De autoria da nobre Vereadora Maria Aparecida Pieruzi de Souza, a proposição em questão obriga as repartições públicas municipais, que prestam atendimento ao público, a manter ao menos um funcionário com conhecimento da linguagem de sinais, conhecido como “libras”, possibilitando a comunicação com pessoas portadoras de deficiência auditiva.
A iniciativa é edificante, tendo em vista a importância de adequar o atendimento nos órgãos públicos municipais proporcionando a inclusão plena do cidadão portador de deficiência auditiva, com direitos e deveres de participação na sociedade.
A limitação da pessoa não diminui seus direitos e deveres: é cidadã e faz parte da sociedade.
Assim, diante de tantas mudanças que hoje eclodem na evolução da sociedade, vemos surgir um novo comportamento, o da inclusão, que é consequência da visão de um mundo democrático, no qual pretendemos respeitar os direitos e deveres.
Todas as pessoas devem ser respeitadas, não importa o sexo, a idade, as origens étnicas, a opção sexual ou as deficiências.
Uma sociedade aberta a todos, que estimula a participação de cada um, aprecia as diferentes experiências humanas e reconhece o potencial de todo cidadão.
A inclusão tem como objetivo principal oferecer oportunidades iguais para que cada pessoa seja autônoma e autodeterminada. Esse processo democrático se constitui em reconhecer todos os seres humanos como livres, iguais e com direito a exercer sua cidadania.
CONFERE COM O ORIGINAL QUE ME FOI APRESENTADO Rozemeri de França Abreu Santos
Chefe da DVL
Para que uma sociedade se torne inclusiva, é preciso cooperar no esforço coletivo de sujeitos que dialogam em busca do respeito, da liberdade e da igualdade.
As Políticas Sociais voltadas para Proteção à Pessoa Portadora de Deficiência, que representam cerca de 10% (dez por cento) da população brasileira, estão asseguradas na Constituição Federal e regulamentadas pelo Decreto n° 914/93 e Decreto 3.298/99, sendo normas norteadoras editadas da União.
O Artigo 24 da Constituição Federal, em seu inciso XIV, legitima concorrentemente apenas a União, Estados Membros e Distrito Federal, para legislar sobre a proteção e integração das pessoas portadoras de deficiência.
O Estado brasileiro adotou a forma federativa de estado, tendo sua organização administrativa formada por quatro tipos de entes federativos e, a descentralização política inerente à forma federativa, pressupõe a repartição constitucional de competências administrativas, legislativas e tributárias.
Para melhor organização do exercício da autonomia assegurada aos entes federativos, bem como garantir maior segurança jurídica, a Constituição Federal limita o poder de legislar fixando duas competências legislativas: privativa e concorrente.
Nesse caso, cabe à União legislar sobre normas gerais, mas o Estado mantém competência suplementar. Se não houver Lei Federal, o Estado fica com a competência legislativa plena. Mas, sobrevindo a Lei Federal, somente serão válidas as disposições estaduais que não contrariem as federais
recém editadas.
Compete ao Município apenas legislar sobre assuntos de interesse local e/ou de forma suplementar a legislação federal e estadual no que couber.
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Chefe da DVL
Não se pode, portanto, fundamentar a competência Municipal em se tratando de matéria de proteção ao portador de deficiência, por se referir a interesse local ou sobre a possibilidade de suplementar a legislação federal ou estadual.
A conceituação do interesse local deve levar em conta sempre a situação concreta, constituindo aquele que predominantemente afeta de forma exclusiva a população do Município e não de outro.
Sobre o tema, o professor Hely Lopes Meirelles assim se pronunciou: "(...) o assunto de interesse local se caracteriza pela
predominância (e não pela exclusividade) do interesse para o Município, em relação ao do Estado e da União. Isso porque não há assunto municipal que não seja reflexamente de interesse estadual e nacional. A diferença é apenas de grau, e não de substância."
Considerando a repartição de competência legislativa no sistema constitucional brasileiro, concluímos pela impossibilidade do Município legislar sobre matéria expressamente prevista como de competência concorrente entre a União, Estados e Distrito Federal (art. 24, CF), apontando com isso o vício de inconstitucionalidade material do presente Projeto de Lei.
Todavia além de inconstitucional, tal projeto fere o ordenamento jurídico quando pratica a usurpação da iniciativa legislativa privativa do Prefeito, eis que obriga a administração a manter servidores públicos municipais capacitados, para execução de técnicas de linguagem brasileira de sinais.
A iniciativa de Lei no processo legislativo constitui questão de relevância no Estado Democrático de Direito, e tem especial tratamento na Constituição da República e na Carta Magna Municipal, que confere a ampla
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Chefe da DVL
legitimidade para assuntos gerais e iniciativa restrita aos Poderes exclusivamente, cuja matéria seja afeta diretamente a seu respectivo interesse.
Desde o surgimento da chamada “Teoria da Tripartição de Poderes”, criada por Montesquieu, precursor na criação do Estado moderno, que remontou a idéia de Aristóteles na sua obra “Política”; busca distribuir a autoridade por meios legais, de modo a evitar o arbítrio, dividindo as atribuições asseguradas na Lei Maior, onde ao Legislativo em sua função típica, cabe a iniciativa para elaboração e edição de normas gerais e impessoais, em contrapartida ao Poder Executivo coube exclusivamente a diligência para produção dos regramentos específicos ao bom funcionamento da máquina administrativa.
Isso propõe que o trabalho do Legislativo e do Executivo, só se desenvolverão autonomamente, se estes Poderes se subordinarem ao princípio de harmonia, que significa nem o domínio de um pelo outro, nem a usurpação de atribuições, mas a verificação de que entre eles há de haver real colaboração e controle recíproco, integrando o mecanismo do conjunto estatal.
Não há dúvida de que o princípio da separação e interdependência dos Poderes, instrumento que é da limitação do poder estatal; constitui um dos traços característicos do Estado Democrático de Direito.
Embora a lei tenha sido aprovada em Plenário, tal dispositivo viola o princípio da separação e harmonia entre os Poderes, previsto no artigo 2º da Constituição Federal, o artigo 5º, “caput”, da Constituição do Estado e do artigo 76, XII Lei Orgânica do Município.
Verifica-se, portanto, que a propositura viola princípios constitucionais e dispositivos da Lei Orgânica do Município.
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Chefe da DVL
Assim, com as considerações que reputo necessárias e em respeito às normas constitucionais acerca da matéria (art. 50, inciso IV, da Constituição Municipal), temos a informar que, estas, senhor Presidente, são as razões que me levaram a vetar integralmente o projeto em causa, o qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros da Câmara Municipal.
Cubatão, 27 de abril de 2012.
(a) - Marcia Rosa de Mendonça Silva Prefeita Municipal
- É lido o seguinte parecer:
COMISSÃO DE JUSTIÇA E REDAÇÃO