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A atividade de recepção de um turista não envolve apenas os serviços de

hospedagem. Outros segmentos, como alimentação, lazer, entretenimento e serviços

de apoio estão intimamente ligados ao receptivo e fazem parte atuante na cadeia de

relacionamento dos serviços de turismo. Anjos, Anjos e Silva Junior. (2008) relatam

em estudo que essas empresas precisam reconhecer necessidades dos

clientes/hóspedes com frequência e essa ação se constitui em informações valiosas,

que contribuem para o aperfeiçoamento de novos produtos ou serviços do ramo.

A Figura 7 sintetiza as atividades que compõem o relacionamento no receptivo

turístico dos hotéis que começa com a informação do histórico de clientes –

mapeamento e identificação das preferências e necessidades de cada hóspede

individualmente – busca de agregar valor aos serviços; gerenciamento dos

relacionamentos com os diferentes grupos de clientes e os serviços turísticos –

integração das necessidades dos hóspedes às possibilidades dos serviços oferecidos

pelas empresas parceiras. Enquanto as atividades que compõem o relacionamento

no receptivo turístico das outras empresas envolvidas (alimentação, lazer,

entretenimento e serviços de apoio) são: a difusão das informações dos

empreendimentos aos parceiros de relacionamento – interação das informações

operacionais dos serviços oferecidos com o processo de relacionamento do hotel; a

integração das estratégias gerenciais com o foco no cliente – atividades de

relacionamento e a retroalimentação dos processos executados – sendo

constantemente adaptado às condições do mercado, as necessidades dos clientes, e

as exigências dos parceiros. Esse relacionamento das empresas parceiras em

receptivo turístico deve aperfeiçoar o fluxo de informações, objetivando a

comunicação entre as empresas e gerando qualidade superior dos serviços para os

clientes (ANJOS; ANJOS; SILVA JUNIOR, 2008).

Figura 7 – Processos da cadeia de relacionamento serviços turísticos

Fonte: Adaptado de Anjos, Anjos e Silva Junior (2008).

Sob este aspecto, é importante refletir ainda que

o profissional da hospitalidade é, não apenas o do hotel e do

restaurante, mas também o que atua em todo o sistema receptivo

turístico de uma cidade e o que atua em órgãos e empresas que de

alguma forma acolhem os habitantes da própria cidade. (CAMARGO,

202, p. 13).

Incluem-se ainda os profissionais relacionados aos transportes (taxistas,

operadores de viagens de trem, motoristas de transporte coletivo), relacionados à

hospedagem (recepcionistas de hotéis, hostels etc.), relacionados aos serviços de

alimentação e bebidas (restaurantes, cafés, lanchonetes etc.) e os relacionados

diretamente à informação (guias, agentes e operadores de turismo) (BRASIL, 2013c).

Honma e Teixeira (2009) ressaltam a necessidade de profissionalização para o

serviço receptivo em Curitiba. Em outro estudo de 2011, os mesmos autores

confirmam a necessidade maior de preparação nas empresas hoteleiras de pequeno

porte da capital paranaense que, segundo eles, apresenta-se carente de qualificação.

Em todas essas áreas, os gestores brasileiros precisam atuar com ações que

despertem na população local o desejo de empreenderem como fonte de emprego e

renda. O Quadro 10 apresenta pesquisas sobre ações empreendedoras voltadas para

o setor de turismo receptivo e hoteleiro encontrados na literatura.

QUADRO 10 – EMPREENDEDORISMO E COMPETÊNCIA DE GESTÃO NO SETOR DE

TURISMO RECEPTIVO E HOTELEIRO

Autor Ano Título Contexto do Estudo

Lenehan 2000

Study of management practices competences within effective

organisations in the Irish tourism industry.

Identificou as organizações consideradas eficientes no setor hoteleiro da Irlanda e

paralelamente examinou a natureza da gestão e competências dos donos desses hotéis

Peters e

Buhaliz 2004

Family hotel businesses: strategic planning and the need for education and training.

Investigaram hotéis de pequeno porte da Austria, enfatizando algumas áreas de gestão, como planejamento, desenvolvimento de estratégias e comportamento, para detectar lacunas de competências e habilidades Teixeira e Morrison* 2004 Desenvolvimento de empresários em pequenas empresas de pequeno porte do setor hoteleiro.

Analisaram o desenvolvimento dos empresários em empreendimentos de pequeno porte do setor hoteleiro de Sergipe e enfocaram o processo de aprendizagem, por meio da análise das

competências percebidas como necessárias ao desempenho dos negócios, das necessidades de treinamento e aprendizagem e como as redes de relacionamento interferem no processo

Getz e

Petersen 2005

Growth and profi t-oriented entrepreneurship among family business owners in the tourism and hospitality industry.

Identificaram o perfil empreendedor voltado ao crescimento e ao lucro dos empreendimentos, em detrimento do perfil direcionado à autonomia e ao estilo de vida no Canadá e na Dinamarca Jogaratnam

e Tse 2006

Entrepreneurial orientation and the structuring of organizations.

Analisaram a relação do desempenho com a orientação empreendedora e a estrutura das organizações, dentro do contexto hoteleiro asiático Dias, Nardelli e Vilas Boas* 2008 Competências Empreendedoras: um estudo sobre os empreendedores ganhadores do Prêmio TOP Empresarial

Realizaram estudo sobre competências

empreendedoras com cinco dos seis dirigentes empreendedores que ganharam o Prêmio TOP Empresarial 2006 Feuerschütte e Godoi* 2008 Competências de Empreendedores Hoteleiros: um estudo a partir da metodologia da história oral.

Analisaram a configuração das competências empreendedoras do setor hoteleiro a partir da reconstrução histórica de experiências de trabalho e da atuação dos sujeitos à frente do empreendimento. Honma e Teixeira* 2009 Competências empreendedoras: Estudo de Casos múltiplos no setor hoteleiro em Curitiba-PR

Analisaram as competências empreendedoras dos

proprietários de hotéis de Curitiba-PR, baseando-se em modelo de competências empreendedoras Mello e

Pimentel* 2010

. O Desenvolvimento de Competências no Setor Hoteleiro Capixaba.

Analisaram as competências profissionais requeridas pelo setor turístico e analisaram como

Autor Ano Título Contexto do Estudo

os trabalhadores desse setor adquirem essas competências

Honma e

Teixeira* 2011

Competências empreendedoras em hotéis de Pequeno Porte - Estudo de Casos múltiplos no setor hoteleiro em Curitiba-PR

Analisar as competências empreendedoras dos proprietários de hotéis de pequeno porte, baseando-se em modelo de competências

* Estudos feitos no Brasil

Fonte: Adaptado de Honma e Teixeira (2011).

O Quadro 10 mostra os estudos Internacionais que têm como foco a vocação

empreendedora na Ásia (JOGARATNAM; TSE, 2006) e a competência do gestor de

hotelaria em países como: Irlanda (LENEHAN, 2000), Áustria (PETERS; BUHALIZ,

2004), Canadá e Dinamarca (GETZ; PETERSEN, 2005).

Dos estudos nacionais (marcados no Quadro 2 com *) cinco tem como foco as

competências empreendedoras dos gestores de hotelaria. Mello e Pimentel (2010)

são os únicos que analisam as competências profissionais requeridas pelo setor

turístico, como os trabalhadores operacionais do setor adquirem as competências.

Ruschmann e Quadro (2008) relatam que o Instituto de Hospitalidade (IH), tem

por objetivo contribuir para o desenvolvimento sustentável do Brasil por meio do

aperfeiçoamento e qualificação do setor de turismo e trabalha implantando projetos

para o desenvolvimento e a qualificação de pessoas.

Para entender como funciona o Setor de Turismo, a subseção 2.4 busca

informações sobre as ocupações profissionais reconhecidas no Brasil com as suas

funções e competências estabelecidas por Lei.