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PARTE I Estado da Arte

1.2 Meios de Contraste Radiológico (MCR)

1.2.6. Reações Adversas Locais

As advertências e as precauções citadas a seguir aplicam-se a qualquer via de administração do MC, sendo os riscos de uma Reação Adversa muito maiores na via de administração endovenosa.

a) Extravasamento

A literatura consultada (Reddinger, 1996; Speck, 1999; Juchem et al., 2004; Trindade et al.,2007; Singh et al., 2008; Pinho et al., 2009; Santos et al., 2010; TChibana, 2012) define o extravasamento do MC como administração inadvertida de droga vesicante nos tecidos circundantes, ao invés da via de administração vascular pretendida. As drogas vesicantes são aquelas capazes de causar dano tecidual, quando injetadas nas estruturas adjacentes ao vaso sanguíneo. Apresentam-se alguns exemplos de drogas vesicantes: agentes quimioterápicos, certas soluções de eletrólitos, como cálcio e potássio, vasopressores e meios de contraste radiológicos.

Os doentes mais propensos à ração por extravasamento do MC são os idosos, crianças, os doentes com alteração da consciência e com doença vascular subjacente. O extravasamento de pequenas quantidades do MC geralmente produz uma reação inflamatória na pele sem graves consequências. Extravasamento em grandes volumes (50-70 ml) pode produzir dano tecidular por quimiotoxidade ou síndrome resultante do compartimento (Single et al., 2008).

Esmeralda Ferreira Martins Pina 43 Inicialmente, devido à gravidade e ao prognóstico de uma lesão extravasada pelo MC, para garantir a Segurança do Doente, recomenda-se acompanhamento clínico nas primeiras horas, pois é possível prever a proporção que o processo inflamatório pode ter.

Aos doentes do ambulatório que sofreram extravasamento do MC, deve ser dada alta do serviço de Radiologia somente após o TR ou o Médico estarem convencidos que todos os sinais e sintomas que estavam presentes inicialmente melhoraram, que novos sintomas não se desenvolveram durante o período de observação (Reddinger, 1996; Speck, 1999; Juchem et al., 2004; Trindade et al.,2007; Singh et al., 2008; Pinho et al., 2009; Santos et al., 2009; TChibana, 2012).

b) Embolia Gasosa

A embolia gasosa é uma complicação na administração do MCE potencialmente fatal para o doente, mas muito rara. Geralmente, manifesta-se apresentando sintomas como: dispneia, tosse, dor torácica, edema pulmonar, hipotensão arterial, e défice neurológico.

c) Tiróide

Nos exames com administração do MCE, nos doentes com hipertiroidismo latente ou bócio, deve fazer-se uma avaliação rigorosa e criteriosa porque a presença de pequena quantidade de iodeto inorgânico livre do MC interfere com as funções da glândula tiroideia.

c) Doença Cardíaca

Observa-se um risco aumentado em doentes portadores de cardiopatia grave e, em especial, naqueles com insuficiência cardíaca ou coronariopatia. Em doentes com valvopatia e hipertensão pulmonar, a administração do MCE pode provocar alterações hemodinâmicas acentuadas, envolvendo alterações isquémicas observáveis no espetro do electrocardiograma, sendo as arritmias mais frequentes nos doentes idosos e naqueles com cardiopatias preexistentes. A injeção endovenosa MC pode precipitar o aparecimento do edema pulmonar em doentes com insuficiência cardíaca.

d) Doentes Idosos

Os distúrbios neurológicos e a patologia vascular subjacente, constituem um risco aumentado de Reações Adversas a meios de contraste iodados nos doentes idosos.

e) Doentes Clinicamente Debilitados

A estes doentes deve fazer-se uma avaliação com muito rigor no critério da escolha do protocolo para realização do exame.

f) Insuficiência Renal e Hepática

A insuficiência renal, após a administração do MCE, é uma complicação tardia que tem motivado várias pesquisas. Sabe-se que nem todos os doentes que são submetidos a exames com a administração do MC, sofrerão prejuízos renais. A taxa de ocorrência é de 1% nos doentes saudáveis, mas na vigência de um inadequado funcionamento da função renal a incidência da nefrotoxicidade varia entre 12% a 27%. Geralmente, considera-se que existe nefrotoxicidade quando existe um aumento de 20% a 50% dos níveis de creatinina. A patogenia da nefroxicidade não é conhecida e

Esmeralda Ferreira Martins Pina 44 ocorre tanto com os MC de alta osmolalidade como com os MC de baixa osmolalidade. A nefropatia induzida por administração do MCE é a terceira causa de insuficiência renal aguda entre os doentes hospitalizados e a sua ocorrência pode atingir 50%, quando os outros fatores de risco estiverem presentes. A disfunção hepática grave em doentes com insuficiência renal aguda, pode diminuir severamente a excreção do MC sendo, neste caso, necessário realizar a hemodiálise ao doente.

Deve ter-se especial atenção os doentes que apresentam insuficiência renal aguda, pois a eliminação do MC pode estar mais lenta. Aos doentes que se encontram sob tratamento de hemodiálise pode ser administrado o MC para realização do exame contrastado desde que a diálise seja imediatamente realizada após o procedimento radiológico.

g) Diabetes

Aos doentes diabéticos e que fazem o uso de metformina e não dependem da insulina, o uso da metformina não aumenta o risco da nefropatia induzida pelo contraste. O risco da utilização do contraste é devido à indução de redução da função renal, pois este medicamento é excretado pelo rim por filtração glomerular e pode acarretar a diminuição da sua eliminação, que tem 90% da sua depuração pelos rins, em 24 horas. Por esta razão, qualquer fator que reduza a excreção renal da metformina ou aumente os níveis plasmáticos do ácido lácteo deve ser referenciado.

h) Distúrbio do sistema nervoso central

Na administração endovenosa de MC, deve adotar-se um cuidado especial nos doentes com infarto cerebral agudo, hemorragia intracraniana aguda, outras condições que envolvam dano da barreira hemato-encefálica, edema cerebral ou desmielinização aguda. Os tumores intracranianos ou metástases e história de epilepsia podem aumentar a incidência de crises convulsivas, após administração de MCI.

Os sintomas neurológicos decorrentes de doenças cerebrovasculares, tumores intracranianos ou metástases, patologias degenerativas ou inflamatórias podem ser aumentados por administração de Meio de Contraste. Vaso espasmo e fenómeno isquémico cerebral subsequente podem ser causados por injeções intra-arteriais de meios de contraste. Doentes com doenças cerebrovasculares sintomáticas, acidente vascular cerebral recente ou ataques isquémicos transitórios frequentes apresentam maior risco de desenvolver complicações neurológicas.

i) Amamentação

A administração de MC iodado nas mulheres no período de amamentação não é uma prática recomendada. Entretanto, se o protocolo da patologia a ser estudada exigir a administração do MC, é necessário que a doente esteja bem esclarecida sobre os riscos de potencial toxidade do MC excretado através do leite materno para a criança. A literatura consultada mostra que menos de 1% da quantidade de MC existente no leite materno é menos de 1% do MCI existente no leite materno ingerido pelo bebé e absorvido pelo intestino. Portanto, a dose de MC pelo bebé é extremamente baixa (<0,01%). Os

Esmeralda Ferreira Martins Pina 45 riscos potenciais para o bebé são a toxicidade direta e a sensibilização ou reação alérgica. Esses riscos são teóricos e nunca foram relatados na literatura.

j) Mieloma Múltiplo e Gamapatia Monoclonal

Mieloma múltiplo ou gamapatia monoclonal podem predispor à disfunção renal, após administração de meios de contraste. Hidratação adequada é obrigatória.

k) Feocromocitoma

Os doentes com a neoplasia feocromocitoma podem desenvolver crises hipertensivas grave (ocasionalmente incontrolável), após administração endovenosa de MC, sendo, nestes casos, recomendado a administração da pré-medicação com alfa bloqueadores.

l) Doentes Alcoólatras e Toxicodependentes

A administração do contraste em doentes alcoólatras agudos ou crónicos pode aumentar a permeabilidade da barreira hematoencefálica, facilitando a passagem do Meio de Contraste para o tecido cerebral, desencadeando as reações do SNC. A segurança na administração do MC é feita tendo a máxima precaução nos casos dos doentes alcoólatras e toxicodependentes, devido ao limiar de excitação do SNC estar diminuída.

m) Uso em cavidades corporais

Na realização da colonoscopia virtual, o contraste utilizado é o oxigénio que é injetado pela cavidade anal para distender as ansas intestinais, podendo em alguns casos provocar desconforto e dor. As reações vasovogais que podem ocorrer são: acesso de sudorese, vertigem, náusea e vómito, mas, são pouco frequentes.

Não se deve excluir a possibilidade de infeção no local da introdução da sonda intra-cavitária, devido às manobras do próprio procedimento técnico radiológico.

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