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Capítulo 3 – OS MILITARES E O PROCESSO DECISÓRIO

3.5 Reações aos conflitos e indústria de base

Em 1933, Oswaldo Aranha, então ministro da Fazenda, sugeria cortes nas despesas militares do país, ao que retrucava o então Ministro da Guerra general Espírito Santo Cardoso. O General, apoiado por Góes Monteiro, insistiu na necessidade de aumentar as verbas militares ao invés de cortá-las, dada a iminência de conflito na região. Aranha muda de opinião e escreve ao presidente Vargas sugerindo que não poderia o Brasil continuar sem armas suficientes para um possível conflito com os vizinhos, bem como havia a necessidade de implantar uma indústria de base no país.196

194 MEIRA, Rodrigo Santos. Brasil, Bolívia, hidrocarbonetos e o processo de integração energética na América

do Sul. 2009. 119 f. Dissertação (Mestrado) — Instituto de Relações Internacionais, Universidade de Brasília, Brasília, p. 22.

195 BANDEIRA, 1998. Op. Cit., p. 179. 196 HILTON. 1994. Op. Cit., p. 151.

Conquanto alguns autores tratem a relação entre os militares e a industrialização do Brasil, como tese de cunho eminentemente ideológico e social197, algumas evidências apontam para o pragmatismo do oficialato e do governo Vargas.

No ano de 1933, o general Espírito Santo Cardoso organizou uma missão brasileira de estudos para a indústria bélica e entregou a sua chefia ao general Leite de Castro. A preocupação brasileira com a indústria bélica é, portanto, bastante clara e parece ser desprovida de viés ideológico. Em 1936, o general Waldomiro Castilho de Lima entregou ao Conselho Superior de Guerra um relatório minucioso sobre o Brasil e suas possibilidades enquanto potência militar na América do Sul. O general Lima receava em seu relatório que houvesse, em caso de guerra, uma união hispano-sul-americana entre Argentina, Uruguai e Paraguai contra o Brasil.198

A mudança de percepção de Oswaldo Aranha, já embaixador do Brasil em Washington, quanto à necessidade de reforma das Forças Armadas e compra de material bélico, deve-se não só ao fato de estar ele numa função diferente daquela dos tempos de Ministério da Fazenda, quando estava mais preocupado com cortes nos gastos. Aranha agora fazia uma “análise pessimista [...] sobre o ambiente externo, [...] a enfatizar as fragilidades do Brasil e a ter o relacionamento com os Estados Unidos como alternativa racional para [...] seu recém-instaurado projeto desenvolvimentista”. 199

O conflito do Chaco e, em menor grau, a questão de Letícia são eventos que impulsionaram as lideranças militares do Brasil a buscar o incremento da indústria bélica no país. O oficialato tinha a noção de que ao Brasil não bastava manter-se como fornecedor de matérias- primas; era necessária uma política de incentivo da industrialização que deveria contar com uma indústria de base bastante forte. Quando o Brasil, à época da Segunda Guerra Mundial, negocia com os EUA a sua indústria siderúrgica, esta negociação já é resultado de uma ação do governo amadurecida ao longo dos primeiros anos da década de 1930, quando a América do Sul sofria com conflitos regionais e o Exército brasileiro buscava maior participação no processo decisório do governo.

197 GOMES, Ângela Maria de Castro Gomes et al. O Brasil republicano. In: FAUSTO, Boris (dir.). História geral

da civilização brasileira. Rio de janeiro: Ed Bertrand Brasil, 2007. T. 3, vol. 10, p. 403.

198

BELLINTANI, Adriana Iop. O Exército brasileiro e a Missão Militar Francesa: instrução, doutrina, organização, modernidade e profissionalismo (1920-1940). 2009. 2 v. Tese (Doutorado em História) — Instituto de Ciências Humanas, Universidade de Brasília, Brasília, p. 410.

199 LIMA, Marcos Felipe Pinheiro. Do americanismo ao universalismo: as transformações nas relações

internacionais do Brasil, de 1902 a 1964. 2006. 117 f. Dissertação (Mestrado) — Instituto de Relações Internacionais, Universidade de Brasília, Brasília, p. 37.

Em Washington, Aranha trabalhou de maneira reservada a possibilidade de os Estados Unidos fornecerem os armamentos que melhorariam um pouco a situação em que se encontravam as Forças Armadas. “O reaparelhamento naval parecia a líderes brasileiros uma necessidade de primeira urgência em vista da instabilidade político-militar na América do Sul, onde a guerra do Chaco ameaçava alastrar-se pelo Cone Sul por causa das maquinações da Argentina [...]”.200 O governo brasileiro havia feito proposta de compra de dez cruzadores para a Marinha, a serem pagos de maneira parcelada. Washington aceitara a proposta e parecia acenar positivamente ao possível acordo de cooperação militar com o Brasil. Em carta enviada ao presidente Getúlio Vargas, em 1935, Aranha comenta a situação do Chaco e relata como vão os andamentos para o Brasil adquirir armamentos dos americanos.

O assumpto de tua carta há muito constituía preoccupação [...] “Parece que a questão do Chaco começa a tornar-se séria para nós”. [...]

O Welles, em uma de nossas muitas conversações, pediu-me em nome do Presidente que “avisasse o nosso Govêrno que os Estados Unidos solicitavam que nada fizessemos, em relação á (sic) nossa Armada, sem prévia audiencia delles, porque o Presidente estava decidido a fazer com que tudo fosse aqui construído em condições melhores e mais baratas”. Adiantou-me que “nossa posição política aconselhava essa conducta, tanto para os Estados Unidos quanto para o Brasil”. [...]

Mas tudo terá de ser feito com discreção, com segredo, com seriedade, porque esta gente trata as cousas com segurança e a menor revelação comprometterá tudo. Isso, como vês, só poderá ser feito com instruções especialíssimas, coordenando-se a acção diplomatica e militar por fórma tal que ninguém mais possa conhecer algo a respeito.201

O eixo estratégico da política externa brasileira, portanto, tinha como objetivo a modernização da economia e das Forças Armadas por meio de “vínculo estrutural com os Estados Unidos”.202 Conquanto Aranha tomasse as precauções, a informação acerca da

200 HILTON, 1994. Op. Cit., p. 228.

201 Oswaldo Aranha a Getúlio Vargas. Carta, Washington, 18/01/1935, CPDOC, GV c 1935.01.18.

202 SILVEIRA, Helder Gordim da. A política externa de Vargas nos anos 30: continuidades e rupturas vistas na

negociação brasileira com os EUA vazou e o chanceler argentino Carlos Saavedra Lamas passou a agir no sentido de bloqueá-la. 203

O projeto de venda dos cruzadores acabou não sendo concretizado não só em decorrência da campanha de Saavedra Lamas para contê-lo, mas também porque as tensões aumentavam na Europa com a forte possibilidade de uma nova guerra mundial. O subsecretário Summer Welles, para desilusão de Aranha, informou que, por “motivos de defesa nacional”, o acordo de compra dos cruzadores estava cancelado.204

O projeto de reestruturação das Forças Armadas, no entanto, não seria abandonado. Desde a ascensão de Vargas ao poder, o general Góes Monteiro insistia com o Presidente na necessidade de reforma da capacidade do Exército brasileiro, e Vargas sabia que o general tinha razão nos seus argumentos. Em 1934, decidiu-se o Presidente Vargas por nomear Góes Monteiro o seu ministro da Guerra, antes mesmo de consultá-lo, episódio este contado pelo próprio general na rara obra O general Góes depõe.

Disse-lhe então que, a despeito das nossas relações pessoais, para um ato como aquele, eu deveria ter sido consultado, e solicitei com certa veemência que não o consumasse. Respondeu-me o Presidente que o decreto da nomeação já se achava em via de publicação no “Diário oficial” e que ele não o cancelaria. Em seguida apontou-me para a carta que eu lhe havia dirigido, sobre a remodelação do Exército, e que ficara até então sem resposta, acrescentando que procedera daquela maneira a fim de eu realizar o que havia escrito.205

O general aceitou o cargo e as discussões atinentes à reestruturação das Forças Armadas continuavam atreladas à questão siderúrgica, uma vez que a usina desejada era a única forma de o país alcançar a indústria de base de que necessitava por questões econômicas e militares.

Até a década de 1930, as questões minerais eram abordadas de maneira circunstancial, e a implantação de uma usina siderúrgica era assunto para investidores e capital estrangeiro. O carvão, por exemplo, que era produzido nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina,

203 HILTON, 1994. Op. Cit., p. 229. 204 Idem.

205 COUTINHO, Lourival. O general Góes depõe. 2.ª edição, Rio de Janeiro: Livraria Editora Coelho Branco, 1956,

sofria com a concorrência do carvão importado.206 O desejo do governo, no entanto, era de implantação de usina siderúrgica para trabalhar o ferro. Na década de 1920 a

“indústria barômetro”, como é designada a siderurgia ou a “mãe de todas as indústrias”, denominação de Mauá, continuava em passos de Pequeno Polegar. Estudiosos internacionais reconheciam que o país possuía um dos maiores depósitos ferríferos do mundo. Mas sem exato sentido de futuro e, até, um tanto superficialmente diziam que o Brasil não poderia instalar indústria de ferro e aço porque possuía (“little coal”) pouco carvão, (“inferior transportation”) transportes deficientes e (“distant market”) mercado distante.

Após 1930, no entanto, abriu-se nova perspectiva para a produção de ferro e aço. O governo havia tomado uma série de iniciativas de investimento e normatização — o código de Minas, por exemplo, é decretado em 1934 — e Macedo Soares havia sido enviado aos Estados Unidos para tratar de cooperação com a United States Steel Corporation. A tabela abaixo demonstra a produção dos minerais até 1939, antes, portanto, da instalação de uma usina siderúrgica com capacidade produtiva mais relevante.

Tabela 2: Produção mineral no Brasil entre 1935 e 1939

Ano Gusa Laminado Aço

1935 64 52 64

1936 79 63 74

1937 98 71 76

1938 122 86 92

1939 160 101 114

Fonte: BASTOS, 1957. (quantidades em mil toneladas)

206 BASTOS, Humberto. A conquista siderúrgica no Brasil: crônica e interpretação econômica das empresas e

indivíduos nacionais e estrangeiros, que participaram da exploração dos recursos minerais e do desenvolvimento nacional. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1957.

Havia divergências entre Oswaldo Aranha e os oficiais do Exército quanto à instalação de indústria de fabricação de armamentos no Brasil. Góes Monteiro defendia a expansão da indústria de armas, e não somente a implantação de usina siderúrgica. Para o general, ao que parece, ambos os projetos andavam juntos. Aranha, no entanto, era irredutível no assunto, como é possível notar em carta dele ao general Góes, encaminhada em cópia ao presidente Getúlio Vargas, datada de 8 de outubro de 1935:

Tenho visto que V. se orienta para a officialização de certas actividades que dizem com o aproveitamento, transformação e fabrico de matérias primas para fins bellicos. Reconheço que em alguns departamentos isso é necessário, dada a inefficiencia da nossa vida industrial. [...] os governos e as fabricas governamentaes não dão resultados práticos. [...] O governo deve ser um consumidor certo e exigente, com condições de comprar e impor. Fabricar é concorrer e annullar as actividades e as iniciativas privadas, sem vantagens nas horas decisivas.

Sou, assim radicalmente contrário á (sic) creação e officialização de novas fabricas para fins militares [...]207

Em resposta ao conteúdo da carta de Aranha, o general Pantaleão Pessoa escreveu sobre seu ponto de vista, em 30 de outubro do mesmo ano, comentando o pensamento do embaixador:

Não é possível comparação entre a indústria dos EEUU e a do Brasil. Também quanto a recursos empregados para aperfeiçoamento da indústria particular, os EEUU gastam mais do que todo o orçamento de guerra do Brasil.

O Dr. Oswaldo tem razão em aconselhar o não alargamento das indústrias militares do Estado. Mas ainda não chegamos no ponto em que ellas não devam ser alargadas. Como não há nada, absolutamente nada, aproveitável para o Exército na indústria civil, no que respeita a armas e munições, temos que dar início e preparar officiaes e operários capazes de fazer uma adaptação e aproveitamento da indústria particular em tempo de guerra.

[...] Com o surto industrial que se desenha e que será imposto pela siderurgia, estará o Exército apto para acompanhar [...] [a] mobilização industrial. 208

207 Aranha a Góes Monteiro e Pantaleão Pessoa a Getúlio Vargas. Carta, Washington / Rio de Janeiro, 29/03/1935 —

30/10/1935, CPDOC, GV c 1935.10.08/1.

Os conteúdos de ambas as cartas comprovam a hipótese de que o pensamento militar agregado ao projeto desenvolvimentista, por razões circunstanciais dos conflitos regionais nas fronteiras do Brasil, adicionou ao processo decisório a estratégia de implantação da usina siderúrgica no país. A segurança passou a ser equação no pensamento dos dirigentes brasileiros devido à situação enfraquecida em que se encontravam as Forças Armadas.

As experiências brasileiras nos processos de negociação da paz do Chaco e nas tentativas de solução do contencioso ocorrido em Letícia forneceram à diplomacia brasileira, de um lado, e ao oficialato do Exército, de outro, a oportunidade de se buscarem soluções em meio a contexto de crescimento de tensões e desconfianças.

A iminência de conflito armado com a Argentina e o estreitamento dos laços na parceria com os Estados Unidos nos anos 1930 possibilitaram que os papéis estivessem, à época da II Guerra Mundial, relativamente estabelecidos para a diplomacia brasileira. O Brasil teria chance única de barganhar sua usina siderúrgica, circunstanciada pelos acontecimentos relativos à entrada dos Estados Unidos na guerra, mas nada foi, porém, obra do acaso.

CONCLUSÃO

Dois são os aspectos que contribuíram para mudanças nas relações internacionais do Brasil nos anos Vargas: a renegociação da dívida externa e a participação dos militares no processo decisório. Por um lado, a renegociação alterou os rumos estratégicos de ação da diplomacia brasileira no campo econômico-comercial, enquanto, por outro, os militares com as demandas por reforma das Forças Armadas buscaram pressionar o governo para implantação de usina siderúrgica no Brasil.

Os resultados desta pesquisa, no entanto, suscitam aspectos distintos nos dois eixos de hipóteses propostos quando da investigação das fontes:

Eixo 1 — Ligação entre dívida externa e política comercial:

A) Os títulos da dívida fizeram dos EUA a parceria objetiva. Oswaldo Aranha, ministro da Fazenda durante a renegociação da dívida externa pública, ao assumir o cargo de embaixador nos Estados Unidos, carrega consigo a missão de negociar acordo bilateral com aquele país.

B) A questão das moedas (valor real delas) é o segundo ponto do eixo 1. Conquanto o padrão-ouro houvesse sido abandonado pelas potências, o dólar e a libra esterlina assumiram protagonismo no sistema financeiro internacional. A Grã-Bretanha, entretanto, estava com sua economia voltada para os países da Commonwealth, ou para aqueles, como a Argentina, que assinaram tratados desiguais de comércio. Os Estados Unidos, portanto, detinham a moeda forte que pagava os títulos mais onerosos da dívida brasileira. Os marcos compensados da Alemanha e as liras compensadas da Itália só eram válidos para pagamentos de compra de produtos vindos daqueles países, sem valor algum para quitação do serviço da dívida. Essa reflexão corrobora, portanto, a hipótese de a auditoria da

dívida ter atrelado o comércio brasileiro aos Estados Unidos e a sua moeda, o dólar.

C) Não havia equidistância pragmática do Brasil entre países do Eixo e as democracias ocidentais na esfera econômica. O jogo duplo de Vargas funcionou como mero blefe discursivo. O objetivo desde o início era acordo comercial com os EUA. Os acordos compensados eram alternativos, supriam dependência pontual dentro de uma política pragmática do governo brasileiro, enquanto o comércio com os Estados Unidos era objetivo maior.

Eixo 2 — Relação entre anseios militares pela siderurgia e ação desenvolvimentista:

A) Os conflitos regionais traziam à tona a necessidade de reforma nas Forças Armadas e compra de armamentos, mas não há consenso quanto à implantação de indústria de armas. Alguns oficiais brasileiros, como parece ser o caso dos generais Pantaleão Pessoa e Góes Monteiro, defendiam a expansão da indústria bélica no Brasil por meio de investimento público. O Brasil já detinha uma pequena produção de munições, uniformes e pequenos utensílios de campanha, mas a intenção era fabricar aviões para o EAB, em parceria com os Estados Unidos. Oswaldo Aranha, no entanto, não concordava com o financiamento de dinheiro público na fabricação de armas, porquanto acreditava ser investimento sem retorno e por demais oneroso ao país. Aranha defendia a compra de armamentos de parceiros do Brasil.

B) A Argentina era a principal ameaça. Havia consenso no governo brasileiro de que a Argentina mantinha relação de disputa com o Brasil pela hegemonia do subsistema sul-americano. Havia receio, no episódio do

Chaco, de que a Argentina pudesse investir em uma invasão ao território brasileiro. Nesse sentido, o Brasil buscou junto aos Estados Unidos a cooperação que acreditava haver da parte da Argentina com a Grã-Bretanha.

C) A usina era projeto de hegemonia, de defesa militar ou de defesa econômica?

A questão que envolve a implantação de uma usina siderúrgica no Brasil é o único aspecto que, ao que parece, não ficou claro nas fontes. Não foi possível confirmar, ao menos nas fontes pesquisadas, se haveria no governo a consciência absoluta dos motivos de implantar uma usina de tal porte no país. Em caso de disputa hegemônica com a Argentina, há nos oficiais militares a noção de ser essa usina de suma importância para auxiliar a expansão da indústria militar. Para Oswaldo Aranha, entretanto, a usina siderúrgica teria a função de defender a economia do Brasil, uma vez que seria responsável por auxiliar toda a indústria de base aproveitando as riquezas minerais do território.

Uma questão manteve-se em aberto, conquanto não estivesse inclusa no objeto principal da pesquisa. Mesmo sendo questão marginal, ficou como lacuna o estudo mais aprofundado dos principais motivos da não dispersão de conflitos como Chaco e Letícia. Talvez uma pergunta pertinente para futuras pesquisas fosse sobre os aspectos do processo de construção da América do Sul como região per se menos conflituosa em comparação à Europa. Como foi negociada a paz entre vizinhos sul-americanos, paz esta que minimiza conflitos regionais, em movimento inverso àqueles que caracterizam outras regiões do mundo?

A ação diplomática e a estratégica dos homens que ascenderam ao poder no Brasil a partir de 1930 foram fundamentais para o desenvolvimento político-econômico do país. Os anos que vieram, a partir da implantação do Estado Novo, seriam, no contexto de guerra, anos de fechamento de ciclos abertos nos primeiros anos da década de 1930, ou até mesmo antes, na década de 1920. Concluiu-se a implantação de usina siderúrgica, o Brasil aliou-se aos Estados Unidos na guerra e a dívida externa, após breve interregno em 1937, passou a ter seu serviço estabilizado até os anos 1980. O Brasil nunca mais seria o mesmo e a cognominada Era Vargas

teria sido encerrada apenas, para alguns autores, no início dos anos 1990. Para outros autores, no entanto, alguns traços do desenvolvimentismo seguem fazendo parte até hoje do Estado brasileiro, acima dos aspectos partidários e ideológicos de governos. A fotografia de Vargas, mais de oitenta anos depois, continua em paredes pelo Brasil, no coração dos mais antigos e na mente daqueles que procuram entender o país.

FONTES PRIMÁRIAS

a) Arquivo CPDOC-FGV, Rio de Janeiro. b) Arquivos da SDN, Genebra, Suíça. c) Arquivo histórico do Itamaraty — AHI

Ano Descrição Arquivo Localização

1933 Carta de Oswaldo Aranha a Getúlio Vargas informando que não comparecerá ao despacho ministerial, por estar gripado e enviando informações sobre dívida externa, chegada da missão brasileira em Washington e outras questões de ordem financeira.

CPDOC / FGV

GV c 1933.05.17 (Vol. XI/27)

1931 A.G. de Araújo a Afrânio de Mello Franco. Ofícios reservados, Montevidéu.

AHI Lata 1034, maço 17837.

1931 Legação do Brasil a Afrânio de Mello Franco. Ofício reservado, Santiago.

AHI Lata 1034, maço 17837.

1931 Afrânio de Mello Franco a Getúlio Vargas. Ofício, Rio de Janeiro.

AHI Lata 1034, maço 17837.

1931 Legação do Brasil a Afrânio de Mello Franco. Ofício reservado, Buenos Aires.

AHI lata 731, maço 10461.

1932 Legação do Brasil ao MRE. Ofício, Buenos Aires. AHI lata 731, maço 10461.

1934 Serviço de passaporte a Secretário-Geral. Memorando, Rio de janeiro,

AHI lata 731, maço 10461.

1933 Orlando Leite Ribeiro a Afrânio de Mello Franco. Ofício, Buenos Aires.

AHI lata 731, maço 10461.

1933 J.A. Barbosa Carneiro a Afrânio de Mello Franco. Ofício, Londres.

AHI lata 731, maço 10461.

1934 Legação do Brasil ao ministro das Relações Exteriores. Memorando, Washington.

AHI lata 1019, maço 17262.

1934 Oswaldo Aranha a Getúlio Vargas. Carta, a bordo do “REX”.

CPDOC / FGV

vol. XVI/8. GV c 1934.09.07 1934 Carta de Afrânio de Melo Franco a Oswaldo Aranha

sobre sua inscrição à concessão do Prêmio Nobel da Paz, devido a sua atuação no caso de Letícia. Rio de Janeiro.

CPDOC / FGV

OA cp 1934.12.19 / rolo 13 fot. 212 a 214

1934 Relatório acerca da situação geográfica e da população de Letícia, Secretariado Geral da SDN. Genebra, Suíça.

SDN 1/473114332 R. 3632.

1931 Legação do Brasil à Secretaria de Estado das Relações Exteriores. Telegrama reservado, La Paz.

AHI lata 301, maço 4442

1935 Oswaldo Aranha a Getúlio Vargas. Carta, Washington, 18/01/1935.

CPDOC / FGV

GV c 1935.01.18. 1935 Aranha a Góes Monteiro e Pantaleão Pessoa a Getúlio

Vargas. Carta, Washington / Rio de Janeiro.

CPDOC / FGV

GV c

FONTES IMPRESSAS

AITA, Carmen; AXT, Gunter. Parlamentares Gaúchos. Série perfis, nº 4. Oswaldo Aranha: