1. CONSIDERAÇÕES SOBRE A RAZÃO DE ESTADO
1.4. Razão de Estado na Idade Moderna
Como foi assinalado, o termo razão de Estado nasce no Renascimento tardio como uma técnica de conquistar e conservar o Estado. No período Moderno, a instância de racionalização da política “risponde al consolidarsi degli stati territoriali moderni e all’indebolirsi progressivo dei piccoli stati regionali” (ARIENZO, 2021, p. 68).
Desenvolveremos nesse tópico a relação da razão de Estado como paradigma conservativo de poder e política na Modernidade para melhor explicitarmos a sua relação posterior com as políticas antiterror dos Estados contemporâneos depois dos eventos de 11/09 no âmbito do Estado democrático de direito. A distinção entre uma boa e uma má razão de Estado se faz necessária também para melhor compreender o efetivo significado desse conceito em análise.
Meinecke aponta que a razão de Estado nos séculos XVIII e XIX foi uma derivação dos debates sobre a boa e a má razão de Estado referentes à tradição maquiaveliana dos séculos XVI e XVII. Assim, a interpretação da política como poder é primordial para se pensar a relação da razão de Estado e o poder. Vimos que o filósofo e historiador alemão considerava Maquiavel como o inventor da razão de Estado – não o inventor do termo, mas, seguramente, dos seus fundamentos teóricos. Segundo a análise do professor e pensador político português, António Bento, o primeiro nome para o conceito de razão de Estado foi o “maquiavelismo”. Ele avalia que a própria locução
59
“razão de Estado maquiavélica”, denominda assim pelos literatos do movimento da contra-reforma só foi “compreensível porque subentende o ‘maquiavelismo’ como sinónimo de ‘má’ razão de Estado”.60 António Bento, sobre essa dicotomia do referido conceito entre boa (divina) e má (diabólica), assegura que durante a Contra-reforma o termo razão de Estado se decompôs “em ‘má’ ou ‘falsa’ razão de Estado (aquela que os seus adversários respigam dos textos de Maquiavel ou de um ‘maquiavelismo’ que atribuem a Maquiavel) e ‘boa’ ou ‘verdadeira’ razão de Estado (a propugnada pelos inimigos de Maquiavel, sejam estes huguenotes franceses, católicos italianos, espanhóis ou portugueses)” (BENTO, 2022, p. 93).
Então, compreender a razão de Estado no percurso da Modernidade é compreender a relação desse conceito com a conservação política. Nesse sentido, o conceito opera uma dualidade no que concerne à segurança. Citemos uma passagem do artigo do professor italiano e pesquisador Alessandro Arienzo para esclarecer melhor essa dualidade:
A primeira, que podemos descrever como ‘segurança – auto-conservação’, exprime a reflexão mais comum sobre a defesa do estado e dos seus interesses vitais, a defesa da nação e da ordem política do inimigo externo e interno. A segunda, ao invés, pode ser definida como ‘segurança-desenvolvimento’, e diz respeito à intervenção sobre as populações e sobre os indivíduos, sobre as suas potencialidades produtivas e auto-reprodutivas, como caução daquelas políticas que podem garantir o reforço do poder do estado, mas também daquelas dinâmicas de mudança e de obediência que regem os processos correntes do governo.61
Importante dizer que o conceito de razão de Estado não é o imperativo em nome do qual se podem e se devem subverter todas as regras. Para Gianfranco Borrelli, “trata-se, antes, de uma nova arte racional do governo; [...] é, em primeiro lugar, o exercício da razão como meio de conhecimento e vontade de orientação nas coisas que dizem respeito de modo exclusivo ao Estado entendido como domínio sobre um âmbito territorial, jurisdição, condições de vida dos indivíduos e dos corpos”.62
60 BENTO, António. Espinosa e o Estado dos Hebreus. Lisboa: DOCUMENTA, 2022, p. 93.
61 ARIENZO, Alessandro. Razão de Estado constitucional e democracia de emergência: os percursos da conservação contemporânea. In: BENTO, António [org.]. Razão de Estado e Democracia. Coimbra:
Edições Almedina, 2012, p. 261.
62 BORRELLI, Gianfranco. Razão de Estado, gouvernementalité, governance: Percursos da razão política ocidental na época moderna e contemporânea. In: BENTO, António [org.]. Razão de Estado e Democracia. Ed. cit., p. 279.
60
Quando os pensadores da razão de Estado manifestavam suas ideias sobre esse conceito, certamente eles sabiam que estavam questionando a relação entre moralidade e política; sem falar da conexão/relação existente também entre política e direito – relação que irá culminar nas democracias emergenciais no século XXI com medidas extrajurídicas para salvaguardar a dita segurança (aparato conservativo) estatal. De acordo com Gianfranco Borrelli, ao se falar de um paradigma político conservativo do Estado na Modernidade, “esistono quindi diverse ragioni degli Stati rispondenti ai differenti contributi degli autori che progettano modalità particolari di produzioni di obbedienza”.63
Dentre as diversas contribuições sobre o conceito por parte de pensadores da Modernidade, o intuito de fazer preservar o Estado forte e robusto consiste na ideia de organização terroritorial por meio de uma política organizacional competente. Parte significativa das interpretações sobre a razão de Estado nos séculos XIX e XX deriva das interpretações da tradição maquiaveliana dos séculos XVI e XVII, como bem aponta Meinecke em seu ilustre livro (MEINECKE, 1997, p. 351-446).
Nessa mesma linha de Meinecke sobre as interpretações a respeito da má e da boa razão de Estado ao término do período moderno, temos as análises do pesquisador e professor de Filosofia Política da Universidade Nova de Lisboa, Diogo Pires Aurélio. Ele salienta que a má razão de Estado, considerada a “razão do inferno”, pode ser usada pelos governantes para alcançar os fins políticos ao invés da boa e “verdadeira razão de Estado”, que poderia impor limites ao “ilimitado horizonte que a primeira tolera na atuação de quem detém o poder”.64 Mas isso não significa que a má razão de Estado seja, efetivamente, a boa razão de Estado a ser utilizada. Para corroborar sua afirmação, ele cita Giovanni Botero: “não é razoável tolerar que os governantes decidam e atuem contra os princípios universais da razão”, muito embora a pergunta que se deve fazer seja, segundo o professor português: “Onde se situam os limites e os princípios da razão em matéria política?” Ele pondera:
Reside aqui o calcanhar de Aquiles dos teóricos que se reclamam da verdadeira razão de Estado: todos eles argumentam contra a alegada vaga de maquiavelismo que estaria a alastrar, mas, ao mesmo tempo, todos eles permanecem mais ou menos suspeitos de não
63 BORELLI, Gianfranco. La ragion di Stato come paradigma della conservazione politica. Nozioni critiche e ipotesi di ricerca. In: BALDINI, Artemio Enzo [org.]. La Ragion di Stato dopo Meinecke e Croce – Dibattito su recenti pubblicazioni. Genova: Name, 1999, p. 173.
64 AURÉLIO, Diogo Pires. Maquiavel & Herdeiros. Lisboa: Temas e Debates, 2012, p. 121.
61 se distanciarem dela o bastante, por mais veemente e fervorosa que seja a retórica utilizada.
O discurso desta razão de Estado, que se procura distanciar daquela outra a que a designação é vulgarmente aplicada, apresenta-se com um libelo contra a ideia de que os governos possam alguma vez considerar-se dispensados imperativos éticos, os quais, ainda antes de se imporem por motivos de ordem religiosa, se impõem por simples consideração antropológica. (AURÉLIO, 2012, p. 121-122).65
Percebe-se, então, que a doutrina maquiaveliana ainda é demasiadamente forte e usada pelo governante para fazer política. Essa antinomia da razão de Estado possibilita, de forma efetiva, “a autonomia do político”, que tem como arcabouço um “novo conceito de soberania” que possa assegurar o poder e a riqueza do Estado (AURÉLIO, 2012, p.
123).
Para Diogo Aurélio, o pensador político florentino muito antes percebeu que é possível agir contra a fortuna, fazer o próprio destino, “domar o acaso, regular a natureza em vez de ficar por inteiro submetido à sua ordem imprevisível e aos seus alegadamente insondáveis desígnios” (AURÉLIO, 2012, p. 127). Desse modo, utilizar certos preceitos da má razão de Estado em nome da sua grandeza e conservação é, necessariamente, não somente válido como eficaz; e isso, para Maquiavel, dentro de sua concepção real pragmática de política em nome da razão de Estado, é prevalecer a verdadeira arte política do comandante, isto é, a capacidade de virtù que o comandante-chefe da esfera estatal deve possuir para bem conduzir os assuntos referentes ao domínio político. E, nesse sentido, a política não é um prologamento da ética cristã, vale ressaltar.
Como vimos, Maquiavel introduz uma nova forma de se pensar a política:
desvinculada dos preceitos éticos/morais cristãos. O bom governante, para a doutrina católica e, por assim dizer, a boa razão de Estado para alguns teóricos, como bem aponta Diogo Aurélio, implica em: “o bom príncipe não rouba, não mente, não leva o seu povo para a guerra movido pelo interesse, a cobiça ou a vingança; pelo contrário, é corajoso, amado pelos seus e fiel à palavra dada seja a quem for” (AURÉLIO, 2012, p. 128). É justamente com isso que os autênticos teóricos da razão de Estado não compactuam em
65 Sobre a má e a boa razão de Estado, Diogo Aurélio, no capítulo V de seu livro, afiança que o debate sobre essas duas categorias podem ser elucidadas por duas facções: a que, inspirando-se em Maquiavel,
“reclamaria para o Estado uma lógica própria, autónoma face à moral, e para o soberano uma independência face à lei – a má razão de Estado, ou a razão de inferno, como também é chamada; e uma outra fação que pretenderia o retorno ao pensamento medieval, onde o rei se distingue do tirano exatamente porque se subordina, ao contrário deste, à moral, às leis e ao interesse comum” (AURÉLIO, 2012, p. 202).
62
nome do engrandecimento e da manutenção do Estado: a ação ética-moral-religiosa do governante não garante a proteção do bem comum.
Numa verdadeira razão de Estado, como apontou Giovanni Botero de forma a querer revalidar ou reinterpretar tal conceito, como vimos, aplica-se tudo que envolve a criação, conservação e expansão do poder político (domínio) sobre os indivíduos.66 Nas palavras de Botero, “più di quelle cose che non si possono ridurre a ragione ordinaria e commune” (BOTERO, 1997, p. 232). As assertivas do bibliotecário piemontês, que o povo julga como maléficas (como, por exemplo, guerra, mentira, violência, simulação, segredo) podem ser usadas no âmbito político como uma reivindicação da razão soberana.
Diogo Aurélio, em relação ao que o vulgo rotula de mal, irá apontar que boa parte da
literatura tradicionalmente catalogada como da razão de Estado resume-se a uma reconhecimento desta espécie de prega no tecido da racionalidade, ao abrigo da qual seria permitido, se necessário, decidir ao arrepio da razão comum, sem franquear os limites da verdadeira razão. Daí que essa mesma literatura abomine o maquiavelismo e se recuse, por vezes desesperadamente, a prescindir da distinção entre o bom governante e o tirano”
(AURÉLIO, 2012, p. 135).
Dessa maneira, a consolidação do Estado moderno passa por uma política que não se esgota no simples interesse do governante, quer dizer, a razão de Estado não é puramente uma razão de interesse. Nesse sentido, os pensadores da razão de Estado consideram que o próprio Estado, segundo Diogo Aurélio, enquanto entidade pessoal,
“será portador de uma autoridade e de um interesse próprio; enquanto entidade abstrata, o seu interesse transcenderá tudo e todos” (AURÉLIO, 2012, p.136). Assim, a ação do governante só se justificará se estiver em consonância com os interesses do Estado e tudo o que for feito no interesse do Estado estará em conformidade com a razão.
Certamente que muitos outros escritores italianos do início da Modernidade contribuíram muito para a exposição e o esclarecimento do que vem a ser o conceito de
66 Vale lembrar que no apêndice da obra Il Principe, Maquiavel já havia dito que o seu livro seria um manual para conquistar, manter e expandir o poder político. Tal apêndice refere-se à carta enviada a Francesco Vettori em 10 de Dezembro de 1513, na qual Maquiavel aponta ter escrito, em suas horas livres das moléstias da existência humana e das conversações com os grandes pensadores do passado, um opúsculo sobre os principados. Escreve o seguinte: “E perchè Dante dice che non fa scienza senza lo ritenere lo avere inteso, io ho notato quello di che per la loro conversazione ho fatto capitale, e composto uno opuscolo De principatibus, dove io mi profondo quanto io posso nelle cogitazioni di questo subbietto, disputando che cosa è principato, di quale spezie sono, como e’ si acquistono, como e’ si mantegono, perché e’ si perdono (MACHIAVELLI, 1971, p. 23). Com isso, Botero está a reinterpretar o que o pensador florentino já tinha teorizado sobre a razão de Estado em seu opúsculo.
63
razão de Estado. Dentre esses, tendo como referência e também a negação do pensamento político maquiaveliano, podemos destacar os seguintes autores e livros: Federico Bonaventura - Della Ragion di Stato et della prudenza politica (1623); Traiano Boccalini – Ragguagli di Parnaso (1612); Girolamo Frachetta – L’idea del libro de’ governi di Stato et di Guerra (1592) e Il Prencipe (1597); Scipione Ammirato – Discorsi sopra Cornelio Tacito (1594); Giovanni Antonio Palazzo – Discorsi del governo e della ragion vera di Stato (1606); Ottavio Sammarco – Delle mutatione de’ regni (1628); Lodovico Zuccolo – Considerazione Politiche e Morali (1621); Scipione Chiaramonti – Della Ragione di Stato (1635); Lodovico Settala – Della Ragion di Stato libri sette (1627) e, por último, Virgilio Malvezzi – Discorsi sopra Cornelio Tacito (1622) e Il ritratto del privato politico christiano (1635).67
Quando se trata das questões que envolvem o Estado, conceitos como guerra, necessidade, segurança e política estão concatenados; e tal concatenação envolve, diretamente, o pensamento político de Maquiavel, conhecido como maquiavelismo.
Muitos desses autores sobre a razão de Estado citados veem em Maquiavel um adversário
67 A respeito dos comentários de grande contribuição para se pensar esse conceito e suas derivações na Modernidade a partir das obras desses vários pensadores, ver os seguintes trabalhos: ARIENZO, 2021, p.
67-89; ALBUQUERQUE, Martin de. Razão de Estado e segredo “versus” democracia e publicidade? In:
BENTO, António [org.]. Razão de Estado e Democracia. Coimbra: Edições Almedina, 2012, p. 177-198;
MEINECKE, 1997, p. 67-148; SEBASTIANELLI, Pietro & ARIENZO, Alessandro. Lo “Stato” della Ragion di Stato e la Modernità Politica. In: CAPPELLI, Guido [org.]. Al di là del Repubblicanesimo – Modernità politica e origini dello Stato. Napoli: UniorPress, 2020, p. 295-315; VIROLI, Maurizio. Il significato storico della nascita del concetto di ragion di Stato. In: BALDINI, A. Enzo [org.].
Aristotelismo Politico e Ragion di Stato – Atti del convegno internazionale di Torino 11-13 febbraio 1993.
Firenze: Leo S. Olschki Editore, 1995, p. 67-81; BORRELLI, Gianfranco. Aristotelismo Politico e Ragion di Stato in Italia. In: BALDINI, A. Enzo [org.]. Aristotelismo Politico e Ragion di Stato – Atti del convegno internazionale di Torino 11-13 febbraio 1993. Firenze: Leo S. Olschki Editore, 1995, p. 181-199; SENELLART, Michel. Arcana imperii et coups d’Etat: la critique de Clapmar par Naudé. Sur la relation de Vittorio Dini. In: BALDINI, A. Enzo [org.]. Aristotelismo Politico e Ragion di Stato – Atti del convegno internazionale di Torino 11-13 febbraio 1993. Firenze: Leo S. Olschki Editore, 1995, p.
401-406; DAMELE, Giovanni. Razão de Estado. In: Dicionário de Filosofia Moral e Política - 2.ª série, coord. António Marques e André Santos Campos. Lisboa: Instituto de Filosofia da Nova, 2021.
Disponível em: <https://www.dicionariofmp-ifilnova.pt/razao-de-estado/>; PISSAVINO, Paolo. Botero e Zuccolo: un rafronto metodologico. In: BALDINI, Enzo [org.]. Botero e la ‘Ragion di Stato’. Firenze:
Leo S. Olschki Editore, 1992, p. 319-332; HANSEN, João Adolfo. Razão de Estado. In: Revista Artepensamento: ensaios filosóficos e políticos – 1996. Disponível em:
<https://artepensamento.ims.com.br/item/razao-de-estado/>, último acesso em: 02/04/2022. A análise feita por António Bento sobre os pensadores espanhóis e portugueses do Barroco para compreender a relação entre os conselheiros e o príncipe é bastante importante para se pensar a arte de governar sob uma ótica da razão de Estado na Modernidade. Para tal ver: BENTO, António. O Príncipe, o Conselho de Estado e o Conselheio na Tratadística Política do Barroco. Covilhã: Colecção LusoSofia, 2008. Sobre a razão de Estado, maquiavelismo e tacitismo entre a segunda metade do século XVI e da primeira metade do século XVII ver: BENTO, António. Maquiavelismo e razão de Estado. In: BENTO, António. Espinosa e o Estado dos Hebreus. Lisboa: DOCUMENTA, 2022, p. 69-105.
64
a ser combatido e muitos deles tentam desvincular a unidade política constituída proposta pelo secretário florentino buscando restabelecer, nas palavras de Diogo Aurélio, a
“subordinação da política à razão universal ou à lei de Deus” (AURÉLIO, 2012, p. 169).
Dentre esses, cite-se Giovanni Botero, que defende a religião católica e o Estado, tanto de ameaças internas quanto externas ao domínio estatal.
Todo o debate sobre a razão de Estado na Modernidade, portanto, serve para demonstrar a importância da fundação e da manutenção de um domínio político forte, seja um principado ou uma república. Nesse sentido, não existe uma única razão de Estado, mas várias razões de Estado. Por conseguinte, as contribuições que se iniciam com Maquiavel, referentes às práticas políticas do governante para a conservação do poder político, inauguram a fundação do Estado moderno. Estudos recentes da segunda metade do século passado demonstram a importância da racionalização política em prol da conservação do Estado e de conceitos importantes para essa conservação, por exemplo, excepcionalidade e derrogação. Voltaremos a esses conceitos no capítulo 6 desta tese.
Pelo que foi exposto, acreditamos que esse conceito pode muito bem manter uma relação saudável com os ideais democráticos da contemporaneidade acerca do bem estatal em sua relação entre a salvaguarda da segurança e das liberdades públicas. Veremos, no decorrer dos tópicos e capítulos seguintes, que essa relação não é tarefa simplória, mas trabalho demasidamente árduo por parte dos governantes. Pensamos também que, se um equilíbrio entre segurança e liberdades públicas nas conduções e tomadas de decisões político-jurídicas no plano ordinário de governo e no plano emergencial frente alguma ameaça terrorista for a medida a ser adotada pelos chefes de Estados, pode ser, e acreditamos nisso, que o êxito possa ser alcançado.
Dedicaremos atenção no próximo tópico à temática da segurança. Tal conceito é prioridade por parte dos governantes para manter a conservação e o bem-estar do Estado.
Como vimos, os teóricos da razão de Estado procuraram esboçar uma racionalidade política que tinha por finalidade a proteção do governo e a manutenção do poder político.
Assim, a utilização da mentira, da dissimulação, do segredo, dentre outros vários recursos, eram totalmente justificáveis tendo em vista a segurança estatal.
65