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7. Recomendações setoriais

A síntese das recomendações do inventário de emissões antrópicas e sumidouros de gases de efeito estufa do Estado do Acre foi estruturada a partir das dificuldades e oportunidades levantadas durante seus 2 anos de construção e tem como objetivo sistematizar esses temas de acordo com sua relevância para os tomadores de decisão, órgãos de ensino e pesquisa e sociedade como um todo.

7.1. Método e periodicidade do inventário

Para permitir a comparação com outros governos subnacionais e a integração com o inventário nacional, a metodologia a ser adotada deverá ser definida pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC).

7.2. Lacunas de informação do inventário

Para o Estado do Acre há uma dificuldade de obtenção de séries históricas longas com densidades adequadas de informação espacializada de temperatura, precipitação e cotas fluviométricas, uma vez que há uma baixa densidade da rede de estações meteorológicas associada à descontinuidade na manutenção de outras estações. Além disso, tem-se uma dificuldade de acesso à informação existente, compatível com a necessidade de informação rápida, segura e precisa do inventário.

Dessa forma é urgente e estratégico o aumento da densidade de estações meteorológicas no Acre, associado à integração das informações sobre qualidade de ar existentes no estado como aquelas controladas pela Ufac e Unesp.

Para o inventário do ano base de 2012, será muito importante estratificar as análises por município, pois essa ação permitirá a integração com os zoneamentos municipais e as análises de redução de desmatamento e queimadas também nesse nível de análise.

É relevante que se envidem esforços para inserir temas das relações antrópicas com o ambiente (mudanças climáticas x pobreza), no contexto local, regional e global, nos ciclos básicos e avançados do sistema educacional estadual.

A partir da intensificação da rede de estações e do detalhamento da base de conhecimento do uso da terra em alta resolução, será possível estruturar um sistema de monitoramento comunitário participativo, que envolva comunidades isoladas e territórios indígenas, sendo essas informações a base para o conhecimento do estado atual do uso e dos efeitos das mudanças globais na escala local.

Capítulo 3 - Descrição das Providências Previstas ou Tomadas para a Implementação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima no Acre

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7.2.1. Informações setoriais a) Energia

Há necessidade de se estratificar a informação por tipo de uso final de energia para permitir as análises subsetoriais relevantes. Para analisar o efeito da intensidade de alteração da temperatura, é necessário avaliar as relações de aquecimento global com consumo de refrigeradores e energia versus dados econômicos espacializados numa base territorial urbana, naqueles municípios onde se houver essas informações.

Na área rural deve-se integrar o consumo com a base de dados georreferenciada do Programa Luz para Todos do Ministério de Minas e Energia para permitir uma visão da cobertura atual e da demanda futura por fontes alternativas de energia.

b) Transporte

Há necessidade de desagregar o consumo de combustível do Estado do Acre por município e por setor. Além disso, buscar inserir o consumo de combustível pelo transporte fluvial, que poderia ser feito por um projeto de pesquisa com o tema e metodologia que incluísse estimativa e coletas de campo.

c) Agropecuária

Para o setor de agropecuária há necessidade de se ter uma modelagem de cenários futuros de alterações na produtividade em cada zona do ZEE, de acordo com as mudanças climáticas.

Estruturar uma base com a quantidade e qualidade de insumos (calcário e adubos) utilizados na agricultura acriana para ter outros níveis de emissão a partir desse uso no manejo do solo.

Para as emissões diretas pelo rebanho devem-se incluir outros tipos de animais na estimativa de emissões da pecuária, como por exemplo: burro, porco, aves, ovelhas, etc. Uma variável a ser considerada no próximo inventário será o quantitativo de máquinas agrícolas e suas respectivas emissões no Estado do Acre.

d) Uso da terra e floresta

Há necessidade de continuar o aprimoramento das estimativas de estoque de carbono florestal e de carbono no solo (incluindo aspectos metodológicos, como uso de parcelas destrutivas, imagens de alta resolução, laser aerotransportado e estimativas mais acuradas de densidade do solo).

Considerar nas análises anuais de desmatamento a inserção da variável regeneração e de degradação florestal.

e) Resíduos sólidos urbanos

É importante que se defina uma estratégia de disposição dos resíduos sólidos urbanos, por meio da implementação do Plano Estadual de Gestão de Resíduos Sólidos com a implantação ou substituição de lixões por aterros sanitários.

7.3. Lacunas de infraestrutura – redes instrumentais de monitoramento da qualidade ambiental – matriz sólida, líquida e gasosa

A ausência ou fase inicial de monitoramento de aspectos biofísicos relacionados ao desenvolvimento do Estado do Acre indica o seguinte:

Inventário de Emissões Antrópicas e Sumidouros de Gases de Efeito Estufa do Estado do Acre: Ano-Base 2010

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• É necessário consolidar a rede de estações meteorológicas do Acre, com início de estudos com estações móveis. • É necessário avançar em estratégias de monitoramento do uso da terra com estruturação de uma base de

pontos com verdades de campo.

• É importante implementar a rede estadual de monitoramento da qualidade de água, conforme plano estadual de recursos hídricos.

• Também é necessário implantar uma estação de monitoramento da qualidade do ar urbano em tempo real, como recomendado no PCPV, considerando o crescimento da frota de veículos acriana (ACRE, 2011).

Capítulo 3 - Descrição das Providências Previstas ou Tomadas para a Implementação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima no Acre

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8. Referências

ABRELPE. Panorama dos resíduos sólidos no Brasil: 2010. Disponível em: <http://www.abrelpe.org.br/

panorama_envio.cfm?ano=2011>. Acesso em: 30 ago. 2011.