2.3 O MODELO FLEURIET DE ANÁLISE FINANCEIRA
2.3.1.1 Reclassificação do circulante segundo Modelo Fleuriet
A seguir o Balanço Patrimonial reclassificado de acordo com o Modelo Fleuriet (FLEURIET, KEHDY, BLANC, 2003, p.8) e complementado por Assaf Neto (2010, p.184) e pelo autor desta dissertação:
Quadro 2.7 - Ativo patrimonial com reclassificação e nomenclatura Fleuriet
BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO
ATIVO CIRCULANTE Ativo Circulante Financeiro Caixa
Banco
Equivalentes de caixa Instrumentos financeiros
Ativo Circulante Operacional Contas a receber (-) PECLD /PDD Estoques Impostos a recuperar Despesas antecipadas Adiantamentos operacionais Outros créditos operacionais
ATIVO NÃO CIRCULANTE Realizável a Longo Prazo
Investimento Imobilizado Intangível
Diferido (Se Existir)
TOTAL DO ATIVO Contas Erráticas Contas Cíclicas Contas Não Cíclicas
Quadro 2.8 - Passivo e patrimônio líquido patrimonial com reclassificação e nomenclatura Fleuriet
BALANÇO PATRIMONIAL PASSIVO
PASSIVO CIRCULANTE Passivo Circulante Financeiro Empréstimos e Financiamentos Duplicatas descontadas
Impostos a pagar Dividendos a Pagar Outras obrigações
Passivo Circulante Operacional Fornecedores
Impostos e encargos a pagar Contas a pagar
Adiantamento de clientes Provisões a pagar
Outras obrigações operacionais PASSIVO NÃO CIRCULANTE Empréstimos de longo prazo
Financiamentos de longo prazo Impostos refinanciados e diferidos Receitas diferidas
PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital Social
(-) Redutoras do PL Reservas
Ajustes de Avaliação Patrimonial Prejuízos Acumulados
TOTAL DO PASSIVO + PL
2.3.1.1.1 Ativo Circulante Operacional (ACO)
São as aplicações no ativo circulante (capital de giro) absolutamente ligadas a atividades da empresa, isto é, operacionais por isso designadas por Fleuriet como contas cíclicas do ativo circulante:
Contas Erráticas Contas Cíclicas Contas Não Cíclicas
a) estoques e consequentemente em impostos a recuperar como ICMS a recuperar, IPI a recuperar e PIS/COFINS a recuperar;
b) financiamento a clientes representadas pelo contas a receber, a duplicatas a receber, cheques pré-datados, carnês a receber e equivalentes;
c) perdas estimadas com créditos de liquidação duvidosa, isto é créditos concedidos a clientes, também designada pelo nome provisão para devedores duvidosos (PDD); d) despesas operacionais antecipadas como por exemplo seguros, aluguéis, juros e qualquer despesa operacional paga antecipadamente;
e) adiantamento a fornecedores; f) adiantamento a empregados; g) outras aplicações operacionais.
2.3.1.1.2 Ativo Circulante Financeiro (ACF)
São as aplicações no ativo circulante (capital de giro) que não têm ligação direta com a operação e por isso designadas por Fleuriet como erráticas:
a) o saldo de caixa, inclusive em trânsito e fundo fixo; b) os saldos bancários em contas de livre movimentação;
c) equivalentes de caixa são as aplicações menores que 90 dias conversíveis em caixa com insignificante perda;
d) aplicações financeiras em instrumentos financeiros destinados à negociação e ou disponíveis para a venda;
e) restituição de imposto de renda;
g) títulos de crédito relativos a venda de ativos permanentes; h) outros ativos financeiros e títulos de créditos não operacionais.
2.3.1.1.3 Ativo Não Cíclico (ANC)
Trata-se das aplicações no ativo realizável a longo prazo (ARLP), subgrupo Investimento, subgrupo Imobilizado, subgrupo Intangível e os resíduos do Diferido. Após adoção pelo Brasil das normas internacionais esse grupo de contas coincide com o ativo não circulante. As aplicações nesses subgrupos são aplicações financeiras de longo prazo (ARLP) e as aplicações na infraestrutura da empresa (Imobilizado e Intangível), não possuem nenhuma característica de giro, são a infraestrutura utilizada pela empresa para gerar as receitas e não para ser realizada ciclicamente. Por isso as contas que representam essas aplicações são designadas por Fleuriet como não cíclicas.
2.3.1.1.4 Passivo Circulante Operacional (PCO)
São as obrigações, recursos de terceiros, de curto prazo com vinculação direta com a operação, isto é com o negócio, que só existem em função da atividade da empresa, por isso são designadas por Fleuriet como contas cíclicas do passivo circulante:
a) Fornecedores, são as compras de matérias primas e ou mercadorias e ou produtos semiacabados feitos à prazo;
b) Impostos indiretos e contribuições a pagar como ICMS, IPI, PIS/COFINS e ISS; c) Encargos a pagar e a recolher como FGTS, INSS empregador e empregado; d) Contas a pagar representam todas as despesas operacionais incorridas e não pagas em período anteriores e que, portanto, estão contribuindo para financiar as
necessidades de aplicações operacionais. Como por exemplo: salários a pagar, aluguéis a pagar, contas de consumo a pagar e demais despesas operacionais a pagar;
e) Participações de funcionários a pagar;
f) Provisões trabalhistas e demais provisões operacionais como para cobertura de garantias e danos a clientes;
g) Adiantamentos de clientes;
h) Demais obrigações operacionais.
2.3.1.1.5 Passivo Circulante Financeiro (PCF)
a) Empréstimos bancários de capital de giro, hot money, contas garantidas, cheques especiais e outros;
b) Financiamentos bancários para aquisição de itens:
b.1) do ativo investimento: participações societárias permanentes, propriedades para investimentos (locação ou valorização), demais investimentos
b.2) do imobilizado: máquinas, veículos, terrenos, edificações, construção em andamento e outros
b.3) do intangível: marcas, patentes, formulas, direitos de concessão e outros.
c) Duplicatas descontadas: trata-se da parcela das duplicatas a receber descontadas previamente em operações de antecipação feitas nos banco comerciais. Essa conta era classificada como redutora do ativo circulante e após a adoção pelo Brasil das normas internacionais, devem ser classificadas como passivo e os juros cobrados pelo banco como direito redutor do passivo, de acordo com exemplo a seguir, na tabela 2.14.
Tabela 2.14 - Apresentação duplicatas descontadas
Banco 90.000 Duplicatas descontadas 100.000
(-) Juros passivos a transcorrer (10000)
ATIVO PASSIVO
ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE
Tabela elaborada pelo autor
d) Impostos diretos a pagar: representa o débito da empresa com imposto de renda, contribuição social a pagar, imposto de exportação, e outros;
e) Dividendos a pagar: parcela do lucro destinada aos sócios;
f) Outras obrigações: empréstimos a pagar a controladora ou coligadas e outras obrigações não ligadas à operação como títulos a pagar pela aquisição de ativos permanentes e outros.
2.3.1.1.6 Passivo Não Cíclico (PNC + PL)
Esse grupo coincide com o passivo não circulante (PNC), de acordo com as novas normas (CPC 26) e com o patrimônio líquido (PL). As contas apresentadas nesses subgrupos são empréstimos e financiamentos de longo prazo e os capitais próprios. Essas contas nada têm a ver com a dinâmica operacional, por isso Fleuriet as designa como não cíclicas.