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3.Comportamentos Comunicacionais

Nível 2 – recíproca

As estratégias deste nível envolvem esforços no sentido de satisfazer ambos os participantes, de forma recíproca. Envolve formas de negociação, trocas e contratos, estratégias de persuasão (tentar convencer o outro). Não há compromissos. A criança diferencia as perspectivas subjectivas considerando-as em simultâneo. Ela resolve, geralmente com autonomia problemas com outras crianças (como esperar pela sua vez, partilhar materiais, etc.).

32 / 50 3.4.Importância das primeiras impressões no relacionamento interpessoal

Todo o adulto conhece e sente aquela ponta de ansiedade inicial de quem começa um trabalho com pessoas com as quais ainda não teve contacto.

Podemos causar ou boa ou má imagem de nós próprios nos outros. Os nossos actos, atitudes e comportamentos vão ficar gravados na memória daqueles com quem nos relacionamos pela primeira vez.

Devemos criar um espaço de à-vontade e entendimento para se vencerem aqueles momentos de incomunicação, para se “partir o gelo” do desconhecido e ultrapassar a ansiedade do começo. Por isso, vá com um sorriso nos lábios, seja simpática, acessível e calorosa.

Apresente-se com simplicidade dizendo quem é, o que faz. Introduza uma ou outra brincadeira, um poema, uma cantilena, uma música, uma conversa, de modo a “partir o gelo” e a incentivar resposta por parte dos seus interlocutores – as crianças e/ou adultos.

Promova, também, o grupo e ao fazê-lo vá-se inserindo nele e ganhando a sua própria naturalização como membro desse grupo. Quando se ganha esta aposta inicial, as pessoas predispõem-se a ouvi-la, a comunicar, o grupo começa a ser uma realidade e o adulto é aceite como seu animador.

Para que cause uma primeira impressão positiva apoie-se nos comportamentos assertivos, nas atitudes, estratégias e gestos corporais positivos a ter com a criança, falados anteriormente. Para evitar uma má impressão evite todos os maus comportamentos, atitudes e estratégias desadequados à promoção de um bom relacionamento interpessoal.

3.5. Estilos de comunicação

O modo como o adulto se comporta perante a criança e impõe ordem e respeito, advém da sua experiência anterior e pode ser definido em três estilos:

• Autoritário e Rígido: o adulto impõe regras sem considerar as circunstâncias e o ponto de vista da criança. A vontade do adulto tem de ser cumprida;

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• Democrático ou Flexível: é um estilo que permite às crianças construir regras.

Estas não são impostas arbitrariamente pelo adulto. As regras são estabelecidas pelos participantes de comum acordo.

• Livre ou Inconsistente: Não há regras claras e estabelecidas. As regras são confusas e as crianças podem interpretá-las à sua maneira.

Uma boa regra é bem definida, razoável, forte e necessária. Deve ser usada de forma consistente, deve ser revista e verificada por todas as crianças, deve também ignorar condutas irrelevantes e dever ser modelada aos comportamentos estabelecidos.

O adulto reage de maneira diferente aos comportamentos e atitudes adoptadas pela criança:

• Não preocupado: as necessidades a actividades das crianças são ignoradas pelo adulto. O adulto não se vê responsável pelas crianças.

• Culpado: o adulto sente-se responsável pelas atitudes e conduta da criança.

• Preconceito: o adulto tem preconceitos acerca das atitudes da criança.

• Super protector: o adulto preocupa-se demasiado com as crianças, resolve tudo pela criança. O adulto limita as experiências das crianças e não lhe permite correr qualquer risco.

• Excesso de explicações: para parecer menos autoritário o adulto tenta convencer a criança falando demais e dando explicações em excesso.

• Rígido: o adulto apresenta um modelo que não permite qualquer mudança. Não há alternativas, as regras são impostas e não se tem em conta o ponto de vista da criança. Não há flexibilidade, o adulto é uma pessoa rígida.

• Hipercrítico: o adulto procura a perfeição, apenas se concentra nos erros e nos aspectos negativos.

Arbitrário: o adulto não sabe como expressar os seus sentimentos. Não estabelece regras e não actua de acordo com as regras já existentes.

34 / 50 3.6.Atitudes ineficazes

Vejamos alguns comportamentos menos assertivos:

• Dificuldade em olhar os outros de frente (desviar ou baixar os olhos);

• Dificuldade em iniciar ou estabelecer uma comunicação com outrem (tom de voz menos audível ou tom imperativo);

• Incapacidade para ver ou escutar alguém (fazer que não vê ou não ouve);

• Posicionamento duro, intransigente, altivo, rígido;

• Utilização de gestos agressivos (gritos, encenações);

• Incapacidade prática de comunicação gestual (rigidez muscular);

• Indisponibilidade para tomar a palavra em público…

3.7.Comunicação assertiva

Poderemos nós relacionar-nos com alguém de forma positiva? É disso que se trata quando falamos de assertividade.

Em cada dia deparamos com sinais de insegurança, que conduzem a expressões desajustadas dos sentimentos. Aí surge a assertividade: um processo de auto-afirmação construtiva que se vai aprendendo e mantendo progressivamente com os outros, no nosso agir diário.

À medida que a assertividade se vai desenvolvendo, aumenta na pessoa a capacidade de se afirmar como ser único e original: expõe mais os seus desejos íntimos, revela mais claramente as suas intenções e preocupações, aumenta a sua percepção do real e de análise/resolução dos preconceitos próprios. Numa palavra: adquire maior confiança para fazer opções e maior abertura face aos outros a quem concede espaço e tempo de se afirmarem, eles também.

É importante que o educador conduza os trabalhos no sentido da descoberta de formas assertivas de relacionamento, estabelecendo com os participantes um clima de auto-afirmação, que permita desenvolver:

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• O sentido do humor, da simpatia e do acolhimento;

• A capacidade de observação das situações;

• Um relacionamento aberto e franco fundado na segurança da personalidade;

• A qualidade da informação/comunicação, ou de dar/receber feedback;

• A capacidade de escutar e apreciar os outros.

Há certas estratégias, comportamentos e atitudes que sendo levadas a cabo pelos adultos, usadas com paciência e de forma persistente permite às crianças desenvolver uma capacidade de controlo interno e aprender a resolver os seus conflitos com os outros, utilizando formas de interacção adequadas.

Ao nível das estratégias são:

• Organização do ambiente físico, do espaço e materiais;

• Estruturação de uma rotina diária consistente;

• Adopção por parte do adulto de um papel de apoio (nem permissivo, nem autoritário.

Ao nível dos comportamentos e atitudes são:

• Intervir imediatamente para parar um comportamento que seja destrutivo ou que ponha em perigo a segurança da criança;

• Usar a linguagem verbal para identificar os sentimentos e as preocupações das crianças;

• Pedir às crianças que exprimam por palavras os seus desejos e sentimentos;

• Levar as crianças a apresentar as suas próprias soluções para a resolução de problemas;

• Dar às crianças escolha para a resolução de um problema, apenas quando elas se apresentem como opções possíveis de concretizar;

• Evitar o uso de linguagem punitiva ou que expresse julgamento;

• Quando se depara um comportamento que é inaceitável, deve-se explicar as razões às crianças;

• Antes de aparecer uma situação de conflito, verificar se as crianças conseguem resolvê-la sem o apoio do adulto.

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