9 bilhões e US$ 3,1 bilhões -, e as empresas de exploração de minerais - China Molybdenium e China Niobium, que inverteram US$ 1,7 bilhão e US$ 1,95 bilhão, respectivamente (Tabela 9 e 10). A ocorrência de grandes aportes de capital nestes segmentos sinaliza, nas inversões chinesas ao Brasil, um dos traços cruciais do processo de industrialização chinesa discutido nos primeiros três capítulos deste trabalho, qual
128 China National Petroleum Corporation. 129 China National Offshore Oil Corporation.
Serviços 6% Indústrias Extrativas 48% Indústria de Transformação 4% Eletricidade e Gás 42% Indústria 94%
Gráfico 28 - Distribuição setorial de fluxos de IDE Chinês ao Brasil
De 2010 e 2016, de acordo com base GIC
seja a histórica dependência por matérias primas e recursos energéticos que, à semelhança do suprimento alimentar, abordado com mais frequência até aqui, têm grande capacidade de impor gargalos ao desenvolvimento da estrutura produtiva chinesa. Com uma grande desproporção entre o tamanho da população e a disponibilidade de recursos naturais e para geração de energia, o país asiático parece ter eleito o Brasil como uma das fontes capazes de lhe fornecer matérias primas que permitam sustentar o dinamismo industrial, em especial, dos segmentos da Indústria pesada. Assegurar controle sobre a exploração de tais recursos é, por seu lado, uma forma de mitigar riscos associados aos seus preços e a eventuais bloqueios e restrições comerciais que possam impedir o acesso a eles.
Tabela 9 - Operações de IDE chinês ao Brasil, setor de Extração de Petróleo e Gás Natural, registradas pela Base GIC, de 2010 a 2016
Fonte: Valores retirados da Base GIC, em Kupfer & Freitas (2018).
Tabela 10 - Operações de IDE chinês ao Brasil, setor de Extração de Minerais Metálicos, registradas pela Base GIC, de 2010 a 2016
Fonte: Valores retirados da Base GIC, em Kupfer & Freitas (2018).
Empresa Chinesa Operação Valor (US$ mi) Descrição
Sinochem F&A 3.070 Compra de 40% do campo de petróleo de Peregrino, na Bacia de Campos
CNPC Joint-Venture 750 Aquisição do direito de exploração da campo de petróleo de Libra, na Bacia de Santos, em consórcio com CNOOC, Petrobrás e Total. CNOOC Joint-Venture 750 Aquisição do direito de exploração da campo de petróleo de Libra, na Bacia de Santos, em consórcio com CNPC, Petrobrás e Total. Sinopec Group F&A 7.100 Compra de 40% da subsidiária brasileira da Repsol à Sinopec
Sinopec Group F&A 4.800 Compra de 30% da Petrogal Brasil, do grupo Galp, pela Sinopec
Extração de Petróleo e Gás Natural
Empresa Chinesa Operação Valor (US$ mi) Descrição
China Niobium Investment
Holdings F&A 1.950,00
Aquisição da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, pelo consórcio China Niobium Investment Holding Co, formado pelas empresas Taiyuan Iron and Steel, CITIC Group e Baoshan Iron and Steel (Baosteel).
China Molybdenum F&A 1.700,00 Aquisição das operações da empresa britânica Anglo American, de nióbio e fosfato. Wisco F&A 400,00 Aquisição de 21,5% da MMX pela siderúrgica Wisco (Wuhan Iron and Steel Co.).
Honbridge Holdings F&A 390,00
Compra de projeto integrado, que contempla implantação de uma mina no município de Grão Mogol-BA, usina de beneficiamento de minério, mineroduto de 500 quilômetros e instalação portuária em Ilhéus-BA. A vendedora é a Sul Americana Metais. A empresa chinesa fará os investimentos necessários para desenvolvimento e implantação e a Votorantim ficará responsável pela gestão operacional do projeto. O controle acionário da Sul Americana passará à Honbridge durante a construção.
O subsetor de Indústria de Eletricidade e Gás, por sua vez, concentra, ao total, 42% do IDE chinês identificado (US$ 18,2 bilhões), em apenas 14 transações. Dentro deste subsetor, preponderam as atividades de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica, que somam US$ 18,2 bilhões de IDE em projetos da China Three Gorges (CTG) (US$ 6,5 bilhões) e da State Grid (US$ 11,7 bilhões), conforme indica a Tabela 11. Neste subsetor, também predominam as operações de Fusão & Aquisição, que somam quase US$ 14,2 bilhões, contra apenas US$ 2,2 bilhões em operações greenfield e US$ 1,8 bilhão em joint ventures, para aquisição de lotes em leilões.
Aqui, intui-se que o interesse chinês possa estar voltado para ganhos associados ao potencial energético hidrelétrico – mas também eólico - brasileiro, o que compreende operações no âmbito da estratégia de expansão das duas empresas envolvidas. Não se descarta a hipótese, no entanto, de que o alto valor de investimentos também seja parte de uma estratégia de controle de fontes energéticas de âmbito mundial, que conceda à China uma posição privilegiada no que tange a disputas geopolíticas, sob o entendimento da importância de recursos desta natureza – e do poder de barganha decorrente de seu comando – para os processos de desenvolvimento econômico. Vale recordar a histórica preocupação do país asiático em assegurar plenas condições para a transformação de sua estrutura produtiva, tratando a questão energética como elemento de grande centralidade, desde os primeiros esforços industrializantes do período maoísta, quando o I Plano Quinquenal trouxe uma série de investimentos no setor, até os anos mais recentes, que, frutos de um processo de adensamento produtivo e alargamento e transformação da indústria – antes concentrada na produção de bens leves e, depois, de bens mais complexos – é próprio das necessidades de consumo de uma enorme população aglomerada em enormes cidades.
Tabela 11 - Descrição das operações de IDE chinês ao Brasil, setor de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica, registradas pela Base GIC, de 2010 a 2016
Fonte: Valores retirados da Base GIC, em Kupfer & Freitas (2018).
A Indústria de Transformação absorveu uma parte reduzida do IDE destinado à indústria, com apenas 5% do valor deste setor ou 4% do valor dos investimentos totais (US$ 1,9 bilhão), os quais se distribuíram em 24 transações de menor montante. As inversões se repartiram em seis divisões da classificação CNAE – Fabricação de Produtos Químicos; Fabricação de Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos; Fabricação de Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos; Fabricação de Máquinas e Equipamentos; Fabricação de Veículos Automotores, Reboques e Carrocerias; e Fabricação de Outros Equipamentos de Transporte, exceto Veículos Automotores. Três destas divisões, as quais acumularam US$ 1,4 bilhão, chamam a atenção por consistirem em segmentos que protagonizaram o ganho de complexidade da indústria chinesa, tratada no Capítulo III deste trabalho. São eles: fabricação de equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos, fabricação de máquinas e equipamentos e fabricação de equipamentos de transporte. Se a estratégia chinesa passou por migrar sua estrutura produtiva para atividades mais complexas, com maior intensidade tecnológica e valor agregado, reduzindo, com a produção de bens de capital, seja equipamentos de transporte, seja máquinas, em geral, sua dependência por importações, os reflexos do sucesso deste caminho apresentam-se na forma de parte dos investimentos para a economia brasileira, os quais foram proporcionados pela emergência de conglomerados capazes de investir internacionalmente nestes grupos de atividade.
Empresa Chinesa Operação Valor (US$ mi) Descrição
State Grid F&A 1.720,00Compra de sete transmissoras de energia controladas pela Plena Transmissoras
State Grid F&A 942,00Aquisição de sete linhas de transmissão da espanhola ACS
State Grid Joint-Venture 750,00Construção e operação conjunta com a empresa Copel do sistema de transmissão que irá conectar as usinas hidrelétricas do rio Teles Pires ao sistema elétrico nacional
China Three Gorges F&A 187,00
China Three Gorges F&A 383,00
China Three Gorges F&A 116,00
China Three Gorges F&A 521,00Aquisição de 100% da Triunfo Negócios de Energia, o que inclui as usinas de Salto e de Garibaldi.
China Three Gorges F&A 1.200,00Aquisição de 99,06% do capital da Duke Energy e de sua subsidiária no Brasil
China Three Gorges F&A 4.132,00Aquisição de direito de operação das hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira
State Grid Joint-Venture 1.064,00Aquisição de direito de construção da linha de transmissão a partir da Usina de Belo Monte (a State Grid representa 51% do consórcio ganhador)
State Grid F&A 4.077,00Aquisição de 54,64% das ações da CPFL Energia
State Grid F&A 910,00Aquisição de 99,94% das ações da CPFL Renováveis*
State Grid Greenfield 102,00não identificado na imprensa
State Grid Greenfield 2.096,00não identificado na imprensa
* Esta operação foi alvo de embróglio jurídico e teve seu valor corrigido em 2018, após contestação dos acionistas minoritários sobre o valor original de venda Eletricidade, Gás e outras utilidades
Aquisição, junto à EDP, de 49% de 11 parques eólicos, de 50% das Hidrelétricas de Santo Antônio do Jari e de Cachoeira Caldeirão e de 33% da Empresa de Energia São Manuel, que detém direito de construção da hidrelétrica de São Manuel.
Tais operações podem ser vistas como tentativas de aproveitar o extenso mercado de consumo brasileiro e latino-americano, em geral, nos quais a inserção de montadoras chinesas, para o setor automotivo, por exemplo, ainda é incipiente, e instalar estruturas de oferta mais próximas às fontes de matéria prima, as quais são normalmente transportadas como importações ao território chinês.
Ao contrário das outras seções industriais já apresentadas, na Indústria de Transformação predominou a criação de nova capacidade produtiva, que somou US$ 1,5 bilhão. Tal modo de entrada sugere potenciais de criação de emprego e de estímulo ao desempenho da economia. As Fusões e Aquisições totalizaram apenas US$ 227 milhões, e mais uma operação de valor não informado, realizada pelo Tide Group, em aquisição da Prentiss Química. O estudo de Kupfer & Freitas (2018) classifica outras 8 operações apenas como joint ventures, as quais somam US$ 213 milhões. Dentre elas, estão planos para criação de nova capacidade produtiva, mas também aquisições acionárias. Destacam-se, na Indústria de Transformação, as operações relacionadas à fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, que consistiram em investimentos da ordem de US$ 876 milhões, dos quais apenas US$ 57 milhões, concentrados em uma operação, não corresponderam à criação de nova capacidade produtiva. Apesar do perfil que sugere um interessante cenário à economia brasileira, superando os investimentos que representam apenas troca de controlador dos negócios, os valores tanto da Indústria de Transformação, como um todo, como de sua principal divisão – a fabricação de veículos automotores – mostram-se bem inferiores àqueles observados nas indústrias extrativa e de eletricidade e gás, pelo menos durante o período analisado. Em termos de transações individuais, a Chery Automobile foi responsável pela principal inversão, no valor de US$ 400 milhões, quando da instalação de uma fábrica de automóveis em Jacareí, que representou sua entrada no mercado brasileiro. Outras transações de maior valor são apresentadas na Tabela 12.
Tabela 52 - Descrição das operações de IDE chinês ao Brasil, setor de Indústria de Transformação, registradas pela Base GIC, de 2010 a 2016
Fonte: Valores retirados da Base GIC, em Kupfer & Freitas (2018).
Ao lado da Indústria, o outro setor que recebeu aporte de capitais chineses foi o de Serviços, que somou US$ 2,8 bilhões em investimentos, ou 6% do total. As transações caracterizaram-se por inversões de baixo montante – US$ 102 milhões em média –, superior apenas àquelas recebidas pela Indústria de Transformação. Quanto à natureza dos negócios, pode-se perceber dois padrões distintos. Um conjunto de 15 operações de criação de nova capacidade produtiva foi anunciado com pequenos valores invertidos, que variaram entre US$ 1 milhão e US$ 100 milhões. Deste total, 13 somavam apenas US$ 58 milhões, acrescidos de outros dois, de US$ 60 milhões e US$ 100 milhões. Outro conjunto foi marcado por um número inferior de transações de Fusão & Aquisição – 13 operações com alto valor unitário, das quais as três maiores somavam US$ 1,7 bilhão e as sete maiores somavam US$ 2,4 bilhões. Duas operações de F&A não tiveram o valor identificado.
Dentre as divisões receptoras do IDE, tem-se uma grande diversificação, com destaque para Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços Relacionados, com seis operações – das quais, cinco Fusões e Aquisições - de valor médio intermediário (alto, para o setor de Serviços, mas não tão alto em relação às inversões na Indústria Extrativa), e para Transporte, Armazenagem e Correio, que concentrou apenas 3 operações de valor também intermediário (duas Fusões & Aquisições de maior montante e uma operação greenfield de menor montante). As Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços Relacionados somaram US$ 1,5 bilhão, enquanto Transporte, Armazenagem e Correio somaram US$ 905 milhões. Além dessas divisões, Comércio, Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas; Informação e Comunicação; e Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas também registraram
Empresa Chinesa Operação Valor (US$ mi) Descrição
Chery Automobile Greenfield 400,00 Construção de fábrica em Jacareí para entrada no mercado brasileiro BBCA Group Greenfield 320,00 Fábrica para processamento de milho em MS
Shaanxi Automobile Group (SAG) Greenfield 200,00 Fábrica para produção de caminhões em Tatuí-SP
XCMG Construction Machinery Greenfield 200,00 Fábrica em Pouso Alegre-MG para fabricação de máquinas de construção
Lenovo F&A 150,00 Compra de 100% da empresa CCE. O negócio foi desfeito, sem qualquer devolução de valores financeiros, em 2015. Beiqi Foton Motors Greenfield 116,00 Fábrica de Caminhões em Guaíba
BYD Greenfield 85,00 Fabricação de ônibus elétricos em Campinas-SP
Mídea Group F&A / Joint Venture 73,00 Formação de Joint-Venture, junto à Carrier, para fabricação de equipamentos de ar- condicionado
Shineray Greenfield 65,00 Fabricação de motocicletas em Cabo de Santo Agostinho-PE Zotye F&A 57,00 Aquisição da empresa TAC Motors
BYD Greenfield 45,00 Fábrica de painéis solares em Campinas-SP
inversões diretas chinesas, somando um total de US$ 387 milhões, dos quais US$ 300 milhões foram Fusões & Aquisições, concentradas em apenas 2 operações. A Tabela 13 mostra os principais investimentos, pelo critério de valor, para as modalidades de Fusão & Aquisição e greenfield:
Tabela 13 - Descrição das operações de IDE chinês ao Brasil, setor de Serviços, registradas pela Base GIC, de 2010 a 2016
Fonte: Valores retirados da Base GIC, em Kupfer & Freitas (2018).
A agropecuária, segundo Kupfer & Freitas (2018) não concretizou recepção de investimentos chineses no período de 2010 a 2016, embora tentativas tenham sido empenhadas por empresas chinesas, as quais foram frustradas em função de restrições legais para a compra de terras por estrangeiros no Brasil, que vigoraram no país a partir do final da década de 2000 e início da década seguinte. A atualização dos dados para 2017 e 2018 voltará a discutir este setor.
O universo de 74 operações de IDE chinesas para o Brasil identificadas pelo estudo de Kupfer & Freitas e registradas em sua base de dados – GIC – soma um total de US$ 43,9 bilhões investidos, desconsiderando quatro transações que não tiveram os valores publicados. Tal conjunto pode ser analisado setorialmente, como se fez na seção anterior, mas também por outras perspectivas, a saber, por sua distribuição temporal, sua quantidade de transações ou empresas inversoras, seu valor médio por operação, a natureza de sua entrada – greenfield ou F&A – e sua alocação regional.
Vale o comentário de que a investigação de Kupfer & Freitas (2018) listou, inicialmente, um total de 145 operações, das quais 23, num valor total de US$ 4,8 bilhões, foram identificadas como não realizadas; 29 (US$ 8,4 bilhões) como apenas anunciadas; e 19 (US$ 1,5 bilhões) como desprovidas de informações suficientes para Serviços
Empresa Chinesa Operação Valor (US$ mi) Descrição
China Construction Bank F&A 810,00 Compra de 72% do BicBanco
HNA Group F&A 450,00 Compra de 23,7% da Azul Linhas Aéreas
China Investment Corporation (CIC) F&A 441,00
Venda da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), da Petrobras para a Brookfield Infrastructure Partners (BIP) - consórcio do qual faz parte a British Columbia Investment Management Corporation, a GIC Private Limited e a CIC Capital Corporation, chinesa.
Hunan Dakang Pasture Farming F&A 200,00 Compra de 57% da Fiagril Ltda, de MT
China Investment Corporation (CIC) F&A 200,00 Compra de 18,6% do BTG Pactual por consórcio internacional, do qual faz parte a CIC China Investment Corporation (CIC) F&A 183,00 Compra de Portfólio da Hemisfério Sul Investimentos, empresa de ativos de logística, por Consórcio Internacional do qual faz parte a CIC