A 31/12/2012 estavam em situação de reclusão 2252 indivíduos condenados ao abrigo da Lei da Droga, representando um acréscimo de +9% relativamente a 2011. Após a descida contínua no número de reclusos condenados ao abrigo da Lei da Droga entre 2002 e 2008, parece ter-se iniciado um período de tendência para a subida que é reforçada em 2012, embora ainda com valores inferiores aos registados até 2007.
Estes reclusos representavam a 31/12/2012 cerca de 21% do universo da população reclusa condenada, mantendo-se esta proporção muito semelhante desde 2008.
Figura 72– Total de Reclusos Condenados* e Reclusos Condenados* ao Abrigo da Lei da Droga, segundo o Ano
* Não inclui inimputáveis internados em Clínicas e Hospitais Psiquiátricos não Prisionais.
Fonte: Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais / Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências: DMI – DEI
A maioria destes indivíduos (88%) estavam condenados por tráfico, 10% por tráfico de menor gravidade e menos de 1% por tráfico-consumo, percentagens estas que se enquadram no padrão dos últimos anos.
Quadro 19- Reclusos Condenados ao Abrigo da Lei da Droga, por Tipo de Crime 2012 e variações relativas a 2011 / 2009 / 2006
Fonte: Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais / Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências: DMI – DEI
81Ver o volume Anexo ao Relatório Anual • 2012 - A Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependências, pág. 163 à pág. 168, disponível no sítio web do SICAD (http://www.sicad.pt)..
9715 9260 8699 8958 9306 10 211 10 953 2650 2524 1849 2026 1950 2075 2252 2000 4000 6000 8000 10000 12000 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 R ec lu so s
Total de Reclusos Condenados Reclusos Condenados ao Abrigo da Lei da Droga
2012
T ipo de C rime
Total Reclusos Condenados 2 252 100,0 8,5 11,2 -15,0
% %
Tráfico 1 991 88,4 6,9 9,8 -16,7 Tráfico Menor Grav idade 221 9,8 24,9 24,2 17,6 Tráfico-Consumo 13 0,6 0,0 -59,4 -75,5 Outro 27 1,2 17,4 1250,0 42,1
∆ 11-12 ∆ 09-12
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Em relação a 2011 manteve-se o mesmo número de reclusos condenados por tráfico- -consumo, e em contrapartida, acréscimos no de reclusos condenados tráfico de menor gravidade (+25%) e por tráfico (+7%). É importante referir o aumento nos dois últimos anos de reclusos condenados por outros crimes relacionados com a Lei da Droga (embora ainda com um peso muito residual de 1%), sendo de destacar, pela primeira vez desde 2003, a situação de reclusão de 2 indivíduos condenados por crimes relacionados com precursores.
Estes reclusos condenados ao abrigo da Lei da Droga continuam a ser maioritariamente do sexo masculino (89%) e com idades compreendidas entre os 30-39 anos (34%) e 40-49 anos (29%), sendo que 21% tinham idades inferiores aos 30 anos. A idade média era de 39 anos.
Quadro 20– Socio demografia dos Reclusos Condenados ao Abrigo da Lei da Droga 2012
a) Nas variáveis consideradas, apenas se referem as categorias com maior relevância percentual.
Fonte: Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais / Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências: DMI – DEI
Continuam a ser na sua maioria de nacionalidade portuguesa (71%), registando-se em 2012 um ligeiro decréscimo da proporção de estrangeiros comparativamente aos anos anteriores.
T ipo de C rime
C aracterização Total Tráfico
Sexo Masculino 88,5% 88,0% 92,3% 95,8% 30-39 anos 34,4% 34,1% 15,4% 41,7% 40-49 anos 28,6% 28,5% 61,5% 20,8% Idade Média 39 45 36 Nacionalidade Portuguesa 70,5% 68,4% 85,5% 76,9% 95,8% Outro Traficante Consumidor 39 Grupo Etário
So cio demo gráfica a)
Tráfico Menor Gravidade 92,8% 36,2% 28,1% 37
Caracterização e Evolução da Situação - Tendências por Drogas
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Tendências por Drogas
Nos estudos epidemiológicos nacionais realizados ao longo dos anos, a cannabis tem surgido sempre como a droga que apresenta as prevalências de consumo mais elevadas nos diferentes contextos e nas diversas etapas do ciclo de vida. Nos estudos mais recentes em populações escolares (2010 e 2011) constata-se uma tendência de aumento das prevalências de consumo de cannabis. No estudo mais recente realizado na população portuguesa (2012), entre 2007 e 2012 verificou-se uma descida das prevalências de consumo de cannabis ao longo da vida e do consumo recente, tanto na população total (15-64 anos) como na jovem adulta (15-34 anos). No entanto, registaram-se aumentos nas proporções de consumidores recentes de cannabis que apresentavam sintomas de dependência, sendo de destacar o aumento no grupo mais jovem (15-24 anos) de consumidores. Segundo vários estudos, a cannabis é a droga ilícita que os jovens portugueses atribuem em menor proporção um risco elevado para a saúde
No âmbito dos indicadores sobre os problemas relacionados com os consumos, no contexto da procura de tratamento a cannabis surgiu pela primeira vez em 2012, como a droga principal mais referida pelos novos utentes do ambulatório, constatando-se nos últimos dois anos aumentos relevantes no número de utentes que recorreram a tratamento tendo a cannabis como droga principal. A nível da mortalidade relacionada com o consumo de drogas, e no que se refere aos registos específicos de mortalidade do INMLCF, I.P., a presença de cannabis continua a ser residual nos casos de overdose, sendo no entanto a droga predominante nas mortes atribuídas a outras causas de morte (nomeadamente acidente, morte natural, homicídio e suicídio). Nos processos de contraordenação por consumo de drogas, a cannabis mantém um papel predominante e com visibilidade crescente em 2012, refletindo as prevalências de consumo na população portuguesa.
De acordo com os resultados de vários estudos, em Portugal, tal como no resto da Europa, a cannabis é percecionada como a droga de maior acessibilidade. A nível de vários indicadores do domínio da oferta de drogas ilícitas, em 2012 foi consolidado o predomínio crescente da cannabis, refletindo a prevalência do seu consumo no país: uma vez mais foi a substância que registou o maior número de apreensões e que envolveu o maior número de presumíveis infratores e de condenados na posse de drogas, representando os valores registados nos quatro últimos anos, os mais elevados desde 2002.
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Os vários estudos epidemiológicos nacionais realizados ao longo dos anos, evidenciam que o consumo de heroína tem vindo a perder relevância comparativamente a outras drogas. Nos estudos mais recentes em populações escolares (2010 e 2011) constata-se um reforço das tendências de estabilidade e de diminuição das prevalências de consumo de heroína, já verificadas nos estudos anteriores de 2006 e 2007. No estudo mais recente realizado na população portuguesa (2012), a heroína surgiu com prevalências de consumo muito residuais na população total (15-64 anos) e na jovem adulta (15-34 anos), verificando-se uma descida das prevalências de consumo ao longo da vida e do consumo recente em relação a 2007.
No âmbito dos indicadores sobre os problemas relacionados com os consumos, no contexto da procura de tratamento a heroína continua a ser a droga predominante a nível da maioria dos grupos de utentes que recorreram em 2012 às diferentes estruturas de tratamento da toxicodependência, constatando-se no entanto, nos anos mais recentes, uma tendência para a diminuição do seu peso relativo face a outras drogas. A nível da mortalidade relacionada com o consumo de drogas e no que se refere aos registos específicos de mortalidade do INMLCF, I.P., a presença de opiáceos continua a ser muito relevante nas mortes por overdose. Nos processos de contraordenação por consumo de drogas, a heroína continua a ter um peso bastante inferior ao da cannabis, e, apesar de ainda se manter como a segunda droga mais referenciada nesses processos, tem vindo a perder importância relativamente a outras drogas.
Nos vários indicadores do domínio da oferta, constatou-se novamente em 2012 um decréscimo da visibilidade da heroína reforçando a quebra registada em 2011, após o pico de 2009 e 2010 com alguns indicadores a registarem os valores mais elevados da década.
Os vários estudos epidemiológicos nacionais realizados ao longo dos anos mostram que o consumo de cocaínatem vindo a ganhar maior visibilidade. De um modo geral, os estudos mais recentes em populações escolares (2010 e 2011) evidenciaram aumentos das prevalências de consumo de cocaína, surgindo no ECATD 2011 como a segunda droga com maiores prevalências de consumo ao longo da vida entre os alunos mais novos (13-15 anos). No estudo mais recente realizado na população portuguesa (2012), a cocaína surgiu como a terceira droga preferencialmente consumida na população total (15-64 anos) e na jovem adulta (15-34 anos), embora com prevalências de consumo muito inferiores às de cannabis, registando-se uma diminuição das prevalências de consumo em relação a 2007.
No âmbito dos indicadores sobre os problemas relacionados com os consumos, na procura de tratamento foi consolidada a posição da cocaína como a segunda droga principal mais referida pelos utentes que em 2012 estiveram em tratamento nas diferentes estruturas de tratamento da toxicodependência, verificando-se nos anos mais recentes aumentos no número de utentes com a cocaína como droga principal, em quase todas estruturas de tratamento. A nível da mortalidade relacionada com o consumo de drogas e no que se refere aos registos específicos de mortalidade do INMLCF, I.P., pela primeira vez, em 2012 a cocaína foi a droga ilícita predominante nas mortes por overdose. Nos processos de contraordenação por consumo de drogas, a cocaína continua a surgir com uma importante inferioridade numérica comparativamente à cannabis, mas já equiparada à heroína.
Relativamente à perceção sobre a facilidade de acesso à cocaína, segundo o Eurobarómetro, em 2011 cerca de um quarto dos jovens portugueses de 15-24 anos consideravam relativamente fácil ou muito fácil aceder a cocaína num período de 24 horas (se desejado). Nos vários indicadores do domínio da oferta de drogas ilícitas, em 2012 uma vez mais foi consolidada a posição da cocaína como a segunda droga com maior visibilidade a nível das apreensões policiais e condenações ao abrigo da Lei da Droga.
Caracterização e Evolução da Situação - Tendências por Drogas
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Os vários estudos epidemiológicos nacionais realizados mais recentemente, mostram que oconsumo de ecstasyadquiriu um pouco mais de visibilidade. De um modo geral, os estudos em populações escolares (2010 e 2011) evidenciaram ligeiros aumentos das prevalências de consumo de ecstasy, após a tendência de diminuição entre 2001-2003 e 2006-2007, embora com prevalências de consumo inferiores às registadas no início da década anterior. Os resultados do ESPAD 2003, 2007 e 2011 relativos às perceções do consumo regular de ecstasy evidenciaram um aumento do risco percebido associado a esse consumo. No estudo mais recente realizado na população portuguesa (2012), o ecstasy surgiu como a segunda droga preferencialmente consumida na população total (15-64 anos) e na jovem adulta (15-34 anos), embora com prevalências muito inferiores às de cannabis. Entre 2007 e 2012 registou-se na população total uma estabilização das prevalências de consumo de ecstasy ao longo da vida e uma ligeira diminuição nos consumos recentes, e, diminuições de ambas as prevalências na população jovem adulta.
A nível de vários indicadores sobre problemas relacionados com os consumos, o ecstasy continua a ter um papel muito residual. No entanto, contrariamente à tendência de diminuição da sua visibilidade nos anos anteriores, em 2011 e 2012 constataram-se aumentos a nível de alguns indicadores, designadamente da mortalidade relacionada com o consumo de drogas e dos processos de contraordenação por consumo de drogas.
Relativamente à perceção sobre a facilidade de acesso ao ecstasy, segundo o Eurobarómetro, em 2011 cerca de um quarto dos jovens portugueses de 15-24 anos consideravam relativamente fácil ou muito fácil aceder a ecstasy num período de 24 horas (se desejado). Nos resultados do ESPAD 2003, 2007 e 2011, o ecstasy foi considerada pelos alunos de 16 anos como de menor acessibilidade que a cannabis, diminuindo a facilidade percebida de acesso entre 2003 e 2011. No âmbito de vários indicadores do domínio da oferta de drogas ilícitas, o ecstasy continua a apresentar valores pouco expressivos. Apesar de ter vindo a diminuir na segunda metade da década anterior a sua visibilidade no mercado nacional, nos últimos dois anos alguns indicadores apresentam níveis superiores aos anteriormente registados, sendo no entanto prematuro falar já de um crescimento ou ressurgimento do mercado de ecstasy.
Relativamente a outras drogas, nos resultados dos estudos epidemiológicos nacionais realizados recentemente na população geral e nas populações escolares, são de destacar os aumentos nas prevalências de consumo de LSD.
Nos vários indicadores sobre problemas relacionados com os consumos, a referência isolada a outras drogas ilícitas para além das atrás referidas mantém-se pouco expressiva.
A nível dos indicadores do domínio da oferta de drogas ilícitas, em 2012 e à semelhança dos anos anteriores, registaram-se apreensões de uma grande variedade de substâncias para além da cannabis, heroína, cocaína e ecstasy, sendo de destacar, seja pelas quantidades apreendidas e/ou pela ausência ou raridade de registos de apreensões anteriores, algumas substâncias estimulantes, designadamente mefedrona, 2C-B e metilfenidato.
As situações relacionadas com policonsumos continuam a ser relevantes no âmbito dos vários indicadores sobre problemas relacionados com os consumos, designadamente a nível da mortalidade. Nos indicadores do domínio da oferta de drogas ilícitas, também a posse de várias drogas assume particular importância, representando em 2012 cerca de um quarto ddas situações de infrações e de condenações ao abrigo da Lei da Droga.
Caracterização e Evolução da Situação - Tendências por Drogas: Cannabis