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Razão sexual:

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ULLERICH (1963) destacou que C. albiceps é uma espécie bissexual e as fêmeas se reproduzem por monogenia, isto é, originam apenas proles femininas puras (teligênicas) ou proles masculinas puras (arrenogênicas). Segundo este autor, os machos não p o d e m i n f l u e n c i a r o sexo de suas proles.

LOPES & MELLO (comunicações pessoais) reportaram que, embora a reprodução de C. albiceps seja sexuada, cada geração dá origem apenas as fêmeas ou machos. Para eles, a colonização desta espécie em laboratório, só é possível a partir de várias e repetidas coletas de indivíduos nativos para garantir a p e r m a n e n t e c o n s t i t u i ç ã o de casais.

IV- T R A B A L H O S E X P E R I M E N T A I S

1 - Aspectos da biologia

de

Chrysomya albiceps

(Wiedemann) (Diptera, Calliphoridae), sob condições de l a b o r a t ó r i o .

Objetivou-se estudar os principais aspectos biológicos de Chrysomya albiceps, em condições de laboratório, para auxiliar o desenvolvimento de técnicas que incrementem esta criação, visando a implementação de programas de estudos para o controle deste díptero, a nível de campo. Foram analisadas as seguintes variáveis: duração e viabilidade do estágio larval, duração e viabilidade da fase de pré-pupa, duração e viabilidade do estágio pupal, ritmo de emergência dos adultos, peso médio de massa de ovos, número médio de ovos, número de larvas e viabilidade dos ovos, ritmo de o v i p o s i ç ã o e l o n g e v i d a d e de adultos.

1.1- M a t e r i a l e M é t o d o s

1.1.1- E s t a b e l e c i m e n t o s m a n u t e n ç ã o d a c o l ô n i a .

A colônia de Chrysomya albiceps (Wiedemann) foi estabelecida a partir de larvas e adultos coletados na área da E.P.P.W.O. NEITZ da U.F.R.R.J. e em Vila Seropédica, Itaguaí, que se localiza a dois Km da U.F.R.R.J. (latitude: 22o45"; longitude: 4 3 o 4 1, e altitude:

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metros).

em carcaças de animais domésticos e transferidas para recipientes de vidro contendo vermiculita, tampadas com tecido de algodão, preso com elástico. Após a emergência, os adultos foram sexados, transferidos para gaiolas de madeira (35 cm comprimento x 30 cm de largura x 40 cm altura) revestida nos lados e no topo com tela de náilon e com uma abertura frontal, tampada com recipiente plástico, para permitir o manuseio dos espécimens. Adotou-se r e l a ç ã o s e x u a l 1:1.

Os adultos foram coletados com rede entomológica, utilizando-se, como atrativo, carne em decomposição. Em seguida, foram transferidos para gaiolas de madeira semelhantes às descritas anteriormente. Como substrato para oviposição, foi utilizada carne eqüina em decomposição. As massas de ovos (cerca de 25,0 mg/recipiente) foram transferidas para uma dieta que consistia de carne em início de decomposição (carne equina fresca, descongelada e mantida durante 11 dias em refrigerador à 12°C). Esta dieta era colocada em recipientes plásticos com capacidade para 500 ml e introduzidas dentro de outro recipiente plástico com capacidade para 1000 ml, contendo vermiculita para maximizar a pupação. Este último recipiente era tampado com tecido escaline, preso nas bordas com elástico. Após as larvas abandonarem espontaneamente a dieta para estes recipientes contendo vermiculita, as larvas maduras eram coletadas, pesadas em lotes de 10 espécimens/lote (parâmetro utilizado como referência para o controle de qualidade da colônia) e colocadas em recipientes de vidro contendo vermiculita. Estes recipientes foram tampados com tecido de algodão. Logo após a emergência, os

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adultos foram sexados e transferidos para as gaiolas da colônia estoque, c o n s i d e r a n d o - s e a r e l a ç ã o s e x u a l de 1:1.

A dieta à base de proteína animal consistia de carne equina em início de putrefação, oferecida até o quarto dia de idade para estimular a oogênese, quando então era suspensa até ser reintroduzida no 11º e dia pós-emergência, com o objetivo de padronizar o inicio da fase de oviposição. Solução de mel a 50% era adicionada e oferecida, sem interrupções, em placa de Petri (45 x 12 mm), utilizando-se pedaços de tela de náilon para servir como substrato de pouso. Estas fontes alimentares eram trocadas d i a r i a m e n t e .

A criação era mantida em câmara climatizada regulada à t e m p e r a t u r a de 27°C, 6 0 ± 1 0 % U R e 14 h o r a s de fotofase.

1 . 1 . 2 - Etapa Experimental.

Cinqüenta casais de C. albiceps pertencentes à primeira geração, foram agrupados, logo após a emergência, em uma gaiola de madeira (35 x 30 x 40 cm). Esta gaiola foi revestida nos lados e no topo com tela de náilon, com uma abertura frontal (9,0 cm de diâmetro), tampada com recipiente de material plástico para facilitar o manuseio. Estes adultos foram alimentados com solução de mel a 50% e carne eqüina em início de putrefação, colocadas em placas de Petri, como foi descrito no item 1.1.1. A c a r n e foi o f e r e c i d a até o q u a r t o d i a p ó s - e m e r g ê n c i a . f o r a m e s t i m u l a d a s a p a r t i r do 11 º d i a de idade, c o m d a c a r n e e q u i n a p u t r e f a t a . E s t a s p o s t u r a s e r a m t r a n s f e r i d a s As posturas r e i n t r o d u ç ã o coletadas e para placas de Petri (90 mm de diâmetro x 20 mm de

(1,0 ml). Após a eclosão, as larvas eram transferidas com auxílio de um pincel fino (número zero) para uma dieta à base de carne eqüina em início de decomposição, obtida e alocada de acordo com a técnica já relatada anteriormente. Utilizaram-se quatro repetições com 150 larvas/repetição, considerando-se a r e l a ç ã o de 1 g de d i e t a / l a r v a .

Apos o abandono espontâneo da dieta para os recipientes contendo vermiculita (item 1.1.1), as larvas maduras eram coletadas, pesadas individualmente e colocadas em recipientes de vidro (25 mm de altura x 15 mm de diâmetro) contendo vermiculita até 1/4 do recipiente e tampados com algodão hidrófubo. Após a emergência, os adultos foram sexados e agrupados em lotes de 30 casais/lote (x4) em gaiolas cilíndricas de polietileno transparente (30 cm de altura x 12 cm de diâmetro). As metades inferiores e superiores da parede lateral das gaiolas apresentavam uma abertura com 9 cm de diâmetro, fechada com manga de material plástico. O topo da gaiola era provido de tela de náilon, para ventilação; a base era formada por isopor preso à parede da gaiola por fita crepe e forrada internamente com papel toalha. A alimentação dos adultos foi semelhante à provida durante a primeira etapa do experimento, colocada em recipientes plásticos com 10 mm de altura e 35 mm de diâmetro. Estes alimentos, trocados diariamente, foram assegurados, sem interrupção, a partir do primeiro dia pós-emergência. A carne putrefeita serviu também como estímulo e substrato para a oviposição. As massas de ovos foram coletadas, pesadas e transferidas para placas de Petri (45 mm de diâmetro x 12 mm de

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a l t u r a ) f o r r a d a s c o m p a p e l filtro, u m e d e c i d o c o m á g u a d e s t i l a d a (0,4 ml) e r e i n t r o d u z i d a s na c â m a r a c l i m a t i z a d a . A p ó s 24 horas, as l a r v a s e os o v o s ( v i á v e i s e i n v i á v e i s ) f o r a m q u a n t i f i c a d o s c o m auxílio de um estereomicroscópio. As observações foram diárias.

As c u r v a s de s o b r e v i v ê n c i a , p a r a m a c h o s e f ê m e a s f o r a m r e p r e s e n t a d a s a t r a v é s do m o d e l o de d i s t r i b u i ç ã o p r o p o s t o p o r W E I B U L L e d e s c r i t o p o r S G R I L L O (1982). O e x p e r i m e n t o foi r e a l i z a d o e m c â m a r a c l i m a t i z a d a à 27°C, 6 0 ± 1 0 % de U R e 14 h o r a s de fotofase. 1.2- R e s u l t a d o s e D i s c u s s ã o A d u r a ç ã o e a v i a b i l i d a d e do e s t á g i o larval e p u p a l de C. albiceps foi de 5,21 e 4,53 dias em média, e 95,75% e 94%, r e s p e c t i v a m e n t e , e n q u a n t o que a d u r a ç ã o e a v i a b i l i d a d e total de l a r v a a a d u l t o foi de 1 0 , 8 6 d i a s e 92% (Tabela 1).

C a r a c t e r í s t i c a s b i o l ó g i c a s do d e s e n v o l v i m e n t o pós- embrionário de C. albiceps, (geração 2), criada em c o n d i ç õ e s c o n t r o l a d a s (27°C, 6 0 ± 1 0 % U R e 14 h de f o t o f a s e ) . Itaguaí, RJ.

D u r a n t e o p e r í o d o larval, o b s e r v o u - s e u m e f e i t o de g r u p o n a s l a r v a s de p r i m e i r o e s e g u n d o ínstar; e s t e e f e i t o não foi o b s e r v a d o e m l a r v a s do t e r c e i r o ínstar, que p e r m a n e c e r a m d i s p e r s a s no meio. A fase de l a r v a m a d u r a durou, e m média, 1,25 d i a s (Tabela 1). O r i t m o de p u p a ç ã o e s t á r e p r e s e n t a d o n a F i g u r a 1. P R I N S (1962), e s t u d a n d o e s t a m e s m a e s p é c i e a 25 - 2 8 ° C de t e m p e r a t u r a , o b s e r v o u que o p e r í o d o larval e p u p a l durou, e m média, 8,5 e 4,0 dias, r e s p e c t i v a m e n t e , e a fase de l a r v a a a d u l t o a p r e s e n t o u u m a d u r a ç ã o de 12,5 dias. S e g u n d o M A R C H E N K O (1965), a duração da fase de ovo a adulto a 27°C, foi de 11 dias. A v i a b i l i d a d e pupal, v e r i f i c a d a p o r B R A A C K & R E T I E F

(1986), foi de 97%.

O p e s o m é d i o de l a r v a s m a d u r a s ( m a c h o s e fêmeas), foi c e r c a de 75 mg, a p r e s e n t a n d o u m a v a r i a ç ã o d e 1 2 , 2 - 1 2 0 m g . O b s e r v o u - s e d i f e r e n ç a e n t r e os sexos, p a r a e s t a v a r i á v e l ( T a b e l a 2).

Tabela 2 - Peso de pré-pupas (mg) de C. albiceps, (geração 2), criadas em condições controladas (27°C, 60±10% UR e 14 h de fotofase). Itaguaí, RJ.

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Figura 1- Ritmo de pupação de machos e fêmeas de C. albiceps, pertencen- tes à geração 2 (27°C, 60±10% UR e 14h de fotofase). Itaguaí, RJ.

Os adultos que chegaram a emergir, tinham o peso médio de larva madura superior a 42 mg, ou seja, cerca de 55% do peso médio das larvas maduras obtidas neste trabalho. Observou-se que larvas maduras com o peso entre 38 - 42 mg chegaram a pupar, mas não originaram adultos. LEVOT et alii (1979), in HANSKI (1987), trabalhando a 27 - 28°C, com C. rufifacies (Macquart), observaram que larvas maduras com peso de até 40,2 mg não pupam. O peso máximo obtido para larvas maduras, por estes autores, foi 88,1 mg. Segundo HANSKI (1987), ULLYETT (1950) e LEVOT et alii (1979), in HANSKI (1987), alguns dípteros necrófagos estão mais adaptados a pupar ao apresentarem peso final abaixo dos valores padrões pré-estimados, do que outras espécies. Estes insetos utilizam esta característica como estratégia para minimizar os efeitos deletérios devido à competição. Exemplificou-se esta observação através de Calliphora erytrocephala (Meigen) cujo peso mínimo critico de pupas pode alcançar até cerca de 12% do peso padrão sem prejuízo da emergência dos adultos, enquanto que espécies simpátricas podem apresentar valores inferiores (entre 21 - 29%) aos estimados em colônias onde não ocorre competição entre os indivíduos (WILLIAMS & RICHARDSN, 1983) in HAMSKI (1987). Assim, é fundamental monitorar-se o peso das larvas maduras e ou pupas da mesma idade dos dípteros, em criações de laboratório, considerando-se o controle de qualidade das c o l ô n i a s .

A emergência dos adultos ocorreu de quatro a sete dias a p ó s a p u p a ç ã o , c o m p i c o no 5º d i a ( F i g u r a 2).

A oviposição iniciou-se no 5 º dia pós-emergência, sendo que o pico primário e secundário ocorreu no 6º dia (0,045 g massa

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F i g u r a 2- Ritmo de emergência de m a c h o s e fêmeas de C. albiceps, pertencentes à s e g u n d a geração (27°C, 60±10% UR e 14h de fotofase). Itaguaí, RJ.

de ovos/fêmea, equivalendo a 409 ovos e 391 larvas) e no 9º dia (0,025 g de massa de ovos/fêmea, equivalendo a 227 ovos e 217 larvas), respectivamente. O peso médio de massa de ovos/fêmea, o número médio de ovos/fêmea e o número médio de larvas/fêmea foi de 0,0315 g, 287 ovos e 274 larvas, respectivamente. A oviposição foi verificada num intervalo máximo de 15 dias (Figura 3). Este trabalho confirma as observações realizadas por

MARCHENKO (1985) que destacou que as fêmeas de C. albiceps completam a maturação dos ovários de cinco a seis dias pós- e m e r g ê n c i a , a 27°C.

As Figuras 4, 5 e 6 registram as correlações encontradas entre o peso de massa de ovos e o número de ovos; o número de ovos e o número de larvas e o peso de massa de ovos e o número de larvas de C. albiceps. Os níveis de significância destas correlações foram altamente significativas, o que permite a utilização de massa de ovos e ou larvas recém-eclodidas em estudos relativos à ontogenia desta espécie. Sabendo-se que, 0,01 g de massa de ovos, equivale a 91 ovos e 87 larvas, em média, pode-se, com significativa precisão, estimar-se a viabilidade das diferentes fases de desenvolvimento de C. albiceps, incrementando-a a partir da utilização de massa de ovos, devido à atuação possivelmente deletéria relativa ao m a n u s e i o de l a r v a s r e c é m - e c l o d i d a s ( C U N H A - E - S I L V A , 1990).

As Figuras 7 e 8 representam as curvas de sobrevivência de machos e fêmeas, respectivamente. O acasalamento o c a s i o n a l m e n t e o c o r r e u a p a r t i r do 2 º d i a p ó s - e m e r g ê n c i a . Considerando-se que a relação sexual utilizada neste trabalho foi de 1:1, pode-se inferir sobre o esgotamento e, consequentemente,

Figura 3- Ritmo de oviposição de fêmeas da segunda geração de C.

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