Capítulo II. Metodologia de investigação
1.3. Recolha de dados: Procedimentos e instrumentos
Não basta saber apenas que tipos de dados devem ser recolhidos, é importante perceber quais os instrumentos para a recolha de dados. Segundo Bruyne et al., (1975)
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citado em Lessard-Hébert et al., (2005), há três procedimentos principais de recolha de dados utilizados na investigação interpretativa: i) a observação; ii) o inquérito (oral – entrevista e escrita - questionário); e (iii) a análise documental. (p. 143)
1.3.1. Observação
Numa primeira fase, a recolha de dados foi feita através da observação. Segundo Sousa (2005), este afirma que:
As observações usadas para investigação dos processos educacionais são necessariamente mais formais, objectivas e sistematizadas que as correntes observações do quotidiano. As observações em educação destina-se essencialmente a pesquisar problemas, a procurar respostas para questões que se levantem e a ajudar na compreensão do processo pedagógico. Com uma adequada estratégia, bem planeada e sistematizada, a observação pode apresentar resultados com rigor próximo dos da experimentação, onde é muitas vezes empregue como instrumento de avaliação (p. 109).
A título de curiosidade, Sousa (2005), afiança que as modalidades de observação podem variar conforme várias situações: segundo o tipo de organização (simples ou estruturada); segundo o tipo de participação do observador (observação participante e observação não-participante); segundo o tipo de procedimento (sistematizada ou não- sistematizada); e segundo o contexto (laboratorial ou em campo).
Conforme Sousa (2005) a observação simples “trata-se de uma forma de observação em que o observador, sem conhecer em profundidade o contexto nem os sujeitos, observa de modo espontâneo os factos que ocorrem, de um ponto de vista exterior, mais como um espectador do que como um investigador” enquanto que a observação estruturada “é previamente organizada de modo a que a recolha dos dados seja mais objectiva e concreta. (…) parte da formulação do problema para estruturar uma estratégia de observação que vise directamente a recolha de dados” (pp. 112-113).
A observação participante “consiste no envolvimento pessoal do observador na vida da comunidade educacional que pretende estudar, como se fosse um dos seus elementos, observando a vida do grupo a partir do seu interior, como seu membro”. Na observação não-participante “o observador toma contacto mas não se integra no contexto que observa, mantendo um certo afastamento, permanecendo de fora” (Sousa, 2005, p. 113).
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A observação sistematizada “é utilizada sobretudo quando se procede a uma investigação em que o problema e as hipóteses estão bem definidos, sendo necessário proceder-se a uma série de observações estrategicamente organizadas de modo a que os dados obtidos possam confirmar ou infirmar das observações”. Enquanto que na observação não-sistematizada “o observador, sem ter nada previamente planeada, apenas fica atento aos acontecimentos, registando (…) aqueles comportamentos (…) que poderão eventualmente possuir significado para a investigação” (Sousa, 2005, p. 114).
A observação individual “trata-se de uma observação efectuada apenas por um único observador”. E, a observação em equipa “é efectuada por vários observadores” (Sousa, 2005, p. 114).
Por fim, a observação laboratorial, em educação, é pouco habitual, “só quando se pretende enveredar por estudos de competências e capacidades pessoais é que se recorre à elaboração de condições laboratoriais, procurando o maior rigor no controlo das variáveis independentes.” A observação em campo é onde quase todas as observações são efectuadas, onde o “observador regista os dados à medida que forem ocorrendo” (Sousa, 2005, p. 115).
Tendo em atenção o que foi descrito anteriormente, posso concluir que a minha observação foi estruturada, participante, sistematizada, individual e o seu contexto foi em campo.
1.3.2. Notas de campo
Depois de cada observação é necessário que o investigador descreva o que aconteceu, reflicta sobre o trabalho realizado e que sugira estratégias. A tudo isto, designamos por notas de campo. E estas são “o relato escrito daquilo que o investigador ouve, vê, experiencia e pensa no decurso da recolha e reflectindo sobre os dados de um estudo qualitativo” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 150). Relativamente ao conteúdo das notas de campo e segundo Bogdan e Biklen (1994), estas dividem-se em dois tipos: descritivo e reflexivo. Descritivo porque a “preocupação é a de captar uma imagem por palavras do local, pessoas, acções e conversas observadas. O outro é reflexivo – a parte que apreende mais o ponto de vista do observador, as suas ideias e preocupações” (p. 152).
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1.3.3. Registo fotográfico
A fotografia está ligada à investigação qualitativa e podem ser utilizadas para futuro estudo e análise. “As fotografias dão-nos fortes dados descritivos, são muitas vezes utilizadas para compreender o subjectivo e são frequentemente analisadas indutivamente” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 183).
1.3.4. Inquérito por questionário
Podemos afirmar que o inquérito se divide em entrevista e em questionário. A técnica que apliquei foi o inquérito por questionário. “O inquérito por questionário de perspectiva sociológica distingue-se da simples sondagem de opinião pelo facto de visar a verificação de hipóteses teóricas e a análise das correlações que essas hipóteses sugerem” (Quivy & Campenhoudt, 2008, p. 188). Seguindo a mesma linha, os autores delineiam um conjunto de vantagens e desvantagens deste instrumento de recolha de dados.
No que respeita às vantagens poderei apontar as seguintes:
- A possibilidade de quantificar uma multiplicidade de dados e de proceder, por conseguinte, a numerosas análises de correlação;
- O facto de a exigência, por vezes essencial, de representatividade do conjunto dos entrevistados poder ser satisfeita através deste método. É preciso sublinhar, no entanto, que esta representatividade nunca é absoluta, está sempre limitada por uma margem de erro.
Sobre as desvantagens é possível referir: - A superficialidade das respostas;
- A individualização dos entrevistados, que são considerados independentemente das suas redes de relações sociais;
- O carácter relativamente frágil da credibilidade do dispositivo (pp.189-190).
1.3.5. Análise documental: Diários e trabalhos dos alunos
A recolha documental incidiu nos registos nos diários de bordo, nos trabalhos realizados pelos alunos e pelas notas de campo. Este instrumento de recolha de dados trata- se “de uma técnica que tem, com frequência, uma função de complementaridade na
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investigação qualitativa, isto é, que é utilizada para «triangular» os dados obtidos através de uma ou duas técnicas” (Lessard-Hébert, Goyette, & Boutin, 2005, p. 144).
Para Bell (1993), a análise documental pode servir para dois fins: complementar a informação recolhida através de outros métodos ou ser o método principal de recolha de dados. Neste estudo ambos os fins foram contemplados. As notas de campo e os trabalhos dos alunos destinaram-se a completar a informação recolhida através do questionário e da observação, já os diários de bordo e as reflexões escritas, serviram como método principal de recolha de dados no que respeita ao seu conteúdo e profundidade.
1.3.6. Pré-teste e pós-teste
De acordo com Lessard-Hébert (1996), no quadro de projectos de intervenção, é essencial precisar que a experimentação no terreno toma geralmente a forma de uma quase experimentação: análise e comparação de dados recolhidos antes (pré-teste) e depois (pós- teste) da intervenção.
Segundo Valadares e Graça (1998) “há que recorrer a pré-teste, em geral confinados a determinadas áreas e com baixo nível de dificuldade, para obter dados preciosos acerca do aluno, e que poderão contribuir para lhe proporcionar, desde logo, um programa de trabalho essencial e para o integrar num grupo de trabalho adequado. E, no final das várias unidades de ensino, há que utilizar o pós-teste, de modo a avaliar em que medida os objectivos formulados para essas unidades foram alcançados” (p. 127). Realço que quer o pré-teste quer o pós-teste foram devidamente validados por dois professores especialistas na área da Matemática.
Para além das técnicas de recolha de dados, é necessário a definição de momentos de avaliação: “antes da intervenção (pré-teste) durante a intervenção (diário de bordo, observação, instrumentos de avaliação formativa) e/ou depois da intervenção (pós-teste) ” (Lessard-Hébert, 1996).
Os dados recolhidos num diário de bordo podem ser benéficos no momento de avaliação dos resultados, para interpretar dados recolhidos por intermédio da observação ou com a ajuda de um questionário.
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